SNS – Saúde para todos


DESCENTRALIZAR A SAÚDE

Num país como o nosso, pobre, desigual e injusto, o SNS é um instrumento muito eficaz para aplanar essas desigualdades. É eficaz, seguro e de resultados imediatos.

O que não quer dizer que o Estado tenha que ser o único prestador de
cuidados de saúde. A complementaridade introduzida pela iniciativa
privada, reduz a pressão da procura sobre os hospitais públicos,com a
consequente melhoria dos cuidados prestados, acelera a inovação nos
processos, equipamentos e instalações e responde à procura mais selectiva das camadas mais ricas da sociedade.
Contrariamente ao que nos querem fazer crer, é uma coisa boa!

O Estado deve estabelecer com os privados acordos de prestação e
fornecimento de serviços, mas não deve financiar os privados que deverão socorrer-se de receitas próprias e de regimes de Seguros individuais de saúde.
A bem da verdade, quando o Estado aceita que os custos de Seguros
de Saúde sejam considerados como custos na determinação do IRC ou do IRS, está já a suportar e a financiar a actividade privada.

Tem ainda uma função de “preenchimento” das áreas geográficas que o SNS vem abandonando, por razões de economia e racionalidade de meios, que sendo defensável, deixa no entanto, atrás de si, um vazio social em populações envelhecidas e cada vez mais sós.

O SNS é tambem um meio eficaz de fixar as populações em regiões cada vez mais desérticas!

A medicina evoluiu muito nos últimos trinta anos! Evoluiu mais que nos
anteriores dois séculos. É por isso natural que muitos dos conceitos
estejam ultrapassados.
Há hoje um evidente desajuste entre as capacidades tecnológicas e saberes e a organização e gestão dessas capacidades.
O que está, pois em causa, é ajustar as políticas, a organização e a gestão “ao estado da arte”.

Levar os cuidados de saúde ao doente, e não o doente ao hospital, é hoje uma das premissas em que deve assentar a organização nacional da Saúde.
Este conceito levar-nos-á:

DESCENTRALIZAÇÃO

Descentralizar não é criar mais uma “casta de políticos” profissionais!
Não é criar mais uma classe de funcionários públicos! Não é criar um
nível intermédio de decisão!

Descentralizar é outorgar uma real capacidade decisória ao nível da
organização, da gestão, do planeamento financeiro, da avaliação e
correspondente pacote salarial dos Recursos humanos.

É outorgar a responsabilidade e respectivos meios de racionalizar o
parque de instalações e equipamentos, recursos humanos, gestão de
doentes, compras, gestão de stocks, ao nível de uma dada área geográfica, ao nível da

UNIDADE LOCAL HOSPITALAR

Esta unidade é composta pelos meios humanos, técnicos ,instalações e
equipamentos de uma dada área geográfica (fujo propositadamente á
palavra “região”). Pode ser transversal a mais que uma região
administrativa, aproveitando-se a complementaridade resultante da
proximidade!

A sua DIRECÇÃO deve ser constituída por elementos nomeados das direcções das unidades hospitalares abrangidas

Terá um hospital de referência dotado de meios humanos e técnicos
diferenciados.

Uma segunda linha de hospitais e/ou centros de saúde menos diferenciados que o hospital de referência ( com as chamadas valências médicas e cirúrgicas populares)

Um grupo de centros de saúde de proximidade, chefiados em permanência pelo médico de família.

Os meios da Urgência Médica do INEM e/ou Bombeiros.

Só chegarão ao Hospital de referência os doentes vítimas de acidentes ou doenças agudas.Nos restantes casos o doente deverá ser observado nos centros de saúde e hospitais de segunda linha,que poderão tomar a decisão de os enviar para o nível mais diferenciado.

Os hospitais deverão estabelecer com os centros de saúde protocolos de deslocação de médicos especialistas em dias pré-determinados, por forma que as consultas de rotina sejam feitas ao nível do centro de
saúde, deixando para os hospitais os actos médicos mais diferenciados.

Com os actuais meios de comunicação é possível exercer actos médicos tutelados á distância, nos centros de saúde e nos meios de socorro do INEM e dos Bombeiros.

Estatísticas demonstram que se o sinistrado ou o doente acometido de
doença súbita for socorrido nos primeiros 15 minutos após o ínicio da
doença, 80% salvam-se.

Cuidados de saúde de proximidade!

Cuidados de saúde no local certo! Não no mais perto!

Aliviar a pressão da procura onde os serviços mais diferenciados são
prestados!

PS: CENTROS HOSPITALARES Vale do Sousa
Hospital de referência
H H H H

Centro Saúde cs cs cs cs cs cs cs

O(s) CENTRO(s) Hospitalare(s) de uma dada área geográfica serão coordenados por uma Administração Regional de Saúde.
Foram recentemente extintos 74 sub-administrações regionais de saúde com a simultânea criação dos Centros Hospitalares.
Troca-se a proximidade e coordenação administrativa pela proximidade técnica e coordenação dos meios de prestação de cuidados!

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