A minha primeira vez

Estava na fila, na escola aqui ao lado onde ainda hoje vou votar . Uma emoção, um momento que jamais esquecerei. Ía chegando a minha vez e o meu nervosismo crescia.
As pessoas movimentavam-se confusas, não sabiam qual era a sua mesa, o seu número, mas tudo ordeiro e com uma alegria bem patente no rosto. Para todos nós era a primeira vez.
Pensava que quando chamassem o meu nome devia gritar algo, “abaixo o fascismo ” ou “acima a liberdade”, qualquer coisa me empurrava para gritar alto aquele momento importante nas nossas vidas.
Porque chegar à eleição de uma Assembleia Constituinte era dobrar ” o cabo das tormentas”, a primeira pedra de uma democracia pluralista .Era o farol que faltava no meio da tempestade daqueles anos de brasa e de equívocos. Todos acreditavamos num mundo melhor, mais dignidade, menos pobreza, pertencer à assembleia dos países livres do mundo.
Não cheguei a gritar e, rapidamente, percebi que não tinha alcançado, não tinha chegado ao fim da viagem, tinha tão só iniciado o caminho. Mas, com todos os mas, é um caminho que vale a pena.
A minha primeira vez foi como todas as primeiras vezes. Não esqueço as “cócegas” no fundo da barriga, mas do que me lembro com emoção, é que foi naquele momento que me senti adulto.
E, no entanto, já era pai e já tinha passado por uma guerra!

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