QUESTÕES ÉTICAS NOS CUIDADOS DE SAÚDE (6)

AS QUESTÕES ÉTICAS NOS CUIDADOS DE SAÚDE (6)

É difícil encontrar uma área onde as coisas funcionem como deve ser, uma área onde não haja incompetências, corrupções, fraudes, mercado de influências, arbitrariedades, obstruções, subornos, perseguições, discriminações, subserviências, conformismos e adaptacionismos. Seja na medicina, no ensino, na administração, nos governos. Em tudo o que é poder, a fasquia do Homem é muito rasteira, e o sentido histórico do nosso presente não conduz ao podium dos vencedores. Com este preâmbulo quero introduzir o problema das Faculdades. O berço do médico novo, do tal que nós temos obrigação de deixar ao futuro, o tal que deve constituir a preocupação do Conselho Nacional de Ética e Deontologia Médicas, já que com os médicos de hoje, alheios à consciência crítica que faz a diferença entre a vida e a representação, repito, é chover no molhado. A missão de uma instituição universitária como a Faculdade de Medicina é, por excelência, o serviço da vida, e deve estar voltada não só para o seu interior mas também para o exterior, para a sociedade em geral. Há docentes que têm dentro de si o Mundo, a solidária sensação da paisagem humana, o valor do Homem e da Terra, o Horizonte…mas não é propriamente obrigatório que quem ensina tenha dentro de si o Universo. O que não pode é limitar os seus horizontes aos pequenos mundos da cosmética. E, sobretudo, estes mundos não podem ser facilitados e criados pelo habitual esquema de jogos mais baixos ou menos baixos, conduzidos por toda a espécie de pessoas incompetentes, sem formação humana, humanística, social e política, sem escrúpulos e sem carácter, que proliferam dentro de todas as nossas esferas de direcção e ensino. Há profissionais, tidos como tal, que não passam de aprendizes, há professores em todas as áreas a precisarem de ser alunos, há directores do que quer que seja a ocupar lugares ditos de competência, há os pregadores de disparates que, pelo facto de terem conseguido algum aval às suas mentes obsoletas, lograram um púlpito do cimo do qual obrigam as pessoas a ouvi-los. Tudo isto é uma verdade que tenho testemunhado durante a minha vida, como espectador e vítima impotente. (Continua).

              (adão cruz)

(adão cruz)

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