Teresa Lopes (1969 – 2009) e a paixão pelos animais

Se um blogue é (também) um diário de vivências pessoais, permitam-me esta pequena evocação.
Teresa Lopes era uma apaixonada pelos animais e a actual Presidente da Direcção da VivAnimal, uma associação de defesa de animais de Rio Tinto. Morreu ontem, subitamente, com 40 anos de idade.
Nesta lufa-lufa do dia-a-dia, não cheguei a conhecê-la pessoalmente. E no entanto, partilhávamos a mesma paixão pelos animais, pertencíamos à mesma associação (ela Presidente, eu voluntário pouco assíduo) e éramos vizinhos.
Todos os dias, perdemos tempo com o que não interessa e com quem não interessa e perdemos de vista o que é realmente importante. Teresa Lopes era daquelas pessoas que interessa conhecer. Dona de uma saúde frágil, não hesitou em consagrar o melhor da sua vida aos animais. Sem recompensas que não o bem-estar dos seus amigos, que ia recolhendo aqui e ali por nunca ter coragem de dizer não a uma situação difícil.
Seria inocente não pensar que a sua morte está muito relacionada com a defesa dos animais. Como refere Manuela Gomes no blogue da associação, «o abandono e maus-tratos de animais está relacionado com o falecimento da Teresa Lopes: o desprezo, de outros, pelo bem-estar dos animais, levou ao cuidar dos animais, pela Teresa Lopes; a falta de carinho, de outros, pelos animais, levou a que a Teresa Lopes preenchesse tanto o seu coração e a sua mente que, talvez, isso não lhe tenha deixado tempo ou atenção para cuidar de si mesma; a irresponsabilidade de outros, levou a que a Teresa se responsabilizasse demasiado pelos animais que necessitavam de ajuda. Por isso, para mim, a morte da Teresa Lopes é um crime. E os culpados são todos os cobardes, insensíveis, cidadãos vulgares ou políticos que não agem correctamente e tomam as medidas necessárias, para que pessoas como a Teresa Lopes não sintam necessidade de se envolver tão sofridamente na protecção animal. Os animais são inocentes, as pessoas são culpadas e a Teresa Lopes foi – É – uma santa.»
Teresa Lopes deixa um filho de 9 anos. Que saibamos acarinhar uma criança que perdeu a mãe em tão tenra idade. E que alguém saiba amar os animais que um dia a Teresa conseguiu salvar.

Comments


  1. Também não a conheci pessoalmente, mas o mundo certamente ficou mais pobre!Que descanse em Paz!

  2. dalby says:

    Gosto de pessoas que gostem de animais..geralmente são pessoas meigas …e ..carentes…

  3. Snail says:

    Ricardo,Comoveram-me as suas palavras sobre a Teresa Lopes, pessoa que nunca conheci.Pelo que li, viveu uma vida dedicada aos outros, neste caso aos animais.Quem, como eu, já viu abandonar um animal sabe perfeitamente a dádiva que representa uma tal dedicação.Um carro parar na estrada, o condutor sair e puxar um pequeno cão para fora; o animal pular ao seu redor de contentamento, tentando lamber-lhe as mãos e brincar com ele; e, num ápice, o animal – de duas patas, óbvio – meter-se no carro e arrancar; o cão fica surpreso, pára e desata numa correria infrutífera atrás do carro; depois, algumas centenas de metros mais à frente, quando o carro é já um ponto esbatido no horizonte, o cão estaca ofegante e queda-se imóvel no meio da estrada; outros carros param e os seus condutores têm de retirar o cão do meio da via; ele recusa-se e fica ali imóvel, ganindo baixinho e olhando para o ponto onde o carro se sumiu, aguardando que regresse; infelizmente, nunca mais verá, de volta, o seu dono(?)…Teresa, esteja agora onde estiver, pelo que fez na sua curta vida, OBRIGADO.

  4. dalby says:

    O meu cão ‘serra da estrela’ LEONARDO D’Avintes (assim estava na identificação dele, passaporte etc) como apologia à grandiosidade e raça de um belo Serra e à simplicidade portuguesa Avintes (terra da brôa) e da Vinci, pela beleza dele….ele morreu, estava eu em Madrid na Universidade de Verão. Chorei que nem uma maria madalena na cama..demorei anos a não vêlo quando entrava no jardim… ao chegar à entrada do meu jardim… não lhe ver a carita e o enorme rabo no ar a wellcoming me…queria tê-lo enterrado no bosque do Torrão do Lameiro para onde o levava e soltava-o …..porque ali deserto quase todo o ano éramos só os dois e mais ninguém..adorava levà-lo para a praia…ele odiava água e o mar….mas adorava fazer covas na areia e deitar-se ali…Além de tudo, era um ‘anjo da guarda’ pois quando o levava para a praia não podia fazer poucas vergonhas pois não podia deixar o cão sózinho!! E deste modo, ao menos nas vezes que o levei, o PECADO tentava-me mas eu tinha que me conter pois não podia segurar no cão e operar ao mesmo tempo!!!….POR ISSO O MEU LEONARDO DEIXOU-ME SAUDADES POR TUDO…passaram-se 3 anos e ainda não consegui ter outro cão..Os animais são tão especiais na vida das pessoas…Ele era o meu reflexo viril e doce, simpático e feroz, louco, louco e engraçado..mas mordia mesmo quando tinha de ser,,,,mas só mordeu duas vezes na vida porque lhe mexeram na comida e no pelo! As minhas paixões eram bem vindas e corria atrás delas , com as pobres vitimas aos gritos mas ele só queria era atenção e carinho!!! aii meu Leonardo meu Leonardo!!!I miss you Leonardo so much!!!teu dono dalby

  5. conceição abreu says:

    Só este ano tive comecei a ajudar dentro das minhas possibilidades a VIVANIMAL. Tive o prazer de conhecer pessoalmente a Teresa Lopes, quando veio a minha casa recolher dois gatinhos abandonados.Por incrivel que pareça, ajudo várias Associações e quando fiz o apelo, para saber se alguém tinha um cantinho para os recolher, apenas a Teresa respondeu, ouseja a Associação que eu há menos tempo ajudava.Ficou-me gravado essa e outra situação de um caniche abandonado em Vila D.Este, o qaul tembém pedi ajuda via NET.Oito dias depois a Teresa enviou-me ume e.mail a dizer que já podia recolher o caozito se necessário (ainda não a conhecia). Felizmente tinha sido recolhido por uma FAT da Aanifeira.Presentemente e no dia em que faleceu vinha a minha casa buscar mais três gatinhos que eu tinha alimentado a biberão e depois seguiam para ela, jamais virá.Também em mim ficou como um vazio de nunca mais puder ver aquele ar simpático a dizer “Quem gosta de animais, não consegue parar”.Por mim farei o que puder para ajudar a VIVANIMAL, tenho pena de não poder ecolher mais animais.”Ficamos sem mais um ANJO na Terra, ganhamos uma SANTA no Céu”. Obrigada

  6. Noémia Pinto says:

    A morte da Teresa foi mesmo uma grande perda. Foi uma pessoa que viveu pouco, mas activamente, pelo menos no que respeita à defesa animal. Só quem sabe como funciona a VivAnimal sabe a importância fulcral da acção deste Ser Humano. Anónima na História dos Homens, é um grande nome da História dos Seres Sensíveis.Mais uma vez, penso que a justiça divina nada tem de divino e muito menos é justa.Nestas alturas, não consigo evitar de pensar que são sempre estas pessoas boas, úteis, que ajudam os outros que desaparecem mais cedo. Quem anda aí a fazer mal, ou que passa pela vida inutilmente dura, dura e dura… Apesar de conhecer mal a Teresa, sei que era uma alma generosa que ajudava todos os animais que podia, mesmo com prejuízo da sua vida pessoal (albergar tantos animais, ainda que temporariamente, prejudica sempre as nossas vidas pessoais). Isso, só isso, fazia dela uma pessoa especial e alguém cuja falta será sentida, mesmo por quem não a conheceu. Além da falta que a Teresa fará ao mundo animal, há ainda algo mais importante: o seu filho. Eu nem sabia que ela tinha filhos! Soube já depois da sua partida. Um menino de 9 anos, a quem roubaram a mãe. Espero que a família consiga preencher um pouco o enorme vazio deixado. E que esse menino cresça amando e admirando a mãe que mal conheceu. Penso também nos pais da Teresa, nunca os filhos deviam partir antes dos pais…Descansa agora, Teresa. Outros tentarão continuar a tua missão.

  7. Ana Lopes says:

    Toda a gente se lembra da Teresa Lopes como a defensora dos animais e na ajuda e amor que deu a cada um dos meninos e meninas que salvou.Mas eu, pessoalmente, recordo-me dela como minha Tia. A Tia que conheci desde que nasci, e tão carinhosamente tratava por Té. A Tia com que passei as brincadeiras de infância e momentos que só eu e ela sabemos. A Tia, que não era só Tia, era amiga. E mais que amiga! Não tenho palavras para descrever o que ela era como ser humano. Ela era Linda! E a minha vida jámais será a mesma. Quem a conheceu sabia a guerreira que era, e será o seu sorriso e gargalhada que permanecerá nos nossos corações!Obrigada por parte da familia pelas palavras de conforto.Á minha Té, ao meu anjo da guarda.Filipa


  8. Ainda hoje não acredito que a minha Amiga Teresa partiu… Todos perdemos muito, mas tantos e tantos animais que seriam salvos pela Teresa já não o serão…A Teresa é a Amiga que nunca disse que não a um apelo desesperado de salvamento de um animal, ou de uma familia inteira, pois não conseguia virar as costas a uma mãe com os filhos no meio da rua. Um desses casos, foi a Morena, uma das cadelas que mais gostou, tal como o filho. Fiz um apelo e só a Teresa me respondeu, e nessa noite fui levar-lhe 5 cadelas bebés, que pessoas más queriam afogar. Quando cheguei com as bebés tão pequenas à casa da Teresa, ela ficou muito triste e perguntou ” e a mãe?”, eu respondi que tinha ficado na rua, e ela disse ” não consigo pensar na mãe que está desesperada à procura das filhas, vai buscá-la”, e fui. A Morena demonstrou ser uma cadela inteligente e excepcional, tanto que foi adoptada e vive num apartamento. A dona, a pedido da Teresa, tinha deixado a Morena na casa da Teresa enquanto estava ausente em férias, era para matar saudades disse a Teresa. Eu acredito agora, que a Morena foi-se despedir de quem a salvou e salvou as suas 5 filhas.Minha Amiga, como te prometi, estou a ajudar os teus protegidos, e estejas onde estiveres, bem sabes a falta que a todos fazes. Querida Teresa descansa em paz, proteje o teu filho, a tua familia e os teus animais.Marisa Santos

  9. Daniela Lopes says:

    Passado 6 anos do falecimento deste grande anjo vi este post e fiquei bastante emocionada.. Para mim ela não era a Teresa Lopes da Vivanimal,era a minha madrinha,tia,amiga e segunda mãe.
    Quando ela partiu eu tinha apenas 14 anos, foi a minha maior perda e a minha maior dor. Como sempre passei muito tempo com ela, mesmo a capturar os animais para a associação ganhei um grande amor por eles.
    Hoje em dia estou a estudar para veterinária e concretizar o grande sonho (da Té) cuidar das melhores “pessoas do mundo”.
    Espero que fique orgulhosa de mim como eu sempre me orgulhei de a ter na minha família (por algum motivo sempre nos disseram que éramos iguais).
    Nunca vou esquecer o que ela me ensinou, porque pessoas como ela existem poucas.
    Obrigado pela dedicatória.
    (Amo-te Té)