Há coisas que não entendo

Acabei de ver na TV um anúncio da Sapo Fibra em que se fala em “Velocidade com qualidade”, mas a seguir mostra uma mulherzinha aos tombos dentro de um carro a grande velocidade… Mas onde é que anda a coerência? Há coisas que não entendo. Por exemplo, na realidade política portuguesa. A incoerência é por demais evidente nas campanhas políticas. Nos debates, os nossos políticos, que (quase) toda a gente já percebeu que são meros testas-de-ferro do poder corporativo, são todos educados, eloquentes e no frente-a-frente é só “Senhor Engenheiro” para cá, “Senhora Doutora” para lá, mas passado um dia, nos comícios, só lhes falta insultarem-se de filhos da £*]@. De manhã, estão sérios, a espumarem-se de raiva e a dar socos na mesa, mas depois à noite estão a fazer programas de humor e a dizer piadinhas. Mas este pessoal tem dupla personalidade, ou quê? Não percebem que há pessoas atentas a isto? E que podem haver criancinhas a ver?

Outra coisa que não entendo é esta questão do TGV. Espero que o slogan não venha também a ser “Velocidade com qualidade”. O TGV cai-nos de repente no colo e aparece em todas as conversas de café, sem que grande parte das pessoas saiba sequer o que a sigla quer dizer, quanto mais a parte técnica da coisa, eu incluído neste segundo grupo. Digo isto, porque hoje de manhã, estavam dois homens no café aqui da esquina a discutirem se o TGV era Comboio de Alta Velocidade ou Comboio de Grande Velocidade. De repente, e se calhar por causa desta divergência, transforma-se em Investimento Público e é o grande salvador do descalabro do País e a alavanca mágica para tirar Portugal da crise, isto apesar da crise ser tão antiga que já deve ter filhos. O preço não interessa para nada, os pormenores são irrelevantes, porque o que interessa é pôr todo o pessoal a trabalhar e a economia a mexer rapidamente. Ainda há pouco tempo, não havia sequer dinheiro para manter todos os centros de saúde a funcionar, mas agora já há. Precisamos de estar ligados à “centralidade europeia”, mas não vai haver dinheiro para os bilhetes, porque assim que acabe a construção fica tudo desempregado outra vez. Mas então, na mesma linha megalómana, porque não fazer o edifício mais alto do Mundo, no meio do Alentejo? Porque não ligar o Metro do Porto ao de Lisboa? Fazer um túnel submarino até à Madeira ou Açores? E depois, o que me preocupa é que o TGV (ou Investimento Público) é a tábua de salvação do País perante o actual estado de crise e, ao que parece como definitivo, não há mesmo outra solução. Mas então, que remédio milagroso vai ser aplicado ao “doente” na próxima crise? Outro TGV?

Comments

  1. Luis Moreira says:

    O TGV é uma fraude. É inviável economicamente num país com a nossa dimensão e população e há prioridades muito mais impactantes na economia e no emprego.

  2. Ricardo Santos Pinto says:

    Acho muita piada que aqueles que aplaudem o TGV sejam os primeiros a decretar a morte da Linha do Tua. E acho piada que durante décadas se tenha votado ao ostracismo a linha férrea tradicional, em detrimento de auto-estradas e mais auto-estradas, para agora vir pensar que fazer TGV’s absurdos é que é defender o comboio. Morte ao TGV, viva o comboio!

  3. Belina Moura says:

    E quantas vezes andei de comboio, nessa linha do Tua, quando leccionava em Miranda do Douro!…Lá estou eu a ser saudosista…

  4. isac says:

    É! daqui por uns tempos, destrói-se o TGV e volta-se a construir a linha do comboio… por isso é que nao saímos da cepa torta…

Deixar uma resposta