A Causa Animal no programa do Bloco de Esquerda

O Bloco de Esquerda é o único Partido com um capítulo próprio do seu programa eleitoral dedicado aos animais e aos seus problemas. Para quem acha que o ser humano não vive sozinho neste planeta e que os animais são mais do que instrumentos ao serviço das necessidades do Homem, é capaz de ser boa ideia votar no Bloco.
Vem isto a propósito de um mail que recebi, assinado por Pedro Sales, «blogger» do Arrastão e membro do gabinete de imprensa do Bloco de Esquerda.
Pela minha parte, confirmo que Francisco Louçã foi desde sempre o único líder partidário a preocupar-se com os animais. Do tempo em que era mais activo na causa animal, recordo uma manifestação contra as touradas em frente à Assembleia da República. Pois bem, o líder do Bloco de Esquerda foi o único que saiu do Parlamento e veio à escadaria trocar umas palavras com os manifestantes. Mais recentemente, o Partido bateu-se contra o fim das touradas de morte e votou contra a reintrodução da sorte de varas nos Açores.
Regressando à actualidade, o programa eleitoral do Bloco de Esquerda dedica o capítulo 14, «Promoção do respeito pelos animais». Sobre o consumo de carne e as ajudas dadas pela União Europeia aos criadores, o parágrafo que se segue é esclarecedor: «A exploração pecuária mostra uma outra face da realidade do modelo capitalista. Na União Europeia, cada cabeça de gado é subsidiada em mais de 2 euros por dia. Este valor excede o rendimento diário de dois terços da população mundial. Nada justifica tal custo: o consumo de carne em Portugal é excessivo, a produção de gado é a principal causa da desertificação e da poluição dos rios e contribui mais para as alterações climáticas que o sector dos transportes. Se a roda dos alimentos aconselha a que 5% das
calorias que se ingerem venham da carne, peixe e ovos e se em Portugal a dieta real atinge os 15% nesta categoria, não há razão para atribuir 40% dos subsídios a este sector.»
No caso dos animais domésticos, cães e gatos, o Bloco apresenta aquela que é a única solução para resolver o verdadeiro flagelo, mesmo a nível de saúde pública, que é o dos cães e gatos vadios e ou abandonados que pejam as nossas ruas. Se pensarmos que um casal de gatos pode dar origem a 8 mihões de gatos em 10 anos, percebemos a verdadeira dimensão do problema. Claro que há uma solução mais barata e mais prática, que é o extermínio puro e simples, através dos canis, de todos esses animais – que é mais ou menos o que se faz actualmente, sobretudo em alguns municípios. Pois bem, o Bloco de Esquerda defende a única solução aceitável: a esterilização de todos esses animais, nos canis e gatis ou através de protocolos com clínicas veterinárias próximas.
Em relação aos animais no entretenimento, o Bloco defende o fim da utilização dos animais no circo e a aposta no Novo Circo (sem animais), na linha de companhias como o «Cirque du Soleil». Defende ainda a reconversão das praças de touros abandonadas, o fim das touradas de morte e o fim dos rodeos. No caso das touradas de morte, não posso concordar, porque é uma hipocrisia total. Fica bem dizer que se é contra as touradas de morte e nada dizer relativamente às touradas normais. Como Daniel Oliveira dizia em Junho de 2007 no «Arrastão», e com toda a razão, «o touro sofre mais na espera pela morte do que com a morte na arena».
Em termos de experimentação animal, o Partido defende outras alternativas científicas, que de resto já abordei noutro «post». No que respeita à alimentação, pretende-se acabar com a produção de ovos por galinhas de bateria (criação intensiva) e promover a
transição para a produção de ovos “free-range” (criação extensiva); e subsidiar alimentos que promovam a saúde e as necessidades da população portuguesa e não os interesses dos produtores. A propósito, em Portugal já existem mais de 30 mil vegetarianos.
Por fim, o Bloco pretende criar um santuário selvagem, destinado a acolher todos aqueles animais que foram maltratados pelos donos (um velho sonho também da ANIMAL), incluir as associações de animais na Lei do Mecenato e proibir a criação de chinchilas, coelhos, raposas ou martas para pêlo.
A concretizarem-se, seriam excelentes notícias para os animais. Se Francisco Louçã não quer discutir pastas na noite eleitoral de 27, ao menos que aceite a pasta do Ambiente. Pelos animais!

Comments

  1. isac says:

    Totalmente de acordo.


  2. […] eleitoral dedicado aos animais e aos seus problemas. Para quem acha que o ser. fique por dentro clique aqui. Fonte: […]

  3. Ze Martiho says:

    É uma total hipocrisia, o BE,defender o fim das touradas de morte ,mas não ser contra a proibição das touradas em Portugal!!Este principio se for aplicado a todas as matérias referentes á protecção dos animais,então vira uma anarquia……. É quase como dizer que se concorda com os canis(que são campos de concentração na sua maioria),mas não se concorda com o abate dos animais….. mas que raio de hipocrisia!!!

  4. Ricardo Santos Pinto says:

    Exactamente o que eu disse, Zé Martinho.

  5. Paulo Rui says:

    Concordo com Ze Martiho e acrescento: e’ uma total hipocrisia o BE defender os direitos dos animais no programa para as Legislativas e depois apoiar nas Autarquicas uma candidata (em Salvaterra de Magos) que e’ a favor das touradas e dos touros de morte.


  6. Todos os Animais devem ser respeitados!Se gostarem de animais, convido-vos a visitar:http://groups.google.pt/group/animais_portugal?hl=pt-PTCumprimentos,


  7. […] de Magos por iniciativa da Câmara Municipal liderada pelo Bloco de Esquerda. Um Partido que, no seu programa eleitoral, defende a abolição dos rodeos. Felizmente, tudo correu mal. Pelo que diz Antão no Twitter, […]

  8. Maria** says:

    louçã e o bloco de esquerda . decepção ainda maior.

    Ora muito bem,
    fundamentalmente o que eu gostava era de ouvir o que tem o Francisco louçã a dizer sobre esta cena triste dos apoios para Jardim e para os cofres da Madeira,

    http://apombalivre.blogspot.com/2010/02/louca-e-o-bloco-de-esquerda-decepcao.html