DEBATES E COISAS QUE TAIS

Debates e coisas que tais

A nossa TV está transformada num festival de palhaçada. A todos os níveis.
Há pessoas que têm dentro de si uma constante sensação de paisagem. Outras há que limitam seus horizontes a pequenos mundos de banalíssima cosmética.
A TV cria debates em que tenta, de forma impossível, conciliar a inteligência com a indigência mental. Não basta à TV promover debates com a eufemística intenção de avaliar fenómenos de vincado carácter sócio-cultural, metendo no mesmo saco toda a espécie de pessoas, competentes e incompetentes, sérias e corruptas, mentes sãs e esclerosadas, convidados saudáveis e sero-positivos do vírus fascista. A democracia é a liberdade dos homens livres. A despeito da democracia se encontrar muito doente, não se pode injectar-lhe, de ânimo leve, micróbios a ver como reage. Isto não é profilaxia mas eutanásia escamoteada. Democracia não é estupidez. Pessoas há que não têm o direito moral de aparecer em público, quanto mais numa televisão. Ninguém tem o direito de permitir o branqueamento fascista através de tão poderoso meio de informação. Nenhum criminoso, julgado e condenado em tribunal, tem direito a lavar-se nas águas de uma TV. Nenhum condenado pela história e pela humanidade pode ter mais que o direito de viver, oferecido pela democracia, a qual, ao contrário de todas as PIDES, não mata. Os entrevistadores são todos uma nódoa. Não há entrevistadores capazes de guiar debates sérios e responsáveis na formação da nossa polivalência social. Muitos deles, medíocres, deviam ser postos a marinar, a ver se ganhavam algum sabor e algum saber. Se não são capazes de dimensionar a existência à escala da vida, a vida à escala da história, a história à escala do mundo, como podem conseguir uma entrevista à escala da verdade?
A TV cheira mal. Fede por todos os poros.

                            (adão cruz)

(adão cruz)

Comments


  1. Como queres que um contentor de lixo cheire bem?

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