Jornalismo, rigor, mentira, eu vi

Francisco Louçã não consegue suster a felicidade. No dia em que foi conhecido o afastamento de Fernando Lima da assessoria de Belém, o líder bloquista não resistiu a abrir um comício (em Coimbra) com a frase: “Cada vez gosto mais desta campanha.”

Eu estava lá. A frase foi dita referindo-se obviamente a uma sala completamente cheia. Foi o que perceberam todos os presentes excepto um: a jornalista do Público. Tanto mais que a frase que cita a seguir:

“Foi nessa mesma noite que decretou a morte da campanha do PSD – “esvaziou-se como um balão furado”, disse – e, consequentemente, expurgou de vez os sociais-democratas do seu discurso.”

foi proferida bastante tempo depois. Maria José Oliveira, tenha vergonha. Diga  lá que o Público errou, que os jantares em Coimbra são sempre bem regados, qualquer coisinha. Não é que isto tenha grande importância, mas em menos de  uma semana apanho duas jornalistas em descarada mentira. E isso tem muita importância, porque fico a imaginar o que será a cobertura desta campanha quando não assisto, agravada por o Público ser o jornal que leio e a TSF a rádio que ouço (neste último caso, aproxima-se o pretérito).

Comments

  1. Belina Moura says:

    O melhor é passares a ouvir a Antena3.

  2. Nuno Castelo Branco says:

    Então, imaginem o que será esse safardanas do louçã no poder… Jornais atacados por “populares raivosos”, fuga de capitais, nem um tostão português ou estrangeiro investido em Portugal, ocupações , afrontas à NAT (com a tropa a rosnar de descontentamento), saneamentos a torto e a direito na função pública e nas empresas “intervencionadas”.Lindo…. O que se segue? A encenação da “inevitabilidade” da união ibérica, coisa que no fundo, anda na mente de certa gente desde 1910. Monarquia vão tê-la, desde que seja espanhola, claro!


  3. Infelizmente erros (ou asneiras) como as relatadas são mais frequentes que o desejável. Admito que seja uma questão de falta de rigor, misturada com cansaço (a campanha vai demasiado longa) e o stress de enviar as peças para o jornal. Nem sempre há tempo para reflectir e o relógio é quem mais ordena.Em todo o caso, é necessária mais atenção, maior rigor e, acima de tudo, mente aberta. Acontece que, por vezes, os jornalistas estão apontados a uma ideia e tudo lhes parece direccionado para lá.

  4. Carlos Ruão says:

    caro joão, conheço bem a zé, como jornalista e como amiga, mas depois de re/ler o texto só tenho que concordar contigo. parece «comprometido», o que é muito pouco característico nela. vamos pensar que foi um mau dia.

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