Balanço do actual Governo: O primeiro-ministro, os 15 ministros e o senhor que deambula pelo Ministério da Cultura

É hoje o último dia efectivo deste Governo. A partir de segunda-feira, passa a estar em gestão, se é que já não está desde que foram marcadas as eleições. Diz a experiência que, entre as eleições e a tomada de posse do Governo seguinte, não faltam as manigâncias… sempre a bem do interesse público, claro.
Mas porque é o fim do actual Governo, não queria deixar de dar a minha opinião, nada isenta e nada objectiva, sobre o primeiro-ministro e sobre os ministros que andaram por aí nos útimos quatro anos.

in «O Jumento»
Como já terão percebido, não nutro grande simpatia por este Governo. Aliás, não nutro simpatia nenhuma. Considero-o mesmo muito fraco, tanto o primeiro-ministro como os restantes ministros.Neste «post», farei a análise individual de cada um dos seus membros. Uma análise que não se esforça por ser objectiva nem imparcial. Afinal, do que eu gosto mesmo é de malhar no Governo.
Primeiro-Ministro, José Sócrates – Vaidoso, cínico e arrogante. Defeitos de personalidade, que só aponto por se reflectirem na sua actuação política. Mostrou ao que vinha logo no dia da tomada de posse. Num momento solene da maior importância, veio dizer que os juizes tinham demasiadas férias e que era preciso reduzi-las. Como se esse fosse o problema central do país. Mas era necessário começar a pôr a sociedade portuguesa contra os funcionários públicos. Primeiro, foram os juizes, a seguir viriam os professores. Para justificar reformas, não apelou à bondade das mesmas. Preferiu desenvolver uma «campanha negra» contra todos aqueles que se lhe opunham. Achincalhando, maltratando, desprezando e atiçando a opinião pública contra as «corporações». Sempre em nome das reformas, porque todos têm de dar a sua contribuição para resolver a grave situação do país, não se esqueceu de dizer. Só se esqueceu de englobar nesta ajuda os Bancos, que continuam a pagar muito menos impostos do que a generalidade das empresas portuguesas. Ao invés, viria no final do seu mandato em socorro de Bancos minúsculos que se dedicam à gestão de fortunas.Toda a sua política é de Direita. Exemplos? O encerramento de escolas que tinham acabado de receber obras e que tinham mais de 20 alunos, sem que as escolas de destino estivessem prontas; o fecho de Maternidades e Urgências; o desejado encerramento de Tribunais; o fim das isenções fiscais para os deficientes, mesmo os que recebem pensões baixas; o Código Laboral, muito mais agressivo para os trabalhadores do que o Código de Bagão Félix; o desejado aumento do período experimental para 180 dias; a facilitação dos desempregos; a legalização dos falsos recibos verdes; a recusa do casamento entre pessoas do mesmo sexo; a obsessão pelo défice; o aumento dos impostos; as mentiras a propósito da avaliação dos professores ou do relatório da «OCDE»; ou os tiques autoritários, bem presentes nos telefonemas para os directores de jornais, nos processos a bloggers como o professor António Balbino Caldeira, na forma como premeia, com reconduções e promoções, os bufos do regime, como se viu bem no caso do professor Charrua, ou no fim do Jornal da TVI. É uma personalidade vazia de conteúdo, de ideologia, de sentido do dever. As prestações na Assembleia da República mostram-no. Ri-se como um perdido quando lhe falam do desemprego, das dificuldades sociais, dos pobres, da fome. Ri-se sempre. Do seu passado, não param de sair esqueletos mal guardados e mal conservados. Fez uma licenciatura manhosa ao Domingo, por fax, com quatro das cinco cadeiras leccionadas pelo mesmo professor, o mesmo que está agora a ser julgado por corrupção na Cova da Beira (e no qual ele também já foi chamado a depor); assinou projectos que respodem por si próprios; foi sócio fundador de uma empresa, a Sovenco, da qual não se lembra, juntamente com Armando Vara (posteriormente demitido do Governo devido às falcatruas da Fundação para a Prevenção e Segurança) e Virgílio Ferreira (posteriormente condenado a prisão por corrupção no Centro de Exames de Tábua); alterou a Zona de Protecção Especial do Estuário do Tejo e legalizou o Freeport de Alcochete num prazo supersónico, a três dias das eleições legislativas, segundo confessou Charles Smith a um administrador da Freeport em troca de dinheiro; viu desaparecerem misteriosamente do Notário documentos da escritura da casa da sua mãe; ele próprio comprou uma luxuosa casa no Heron Castilho por metade do preço normal e denota evientes sinais exteriores de riqueza. Entretanto, depois de negar durante meses a fio a crise que se avizinhava, e depois de a aproveitar para se fazer de kalimero, deixou de governar e passou a fazer campanha eleitoral. Num aspecto, no entanto, temos de lhe dar mérito. Apesar dos problemas, não fugiu, ao contrário dos seus antecesores Guterres e Durão. Mas também, quem é que o queria?

Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Luís Amado – Começou como Ministro da Defesa mas teve de substituir Freitas do Amaral nos Negócios Estrangeiros. Fala poucas vezes e quase sempre mal. Disse que se demitia se se viesse a comprovar a passagem de aviões pelo espaço aéreo português em direcção a Guantanamo, mas continua no seu posto. Continua, de braço estendido, à espera que o primeiro-ministro o cumprimente.

Ministro de Estado e das Finanças, Teixeira dos Santos – Substituiu Campos e Cunha e uma das suas primeiras medidas foi nomear Armando Vara, um simples caixa, para a Administração da Caixa Geral de Depósitos e, depois, conseguir pô-lo no BCP, não sem antes ser promovido de novo na Caixa. Durante três anos, teve no combate ao défice a sua maior obsessão. Hoje, o défice ultrapassa os 6%. Como prémio, foi eleito o pior Ministro das Finanças da Comunidade Europeia.
Quanto ao seu antecessor, foi afastado por ser contra as grandes obras públicas.

Ministro da Presidência, Pedro Silva Pereira – O homem de mão do primeiro-ministro, sempre fiel e obediente. É utilizado para dar a cara sempre que é preciso. Ficou conhecido, há uns meses, por se saber que telefona aos jornalistas antes das entrevistas para saber quais serão as perguntas. Foi Mário Crespo que o disse. Quanto ao resto, ainda não se percebeu muito bem qual é a sua utilidade na governação do país.

Ministro da Defesa, Nuno Severiano Teixeira – Ocupou o cargo que era de Luís Amado. Passagem discreta pelo Governo. Tão discreta que tive de ir ver, no «site» oficial do Governo, quem ocupava actualmente a pasta. Assistiu em silêncio a afirmações demolidoras de generais na reserva, do género «o moral das Forças Armadas está no limite do razoável» ou «o mal-estar generalizado no seio das Forças Armadas». À parte o plágio de um artigo do «Washington Post» num texto que «escreveu» no «Diário de Notícias» em 2005, não me lembro de mais nada de relevante que tenha feito.

Ministro da Administração Interna, Rui Pereira – Conseguiu que o número de incêndios e de área ardida aumentasse muito mais do que nos últimos anos. Salva-o o bom gosto relativamente às mulheres, como se viu no caso de Carla Bruni.

Ministro da Justiça, Alberto Costa – Queria encerrar uma série de Tribunais. Conseguiu meter a filha a ganhar um salário milionário a actualizar a página do Ministério. Eu também sabia fazer isso. Diminuiu as férias dos Magistrados, mas não parece que tenha melhorado o estado da Justiça em Portugal.

Ministro do Ambiente, Francisco Nunes Correia – Caiu-lhe uma falésia em cima no final do seu mandato. Pouco se deu por ele durante o mandato e com toda a justiça, porque pouco fez. Os atentados ambientais não pararam de aumentar.

Ministro da Agricultura, Jaime Silva – Liquidatário da agricultura em Portugal.

Ministro das Obras Públicas, Mário Lino – Ja
ma
is!

Ministro do Trabalho e da Segurança Social, Vieira da Silva – Um dos Ministros mais de Direita deste Governo. A aprovação do Código Laboral, muito pior para os trabalhadores do que o Código de Bagão Féix, assim o comprova.

Ministra da Saúde, Ana Jorge – Chamada para branquear a política de «assassínio social» promovida pelo seu antecessor. Acabou por ser salva pela Gripe A, caso contrário ninguém daria pela sua presença.

Ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues – A História dirá o que deve dizer sobre esta Ministra. Por enquanto, ver o balanço do seu mandato que estou a publicar aos bocados.

Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Mariano Gago – Esquecida que está a sua viagem de férias para a Grécia num «Falcon» do Estado, passa à História como sendo aquele que deixou as Universidades portuguesas à beira de não poderem sequer pagar ordenados aos professores e funcionários. Fundações???

Ministro da Cultura, José António Pinto Ribeiro – Quem?

Ministro dos Assuntos Parlamentares, Augusto Santos Silva – O pior ministro da Comunicação Social desde o 25 de Abril segundo Pinto Balsemão. Trauliteiro, é o homem de mão de José Sócrates para dizer aquilo que o primeiro-ministro não pode dizer. Gosta de malhar na Oposição, mas nos últimos tempos esteve muito calado. Quanto à pasta que ocupa, Assuntos Parlamentares, não sei muito bem o que é? Coordenação entre Governo e Bancada Palamentar do PS? Não quero acreditar.

Comments

  1. Luis Moreira says:

    Andam armados?

  2. maria monteiro says:

    como guardam as costas uns dos outros …não precisam de andar armados

  3. Belina Moura says:

    E viva o 25 de Abril, viva a Liberdade! Viva podermos xingar à vontade nos incompetentes, falar mal ou bem de quem quisermos e a nosso bel-prazer.E Deus nos livre e guarde do “Big Brother”!

  4. Belina Moura says:

    Referia-me ao “Big Brother” do livro de George Orwell, “1984”. Um clássico!


  5. Confesso: Graças a ( Sei Lá o quê ) Mas que este País tem No Governo Y espero que continue no Governo o Augusto Ernesto Santos Silva. Y Muita Pena tenho Eu que o País “não os tenha” ( Como dizia o Aznar ) para ser ele Mesmo, o Próprio, o ASSilva o Primeiro Ministro. PS.: LOL R. Não vás nas lengalengas do Pinto Balsemão 😉

  6. Ricardo Santos Pinto says:

    Quem, o caceteiro?

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