Gargantas Fundas

Linda Lovelace foi a primeira e a melhor de todas ou pelo menos a mais autêntica. Nas garras da Mafia que naquela altura controlava a pornografia, e que se calhar continua a controlar, com um filme de baixo custo (20 000 dólares) facturou milhões e deu milhões a ganhar, com um enredo simples como uma anedota bem contada.

Depois tivemos gargantas fundas que trouxeram para a ribalta casos e factos, com enredos muito complexos e importantes e que ajudaram a uma sociedade mais livre e a um jornalismo mais responsável. Desde Watergate à Mónica do Gabinete Oval há de tudo, a maioria não passa de crimesinhos rasteiros de interesses, de manipulação de quem lê, mostrando pouco para esconder muito, criando factos que servem primeiras páginas.

Agora temos “trombones” dentro do “fosso da orquestra” a tocar ao arrepio da partitura, em vez da indicação de sinais, de evidências para iniciar o caminho, entregam-se pseudos factos, dossiers, que podem ter a leitura que se lhes quer dar. Para uns são crimes de deontologia para outros direito de informar.

Não levantam o rabinho da cadeira, tudo se resume a uns faxes, a uns e-mails que a verdade não merece mais, contactos prévios nem pensar que se podem perder as “notícias” tão laboriosamente conseguidas e, na véspera, tudo tentou para contactar mas não conseguiu, está aí a secretária a confirmar.

E depois a garganta canta ossanas no momento certo, tudo coincidências, tudo jornalismo.

É no que dá o dia de reflexão…

Deixar uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.