Legislativas 2009: A Morte deste PSD

O PSD velho e revelho do Cavaquismo e dos seus despojos acabou hoje. Dito de outra forma, terá de ter acabado hoje, caso contrário acaba com o partido.

O PSD dos pós sessentas, que nunca aceitaram abandonar o poder, que utilizaram o partido para enriquecer tornando vidas profissionais fúteis em fontes gigantescas de criação de riqueza pessoal, de tráfico de influências e outras patranhas e artimanhas, sofreu hoje uma derrota estrondosa. E ao sofrer tal, colocaram o país numa situação difícil.

Após uma governação péssima, com os casos Freeport, Universidade Independente, Aeroporto de Lisboa e os projectos da Guarda, o desemprego a subir em flecha, os agricultores na miséria, o comércio moribundo e a Educação de pantanas, mesmo com tudo isto, José Sócrates conseguiu vencer. E venceu por um motivo muito simples e que vi escrito noutro blogue (pelo BRMF no Intervenção): também se avaliou 4 anos de oposição. Acrescento, também se avaliou a escolha das listas, igualmente se teve em conta os saneamentos inacreditáveis. Em suma, Manuela Ferreira Leite foi avaliada e o povo da direita e centro-direita deu uma resposta clara que merece uma decisão óbvia: eleições internas no PSD após 11 de Outubro. O PSD precisa de outra geração, da geração de Passos Coelho, de Alexandre e Miguel Relvas, de Marco António e de muitos independentes desta área política como, só para citar os daqui, Rui Moreira ou Carlos Abreu Amorim. O PSD necessita de um 25 de Abril interno.

O Bloco e o CDS, mais este que o outro, foram os grandes vencedores pois conseguiram capitalizar, por um lado, os descontentes do PS (o Bloco) e os descontentes do PSD (o CDS). Os jovens à esquerda votaram BE. Os jovens à direita votaram Portas. Este PSD pensa que é com jovens aos gritos e aos pulos que convence este eleitorado. Muito se enganam, esses tempos, da minha geração, já passaram. Hoje, o eleitorado jovem precisa de causas, de quem fale a sua língua, de quem perceba as suas dificuldades, de quem conheça as suas angústias e esta geração dos sessentas nem os netos conhece quanto mais…

É de um novo PSD que Portugal precisa. Um PSD moderno e reformista, que afaste de vez o conservadorismo saloio do “casar, procriar e a hóstia ao domingo”. Um PSD do liberalismo social mas defensor de um estado mínimo e de mão firme no essencial (Saúde, Justiça, Educação e Segurança Social). Um PSD que acredita no mercado mas não esquece a presença do Estado na manutenção de um país solidário. Um PSD que acredita na iniciativa privada mas cria todas as regras necessárias para um sistema justo e equilibrado. Um PSD que apoia todos os não portugueses que querem viver no nosso país e nele trabalhar, criar família e ter uma vida melhor. Um PSD que premeia o mérito, que escolhe os melhores em detrimento dos filhos dos barões, que procura na sociedade os mais capazes e neles se apoia para discutir, pensar e construir um outro Portugal. Um PSD que acredita no combate ao centralismo por via da Regionalização.

Um PSD diferente, muito diferente deste. É disso que Portugal precisa.

Comments

  1. Luis Moreira says:

    Aqui está um poste que eu gostaria de escrever. Nem mais, com um PSD social-democrata, europeísta, laico e pela economia social de mercado!

  2. Belina Moura says:

    Muito bem escrito e fundamentado, Fernando.

  3. maria monteiro says:

    este psd vai ser sempre alimentado pela igreja… ela precisa dele e ele precisa dela vai ser uma lenta agonia sem “suicídio assistido” nem “morte anunciada”

  4. Andante says:

    Eu até concordo, mas não sou PSD. E não sou PSD porque essas coisas que aqui são ditas como necessárias não estão na matriz do PSD. Do que precisamos, é de um partido que seja assim e que tenha capacidade de ganhar eleições, PSD ou não.O problema está em que essas ideias são bonitas, mas encaixam igualmente bem no PS. Até encaixa no BE e um pouco no PCP. Só não cai bem no CDS por causa do apoio aos emigrantes, mas na verdade, isto são apenas ideias gerais boas que não têm nada de particularmente direita ou esquerda, são simplesmente aquilo de que precisávamos, nada mais.São quase lugares-comuns.Mas, diga-se passagem, esses males apontados ao PSD são também partilhados pelo PS. No fundo, por todo o bloco central que partilhou o governo durante 30 e tal anos. São, afinal, os males de qualquer classe dominante que quer continuar a sê-lo. A este título, ler o 1984 e em particular os excertos do livro supostamente escrito por Goldstein parece-me ser muito esclarecedor.

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