O PSD velho e revelho do Cavaquismo e dos seus despojos acabou hoje. Dito de outra forma, terá de ter acabado hoje, caso contrário acaba com o partido.
O PSD dos pós sessentas, que nunca aceitaram abandonar o poder, que utilizaram o partido para enriquecer tornando vidas profissionais fúteis em fontes gigantescas de criação de riqueza pessoal, de tráfico de influências e outras patranhas e artimanhas, sofreu hoje uma derrota estrondosa. E ao sofrer tal, colocaram o país numa situação difícil.
Após uma governação péssima, com os casos Freeport, Universidade Independente, Aeroporto de Lisboa e os projectos da Guarda, o desemprego a subir em flecha, os agricultores na miséria, o comércio moribundo e a Educação de pantanas, mesmo com tudo isto, José Sócrates conseguiu vencer. E venceu por um motivo muito simples e que vi escrito noutro blogue (pelo BRMF no Intervenção): também se avaliou 4 anos de oposição. Acrescento, também se avaliou a escolha das listas, igualmente se teve em conta os saneamentos inacreditáveis. Em suma, Manuela Ferreira Leite foi avaliada e o povo da direita e centro-direita deu uma resposta clara que merece uma decisão óbvia: eleições internas no PSD após 11 de Outubro. O PSD precisa de outra geração, da geração de Passos Coelho, de Alexandre e Miguel Relvas, de Marco António e de muitos independentes desta área política como, só para citar os daqui, Rui Moreira ou Carlos Abreu Amorim. O PSD necessita de um 25 de Abril interno.
O Bloco e o CDS, mais este que o outro, foram os grandes vencedores pois conseguiram capitalizar, por um lado, os descontentes do PS (o Bloco) e os descontentes do PSD (o CDS). Os jovens à esquerda votaram BE. Os jovens à direita votaram Portas. Este PSD pensa que é com jovens aos gritos e aos pulos que convence este eleitorado. Muito se enganam, esses tempos, da minha geração, já passaram. Hoje, o eleitorado jovem precisa de causas, de quem fale a sua língua, de quem perceba as suas dificuldades, de quem conheça as suas angústias e esta geração dos sessentas nem os netos conhece quanto mais…
É de um novo PSD que Portugal precisa. Um PSD moderno e reformista, que afaste de vez o conservadorismo saloio do “casar, procriar e a hóstia ao domingo”. Um PSD do liberalismo social mas defensor de um estado mínimo e de mão firme no essencial (Saúde, Justiça, Educação e Segurança Social). Um PSD que acredita no mercado mas não esquece a presença do Estado na manutenção de um país solidário. Um PSD que acredita na iniciativa privada mas cria todas as regras necessárias para um sistema justo e equilibrado. Um PSD que apoia todos os não portugueses que querem viver no nosso país e nele trabalhar, criar família e ter uma vida melhor. Um PSD que premeia o mérito, que escolhe os melhores em detrimento dos filhos dos barões, que procura na sociedade os mais capazes e neles se apoia para discutir, pensar e construir um outro Portugal. Um PSD que acredita no combate ao centralismo por via da Regionalização.
Um PSD diferente, muito diferente deste. É disso que Portugal precisa.






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