aftermath: joão pinto 1 – municípios 0

woodstockufa. até que enfim. e eu a pensar que as eleições municipais são sempre uma seca. uma espécie de corridinha de caciques. ai não. ora vejam. o distrito de aveiro tem um concelho chamado murtosa. eu gosto muito da murtosa. fui muito bem tratado por toda a gente da câmara da murtosa e pelos seus habitantes que me interpelavam na rua a perguntar o que é que eu andaria por lá a fazer. os murtosianos são muito simpáticos, acreditem! nesta bela terra nasceu há 52 anos o cidadão joão pinto. 52 anos depois joão pinto vive no porto e é o candidato à câmara municipal do porto pelo PCTP-MRPP. é membro do partido desde 1974. é o responsável do partido pela zona norte. não é um candidato qualquer. tem ideias originais. contrariamente a rui rio, elisa ferreira, rui sá e joão teixeira lopes, joão pinto quer ser presidente da câmara para acabar com os presidentes e as câmaras. do programa revolucionário que diz apresentar, três ideias se destacam:

1. os autarcas deveriam ganhar o mesmo que o «rendimento médio dos cidadãos do respectivo círculo eleitoral.» (!) logo, o autarca de lisboa ganharia substancialmente mais que o autarca de miranda do douro. o quê ?

2. o Governo Civil deveria sair da cidade do porto porque seriam «mal-vindos … representantes dos governos que mantêm tropas de ocupação noutros países.» (!) logo, os perigosos governadores civis devem abandonar o país, bem como todos os outros representantes do governo e, por acréscimo, pensamos nós, os próprios governantes do governo. para onde ? não se diz.

3. o porto não deve ser governado pela câmara do porto mas sim por um «órgão supramunicipal, escolhido por eleição directa, e que englobe, no mínimo, os municípios da Área Metropolitana.» mais: «as câmaras desapareciam, assim como as juntas de freguesia, sendo substituídas por um órgão intermédio, para tratar dos problemas locais». muito bem. apenas uma pergunta fica no ar: esse tal órgão intermédio para tratar os problemas locais podería ser uma câmara não chamada câmara ou uma junta de freguesia não chamada junta de freguesia ? fica a questão.

vejamos as consequências de uma possível vitória de  joão pinto: se se extingue a câmara não há presidente e logo o problema do rendimento deixa de se pôr. aliás, não se percebe por que carga de água o próprio candidato o põe. enfim. adiante. o governador civil e todos os conjurados são convidados a dar uma volta ao bilhar grande e provavelmente não os deixam viver neste país que «mantêm tropas de ocupação noutros países». o quê ? não interessa. adiante. a cidade do porto será finalmente governada por um tão aspirado órgão regional que deve ir muito para além da área metropolitana e por um órgão intermédio que, por consequência, não deve ir para além da área metropolitana ou talvez para além da área municipal. percebem ? eu não.

no que me diz respeito, só peço uma coisita ao cidadão joão pinto no que respeita ao alargamento geo-político da coisa: deixe lá a murtosa continuar a ser município, por favor !

ass. anarquista do vale

ps: a fonte para este «post» foi a reportagem de patrícia carvalho, tal e qual vem publicada no jornal público de 1 de outobro de 2009. sobre a veracidade ou não das propostas, faço como pilatos …

imagem: woodstock 1969

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