Ética e Educação – 2ª Parte (11)

Educação no tratamento dos problemas éticos ligados à esfera da saúde. Considerações sobre a necessidade de integração de conhecimentos ligados à saúde no âmbito da educação escolar e social

 

A nossa sociedade vive triturada por uma poderosíssima máquina de mentir a verdade. A esta máquina não é poupada a assistência médica e a medicina, que sofre também as consequências deste “soro universal da mentira” que, cada vez mais, induz as pessoas a precisarem da medicina, dentro de um movimento de mercado que não olha a meios para criar a riqueza de alguns à custa da pobreza da muitos. Na ânsia desmedida do lucro, há uma imposição de falsas necessidades de saúde, saúde vendida na especulação de duvidosos benefícios, na escamoteação das consequências e no escuro das consciências, fortemente sustentada no privilégio que o beneplácito público oferece à coligação de interesses que funde medicina, indústria e comércio. A assistência média actual apresenta uma coreografia difícil de captar, mesmo pelas pessoas mais cultas. Hoje em dia, a saúde da humanidade não é um fim em si mesma ou uma meta, mas apenas um pretexto para atingir muitos outros fins.

 

 

 

O consumo exagerado e indiscriminado de medicamentos, como já aqui disse por mais de uma vez, constitui um grave problema não só nacional como internacional. Interesses de toda a ordem convenceram as pessoas de que a saúde está metida em caixinhas e frasquinhos, originando uma autêntica obsessão pelos remédios, não só por parte dos doentes mas também dos médicos. Todos sabemos que há medicamentos úteis, indispensáveis, alguns quase milagrosos. Mas há muitos que são inúteis, por vezes prejudiciais e perigosos. Mas, potencialmente mais perigosos do que os remédios inúteis são, tantas vezes, os bons remédios, os remédios eficazes, quando prescritos por rotina, sem critério nem critérios, sem precisão diagnóstica ou terapêutica, com desconhecimento das verdadeiras indicações e dos efeitos adversos, das contra-indicações, das interacções medicamentosas e da co-morbilidade presente. Presume-se que a terceira causa de morte no mundo industrializado de hoje esteja no uso dos medicamentos. Em particular, o consumo de remédios pelo doente idoso é um problema actual e de importância crescente. Intencionalmente foi-se criando a ideia de que a terceira idade é uma doença, o que não é totalmente verdade. A terceira idade é uma fase da vida carecendo de atenção específica e de cuidados sociais, humanos e diferenciados. Não pode, de forma alguma ser uma mina, a explorar pelos vendedores de falsa saúde, como está a acontecer. Raro será o idoso que não deixa na farmácia quase toda a sua magra reforma, a troco de pouco ou de nada ou, pior ainda, a troco de graves prejuízos. Pensa-se que cerca de 25% dos internamentos da terceira idade, nos países industrializados, se devem ao uso de remédios, e destes, 8% morrem.

 

(Continua)

 

Comments


  1. Eu faço bicicleta  40 minutos, dia sim dia não, e deixei de ter colesterol Nos dias não, faço sexo, o que me tratou a glicémia. O marisco fazia-me uricémia (ureia?)a minha pensão não permite andar a comer marisco todos os dias, deixei de ter ureia. Quando andava a trabalhar dei comigo a tomar dez comprimidos /dia, deixei de trabalhar baixei para metade ao fim de um mês.Os meus amigos dizem que não sabem o que fazer se deixarem de trabalhar, enchem os bolsos às farmacêuticas…


  2. Há quem diga que o trabalho é o pior inimigo do homem e que o melhor desporto que há é a cama.


  3. Entre nós, os gestores, costumamos dizer que a nossa vida é um modo de morte. Se calhar dizem todos das respectivas profissões…

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