O Colégio Militar e os interesses imobiliários (carta a um Deputado)

Sou mãe de um aluno que frequenta o Colégio Militar há 4 anos, para onde foi depois de uma experiência de um ano numa escola pública em que era maltratado fisica e psicologicamente por colegas e ignorado por professores, tendo perdido o ano com cinco negativas e apoio psicológico. No ano seguinte, já no Colégio Militar, ficou no quadro de honra com média de 14,5 e, decorridos 4 anos, adora o Colégio e está "de rastos" com o que tem sido dito na comunicação social.

 

Assim, uma vez que ouvi as suas declarações na RTPN, não posso deixar de manifestar a minha opinião sobre as mesmas.

 

Compreendo as motivações profissionais do Dr. Garcia Pereira no assunto, mas confesso que tenho alguma dificuldade em perceber o empenho do BE em geral e de V. Exa. em particular na condenação de um Colégio, que pode ter regras que não são compatíveis com a V/ visão do ensino, pode ser criticado nalguns aspectos, mas que não merece a campanha persecutória e sistemática que lhe tem sido movida.

 

Não pretendo desculpabilizar actos que *só aos tribunais compete avaliar e, se for o caso, condenar*.

 

Parece-me, porém, que não cabe a V. Exa., nem a qualquer partido político, condenar uma instituição de ensino da forma exarcebada e degradante como o têm feito e, com isso, rebaixar todos os alunos que a frequentam e que ficam desestabilizados com todo o circo mediático que isso gera. Especialmente quando V. Exas não têm conhecimento – nem procuram conhecer – todos os lados da questão. Talvez devessem informar-se porque

razão os pais de 400 alunos defendem o Colégio e porque é quea mãe de dois dos alunos queixosos, ao que soube, mantém os filhos no Colégio!

 

Como mãe e cidadâ não aceito uma tomada de posição desta força e dimensão por parte de membros da Assembleia da República quando *não vi – nem vejo – o mesmo empenho, igual indignação e o pedido de urgente condenação (como hoje V. Exa tão veementemente manifestou) com os graves problemas com que o Estado de Direito se debate e a vergonha que foi e continua ser o processo de pedofilia da Casa Pia*. Talvez os meninos pobres e desprotegidos desta instituição, cujo processo não mereceu da PGR a consideração de "violência escolar" que justifica a celeridade do processo dos alunos do CM, não constituam para V. Exas. uma causa com que se identifiquem por não permitir o ataque a instituições da estrutura (militares ou outras).

 

Permita-me um conselho final: a próxima vez que V. Exa falar publicamente do Colégio Militar será importante investigar antes sobre se nãoestarão em causa eventuais interesses no fecho de um Colégio com 19 hectares no centro da capital, que, a existirem, V/ Exa e o partido que representa estarão inadvertimente a ajudar.

 

Com os melhores cumprimentos,

 

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Comments

  1. maria monteiro says:

    xxxxxxxxxxxxxx , parece-me que uma criança que chumba com 5 negativas também deve ter sido muito ignorada por todos os que a rodeavam fora da escola


  2. “quadro de honra com média de 14,5″Na Publica é preciso ter-se média de 16 ou mais e não ter nenhuma nota abaixo de 14. No colégio militar toda a gente deve estar no quadro de honra

  3. Pedro Rocha says:

    Antes seriam os filhos dos oficiais do exército que passariam por lá, mas hoje, pelos vistos, qualquer um tem acesso a essa escola.Não acredito que seja um bom modelo manter apenas jovens de um determinado sexo aconchegados entre 16 hectares no centro de Lisboa. Aliás, há bem pouco tempo tivemos a comemoração dos 100 anos do Liceu Camões onde o dito modelo já foi ultrapassado no passado e não regressou, apesar de estar também no centro de Lisboa e ter igualmente uma área considerável.As praxes nas escolas militares fortalecem o espírito de grupo, mas ninguém as lembra com saudade.Não se deve confundir uma nova vontade de lançar suspeitas com o problema das praxes. Uma coisa é certa: só lá coloca os filhos quem quer.