Revisão do Acordo tripartido para o Salário Minimo Nacional

A manter-se como está o acordo tripartido que prevê o aumento do SMN para 500€ até 2011, teriamos, para este ano, um aumento de 5,6% do custo da mão de obra desqualificada (os 25€ que o RSP refere no post infra).

Isto, num ano em que as receitas das empresas têm, em média, uma quebra de 3% e a inflação, estima-se, ficará nos 0,5% negativos.

 

Assim, ao mesmo tempo que existem consideráveis quebras de receita e temos inúmeras empresas na corda-bamba ", e numa altura em que a inflação é negativa e o desemprego galopante, eis que a mão de obra desqualificada, a principal atingida pelo desemprego, encareceria, a manter-se o acordo, cerca de 6%.

 

É evidente que um aumento dessa natureza seria irresponsável e que o acordo tripartido, que na altura aplaudi, tem que ser revisto, dada a alteração de circunstâncias. Sob pena desse aumento do salário mínimo vir a tornar-se na mais anti-social medida adoptada durante a crise, por precipitar o desemprego de milhares de pessoas.

Comments


  1. O que aqui se diz é verdade. Mas é pena que na Alemanha a relação entre o salário mais alto e o mais baixo seja de 1 para 4 e cá no burgo, seja de 1 para 8. E em Espanha é de 1 para 6. Reduzir o leque salarial é o que se espera de governos socialistas e sociais-democratas.


  2. É, de facto, lamentável. Mas não é com aumentos artificiais do poder de compra que se resolve o problema. A nossa mão de obra não qualificada, assim como as nossas PME’s, têm um enorme problema de produtividade, que faz com que existam 2 países cá dentro: o país dos grandes grupos, e o país das pme’s. Esta medida deixa os grandes grupos de fora, até porque estes pagam acima do salário mínimo, regra geral. Atinge, contudo, as pme’s, que são as menos responsáveis por essas disparidades. É preciso inteligência no combate às disparidades. Não é por se aumentar 25€ o empregado de mesa de um pequeno restaurante ou café que se resolve isso, até porque dúvido muito que nesses sectores a relação seja de 1 para 8.


  3. Duas realidades bem diferentes dentro do mesmo país, que se acentuam.Os grandes grupos económicos e as empresas públicas ou de capitais públicos, monopolistas ou em cartel, com mercado não concorrencial, protegido pelo Estado, enormes lucros.As PMEs não entram no festim. Sempre foi assim e a culpa é dos governos.


  4. Isso sei eu bem… Mas adivinhe quem é que vai sofrer com um aumento brutal do SMN em plena recessão? Dica: Não é a SONAE. Quando se fala em patrões que se queixam do aumento, temos que ser sérios e tentar perceber quem é que se queixa do quê. Há-de reparar que há dois tipos de queixas das empresas: rigidez da lei laboral e custos da mão de obra. Há-de também reparar que essas queixas vêm de origens diferentes. É que a uns, dói uma coisa. A outros, dói outra. A solução para as desigualdades de rendimentos passa, em primeiro lugar, por democratizar a economia. Só depois de termos PME’s prósperas é que podemos pensar em subir o SMN de forma significativa. Medidas destas, neste contexto, para pouco mais servem do que aumentar o desemprego e representam uma politica que não qualifico como sendo “de esquerda”. Apenas qualifico de pouco esclarecida e de vistas curtas, para ser simpático. O combate à desigualdade deve ter sempre como pedra de toque a inteligência, sob pena de entrarmos em populismos fáceis de resultados catastróficos.


  5. Completamente de acordo, mas enquanto a cumplicidade entre Estado e grupos económicos for a prioridade, as PMEs vão andar sempre a pedinchar salários mínimos.Criar riqueza, inovar, aumentar a produtividade faz-se nas PMEs, não nas empresas que trabalham para o mercado interno. Nenhum governo encara esta situação, porque isso obriga a ter mérito. Mas estamos no fim do caminho.Somos cada vez mais pobres!

  6. maria monteiro says:

    mão de obra desqualificada são … os políticos, os … e segundo consta não ganham o SMN

  7. Pedro M says:

    Como alguém disse antes sobre este assunto: “Uma empresa que tem prejuízos por pagar mais 25€ a cada trabalhador se calhar não devia estar aberta.”

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