A dor vestiu-se de mulher
A dor vestiu-se de mulher
de terra e flores
e voou para lá das nuvens onde mora o vento.
A vida é um lugar muito longe
lá para as bandas do sonho
nas margens do silêncio
na arte do encontro – desencontro
na alegria de ser triste.
Nesta Galiza de poetas e água e céu e solidão
onde um mar de rias baixas desagua dentro de nós
pinta Jordi um rosto de mulher
a ocre
terra-siena e carmim.
…Que os cabelos e os jardins
querem-se soltos e naturais
como as aves e as manhãs!
Um homem nu toca Mussorgsky ao vivo
como se Jordi pintasse Quadros de Uma Exposição.
Bem perto daqui
há muito foi sonhada Nostalgia
mas ninguém viu a luz vermelha
fendendo as águas verdes
e a dor já se vestia de terra e flores
e a dor já fugia para lá dos montes
onde moram mulheres de vento.






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