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A Bial e o mérito

A BIAL investigou durante 15 anos para introduzir um medicamento no mercado. Passou por todas as fazes inerentes à complexidade de um medicamento para ser utilizado na epilépsia, e foi reconhecido e autorizado por todas as instituições europeias e americanas.

 

No processo foram investidos 300 milhões de euros, dinheiro dos sócios, sem redes, num  mercado onde só se ganha se se for melhor que os melhores, num mercado aberto sem protecção a não ser os resultados. E com um forte impacto nas exportações.

 

São estas empresas como a BIAL que devem ser apoiadas e reconhecidas, não as empresas monopolistas ou em cartel a trabalharem no mercado interno como a REN,a GALP,  a PT, a BANCA e todas as outras onde os seus gestores ganham fortunas sem se perceber bem porquê.

 

Mas a BIAL não é única, há mais empresas que trabalham no duro e com mérito, produzindo bens transaccionáveis, para exportação, operando em mercados altamente competitivos e sem andarem a mamar nas tetas do Estado e no dinheiro dos nossos impostos.

 

Enquanto não se reconhecer o mérito, este país vai continuar a ser um país pobre e adiado, pese embora a prosápia dos grandes vencimentos e dos grandes carros.

 

 

Contos proibidos: Memórias de um PS desconhecido. O afastamento de Tito de Morais

continuação daqui

 

«No rescaldo do Congresso Manuel Tito de Morais seria de certo modo responsabilizado pela situação a que tinha chegado o Partido por ter sido «ultrapassado pela grandeza da tarefa que lhe estava incumbida», sendo desterrado, enquanto responsável pelas relações internacionais, para um primeiro andar na rua D. João V, perto do Largo do Rato. O outro dirigente histórico a quem o Partido muito devia, por ter sido ele a abrir as primeiras relações internacionais nos anos 70 e que poderia ter sido uma excelente alternativa para Ministro dos Negócios Estrangeiros, tabém não seria poupado, não entrando sequer para o Secretariado Nacional do Partido que tanto lhe devia. Francisco Ramos da Costa seria também desterrado para embaixador em Belgrado. Quando faleceu, em 1982, estava contra o rumo que o seu velho amigo Soares imprimia ao PS e em total sintomia com as posições de Zenha e do grupo que viria a ser conhecido por «ex-secretariado». (…)

Salgado Zenha, com quem eu não tinha grande intimidade, uma vez que não o conhecera pessoaalmente antes do 25 de Abril, era a grande figura do PS. As bases e os dirigentes reconheciam a sua grande estatura moral e intelectual. Ao contrário de Mário Soares, era algo introvertido, comedido nas suas palavras e possuidor de um apurado sentido de humor que, quando desfiado, podia resvalar para um temível sarcasmo. Logo nesse meu primeiro contacto a sós com os dois dirigentes juntos, pareceu-me também que Soares se ressentia daquela evidente superioridade. Era o número dois do PS quem tinha sempre a última palavra, com frequentes arremessos de paternalismos.

Enquanto Soares nunca se aventurava sozinho num raciocínio novo e recorria quase sempre à cumplicidade de «O Zenha e eu», este, pelo contrário, raramente falava a dois. Mas era frequente começar por explicar uma situação com uma farpa ao seu amigo. «Bom, dir-me-ia, aqui o Mário gosta muito de viajar e depois queixa-se de que o Tito não tem mão no Partido.»

 

 

 

 

 

 

Bárbara Reis e a entrevista à TSF

Bárbara Reis começa por falar da mudança do paradigma do «Púbico» – ficou para trás a fase dos textos curtos, porque os leitores não tinham tempo para ler, e regressaram os textos mais longos e específicos. Os jornais impressos vão ter de encontrar os seus nichos, as suas minorias.

Mudança a partir de hoje: eliminar a percepção pública de que existe no jornal, actualmente, um excesso de carga ideológica.

Depois de dizer que o facto de ser mulher nada tem de relevante, porque as pessoas conhecem-na há mais de 20 anos, recorda os seus inícios do «Público» na Somália e em Nova Iorque. Fala várias vezes de Vicente Jorge Silva, o primeiro director do «Público», e do interregno nas Nações Unidas. Quando se fala de Sérgio Vieira de Mello, o silêncio, que na rádio ganha uma dimensão maior, é sepulcral.

Duas notas pessoais: tive pena que Carlos Vaz Marques não explorasse a frase relativa ao excesso de carga ideológica do «Público». Penso que Bárbara Reis se referia à forma como o jornal se posicionou, nos últimos tempos, relativamente ao Governo, mas o jornalista não sou eu.

Outra nota: a voz de Bárbara Reis é muitíssimo sensual, típica de uma voz da rádio. Não devia ter ido ao Google procurar a sua cara. 

O Público ressuscita o BPN

Quando tudo ainda ferve com os dignitários socialistas apanhados nas malhas da corrupção, e tráfico de influências, os 3 mil Milhões de euros do PS enterrados no BPN vêm à liça.

 

Repare-se que a comparação entre os casos só afunda os socialistas. No caso Oliveira e Costa temos um banco privado que fez batota e uns quantos barões sociais-democratas que mamaram sem freio. Só passou a ser público ou com interesse público a partir da montanha de massa que lá meteu este governo (é o mesmo…).

 

No caso "Face Oculta" o que temos são políticos socialistas colocados ao mais alto nível em empresas públicas a traficar influências, porque têm ligações aos camaradas que estão noutras empresas controladas pelo Estado ou no próprio Estado.

 

Armando Vara, após a sua saída do governo por se ter envolvido em questões menos claras, foi colocado pelos camaradas na Caixa Geral de Depósitos e depois transferido para o BCP, após o assalto socialista a este banco e tomada de poder.

 

No primeira caso, temos crimes de lesa património, desvio de dinheiros e negócios desastrosos numa empresa privada, que devem ser, naturalmente, castigados.

 

No segundo caso temos corrupção, tráfico de influências e prejuízo do Estado em concursos públicos, por pessoas que estão naquelas funções por razões de confiança política.

 

Acresce que o polvo, pela primeira vez, é atingido nos tentáculos escondidos nas estruturas técnicas e administrativas , que permanecem ano após ano, corrompendo e traficando, mas sem nunca serem postas em causa, nem democraticamente, por não se sujeitarem a eleições, nem porque são alvo do escrutínio da comunicação social e das polícias.

 

Durante 30 anos os corruptos são uns senhores muito maus que não pertencem aos serviços e que foram ali parar, no meio dos santos e milagreiros.

 

A comunicação social deve-lhes muitas "notícias…"

No Centenário (2): Relvas aparadas

 

Da leitura em diagonal das Memórias Políticas de José Relvas, decidimos retirar mais alguns valiosos contributos para o melhor conhecimento daquilo que foi o regime saído do golpe de 1910, assim como das questíunculas, ódios e irresponsabilidade política e moral dos seus principais dirigentes.

 

Sendo Relvas geralmente apontado pelos panegiristas do regime da Demagogia, como uma inatacável personalidade eivada de todo o tipo de qualidades políticas, morais e intelectuais, os seus escritos deverão ser encarados como honestos testemunhos da situação imposta pela violência a um país coagido pela coacção física e propagandista.

 

Já na fase pós-sidonista, Relvas parece esquecer-se da feroz luta contra a "ditadura" administrativa de Franco (1906-08) e assim, declara em 1919 …"como pode o Governo com o actual Parlamento que já não representa a vontade nacional, visto que o País aceitou o meu Ministério, não só sem resistências, mas até com aplauso? Foi por isso que eu fiz na entrevista um apelo ao Parlamento para nobremente votar o princípio da dissolução e uma nova lei eleitoral, elaborada com o consenso dos partidos, deixando entrever que se a vida do executivo ainda fosse possível com as actuais Cortes iríamos até ao momento em que novas eleições constituíssem uma necessidade inevitável para a formação dos dois novos e grandes partidos, base duma tranquilidade, que não conhecemos há muito tempo".

Este parágrafo remete-nos de imediato à famosa entrevista dada pelo rei D. Carlos aoTemps, em que os pressupostos para a normalização da vida pública, tinham como ponto central a formação de dois partidos constitucionais verdadeiramente alternativos – o governo "à inglesa" – e à elaboração de um novo sistema eleitoral mais equilibrado. Mais de uma década decorrida e num cenário de indescritível desordem pública, miséria económica e clara, embora camuflada derrota militar na I Guerra Mundial, Relvas parece pretender ressuscitar o plano de João Franco, num momento em que a dissolução do regime já se tornara inevitável.

 

Continuando, o autor escreve que …"acentua-se a campanha da dissolução em termos da maior violência. Hoje, na Câmara, quando se começava a discutir o projecto a que me referi na carta de ontem, o Francisco Fernandes afirmou que tal projecto, recordando o decreto de 31 de Janeiro, de João Franco, o excedia todavia nas autorizações arbitrárias que concedia ao poder executivo. Devo dizer-lhe que não é muito grande a correcção do dr. Fernandes e o seu espírito de transigência, não hesitando em aprovar o projecto desde que ele contivesse a restrição das autorizações concedidas apenas ao actual Governo". Por outras palavras, é a "ditadura!

 

A guerrilha entre os caciques republicanos, vai enrubescendo de fulgor e assim, …"o Cunha Leal – comediante-tragediante sabendo que o Parlamento já não existia, resignou o seu mandato de deputado perante o comício. E acrescentou que, se o Governo não decretasse a dissolução, convocava desde já o povo para dissolver o Governo!" Foi esta a gente de alegados elevados princípios de rectidão moral que quis governar o país. Continuando, vai escrevendo que …"esse farsante subiu as escadas do Ministério do Interior, acompanhado de populares, que a breve trecho entravam violentamente no meu gabinete, armados com pistolas e espingardas, invectivando-me e não me tendo morto, graças à oportuna e enérgica intervenção de Tito de Morais (…) entretanto, nas Ruas do Ouro e dos Capelistas continuava o tiroteio com a polícia, obrigada a defender-se dentro já da esquadra do banco de Portugal. Havia mortos e feridos. O primeiro polícia foi morto à porta do Ministério (…) durante a noite a Polícia, que se manifestara hostil ao Governo, teve de render-se, não sem ter manifestado num pátio da Parreirinha os seus afectos em vivas entusiásticos à Monarquia"…

De Machado Santos, a grande figura do 5 de Outubro da Rotunda, , dizia que …"é um sincero em tudo o que faz. Há porém entre estes dois homens diferenças fundamentais. É honestíssimo. Mas é de uma mediocridade intelectual assustadora, o que o conduz, fora da Rotunda, a todos os desaires e a todos os desastres. Está sendo cúmplice inconsciente do Cunha Leal, que não tem escrúpulos de nenhuma espécie, que é superiormente inteligente, e ilimitadamente ambicioso".

 

Na sua 24ª carta, desabafa que …"quando mataram o Sidónio – vilíssimo assassinato -, e quando o Teófilo Duarte passeava por Lisboa as suas loucas tropelias, dizia-lhe eu que tinha a impressão de presidir a um manicómio. Hoje tenho a impressão de habitar um covil de feras!" Estas palavras são absolutamente idênticas às de D. Manuel II logo após os acontecimentos de 1908-10, mas Relvas parece esquecer-se do constante recurso à violência física promovida pelos chefes do p.r.p. nos derradeiros anos da Monarquia Constitucional.

 

De Guerra Junqueiro, fazendo juz ao preconceito da época e aludindo ao desvario pela acumulação de riqueza que parecia obcecar o vate da república, dizia que …"ofundo irresistível da sua origem semita procura conciliar, com a mais alta e nobre visão da Pátria, os interesses da sua ambição. O que o conduz por vezes a situações lamentáveis".

 

Voltando à dissolução do parlamento, Relvas escreve: "Outro acto de firmeza do governo que parece estar esquecido, e que todavia não podia ser de maior transcendência, foi a dissolução do parlamento. Por não estar incluída na Constituição a faculdade de dissolver o Parlamento, atravessámos épocas políticas agitadíssimas, e viemos a dar a uma revolução." Curiosa auto-condescendência do escriba-primeiro ministro, parecendo oportunamente esquecer-se da tremenda campanha de imprensa levantada pelos republicanos durante o governo de João Franco. Assim, para Relvas a ilegalidade justifica-se desde que seja a "sua ilegalidade".

 

Não nos alongando mais no demolidor contributo do antigo primeiro ministro da 1ª república, finalizamos, como epitáfio de uma situação insolúvel, com um pequeno parágrafo:

"Entretanto, todas as pessoas que passam pelo meu gabinete estão assombradas com o espectáculo duma política tão mesquinha. Realmente, este gabinete é agora um posto de observação, e até de estudo, para psicólogos. Nesta luta de pigmeus, a fingirem de grandes homens, é fácil distinguir os motivos que os fazem agir (…) é a indicação que leva ao Terreiro do Paço outro Governo, que não pode ser, senão em outros moldes e com outras pessoas, uma reprodução do que vai desaparecer sumido nessa terrível voragem de desorientação e desprestígio em que se somem, nos últimos anos, em Portugal, umas atrás das outras, todas as situações ministeriais?"

 

* Na imagem, manifestação popular de apoio a D. Manuel II, diante do Paço das Necessidades (1910).

 

 

Persistência

Como é habitual em mim, tenho essa premonição que o conceito de persistência é uma virtude dos seres humanos de todos os tempos. É sabido que não sou um homem de fé, mas é também sabido que procuro entender as palavras que usamos ao falar ou ao agir. Parece-me que a de persistência é uma dessas virtudes definidas em textos de várias confissões que possuem uma divindade perante a qual é preciso persistir. Ou, por outras palavras, os homens de fé prometem fazer um bem e não deixam escapar esse esforço para avançar na vida. Não me é estranho ler um dos livros sagrados da fé romana e encontrar um texto que diz: «Pregai que o reino dos céus está próximo. Curai os doentes» (Mt 10, 7 s), para acrescentar a seguir que se um doente não é curado, se a persistência de uma doença fosse sinal de que uma pessoa carece de fé ou do amor de Deus por ela, teríamos de concluir que os santos eram os mais pobres de fé e os menos amados de Deus, porque há alguns que passaram toda a vida prostrados. Não, a

resposta é outra. O poder de Deus não se manifesta só de uma maneira – eliminando o mal.

 

Não é nenhum tipo de fé em qualquer divindade, que me leva a esta definição. Pelo contrário. Acontece que os seres humanos da nossa cultura procuram, acreditem ou não em outra vida, consolo na divindade que, a seu ver, tudo pode e tudo faz. Este tipo de ideias foi a que levou Karl Marx, em 1835, a escrever o livro «A união dos cristãos segundo o Evangelho de São João». Tinha 15 anos, era persistente e confiava na bondade das pessoas. Esta persistência pode ser demonstrada na foto que abre o texto: o mar a bater com força sobre as rochas, sem as partir.

 

Estou certo que este seria um debate que faria a delicia de Luís Miguel Pimentel. Somos poucos os que tentamos procurar a hermenêutica das palavras, o seu sentido ou o seu significado profundo dentro do transcorrer do dia a dia. Quem quer ir em frente, persiste. De todas as definições por mim tratadas neste texto, a de Aristóteles é a mais esclarecedora, ao falar da impressão que causa na nossa memória uma lembrança que acaba por se indigitar à nossa experiência, «…Ainda que a percepção sensível seja inata em todos os animais, em alguns deles produz-se uma persistência da impressão sensível que não se produz noutros. (…) Os animais em que se produz esta persistência retêm ainda depois da sensação a impressão sensível na alma. E quando uma tal persistência se repete um grande número de vezes, (…) a partir da persistência de tais impressões, forma-se a noção universal (…). É assim que da sensação vem aquilo a que chamamos lembrança, e da lembrança várias vezes repetida de uma mesma coisa vem a experiência, porque uma multiplicidade numérica de lembranças constitui uma única experiência. E é da experiência (…) que vem o princípio da arte e da ciência.", como diz no seu texto de 320 antes da nossa era, intitulado «Segundos Analíticos»,  II, 19, 99b, 15 e seguintes. Aristóteles 320,ante da nossa era

 

A experiência é a árvore da sabedoria, como vários mitos genéticos, bíblicos ou muçulmanos, definem. O melhor texto para esta definição, é o livro rabínico Talmude, base da criação da psicanálise por Freud. O leitor tem a palavra. Calo, porque persisto nas minhas definições.

A persistência é tratada pelos analistas, como reminiscência da memória, pelas pessoas de fé, como virtude de perseverança. No conjunto das definições é possível entender que persistência é entender o decorrer da vida ou perseverança. Em síntese, a persistência é a luta para obter o que é mais conveniente para nós.

 

Privatizações e casamento gay

Eis o que vai ser posto em prática pelo novo Governo, segundo o Programa hoje apresentado na Assembleia da República. Um Programa que, ao que parece, vai ser igual ao Programa apresentado em campanha eleitoral – e qualquer Governo devia ser obrigado a cumprir um Programa igual ao que apresentou ao eleitorado.

Seja como for, a receita do PS vai ser aquela que já se esperava: governar à Esquerda e à Direita conforme as conveniências. À 2.ª e 4.ª, vai acelerar as privatizações e dar apoios chorudos aos Bancos. À 3.ª Feira, vai propor o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Sempre deixando claro que todos têm a responsabilidade de deixar o Governo fazer o seu trabalho – logo que uma das suas medidas for chumbada, lá virá o choradinho das forças de bloqueio, o «esticar da corda» e, em breve, a apresentação de uma moção de confiança.

Pois, pois – governar à Esquerda e à Direita ao mesmo tempo é capaz de ser difícil. Será que a Oposição vai cair no logro?

Memórias do Pintarroxo (IV)

(continuação daqui)

 

FESTIVIDADE – Rebordosa, 29/09/1937

 

«Realiza-se hoje nesta freguesia a festa em honra do nosso Padroeiro S. Miguel, que se venera todos os anos com sentida piedade. Este ano tem mais brilho, pois tem a afamada música de Vilela, e como pregador o distinto sacerdote Padre Faria, muito conhecido em Paredes e nos seus artigos jornalísticos…

Desastre – No lugar do Entroncamento da vizinha freguesia de Lordelo, houve um choque violento entre o sr. António Alves Lamas, motorista e Casimiro da Costa Leal. Encontram-se os dois em estado grave, desconhecendo eu a causa que originou o desastre.

Bem faço eu que ando sempre a pé, e mesmo assim, ainda caí outro dia, quando vinha alegre e bem disposto de casa do sr. Zeferino, de Paredes…»

 

Pintarroxo, in «O Progresso de Paredes, 29/09/1937

 

Gripe A: À dose

Afinal a vacina é só para tomar uma dose, ao contrário do que se dizia e fazia há um mês atrás, em que eram precisas duas doses.

 

Isto não ajuda nada, a credibilidade e a confiança andam muito por baixo, e as pessoas vão começar a pensar que isto de cientifico nada tem, agora é só uma dose porque não há vacinas para todos.

 

Entretanto a febre tambem é à dose, de manhã em casa as crianças não têm febre, na escola passam a ter e no centro de saúde já não têm. Isto reforça a desconfiança.

 

Trezentos alunos no Distrito de Aveiro foram mandadas para casa, após as escolas constatarem que as crianças estavam febris, o que nuito preocupou os pais, que de imediato foram aos centros de saúde que verificaram não haver o quadro febril o que muito zangou os pais.

 

Se as crianças não fossem mandadas para casa, teríamos por aí acusações de desleixo, assim como as escolas jogaram pelo seguro, aqui del-rei que que as escolas querem é fechar as portas e ir de férias.

 

O pânico está a tomar conta das pessoas e não é à dose o que é a pior notícia.

 

Coração e desporto

(Pequenas notas que podem ser úteis, especialmente nestas alturas em que algumas mortes súbitas têm ocorrido e deixam as pessoas preocupadas).

 

Se um atleta ou candidato à prática desportiva tem história suspeita ou demonstrada de cardiopatia, deve ser observado por cardiologia.

Se não tem história de cardiopatia deve ser submetido a um primeiro exame de entrada.

 

                                         Tipo de exame

 

-Exame médico individual, conduzido pelo médico assistente.

 

Vantagens:

Melhor conhecimento, por parte do médico pessoal, da história do atleta.

Boa relação médico-atleta, melhor comunicabilidade acerca de assuntos sensíveis como existência de patologias, problemas de desenvolvimento, uso de drogas etc.

Presença dos pais ou encarregados de educação na colheita da história familiar.

Melhor continuidade no seguimento.

 

Desvantagens:

Falta de interesse e de conhecimento, por parte de alguns prestadores de saúde.

Custo aumentado para o atleta.

Falta de interacção entre o médico e a escola.

 

-Exame médico em grupo, realizado na instituição e conduzido de maneira sistemática por pessoal de saúde (médicos, enfermeiros, fisioterapeutas etc.), actuando em unidade.

 

Vantagens:

Mais baixo custo para o atleta.

Potencialmente mais alta taxa de detecção de problemas.

Maior consistência e eficiência do exame.

 

Desvantagens:

Perda de continuidade das observações e cuidados.

Falta de relação com o médico pessoal do atleta.

Menor conhecimento da história do atleta e da eventual doença.

Maior dificuldade na orientação dos cuidados e na profilaxia.

                             

         

Exame cardiovascular

 

-Deve ser feito numa zona sossegada.

-Para além da inspecção, não só do tórax mas global, deve registar-se o peso, a estatura, a tensão arterial e o pulso.

-A auscultação cardíaca deve ser muito cuidada, no sentido de distinguir, dentro das capacidades do observador, sopros funcionais de sopros orgânicos.

No primeiro caso, na ausência de sintomatologia e de história pessoal ou familiar de doença, considera-se uma situação normal. Com história pessoal ou familiar de cardiopatia, deve ser observado por cardiologia.

No segundo caso, mesmo sem sintomatologia e sem história pessoal ou familiar de cardiopatia deve ser enviado a cardiologia. (Observação, Radiografia do tórax., Electrocardiograma, Eco-Doppler cardíaco, Ecg. de Holter, Prova de esforço etc., conforme o entendimento do especialista.).

 

 Exemplo de questionário de rotina:

(com idade inferior a 35 anos)

 

1-Já passaram pelo menos dois anos desde a última observação médica, nomeadamente auscultação cardíaca e avaliação da tensão arterial?

                                                              Sim (  )      Não (  )      

 

2-Alguma vez foi informado de que tinha "sopro no coração"?

                                                              Sim (  )      Não (  )

 

3-Desmaiou ou teve alguma dor torácica nos últimos dois anos?

                                                              Sim (  )      Não (  )

 

4-Algum dos seus familiares directos com idade inferior a 35 anos teve morte súbita?

                                                              Sim (  )      Não (  )

 

5-Algum médico detectou em familiares, doença de Marfan, ou "coração dilatado"?

                                                              Sim (  )      Não (  )

 

6-Já alguma vez usou anabolizantes ou cocaína?

                                                              Sim (  )      Não (  )

 

7-Alguma vez foi considerado inapto para a prática desportiva?

                                                              Sim (  )      Não (  )

 

(Com idade superior a 35 anos)

 

8-Fuma, tem antecedentes de hipertensão arterial, alterações das gorduras do sangue ou diabetes?

                                                               Sim (  )      Não (  )

 

9-Algum familiar (pais, avós, irmãos) padece de doença das coronárias (angina de peito, enfarte do miocárdio…) ou foi operado ao coração antes dos 65 anos?

                                                               Sim (  )      Não (  )

 

NOTA: Se alguma destas questões for afirmativa, o médico deve requerer a opinião de um cardiologista.

 

 

 

Ser ou não ser uma recordação

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Imagem Moisés de Michelangelo415 x 457 – 48k – gif , esculpido entre 1513-1515. A escultura está na igreja de San Pietro in Vincoli, Roma.

 

A frase não é minha, todos sabemos de onde advém. Éuma frase que nos faz pensar, duvidar, andar no meio da multidão sem saber muito bem quem somos nem o que desejamos da vida. A vida tem as suas alternativas, ou entregues pela lei, ou pela nosa maneira de ser. Forma de ser que faz comentar a nos próprios e aos outros o que somos e para onde é que vamos. Para não sermos desviados do caminho traçado para nós pelos costumes da maior parte de qualquer grupo social, dizem por ai que leis foram ditadas para nós obedecer. A imagem do ditador é terrível, imagem que nos reenvia a ser mais ser do que procuramos e desejamos ser.

É, sem dúvida, a escultura que o nosso amigo Luís sempre admirou e respeitou, que visitava cada vez que andava por esses cantos do mundo. Respeitou a imagem, que é para adimirar, a úlima obra de de Michelángelo. Comentava sempre essa lenda que anda por ai: ao acabar a sua obra, o escultor teria dito: levanta-te e fala. Moisés já tinha falado antigamente mandando cumprir formas de comportamento.

O Luís admirava a imagem, mas não as palavras. As palavras eram com ele, como devia ser e deve ser entre todos os mortais: ir em fente pelo caminho que nós traçamos, com respeito e com amor. Respeitou os que pensam de outra forma e cumprem à risca o que está mandado pela lei. Mas a lei era-lhe larga e alheia, como diz Ciro Alegia,  escritor peruano, em 1983. Para o Luís, o mundo era largo e, se ele não sabia, empurrava até ficar fabricado a sua medida.

A estátua de Moisés, era a sua guia, a sua orientação. Dos Dez Mandamentos que dizem Moisés ter baixado a terra desde o seio da sua divindade, havia um que chamava a sua atenção: amar ao próximo como a ti próprio. Mandamento  lei para o Luís. Lei nada alheia ao seu comportamento, generoso, aberto, alegre e brincalhão. Ele queria ser, mas não lhe era permitido. Apenas a mãe e a família entendiam esse ser que teve que o levou abandonar Portugal para poder ser como ele estimavaAinda esperamos que acorde e apareça plas ingratas terras lusitanas, onde a lei é apenas uma: a reprodução biológica e o ensino para os mais novos. Ensino com punição, sistema não existente para a pessoa que hoje lembramos. Sabia amar e era amado. Amava esses poucos escolhidos por ele, era amado por muitos, especialmente pela sua mãe. Ser ou não ser, não foi a sua grande dúvida. Sabia o que procurava e faleceu nessa procura. Talvez no seio de Moisés e a ordem de

 

amar ao próximo como a si próprio.

A grande questão de ser, o Luís a disemharia como o propritário de esta imagem, da autoria de H Mourato, em: http://www.joaquimevonio.com/espaco/h_mourato/hmourato.htm

A sua pequena sobrinha procura no céu a estrela do Luís, para a trazer a terra, operar ecolocaro um novo coraçã que sustitui-se ao antigo que, em menos de um minuto, parou. A sua memória nunca será esquecida, Luís Pimentel, com eses trinta e dois anos. A sua devoção ao trabalho, foi a sua saida do mundo. Como a de tantos outros que o neo-liberalismo liberta cedo na vida

 

 

 

Os idealismos de Marcelo

Marcelo diz que não. Que não encontra condições de unidade no PSD e só com unidade Cristo poderia descer à Terra, de novo. Marcelo aponta o dedo aos ‘barões’, acusando-os de falar muito de nomes e esquecer os projectos.

 

O que Marcelo muito bem sabe, porque sabe mais que nós, é que o momento do PSD não facilita, nem proporciona, o debate de projectos, porque isso é coisa de pretensiosos idealistas. O que o PSD quer discutir, em exclusivo, é o nome de quem lhe pode devolver o verdadeiro poder. Aquele tipo de poder que qualquer aparelho partidário deseja.

 

Mas se Marcelo sabe isto, porque sabe, não esqueçam que ele sabe mais que nós, porque insiste em só se disponibilizar caso haja unidade interna?

Tri-quadra do dia

 

Ladrões de cara lavada

Quem há que vos deite a mão

Larguem a massa roubada

Não valem um cagalhão.

 

Larguem a massa roubada

Que é do povo português

Povo que ganha na vida

o que vós roubais num mês.

 

Bandalhos e corja imunda

Tantos ladrões e ladrões

Só há justiça fecunda

Se vos cortar os tomões.

 

A máquina do tempo: o futebol como ideologia

 

Para não ser acusado de ser mais «um mouro a sair da toca», como aqui foi dito num comentário, quanto a mim infeliz, sobre o entusiasmo que tem grassado entre os aventadores vermelhos, tinha decidido esperar que o Benfica perdesse para publicar este texto. Secretamente, acalentava a esperança de nunca ter de o publicar ou de o vir a publicar mais tarde; mas no sábado o Benfica perdeu – e bem – cá está a prosa. Vou, pois, ocupar-me, mais uma vez, do chamado «desporto-rei».

Continuando na onda de rapinanço de títulos, a minha vítima de hoje é o alemão Gerhard Vinnai, autor de um livro com o título que dei ao texto – «O Futebol como Ideologia». No prefácio da edição portuguesa – datada de 1976 – Vinnai caracterizava Portugal como um país em que «o futebol e Fátima competem ainda no esforço de consolar as massas da miséria da sua vida de todos os dias».

De 1976 para cá, a situação alterou-se substancialmente – para melhor numas coisas, para pior noutras – Fátima e o fado (Vinnai esqueceu-se do fado), perderam terreno, mas o futebol que naqueles anos em que a luta política assumiu um papel importante na vida dos cidadãos, perdeu protagonismo, veio depois a recuperar o seu papel cimeiro nas preocupações mais ingentes de grande número de cidadãos. Mas não vou falar do livro de Vinnai, nem sequer orientar este texto no sentido que ele deu à sua obra – o de escalpelizar a relação desporto/alienação no mundo capitalista. Apenas me apropriei do título.

Ainda me lembro, durante a ditadura, de ver em cafés, bares, em barbearias, em lugares públicos onde se juntavam homens, pequenos cartazes impressos que diziam . «Proibido discutir política e futebol». Não se podia discutir política porque era perigoso, a PIDE tinha olhos e ouvidos onde menos se esperava. Já discutir futebol era uma fonte de zangas e de desordens. Imaginem um bar ou uma taberna – vinho e futebol era uma mistura explosiva. Daí os cartazes. Um cartaz à entrada do Aventar moderando a discussão de futebolices não faria mal nenhum.

Não porque aqui se beba vinho. A Carla até veio num comentário afirmar-se abstémia. Facto que me deixou seriamente preocupado,  tendo eu pedido ao Adão Cruz que lhe receitasse qualquer remédio ou terapia para a abstemia. Mantenho a opinião de que, discutir futebol na óptica clubística, reduz a capacidade de raciocínio, transformando pessoas inteligentes em mentecaptos. Mas vamos al grano, como dizem os nossos amigos e vizinhos.

Já tenho dito aqui – gosto muito de futebol e até tenho uma forte e indeclinável opção clubística. No entanto, nunca atribuí ao futebol, que é só um jogo, a importância que vejo muita gente conceder-lhe. É um jogo e é um negócio. Mas hoje só quero falar do jogo e da sua incidência (negativa) nas mentalidades.

Assisto aqui no Aventar a picardias entre adeptos, sobretudo do FCP e do SLB. Algumas têm graça, outras nem tanto. Por exemplo, já aqui condenei a atitude de misturar no futebol questões políticas ou regionalistas, ou seja, coisas que nada têm a ver com o futebol. Pelo menos não deviam ter. Em certas alturas das últimas semanas, o Aventar pareceu ir transformar-se num blogue especializado em futebol o que seria lamentável. Até porque esse espaço da blogosfera está densamente povoado.

No momento em que escrevo estas linhas, apesar da derrota em Braga, o Benfica parece ter recuperado algum do seu histórico fulgor, a chama imensa que lavrou pelos estádios de Portugal e da Europa nos anos sessenta e setenta. Nessa altura também não ganhava sempre, basta consultar os jornais desportivos da época. Parece, porque, como se viu no sábado, ainda é cedo para diagnósticos optimistas (tal como para os pessimistas). O Porto e, sobretudo, o Sporting atravessam decididamente um período menos bom. Claro, daqui por um mês o panorama pode ser tão diferente que o cenário de hoje seja irreconhecível.

Seja o que for que aconteça, pergunto: que importância tem isto? Tem a importância que tem e que é pouca, equivalente a zero. Nenhum dos problemas que afectam os portugueses ficam mais perto de ser resolvidos – desemprego, subida dos índices de pobreza, o estado do ensino, da cultura e da saúde, o baixo poder de compra, a marginalidade e a corrupção, ou seja, todos as doenças endémicas do País estarão longe de ser erradicadas e não será o futebol que as erradicará. Pode é fazê-las esquecer. Isto, por muito bem que o campeonato corra a uns e mal a outros.

Acho muito engraçado quando ouço dizer a um adepto de qualquer destes clubes grandes que ser benfiquista, portista ou sportinguista é qualquer coisa de especial, de único. Embora eu próprio experimente essa sensação – sobretudo com o estádio cheio e com a águia a voar – de quem basta estender os dedos para tocar o céu (dizem que o ópio provoca uma sensação semelhante). Acho graça, porque somos todos iguais, com reacções iguais. Por exemplo, se o futebol do Benfica anda, como tem andado nas épocas anteriores, na mó de baixo, descubro-me a preferir falar de futsal ou de basquetebol ou de qualquer outra modalidade em que o meu clube esteja a sair-se bem. E se não estiver a sair-se bem em nenhuma, derivo para a música sinfónica ou para a banda desenhada.

Naturalmente que nada disto é exclusivo dos adeptos portugueses. Em Paris, nos tempos do Racing Paris, do Red Star (fundado pelo mítico Jules Rimet), do Stade de France, o futebol era o desporto-rei. Quando as equipas do Sul, como o Marselha começaram a ganhar os campeonatos, a pouco e pouco, os parisienses foram deixando de ir ao futebol. O Red abandonou o futebol em 1948, o Racing em 1964 e o Stade em 1966. Hoje, com o pífio Paris Saint-Germain a perder jogos, preferem o râguebi. Já, aqui há uns anos, me disse um parisiense «isso do futebol é lá para os marselheses», franzindo o nariz como se estivéssemos perto de peixe estragado.

O futebol transformou-se na ideologia de muitos milhões de portugueses de Norte a Sul. Claro que agarradas ao futebol vêem outras coisas, tais como ancestrais problemas regionalistas. Como já tenho dito, chamar mouro (ou galego) a alguém não constitui objectivamente uma ofensa. Porém, subjectivamente é-o. E é uma agressão sem sentido, pois Portugal, desde as suas origens, sempre foi um vórtice onde se sumiram etnias.

Por exemplo: os judeus que não fugiram e não foram assassinados pela fúria dos gentios e pela Inquisição, misturaram-se com o resto da população. Eram muitos. Outro exemplo, este mais recente – calcula-se em duzentos mil o número de escravos negros que, já no século XIX, abolida a escravatura, desapareceram sem ter regressado a África, fundiram-se com a restante população. Estranhamente, com os árabes que viviam a Sul do Mondego isso parece não ter acontecido. Muito civilizados, muito elitistas, não se misturavam com os cristãos, em geral, culturalmente básicos – a miscigenação foi no caso deles fenómeno raro.

Deixando a questão para quem tenha autoridade científica para o investigar, eu diria
q
ue, segundo me parece, país territorialmente pequeno, estamos de Norte a Sul, muito homogeneizados do ponto de vista étnico. Linguisticamente, as diferenças dialectais são irrelevantes – embora, apesar disso, as utilizemos abundantemente em graçolas nem sempre muito imaginosas. Nada tenho contra a regionalização, porque descentralizar parece-me urgente; mas, na realidade, o nosso País é, no seu conjunto, uma região.

Chamo a atenção de quem aqui no Aventar usa essa «graça», que chamar mouros aos sulistas equivale a defender uma teoria da raça em que o Norte seria povoado por celtas, ou melhor, por puros arianos, e o Sul por semitas. Por tudo o que da História recente sabemos, é uma graça perigosa e de mau gosto. Cuidado! Deixem essas expressões para gente estúpida e boçal como o Manuel Serrão. Não é conveniente sujar o blogue com coisas tão idiotas.

Porque, pensando bem, o futebol não tem qualquer importância. A não ser que o transformemos em ideologia ou em religião. Mas essa não é uma atitude sensata. O nosso clube estar a ganhar ou estar a perder, pode-nos dar alegria, boa-disposição, como disse Vinnai »distrair-nos das misérias das nossas vidas de todos os dias», mas para o que verdadeiramente importa, não conta. É igualzinho a zero.  

Um zero tão redondo como a bola de futebol.

 

 

O Beira-Mar e o novo Estádio de Aveiro

ENVIADO POR LEITOR QUE SOLICITA O ANONIMATO

FUTAventar – o Leão com gripe A

Dar 45 minutos de avanço não parece boa ideia, principalmente em casa e contra o Marítimo.

 

Sem jogar pelas laterais, encolhido com o seu previsível losango, Paulo Bento não consegue golos nem ocasiões para os marcar. Assegurar não sofrer golos e depois esperar que  Liedson  resolva, é muito pouco.

 

A jogar assim, há sempre a hipótese de acontecer um golo adversário, mesmo que seja um pontapé do meio da rua. Depois foi a ansiedade, quatro avançados, o "chuveirinho" mas já nada íria impedir a revolta dos sócios que se vêm, ao fim de 8 jornadas a 13 pontos do Braga onde, para chatear, brilha Hugo Viana, mais um que o Sporting vendeu e não quiz de volta.

 

Olhamos para o onze, e com a excepção de Matias, mais nenhuma aquisição tem lugar na equipa. Não seria preferível comprar dois ou três bons jogadores em vez de uma camioneta de suplentes?

 

Sem jogadores, sem adeptos, sem resultados e com um treinador seguro pela garganta, por quem tem medo tambem de cair, vai para onde o Leão?

 

 

Simão das Braguilhas

 

 

Imagem KAOS

Dedicado à Eva, mas não por causa da maçã, que eu não sou dessas coisas…

 

[…] e Jeová virou-se para Adelaide, que já então estava prenha daquele que viria a ser seu filho, e disse-lhe, "em boa verdade te digo que irás abandonar aquele que antes foi teu esposo e tuas coisas, para que agora possas viver na expiação dos teus males", e sem mais a ouvir, o Céu cobriu-se de previsões do defunto Antímio de Azevedo, e choveram rãs, enquanto Adelaide, como se de uma cigana se tratasse, largou as terras de Covilhã, buscando, perto do Bairro do Fim do Mundo, as novas paragens de Cascais. E, sendo o caminho longo, eis que as dores do parto subitamente lhe vieram, mas sendo Badajoz demasiado longe, as nuvens afastaram-se nos Céus, e o Senhor dos Sem Rosto disse-lhe, com voz segura, "nada temas, porque tudo isso já estava escrito, e agachar te ás junto de umas urzes, e soltar se te ão as àguas, para a vinda daquele que eu consagrei como teu Filho, e não receies, nem que seja zoado, na Boca do Inferno, como o Anticristo, porque na verdade dos Profetas lhe deverás apôr o nome de "José", já que se dará com carpinteiros, sucateiros e outros homens de fossas fétidas, e presidirá aos Finais dos Tempos". 

E Adelaide, como uma Romena de filhos emprestados, assim aportou ao Bairro do Rosário, onde vivia seu irmão Simão, que se dedicava a costurar braguilhas às Tribos de Judá, aos Filisteus e até aos gentios de Canãa. Era Simão um homem próspero, embora a Natureza nele tivesse posto sinais de fêmea, como rebolar a anca, e pôr os pulsos quebrados como os cangurus de Queensland, mas sendo a terra rica e falha de artistas no seu ramo, não havia mulher que lhe não entregasse o marido, para que lhe desenhasse a braguilha, na perfeição.

Vivia assim Simão como um Santo, todo o dia ajoelhado, entre pernas de homens, e aquelas Senhoras da Quinta, conhecida pela "Da Marinha" e as da Gandarinha Fina, quando desciam das suas horas de chá, no "Cidadela", e no "Baía", e procuravam, nos cavernames dos navios da areia, marinheiros de pesca, que lhes dessem a meia de leite do "english tea", não sabiam nunca, quando botavam a mão aos fechos da braguilha, em busca da ordenha masculina, que per isso ali trabalhavam com obras de costuraria do ilustre Simão, que eram as únicas testemunhas do seu "british swallowing cum".

E, assim, perto de Simão foi crescendo José, conhecido pelo "Sapatilhas", cujo mau gosto no vestir já então era voz, entre todas as mulheres sábias, e sabidas, de Cascais, que lhe profetizavam ir acabar como o tio, sendo aquela zona toda muito dada ao vício da Sodomia, como o Profeta Marcello, que metia rapazinhos pelas traseiras, salvo seja, de sua casa, não fossem as vizinhas todas, mulheres de muito falar, e sempre penduradas à janela da Gandarinha, saber que a cousa assim rolava, pela vontade de Jeová.

Houve então um dia em que vendo o tio ajoelhado, José lhe perguntou, "por que estás nesses preparos, não sendo hoje dia santo, nem estando sequer a Arca da Aliança defronte de nós?…", e ele lhe respondeu, "para que um dia tenhas um Diploma, e uma "Cova da Beira", e uma "Lena" e uma "Abrantina", e muitos sacos azuis, e um "Freeport" e "Coincinerações" e um "Héron-Castilho" e uma "Sovenco".

Sendo estes nomes estranhos ao jovem, cuja família era toda de meios irmão, e primos, nascidos de ventres de saras ressentidas, e ressequidas, logo a atenção se lhe virou para o tio, e lhe perguntou, "e ajeitando tu assim as braguilhas a tantos homens de Cascais, por que não me ajeitas, tu, a minha?…", pelo que Simão, que era um sábio, lhe respondeu, "porque, como tu o disseste, só ajeito braguilhas de homens, e nem quereria que esta Bíblia fosse considerada, por nossa causa, um livro de maus exemplos, nem que nela houvesse o incesto de que aqui me falas, pelo que deverás, pela aurora, tomar o caminho de Lisboa, e de aí rumarás à Costa de Caparica, onde, como o Senhor do Trovões a ti predisse, deverás procurar um outro homem, chamado Goucha, que te ensinará o resto das tuas artes, e te dará tudo o que te falta". E assim se fez, e José viu que era bom […]

 

(Profetizado no "Aventar", no "Arrebenta-SOL", e em "The Braganza Mothers")