Um titular por cada Manif -1 a 3

O Post é curto porque corro o risco de escrever o que penso  – prefiro a técnica Dalby do foge que te apanho!

A malta tinha uma divisão na carreira. Fez a luta que fez.

O governo perde a maioria.

Agora… segurem-me:

"Apresenta 3 divisões na carreira".

Mas… será que estão a brincar ou é mesmo a gozar?

 

Nota: ouvi disto: "Professores estão satisfeitos… ME cedeu"… MENTIRA! A proposta da Isabel é pior, muito pior que o ECD da LURDES!

A Popota

 

Ao fim de não sei quantos anos, despertei para o fenómeno da Popota. Coisas da minha filha de ano e meio, que mal ouve a música na televisão vira logo a cabeça.

Mas afinal, o que é a Popota? Pelo que percebo, não é nada, apenas uma publicidade. Nem existe sequer, acho eu, um boneco chamado Popota. Nem um CD com a música. Apenas uma publicidade. Mas afinal o raio do boneco é para quê? Claro, para atrair as crianças ao Modelo. Mas ao menos podiam ter um boneco.

Valha-nos ao menos esta pequena maravilha que é a música dos Buraka para a Popota deste ano. Wege, wege wege wege, wege. Popo-popo-popo-pota!

Desculpai lá este «post», aventadores. É só para desanuviar o ambiente.

 

Literatura e negociações, uma ministra a brincar com coisas sérias

O Ministério da Educação apresentou a sua proposta negocial. Na minha primeira leitura do papelucho o esssencial, as quotas para progressão na carreira continuam, agora em 3 escalões, os titulares mudam de nome, uma reinação completa.

Se o assunto não fosse sério diria que a nova ministra confunde literatura para adolescentes com estatuto da carreira docente.

Como é sério digo que quem brinca com o fogo também se queima.

Nada de surpresas, é um ministério do governo de Sócrates, o homem que não aprende, insiste, insiste, insiste. Até que a bilha se parta.

 

Petição para salvar a casa onde nasceu Salgueiro Maia

 

Como sabem os nossos leitores, o Aventar está a promover uma Petição para salvar a casa onde nasceu Fernando Salgueiro Maia em Castelo de Vide.

Infelizmente, quando já contávamos com centenas de assinaturas, fomos atacados por «hackers» coreanos e os vírus acabaram por destruir grande parte dos nossos ficheiros, entre os quais aquele que continha as assinaturas.

Neste momento, resolvemos a situação e alojámos a petição num «site» próprio de petições, mas as assinaturas que tínhamos perderam-se.

Assim, pedimos que todos aqueles que assinaram voltem a fazê-lo. Não por nós, mas pela memória de Salgueiro Maia, que deve ser preservada. Para assinar, agora com toda a segurança, basta carregar na imagem da barra lateral.

As nossas desculpas por uma situação que nos penalizou muitíssimo.

Após um texto violento crítico do actual governo

o Pedro Lomba «A propósito do que li aqui e aqui, confirmo que publiquei esta crónica no Público a 12 de Novembro, quinta-feira e na segunda-feira da semana seguinte, dia 16 de Novembro, a 2 horas de entregar o meu texto pronto para ser publicado na edição de terça do Diário Económico, como sempre fiz desde o princípio de 2008, fui contactado pelo editor de opinião do jornal informando-me de que a minha colaboração era dispensada. Não obstante ter escrito imediatamente ao director do Diário Económico manifestando a minha surpresa por ter sido dispensado sem uma explicação no próprio dia em que iria entregar um artigo, não recebi qualquer resposta

 

Aventado ao Blasfémias e à Helena Matos

 

Exemplos de liberdade de imprensa, casualidades, a que nos vamos habituando sem mugir…

Pedro Lomba afastado do «Diário Económico» depois de denunciar o Governo

Então é assim: no dia 12 de Novembro, Pedro Lomba escreveu no «Público» um texto que começava assim: «Acto I. Estamos a 3 de Outubro de 2004 e José Sócrates é eleito líder do PS. A 9 de Outubro, Armando Vara regressa à direcção do partido pela mão de Sócrates. A 20 de Fevereiro de 2005, o PS vence as legislativas com maioria absoluta. A 2 de Agosto de 2005, há mudanças na Caixa Geral de Depósitos: Teixeira dos Santos afasta Vítor Martins e Vara integra o "novo" conselho de administração. A maioria dos membros desse conselho é afecta ao PS.»

No dia 16 de Novembro, no próprio dia em que iria entregar o seu texto semanal ao «Diário Económico», foi dispensado sem qualquer explicação.

O «Díário Económico» pertence à OnGoing.

A OnGoing está a negociar a compra de parte do grupo do «amigo» Joaquim Oliveira.

 

No 25 de Novembro, eis algo que felizmente já não existe em Portugal

Portugal fatimizado…num país anticlerical

Com a licença das pessoas que acreditam em Deus. Queiram estimar o que vou dizer apenas como uma análise do que posso apreciar na população, a qual eu também sou parte. Uma população não apenas portuguesa, mas ocidental, incluindo as colónias. Com a licença das pessoas que acreditam serem criadas por uma divindade eterna e omnipotente. Uma divindade que dá descanso eterno no prazer do não trabalho, ou trabalho eterno na ira do mau comportamento. Como Etnopsicólogo observo o agir dessas pessoas e respeito a sua forma de pensar e de sentir a existência duma divindade, o que se designa fé. Fé na existência duma testemunha que observa todos esses comportamentos, desejos e pensamentos.

Como se fizesse observação (participante) dos afazeres de todos e em todos os sítios.

1. Esse acreditar provém da circulação das ideias entre pessoas ao longo do tempo, nasce do que nós próprios observamos como ritual da nossa conduta, como explicação do que pensamos ser correcto. Denomino esta ideia, a lógica religiosa do comportamento. Lógica que advém do pensamento analógico, ou pensamento retirado do que somos capazes de observar. Um pensamento mímico, que reproduz fora da interacção quotidiana, o ideal de como gostaríamos de viver: eternamente – sem tempo, omnipotente, sem comprometer o corpo, a saúde e as forças; só com o pensamento. O pensamento analógico é a lógica orientada pela abstracção do real, em símbolos. O mundo é de interacção; é caótico, hierárquico e tendencialmente igual nessa interacção, e, no entanto, socialmente desigual na dita interacção. Caótico, pela luta pelo poder. Caótico, porque pela luta para ganhar. Caótico, porque é preciso dar nas vistas; como a roupa, entre outros factores, que publicitam quanto é que temos, donde, quanto podemos. Caótico, pelo amor a uma pessoa, num dia e no seguinte a outra. Caótico, pelo abandono. Caótico, enfim, porque subjugamos os outros para os dominar. Para usarmos o que somos como garra de poder. Garra que agarra a opção dos outros, o pensamento, o sentir e o interpretar.

Se o mundo, na sua interacção, é tão caótico, como é que vivemos em paz?

 

 

Como é que podemos viver em paz? Queremos viver calmos, serenos, em comunhão de debate, no respeito pelo contexto de ideais e feitos do qual depende o pensamento e o agir do outro. Queremos viver uma vida de qualidade, na qual as nossas acções sejam respeitadas e sábias no pensamento do outro. É um ver, ouvir e calar, até ser solicitada a nossa opinião, que vamos procurando na vida. Procura desaparecida a partir do dia em que o lucro económico, passou a ser um objectivo definidor da paz procurada. Paz procurada, porém, na base dos outros fazerem por mim e para mim para que eu possa ocupar o meu tempo em tecer pensamentos, observar para decidir, desenhar as cores de pintura que desejo materializar, definir as leis pelas quais o outro e os outros todos, se devem orientar. Administrar a justiça que a minha mente pensa ser fundamental para o convívio sereno que me dá prazer. Este objectivo tenho-o vindo a observar entre seres humanos de vários continentes e de vários grupos ao longo da minha (comprida) vida, já quase gasta e desejosa de acabar, não por desilusão, mas sim por abatimento.

Abatimento que todo o ser retira do processo estruturado de proibições que comanda a vida. Processo que é o conjunto de mandamentos e proibições que a mente humana obedece desde os tempos sem cronologia: quando os manuscritos dos Mandamentos começaram a aparecer. Que me manda que aos domingos não trabalhe, para render mais valia aos proprietários dos meios de produção; que devo ser fiel à mãe e ao pai e leal à companheira. Que me manda traçar um círculo entre o que é meu e o que é de outro e, ao mesmo tempo, fala da caridade de dar e entregar tudo o que eu tenho a todos que nada têm. Um conjunto de contradições para orientar a minha disciplina e conservar o meu corpo descansado, corpo que serve, se estiver descansado, para trabalhar. Para trabalhar para os outros. Um limite entre o meu agir e o agir dos outros, limite que faz bem ao social, obrigando-me a fugir do que não deixa o social em paz, ainda que me apeteça não fugir. Sei que, se não fujo desse segundo desejo, de desandar pelo mandado, vou ficar melhor andando que desandando. Andando, demanda de mim a lealdade ao compromisso social. Há esse ver, ouvir, calar e falar só quando for solicitada a minha opinião.

Entender ser só uma imagem das ideias que a humanidade me fez herdar, e não o original. O original é que vê, sabe, percebe antes, julga e decide.

Abatimento por estar cansado de debater entre iguais e não de acumular riquezas entre seres que disputam, lucram, subordinam, afastam e não trazem amor para si próprios nem para os demais. Abatimento pelas causas perdidas causadas pelo cumprimento do mandado – Cria. Envergonha. Fuzila em vida. Mete a vida numa prisão vital. Prisão dita dourada. Mas é preta. Abatimento das contradições que o amar dá. Que o esperar, dá. Abatimento que me disseram, era vida normal, por amor à imagem que devo imitar para ser bom. Que a política do religioso, denominada Igreja, manipula com os exemplos que fazem das pessoas neuróticas; que a obedecer me manda. Como a vida de Ghandi, como a de São Vicente, a de Santo António, o Lenho da Cruz que me fará ressuscitar um dia. A mão de Teresa de Ávila, que tanto tempo acompanhou o ditador do país vizinho. Abatimento por não entender porque são condecorados esses que mais

matam pessoas, que mais roubam as pessoas no salário, que mais exibem a sua capacidade de mandar, de se juntar, conjunturalmente, para se desfazer de quem pensa na persistência do servir. Abatimento, enfim, incutido na catequese que ensina a não dormir por temor aos sonhos, a não dizer pelo temor ao compromisso, a não amar com devoção e a não ter compromisso à paixão, esbarrando, assim, nos pensamentos diferentes do meu eu. Enfim, é a contradição entre o mandado e o querer fazer e cuja via é inventar uma fantasia para nunca ser dito o que se quer.

2. Queira desculpar o leitor. Mas, já percebeu que vive num país anticlerical, berço da República? Que confunde a República com o não amar o outro como um igual, como a si próprio? Não reparou o leitor, por acaso, que a República é cristã? Cristã não quer dizer católica, ou anglicana, ou presbiteriana, ou budista, ou maometana? Já percebeu que a lógica da sua cultura é a lógica do religioso, isto é, da ordem, do caos abatido e ordenado pelos mandamentos? Mandamentos que, existem ainda no melhor dos ateus, vivem em nós? Quem de nós é poligínico, poliandrico, adúltero, bissexual, homossexual, mono sexual ou ladrão que penetra o círculo íntimo do outro? Que dessa intimidade do outro, se fala em conversas de corredor? Que em conversas «não digas a ninguém», tudo se conta e tudo se diz? Que tem um espelho fácil e simples para poder fazer como melhor entender, e se arrepender depois, na confissão? Esses manuais, pelos quais percorre a sua situação ideal para ser sempre perdoado? Querer ser sempre perdoado é a prática
típica do amor ao próximo? Porém, pode-se sempre falar? Queiram desculpar os pais, formados na mais antiga catequese, a de Pio XI, a de João XXIII, e não na de João Paulo II, ou de quem por ele escreveu, mas, por acaso, a disciplina do ser não está na lógica que, sem saber, anda a governá-los? Como governa os seus filhos? Num país cristão que nem tem reparado que a sua economia é derivada do pensamento de Agostinho de Hipona – esse São Agostinho – de Tomás de Aquino? Esse São Tomás dominicano? Em livros escritos há séculos (IV o primeiro, XIII o segundo), em África, A cidade de Deus; em Paris e Peruggia a Summa Theologica? Fontes básicas para o desconhecido Tratado de Economia Política do parisiense Henri de Montchrestien do século XVI, da famosa Riqueza das Nações de Adam Smith do século XVIII, do seu homónimo actualizado Liberdade para Escolher de Milton e Rose Friedman de 1979? Textos que hoje nos governam e que são ensinados na catequese, na conversa quotidiana ou na prática de sermos bons parentes, vizinhos e amigos. Ou de cantarmos como Godinho já cantou, que força é essa amigo que te cresce nos dentes….

Quem entende de economia, é porque entende de religião. É porque, saiba ou não, todo o princípio económico é derivado dos textos antigos e modernizados

nos recentes e recalcados Direito Canónico feito Civil pelo original liberalismo de Napoleão Bonaparte. Esse que se fez Imperador para mandar nos reis e incutir o fim da escravatura subjugada do homem que deve dar metade dos seus bens ao proprietário, ao patrão, ao banco. País fatimizado, como todo o Ocidente. Que junta, sem dar por isso, o lucro e o credo. Conceitos batidos pela Enciclopédia de Diderot, já morta, ainda que cantada no Schiller de Beethoven, no Requiem do Mozart: uma alegria o primeiro, um descanso o segundo. País fatimizado no qual aprendem as nossas crianças. Crianças às quais ensinamos o saber fazer económico, sem sabermos que essa lógica advém do religioso. Fatimizado, metáfora de vitimizado pela ignorada crença de que a lógica do religioso é a divina economia que perdoa juros e benefícios. Como dizem os manuais de confissão, que manipulam politicamente a dita lógica. Lógica religiosa que organiza toda a sociedade e toda a cultura: esse comportamento social interactivo, desejado igualitário, mas impossibilitado pela corrida que faz já sete séculos, o ocidente criou….Para travar quem ganha… Incentivar a concorrência….Fatimizar a meditação…

Mesmo no dia do desfile de milhares que pela estrada procuram alívio, há hoje ilusória necessidade de lucrar, que Fátima outorgaria. Porque o crédito que dá estatuto à vida deve-se sempre pagar….Aos modernos bonapartistas…

Epistemologia da criança assim criada. Saber sobre a criança. Um saber sem o qual não há médico que cure, analista que oriente, professor que ensine, pais que amem, catequista que (in)doutrine, actor que divirta. Medium que nos ligue à divindade encarnada na economia, manda. Ser mandado e não fazer, ai do pecado! Que leva à pobreza como Max Weber, em 1905 diz na sua Ética Protestante. Reproduzida a partir do ético fundador, em 1776, da Riqueza das Nações, Adam Smith. Incutida em nós pelos cristãos novos Milton e Rose Friedman em 1979, que nos levam a acreditar na Liberdade para Escolher, onde nos querem ensinar que, se não fizermos como está mandado, andamos da falta de lucro, à pobreza; da pobreza à solidão; da solidão à

delinquência; da delinquência à prisão; da prisão, à solidão que na vida diária nos agarra. Até morrer. Sem ter. Sem ser.

 

Epistemologia da criança que o senhor leitor nem sabe que sabe e pratica de forma lógica, quer no santuário, quer no banco. Ao mesmo tempo. De forma igual. Com o mesmo espírito.

 

Donde, em vozes e badaladas…cantamos…calculamos…Avé, Avé…

 

 

Face Oculta – José Penedos, outra vítima de campanhas negras

 

 

José Penedos está suspenso das funções que desempenhava na REN (Redes Energéticas Nacionais), onde assumia a presidência. Está ainda obrigado a pagar uma caução de 40 mil euros.

 

 

do Público

Dra. Rauni Kilde

A persistente campanha na imprensa, deixa qualquer cidadão desconfiado. A informação fornecida, dizia tratar-se de uma ex-ministra da Saúde finlandesa, mas a consulta na net alia-a mais às teorias da conspiração. Apesar de tudo, esta histeria hiponcondríaca cheira a negócio. Demasiadamente.

«Stand by Me» foi há um ano (ninguém arquiva o 5 Dias)

 

Por estes dias, há um ano atrás, o 5 Dias publicava aquele que se tornou o «post» mais lido e com mais comentários (quase 1000) da história da blogosfera portuguesa: o «Stand by Me» à Volta do Mundo, cantado por músicos de rua de todo o mundo. «Playing for Change» ou a música como factor de união dos povos.

O 5 Dias fez história há um ano e continua hoje a fazê-la. Porque, ao 5 Dias, ninguém o arquiva…

A pegada ecológica faz o seu caminho

Começa a saber-se algumas das coisas que se passam à volta da Conferência de Copenhaga.

 

Como sempre se disse vai ser o preço que vai movimentar os mercados, introduzindo novos produtos e novos serviços. O petróleo é o caso mais evidente, não basta dizer que polui se não se encontrar uma alternativa viável. Dele depende uma gigantesca máquina logística e de interesses, pelo que não serão boas intenções que o afastarão das nossas vidas.

 

Mas as coisas estão a mudar. A sua extração é cada vez mais dificil e mais cara. Ao petróleo que brotava expontaneamente das areias da Arábia Saudita, sucede o que se extrai do fundo do mar com custos muito superiores e que vai ter dramáticas consequências no preço no consumidor.

 

Isto vai impulsionar a investigação de novas formas de energia, mais baratas e menos poluidoras e dentro de dois/três anos o transporte automóvel será muito diferente do que encontramos hoje.

 

Mas a notícia, bem interessante, que vos quero trazer é que o Equador, que tem muito petróleo no subsolo e cuja exportação representa cerca de 62% das vendas totais ao exterior, aceitou não extrair um extenso lençol, recentemente descoberto, a troco de os países mais ricos lhe pagarem, como compensação, metade dos lucros que teria se o

extraísse e vendesse.

 

Se esta ideia "pegar de estaca" podemos assim salvar a Amazónia, controlar a plantação e tráfico de estupefacientes, por exemplo.

 

E em vez de gastar dinheiro a compensar o mal, podemos controlar na origem todo o processo, tornando-o mais limpo, mais barato e mais saudável.

 

O que tem que ser tem muita força!

I Tertúlia do Aventar: Salgueiro Maia e a Memória da Revolução

Como temos vindo a divulgar, é já no dia 5 de Dezembro que se realiza a I Tertúlia do Aventar. Subordinada ao tema «Salgueiro Maia e a Memória da Revolução», pretende transformar-se num debate sobre a memória de Salgueiro Maia e a sua herança à luz da pobre democracia que temos hoje em dia.

E porque Abril é de todos – dos Capitães e dos civis, da Esquerda e da Direita – queremos uma Tertúlia que seja mais do que o habitual desfiar de histórias militares e actos de heroísmo. Todos sabemos o que aconteceu naquele dia mágico, partamos dali para as suas consequências.

Assim, temos um enorme prazer em anunciar a presença de duas figuras incontornáveis do Portugal dos nossos dias e cuja posição ideológica é bem diversa. De um lado, Carlos Abreu Amorim, professor universitário e um dos autores do «Blasfémias»; do outro lado, João Teixeira Lopes, também professor universitário e destacado dirigente do Bloco de Esquerda.

E no final, celebremos todos à mesa, ali bem perto, no «Verso em Pedra», a memória de Salgueiro Maia. Um convite que nem é displicente nem brincalhão e que se coaduna perfeitamente com o espírito do evento. Estamos a celebrar Salgueiro Maia, caramba, não estamos a enterrá-lo.

Lembro-me de um episódio ocorrido logo a seguir ao 25 de Abril, quando uma «striper» negra se despia, no Cais do Sodré, ao som do «Grândola». A revolta, a blasfémia, o pecado por se usar a música da Revolução – enquanto isso, o Zeca só se ria.

Estão, pois, todos convidados. 5 de Dezembro, 18 horas, no lindíssimo edifício do Clube Literário do Porto (perto da Ribeira). «Salgueiro Maia e a Memória da Revolução: Petição para a preservação da casa onde nasceu o Capitão de Abril».

O exemplo de Ernesto Melo Antunes

Fundação Calouste Gulbenkian (sala 2), 27 e 28 de Novembro de 2009

 

Militar, Pensador e Estadista, Melo Antunes (1933 – 1999) foi sobretudo um cidadão comprometido que deixou a sua marca e testemunho em diferentes momentos do século XX português. Primeiro, em plena ditadura, ao tentar apresentar-se como candidato oposicionista (na lista CDE) às eleições legislativas de 1969.

 

Foi um dos primeiros a aderir ao Movimento dos Capitães e a participar activamente no movimento que levou ao derrube do regime. É incumbido de redigir o Programa das Forças Armadas, por ser um dos mais politizados elementos do movimento.

 

Membro da Comissão Coordenadora do Programa do MFA e Conselheiro de Estado, assume sucessivamente responsabilidades governativas.

 

Homem de cultura e de forte consciência cívica, Ernesto Melo Antunes é uma figura central da História Contemporânea Portuguesa que curiosa e inexplicavelmente, continua a ser um desconhecido para a maioria dos Portugueses

 

Podem encontrar o Programa em www.ernestomeloantunes.com.pt

Jovens brasileiros comemoram o 25 de Novembro

 

 

Aniversário do 31 da Armada, claro. O Jaime Neves foi convidado mas não apareceu.

 

 

A máquina do tempo: foi há 34 anos

 

 

Faz hoje 34 anos, por esta hora, uma boa parte dos portugueses sentia-se triste – a festa da liberdade acabara – falava-se no advento de uma «democracia musculada», fosse lá isso o que fosse. Um tal tenente-coronel Ramalho Eanes, que fora do meio militar ninguém conhecia, aparecia nos noticiários como o senhor desta guerra – óculos escuros, patilhas compridas, frases curtas e com uma pronúncia estranha, não auguravam nada de bom. A comparação com Pinochet era inevitável. Temia~se que se reproduzisse aqui o que dois anos antes ocorrera no Chile. Na foto da época, vemos a seu lado, outros dois protagonistas do movimento: ao centro, Jaime Neves, conotado com a direita militar, no outro extremo Vasco Lourenço, signatário do documento dos «Nove» e que se dizia estar ligado ao Partido Socialista. Neves e Lourenço eram conhecidos. E quem seria o «gajo» de óculos escuros? Soube-se depois que também estava ligado ao chamado «Grupo dos Nove» e que fora encarregado de encabeçar o movimento militar de 25 de Novembro.

 

Havia outros portugueses que respiravam de alívio – àquilo a que chamávamos «festa», chamavam «choldra», «bagunçada», «anarqueirada»… Passados 34 anos, já é possível falar dessa data (quase) sem rancores, nem falsos clichés. E, a propósito, o meu sentido de justiça obriga-me a saudar a transformação que se produziu em Ramalho Eanes – o bisonho tenente-coronel converteu-se num homem culto, ponderado e apresentável. Hoje em dia, seria uma opção para a Presidência. Em princípio, eu não votaria nele, mas seria uma figura respeitável. Coisa que não era há 34 anos. Mas não nos antecipemos. A nossa máquina do tempo vai viajar até ao dia 25 de Abril de 1975.

 

É matéria ainda sensível, apesar da distância de 34 anos que nos confere já uma apreciável perspectiva histórica do acontecimento. Vou cingir-me à síntese dos acontecimentos e a uma ou outra opinião pessoal, emitida sem prosápias de analista (que não sou), na perspectiva do simples cidadão que tem, por enquanto, o direito, e até o dever, de opinar. É a minha perspectiva, não viso a verdade científica, nem sou imparcial. Sujeito-me às críticas de quem não concordar, mas, pelo menos, tento não ser acusado de falsear a história.

 

Um documento emitido por oficiais da esquerda militar em 8 de Julho de 1975, em pleno «Verão Quente» – «Aliança Povo/MFA – para a construção do socialismo em Portugal», enchera de esperança o povo de esquerda. No mês seguinte, um documento provindo da esquerda moderada tentou aplacar o incêndio que lavrava de Norte a Sul – o chamado «Documento dos Nove», sem aludir ao anterior, recusava o modelo socialista da Europa de Leste, bem como o modelo social-democrata da Europa Ocidental.

 

Propugnava um socialismo alternativo, apoiado numa democracia pluralista, respeitadora das liberdades, direitos e garantias fundamentais. Note-se que o primeiro documento também não defendia o comunismo do tipo soviético e, por isso, não colheu grande simpatia entre as hostes pecepistas; mas deu corda às esperanças da esquerda extra-parlamentar que inundou as ruas com as suas manifs entusiásticas.

 

As posições extremavam-se. No Norte as sedes dos partidos de esquerda, eram assaltadas e destruídas. Os confrontos multiplicavam-se com o ELP (Exército de Libertação de Portugal), criado pelo inspector da PIDE, Barbieri Cardoso, presidido pelo general António de Spínola e sediado em Espanha, a levar a cabo alguams acções contra os militares e contra os partidos de esquerda. O espectro da guerra civil assolava o País.

 

Passado um «Verão quente» e um princípio de Outono agitado, o início de Novembro fora marcado com as notícias vindas de Angola – recrudesciam os combates entre as forças do MPLA, reforçadas com unidades cubanas, e as da UNITA, apoiadas por tropas sul-africanas e mercenários portugueses. Em 11 de Novembro, foi proclamada a independência. Enquanto decorriam as cerimónias em Luanda, na presença do almirante Rosa Coutinho, que cessava as suas funções de Governador e delegava o poder nas mãos de Agostinho Neto, escutava-se nas imediações da capital o troar das peças de artilharia, pois os combates prosseguiam. Os ecos dessa luta ouviam-se também em Portugal.

 

No dia 12, o Palácio de São Bento, sede do Governo e da Assembleia Constituinte, era cercado pelo trabalhadores da construção civil que sequestraram os deputados durante várias horas. No dia seguinte, uma grande manifestação, com centenas de milhares de pessoas, percorria as ruas da capital, exigindo o advento do Poder Popular.

No dia 20, o Governo auto-suspendeu as suas funções exigindo que as forças da ordem garantissem o normal funcionamento das instituições. No dia seguinte, no Ralis (Regimento de Artilharia de Lisboa), realizava-se um juramento de bandeira sui generis – os soldados juraram e saudaram a bandeira de punho cerrado e erguido.

 

A temperatura atmosférica, matizada pelo chamado «Verão de São Martinho» era amena. A temperatura política era escaldante. O abismo aproximava-se quase sem que para ele caminhássemos. No dia 24, uma gota fez transbordar a taça da paciência conservadora – o Conselho da Revolução tomou medidas que a muitos desagradaram – substituiu alguns comandantes militares, dissolveu a base-escola de pára-quedistas de Tancos. Tropas pára-quedistas ocuparam de imediato as bases da Ota, de Tancos e de Monte Real. Elementos do Ralis posicionaram-se nas principais entradas de Lisboa, controlando estrategicamente os acessos à capital.

 

O presidente Costa Gomes decretou o estado de sítio. Chamou Otelo Saraiva de Carvalho ao Palácio de Belém. Otelo, recorde-se, graduado no posto de general, comandava o COPCON (Comando Operacional do Continente), a força operacional mais bem apetrechada e potencial foco de uma reacção violenta e quiçá decisiva da esquerda militar. Otelo foi à reunião com Costa Gomes, sabendo que, na prática e sob outra designação, estava a ser detido, retido, impedido de actuar,  use-se o eufemismo que se quiser para prisão, porque na realidade foi isso que aconteceu.

 

E aqui, abro um parêntesis, para contestar algumas acusações que têm sido feitas (inclusivamente no Aventar) a Otelo. Conheço-o bem, somos amigos, nessa medida serei algo suspeito. Pese essa circunstância, reconhecendo que poderá não ter sido ao longo do processo revolucionário (e, sobretudo, depois) um modelo de ponderação, mas ao deixar-se deter em Belém, evitou conscientemente uma guerra civil. Sem ser no Aventar, já ouvi imbecis e atrasados mentais a acusar o Otelo de estupidez. Reajo sempre mal, pois sei que lhe devemos que o 25 de Novembro não se tenha tornado numa data negra e não se tivesse saldado por muitas, muitas mortes. Otelo pediu a demissão do COPCON que ficando decapitado permitiu que o Regimento de Comandos da Amadora, quase sem constrangimentos dominasse os pontos estratégicos de Lisboa, acabando por controlar a situação.

 

Faz hoje 34 anos, a esta hora a «festa« acabara. Voltava-se à «normalidade». Pergunto agora aos militares de Novembro – todos ou quase todos tinham sido militares de Abril: – Esta normalidade que temos, mais de três décadas depois, era a que sonh
av
am em Abril de 74? E em Novembro de 75 foi  esta a normalidade que quiseram proporcionar ao País?

 

 

Buíça (1) aí uns cobres!

 

 

Segundo o Público, Mário Soares está raladíssimo com a crise em que o PSD se afunda. Sabedor como poucos do tipo de contratempos que a travessia no deserto da oposição significa para um Partido, M.S. diz que é necessário dar uma ajuda ao grémio laranja. No mundo onde roda a engrenagem das rotativas – na imprensa e no Parlamento -, são sempre necessários dois comparsas para a dança do costume. É que todas as precauções são poucas, pois embora o colega Silva Lopes, jovenzinho de setenta e sete anos – proveniente do caetanismo pró-terceira via – tenha cometido a proeza de se fazer nomear para a gestão de uma grande empresa "com ligações ao Estado", estes lugares jamais poderão deixar de ser cativos: "ou são para vós, ou são para nós, nada de penetras!"

 

E agora, só para irritar os do falso mas miliardário Centenário, aqui vai mais um naco de prosa de um ex-republicano, que em 1912 decidiu dizer (2):

 

"Com a República não há salvação possível. Uma esperança! Uma única! A restauração monarchica poderia trazer uma reacção benefica. Uma salutar licção para monarchicos e para republicanos. Talvez retardasse um pouco, pelo menos, a queda rapida, escorregadia e lobrega em que vamos para o abysmo. Mas com a república, está inteiramente, e desde já, tudo perdido."

 

Homem Christo, in Banditismo Político, Madrid, 1912.

 

(1) Buíça: em dialecto do sul de Moçambique, quer dizer "dá cá". Nada de confusões, p.f.

 

(2) isto não foi escrito após o debate do Prós e Contras de segunda-feira. O Português escrito é pré-Costa/Formiga Branca/Camioneta Fantasma/Leva da Morte.

 

O país iô-iô

Impostos sobem, impostos não sobem. Não basta estar deprimido, com a criminalidade em alta e a justiça em baixa, agora temos também o país iô-iô.

 

Há uns anos, Jorge Palma cantava "Ai, Portugal, Portugal, de que é que estás à espera?".

 

Talvez a resposta seja: "De um milagre".

Deixem os algoritmos do Google em paz

A pesquisa por imagens de Michelle Obama dá como primeiro resultado no Google uma distorção simiesca da dita senhora. Parece que houve reclamações, a empresa pediu muita desculpa mas explicou que os motores de busca não escolhem destinos.

Trata-se de uma variante imagética do velho google bombing, um bombardeamento via Google que agora parece estar muito a dar para o lado das imagens.

A coisa seria de todo irrelevante não viesse atrás a ideia de que os motores de busca devem censurar as pesquisas.

É certo que os motores de busca censuram as pesquisas, a pornografia por exemplo é em boa parte desclassificada, mas não abusemos.

A ideia de controlar politicamente os meios de que nos servimos para encontrar sítios na rede é a mais tenebrosa das ameaças sobre a liberdade de informação. O risco da pior das censuras.

Além disso as bombas google são bombinhas de mau cheiro, parvas mas inofensivas. Não liguem e deixem estar que o fedor passa num instante.