Face oculta – as escutas são entre amigos

Sócrates falou ao telefone com um amigo e vai continuar a falar sempre que lhe apetecer. Eu por mim acho bem, mas as escutas não são por serem entre amigos, são por serem entre duas pessoas que falam do negócio da TVI, a tal que atacava Sócrates e que ele silenciou.

 

O filho tambem falava ao pai todos os dias, não para lhe pedir a benção, isso acho bem, mas para lhe dizer que a sucata já brilhava.

 

O Vara falava aos amigos colocados nas empresas públicas, não para saber se estavam com gripe A, o que eu perceberia, mas para lhes dizer que se deviam comportar com o sucateiro como se ele fosse um ourives.

 

Este Sócrates é capaz de fazer de nós "um grupo de amigos do Freeport" e colocar-nos "enrolados" na licheira da Cova da Beira, tudo com a benção da decência e da verdade!

FUTaventar: Sporting não é um Grande

Diz o Paulo Bento que o Sporting desde 1960 só ganhou oito campeonatos (62, 66, 70, 74, 80, 82, 2000 e 2002).

Este números mostram que o Sporting não é um grande! E só por isso se percebe a inveja que sentem, palavras do treinador agora de saída, do BENFICA!

Com o meu olhar absolutamente parcial de sócio do BENFICA, sinto uma enorme alegria em ver este clube, o Sporting, assim!

Estranhas aventuras… pela Economia.

A economia interessa-me, mesmo não sendo um tema que me atraia muito. Aliás, o mais interessante no tema economia é poder estar em contacto com algo que não é natural e totalmente anormal. É só para fugir um pouco à rotina.

O principal problema é que me causa uma certa bipolaridade linguística.

Numa situação normal, no dia-a-dia dos empregos, se eu tenho um problema falo com o meu chefe. Mas na realidade económica, tudo é muito mais estranho e parece que se é transportado para um universo paralelo. No planeta-economia, quando se tem um problema no emprego, obrigatoriamente tem de se marcar um reunião. Aliás, há empresas que têm casas-de-banho nas salas de reunião, tal é a enormidade de tempo que o pessoal lá passa. Marcada a reunião com o CEO e ouvidas as exigências do assalariado, o CEO pergunta ao funcionário se ele sabe o que quer dizer lay-off. Chateado, o funcionário relembra-lhe que na perspectiva da empresa se tornar um dos key-players do mercado, a estratégia passou por recorrer ao outsourcing e que esse é o caso dele. Se tivesse algum problema com as suas prestações laborais que fizesse uma exposição ao General Manager ou então que financiasse uma temporada com um Business Coach para se manter up-to-date. Sendo que o CEO era um homem já bastante rotinado nos negócios do franchising de "one-stop-shops", não gostou da atitude de afronta do funcionário e relembrou-lhe que o feedback que tem tido das suas prestações não tem sido positivo apesar do know-how disponibilizado pela empresa…

Isto foi há duas semanas e a reunião ainda continua…

Agora o assunto económico sério: 

Estava eu a dar uma vista de olhos no Jornal de Negócios, quando encontro este artigo do Francesco P. Marconi, “Do "Homo Economicus" ao "Homer Economicus"”.

Depois de uma historieta sobre economia e desenhos animados (não serão a mesma coisa, mas para públicos diferentes?!) vem a parte sumarenta: a crise atirou com a credibilidade da economia ao tapete. Engraçado, ainda não tinha reparado. Então o que fazer com esta situação e como melhorar a prestação da economia na realidade do dia-a-dia?

 

“Uma das tendências que se tem vindo a desenhar no mundo académico é a da economia comportamental, que, integrando a psicologia na economia clássica, estuda como é que os agentes económicos reais tomam decisões, e cria instrumentos para os induzir a agir com mais racionalidade.”

Na realidade das pessoas normais, que não pensam constantemente em pontos percentuais, o que raios quererá isto dizer? Francesco P. Marconi elucida novamente:

 

“Um simples exemplo: dizem os economistas comportamentais que a experiência laboratorial mostra que, quando recebemos uma grande quantidade de dinheiro, temos tendência a poupar; pelo contrário se a recebermos em pequenas parcelas aumentamos o nosso consumo.”

Alguém tem de explicar como as coisas realmente funcionam na vida real, fora dos cúbiculos com ar condicionado onde os economistas passam a vida reunidos. Vou tentar explicar este exemplo do ponto de vista do cidadão comum, sem usar o termo “experiência laboratorial” porque me lembra de cobaias e não de pessoas.

“Um simples exemplo: dizem os economistas comportamentais que quando alguém recebe uma pipa de massa, gasta que se farta em tudo o que lhe apetece para massajar o ego e ainda lhe sobra montes de pasta para meter em PPR’s; pelo contrário se recebermos de ordenado o que alguém gasta só para mandar polir o Rolls Royce, temos tendência a pagar as continhas todas ao fim do mês e a gastar o resto que sobra em três cafés e um pacote de chicletes”.

Francesco P. Marconi e caros companheiros da economia: aparentemente, vocês não batem muito bem da bola e confundem alhos com bugalhos. Vão tomar um Core-Business ou fumar uma Joint Venture que isso passa-vos.

 

Boston Legal

Curriculum de Valter Lemos

 

 

Curriculum de Isabel Alçada

 

 

Sobre estes Mestrados feitos em Boston, ver  aqui.

Today is More day

 

 

Sir Thomas More nasceu em Londres a 7 de Fevereiro de 1478, filho de John More, um Juiz. Estudou na St. Anthony School, em Londres e mais tarde em Oxford, onde começou a escrever pequenas comédias e onde traduziu um biografia de Pico Della Miradandola, um humanista italiano.

Depois de concluir os seus estudos em Oxford, foi para Londres para os os “Inns of Court” estudar e trabalhar com magistrado. É nessa altura que integra um grupo de “Reformers” ou Humanistas intitulados os London Reformers, dos quais faziam parte John Colet, Thomas Linacre, William Lily, William Grocyn, entre outros. Estes homens aspiravam operar uma mudança em alguns sectores da socieidade e da Igreja, como a educação, tendo, contudo, sempre em conta que a a religião e a “piety” estavam em primeiro lugar, embora se procurasse uma religião mais pura que se afastasse da corrupção da época. A religião é um tema central na vida de Thomas More e de todos os seus contemporâneos e dela não podemos fugir quando analisamos a vida de More.

Foi aliás, durante a sua estadia num Mosteiro em Londres que Thomas More pensou em tornar-se monge e seguir a vida eclesiástica em vez de uma vida dedicada à Função Pública (não é bom dizer isto desta maneira. Parece que estou a ver o More atrás de uma secretária a preencher impressos e a atender clientes). Contudo, acaba por desistir da ideia e escolhe definitivamente dedicar a vida ao país, entrando para o Parlamento inglês em 1504. As razões pelas quais More desiste da vida eclesiástica são sobretudo, duas. A primeira, consiste na ideia de que More tinha um grande um sentido de dever e acreditava que todos os homens tinham um papel a ocupar no “palco” que era a vida. E o seu dever era servir o seu país. A segunda razão, mas não menos importante, é o facto de More temer a possibilidade de se vir a tornar um padre impuro. Aparentemente, e segundo Erasmus, More percebe que os seus apetites sexuais o podiam levar a desviar-se da religião, caso a ela se dedicasse por inteiro.  A isto podemos evidentemente associar o facto de Thomas More usar um cílicio e outros meios de auto-flagelação. Alguns anos, mais tarde é nomeado Undersheriff da Cidade de Londres. Ao ocupar este posto, a sua reputação cresceu e STM era conhecido por ser imparcial e justo.

Durante a década seguinte, Thomas More começa a atrair a atenção de vários membros da Corte, inclusivamente o Rei, Henrique VIII. Em 1515, More acompanha uma delegação à Flandres devido a um problema no comércio de madeira, e a sua “Utopia”, torna-se uma referência nesta viagem. More foi extremamente importante quando conseguiu suprimir uma revolta em Londres contra os estrangeiros. Depois começou a acompanhar a Corte em diversas “viagens de Estado”, inclusive uma viagem a França quando Henrique VIII tenta fazer uma aliança com o Rei de França, Francisco. Em 1518, More entra para o Privy Council e é ordenado cavaleiro em 1521.

Com o aparecimento de Lutero e do Protestantismo, More ajuda Henrique VIII a redigir a sua “Defesa dos sete sacramentos” e escreve uma carta à réplica de Lutero embora sobre um pseudónimo. A relação entre Henrique VIII e Thomas More é uma de proximidade, e More torna-se Presidente da Câmara dos Comuns. Neste cargo, More contribuiu para o estabelecimento do discurso livre no Parlamento.

O seu declínio começa quando Henrique VIII se quer divorciar de Catarina de Aragão para casar com Ana Bolena. Apesar de no início More ter aceite o argumento de que o casamento entre Henrique VIII e Catarina foi ilegal, este torna-se cada vez relutante em aceitar a decisão, especialmente depois de Henrique VIII começar a negar a autoridade do Papa. Mesmo assim, More torna-se Lord Chancellor em 1529, depois da queda do Cardeal Thomas Wolsey.

More demite-se deste cargo em 1532 alegando motivos de saúde, mas sabe-se que a verdadeira razão pela qual o fez foi a sua desaprovação da posição de Henrique VIII para com a Igreja Católica. Henrique VIII separou-se da Igreja Católica, formando assim a Igreja anglicana e proclamou-se chefe desta. Depois de Catarina de Aragão ser afastada, Ana Bolena é coroada Rainha e More não vai à sua coroação. Em 1534 More foi acusado de cumplicidade com alguns opositores de Henrique VIII mas não foi condenado devido à protecção da Câmara dos Lordes. No entanto, em Abril de 1534, More recusou-se a jurar sobre o acto de Sucessão (que legitimava todos os filhos de Ana Bolena como possíveis herdeiros) e recusa-se a fazer o Juramento da Supremacia (que advém do acto de Supremacia que reconhece Henrique VIII como o chefe da Igreja Anglicana). Desta maneira, Sir Thomas More é preso na Torre de Londres e executado a 6 de Julho de 1535. É comum dizer-se que as suas últimas palavras foram: “The King’s good servant, but God’s First.”

Thomas More casou duas vezes, tendo quatro filhos, um rapaz e três raparigas. More educou todos os seus filhos nas diversas disciplinas: latim, grego, lógica, astronomia, medicina, matemática, teologia, não fazendo distinção entre os sexos. A sua casa ou “household” era uma autêntica escola onde a educação era dada não só aos seus filhos mas também a outras crianças. Thomas More foi também um dos primeiros  ingleses a usar a ideia humanista que a instrução devia estar aliada ao prazer: era comum ensinar através de jogos ou charadas. Era um grande amigo de Erasmos de Roterdão que nunca escondeu a admiração pelo inglês e chegou a dedicar-lhe “Praise of Folly”.

Como sabemos, More escreveu vários livros sendo o mais conhecido a “Utopia”. Este livro cria uma ilha imaginária com o seu Estado, sociedade e costumes. Alguns estudiosos acreditam que este livro trata-se de uma sátira à Europa do Século XVI. More escreveu mais livros, como “História de Ricardo III”, “Piedosa instrução”, “Díalogo de Conforto contra a Tribulação“, “Diálogo contra as heresias” e fez algumas traduções.

Apesar de se ter batido pelos seus ideais, e em última analise, ter morrido por causa deles, Thomas More não é uma personagem que reúna consenso. Os católicos adoram-no e o Papa Pio XI tornou-o Santo em 1935. Contudo, alguns estudiosos dizem que More era um fanático religioso, extremamente intolerante, que chegava a auto-flagelar-se. Sabe-se, efectivamente, que More conduziu e condenou à morte cerca de 6 pessoas acusadas de heresia assim como queimou e destruiu livros e obras relacionadas com o Protestantismo.

Mesmo não reunindo consenso, Sir Thomas More é uma figura que desperta grande curiosidade e por vezes, admiração. A peça “Sir Thomas More” de Anthony Munday, foi escrita a várias mãos e acredita-se que William Shakespeare tenha também participado na sua elaboração. Outra peça, agora do século XX, “A man for all seasons”, foi escrita por Robert Bolt e mostra More como o epíteto da Consciência e da integridade. Karl Zuchardt escreveu também outra peça sobre STM, intitulada “Stirb Du Narr!” (“Morre seu idiota”). O escritor católico G.K. Chesterton chegou a dizer que More foi a “greatest historical character in English history.” Muitas biografias foram escritas sobre Sir Thomas More, algumas acusando-o de ser intolerante, f
an
ático e pervertido, (como é o caso de escritores como Richard Marius  e Jasper Ridley) e outras mostravam-no como sendo um inteligente humanista, devoto que acreditava na necessidade de autoridade do Estado (de acordo com a biografia de Peter Ackroyd). O mais recente retrato de Thomas More é feito através da série “Tudors”, que se revela bastante simpática para com a personagem, chegando a colocar em dois extremos a integridade e a consciência de Sir Thomas More e a amoralidade de Henrique VIII.

Para bem ou para mal, a complexidade de More e a falta de consenso sobre esta personalidade histórica é o que o torna interessante. Um homem integro ou intolerante? Um fanático religioso, ou um crítico da sua própria Igreja? Um visionário ou um político autoritário? Um humanista ou um homem sedento de poder?

 

 

Com as botas do meu pai

Como tenho uma razoável alergia a lançamentos de livros no útimo sábado tomei um anti-histamínico e fui à Lousã, onde o jornalista e meu amigo Casimiro Simões lançava o seu "Com as Botas de Meu Pai", apresentado pelo prefaciador Manuel Louzã Henriques e por António Arnaut. O comprimido não fez efeito mas mesmo sem ter comido ou bebido gostei.

Tive oportunidade de fotografar um Doutor, na forma de burro carregado de livros. Não é todos os dias. Reencontrei velhos amigos comuns, entre as muitas dezenas de pessoas que não couberam no auditório da biblioteca municipal, onde o ar condicionado e a ventilação estavam municipalmente desligados. Acontece.

Já não ouvia o Manuel Louzã falar há muito tempo. António Arnaut comentou que o Louzã devia ter um programa na televisão permitindo ao país encantar-se com as suas charlas, como todos ficámos. Ninguém se riu, mas é evidente que nenhuma televisão iria dar a palavra ao grande intelectual da sua geração (a de Manuel Alegre e de outros personagens igualmente menores), primeiro porque é um serrano da Lousã e de Coimbra, depois porque ofuscaria muito boa gente, também porque de um comunista se trata, e nem ele teria pachorra para tal, acho eu.

Vim para casa com o livro, enfim, livrinho pelo tamanho, livro acutilante pelo conteúdo, e com autorização para publicar aqui uns excertos.

Vão ser aventados nos próximos dias, numa fórmula em que podem parecer realidade mas claro que de pura ficção se trata, diz o autor, não digo eu.

Os mistérios de uma loucura

Nidal Malik Hasan, 39 anos, filho de pais palestinianos emigrados nos EUA, classe média, bem integrados na sociedade norte-americana. Alistou-se cedo nas forças armadas e, ao que tudo indica, com convicção. Longe da ideia de seguir aquele rumo porque não encontrava outro. Foi o exército que lhe pagou os estudos.

 

 

 Formou-se em psiquiatria e passou a exercer essa actividade no exército, sempre em bases da Virgínia, terra natal.

Há uns meses foi transferido para o Texas, com destino à base militar de Fort Hood. Antes e depois dessa transferência a sua missão não envolvia armas. Era major e fazia parte da equipa do Centro para o Estudo do Stress Traumático. A sua tarefa era ajudar, do ponto de vista psicológico, os soldados que regressavam do Iraque e Afeganistão.

Ontem alguma coisa aconteceu. Nidal Malik Hasan puxou da arma e disparou. Matou 13 militares e feriu outros 30, até ser derrubado por quatro tiros. Não morreu.

Há quem diga que disparou indiscriminadamente, outros garantem que tinha vítimas determinadas. Não há certezas.

Há quem diga que Nidal Malik Hasan estava sob vigilância há muito tempo, desde que terá publicado comentário apontados como “estranhos” na Internet. Por exemplo, terá feito comparações entre os bombistas suicidas aos soldados americanos que se atiram sobre uma granada para proteger os companheiros de armas. Dizia ainda que os muçulmanos – ele era muçulmano – tinham o direito de lutar e que os EUA não deveriam estar no Iraque e Afeganistão.

Há quem diga que Nidal era alvo de insultos e olhares de esguelha dos colegas, por ser muçulmano.

No diz que disse, resta a realidade. Já estão a decorrer inquéritos mas não há certezas de que um dia haverá explicações sobre o que se passou na cabeça de Hasan.

Como será sempre muito difícil entender o que se passa na cabeça de alguém que se resolve estourar num mercado repleto de mulheres e crianças, como há dias aconteceu no Paquistão.

 

 

 

Reciprocidade

Reciprocidade não é um conceito fácil de analisar. Há quem fale da norma de reciprocidade, há quem fale do princípio de reciprocidade. Para entender a diferença, é preciso entender a relação que existe na correlação entre ética, lei, direito, costume e objectivo do conceito. O primeiro que parece ter falado sobre a ideia de reciprocidade, foi Cícero,c .60 BC ao afirmar: Não há dever mais grato e indispinsável que o de devolver uma amabilidade. A maior parte dos seres humanos tem por hábito desconfiar de se lembrar de um benefício recebido como dádiva, que lhe foi otorgada. A partir de Cícero, muitos autores, ao longo dos séculos, especialmente a partir do Renascimento,têm-se pronunciado sobre este conceito, entre eles, eu próprio. O conceito tem sido usado ao longo dos séculos, especialmente a partir do Renascimento. Porém, quem fez do conceito um uso útil para a ciência, foi o fundador da Antropologia, o Professor, Marcel Mauss, quem no seu texto do ano 1923-24, Essai sur le don. Forme et raison de l’echange dans les societés archaïques, publicado em L’Année Sociologique, Nouvelle Série, Félix Alkan, Vol I, 1925. Há versão para língua lusa na editora Edições 70: Ensaio sobre a dádiva, edição de 2001.

 

 

 

Grupos Kwakiutl fotografados por Franz Boas, no começo do Século XX

 

A ideia é simples e útil e retirada de sociedades que trocam bens e serviços sem dinheiro, como a Etnia Kwakiutl, no Canadá. onde os grupos que têm excesso de produção e não têm como a manter em condições de consumo, o correspondente Chefe tribal convida a maior parte dos clãs  vizinhos, para comerem e beberem até se até se fartarem. A festa pode durar dias ou semanas.

É, conforme Mauss, um investimento. Um dia virá em que o clã que convida não tem produtos e quem aceitou o convite, está obrigado a retribuir a quem ofereceu primeiro. É uma circulação de bens e pessoas que tem o carácter de dádiva ou oferta, como defino no meu livro de 2007: O presente, essa grande mentira social. A mais-valia na reciprocidade. Ensaio Antropológico de Sociologia Económica, Afrontamento, Porto. Mauss define este facto como uma dádiva que deve ser devolvida. Devolução que, conforme o sábio Maori Tanata Ranai -piri, é obrigatória por se encontrar nos bens oferecidos uma alma ou hau que pune se a oferta não é entregue. Ideia estudada por Mauss para provar que em muitas sociedades do mundo há colaboração gratuita e não apenas mercado liberal para comprar e vender por dinheiro. A questão que coloca a si próprio Marcel Mauss,  herdada por resolver pelo seu discípulo Lévi-Strauss, é qual é a norma, lei ou costume que obriga à devolução e  não ao uso de dinheiro. Encontrámos a resposta nas relações parentais, vizinhais e do clã que oferece e devolve. O hau é apenas uma forma de expressão desta necessidade de circular bens ligado a pessoas. Compara as sociedades não ocidentais, unidas pela família e a religião, largamente respeitadas, com as do ocidente, na qual existe a propriedade privada dos bens, super imposta às relações de parentesco e de religião, propriedade privada que define a pertença dos meios de produção para  poucos. Tal facto, associado à obtenção de mais-valia (conceito retirado dos textos de Karl Marx) eles, propritários dos meios de produção, leva a que a maior parte da população seja incapaz de resolver.  Acabando por definir a obrigação da dádiva que existe entre os proletários do mundo ocidental, de forma gratuita, tal como entre os Massim do Arquiepiélago Kiriwina. Etnia da Papua Nova-Guiné que circula bens no ritual Kula ou navegação entre as várias ilhas para estabelecer relações comerciais e parentais associadas aos bens que a pretensa noiva deve possuir para poder casar e incrementar os bens do homem que desposa. Duas ideias finais: a norma de reciprocidade, direito adquirido nas trocas sem dinheiro, em sociedades com ou sem mercado monetário; e o princípio de reciprocidade, existente em todos os sítios do mundo, como colaboração para os que pouco ou nada têm. Lévi-Strauss ficou com o trabalho de definir as estruturas do parenteso, o que fez no seu livro de 1949, e de abrir a ideia ocidental para entender que os aborígenes, eliminando a palavra selvagem, tinham normas e lei que  orientavam o seu comportamento parental e de mercado. Com ou sem mercado monetário, a reciprocidade era, como diz no seu trabalho, um princípio universal de mutualidade e solidariedade. Ideia aprendida ao comparar as formas de interacção social entre sociedades no meio das relações de mercado com mais- valia, que sabiam usar as noções de reciprocidade em relação mútua, fugindo às regras do mercado com inteligência. O método comparativo, já existente na nossa ciêncian, passou a ser uma metodologia obrigatória no entendimento do pensamento social, costumes, ideias e sentimentos.Kula, canoa, vela, kula, círculo, cerimonial …

 

 

 

 

Consultas, cábulas, copianços e grau de dificuldade

Na Dinamarca alguém descobriu que estava no século XXI e os finalistas do secundário vão poder consultar a net durante os seus exames finais.

 

Acho bem. Alguns comentários indignados sobre o assunto já acho mal.

 

Testes e exames com consulta não são novidade. Exigem uma prova adequada onde se procure avaliar a compreensão e se dispense a mera memorização.  A elaboração de tal prova é um mero exercício técnico, e é sabido que o grau de dificuldade aumenta.

 

Lembro-me de na faculdade os meus colegas sebenteiros se terem revoltado contra tal prática, que os obrigava a perceber o que tinham por hábito marrar. Para azar dos melhores alunos, foram atendidos no seu choramingar, e lá voltámos aos exames onde fazia sentido utilizar a velha cábula.

 

Passar a consulta de livros, apontamentos e fotocópias, para a consulta na net vai acarretar uma dificuldade extra: a informação abunda, mas seleccionar entre a boa e a má não é fácil, é de resto o maior desafio que se coloca a um estudante neste século. Um esforço extra a superar, portanto.

 

Os tais comentários, vindos de quem não percebe do ofício até se entendem. Vindos de professores remetem-me para os meus colegas sebenteiros. Sim, a maior parte hoje são professores,  e andam por aí. A despejar as sebentas que marraram.

 

40 mil não são 150 mil

Diz o sr. Primeiro que a avaliação não pode ser suspensa porque temos que respeitar o trabalhos dos Professores e das Escolas, nomeadamente dos quarenta e tal mil professores que já foram avaliados.

Isto leva-me a uma pergunta retórica: então os outros cento e dez mil afinal não foram avaliados?

Já não bastava o Braga e agora o Paulo Bento vai-se embora

A duas jornadas de jogarem com o rival do campeonato de Lisboa, os benfiquistas sofrem mais uma desilusão:

 

Paulo Bento diz que esteve quatro meses a mais no Sporting. É uma das ideias fortes do treinador na hora de explicar a sua demissão.

 

“A principal explicação é que estive quatro meses a mais no Sporting. Tenho plena consciência que estive quatro meses a mais”, disse Paulo Bento, em conferência de imprensa. “Não estou arrependido, mas tenho a clarividência necessária para saber que não foi a melhor decisão para mim e para o Sporting.”

 

Resta-lhes a consolação de a clarividência de Paulo Bento andar quatro meses atrasada.

 

 

 

Uma história muito mal contada

 

"No meio da crise angustiosa, que temos atravessado, e continua, vemos os republicanos, propugnadores das ideias avançadas, apparecerem na praça publica, a fazer manifestações ruidosas, a voltar aos ventos e encher os ouvidos da plebe, de palavras de patriotismo, com o fim, não de resolver o momentoso problema da dificil situação economica e financeira, que nos assoberba, mas -oh! patriotas- para tão sómente crearem difficuldades ao governo.

Discursos, palavras, gestos declamatorios, telegrammas para a imprensa estrangeira annunciando a revolução, eis as armas que de se serve esse grupo de portuguezes para salvar a situação.

Só a república -entendem esses senhores- póde salvar o nosso credito abalado, restaurar as nossas finanças e melhorar a situação economica do paiz.

É ridiculo esse movimento; magoa até, vêr meia duzia de aventureiros, appellidarem-se de portuguezes, todos inchados de patriotismo, apresentaram-se para salvar a patria, quando, na quasi totalidade, ignoram os principios mais rudimentares de administração publica e desconhecem por completo a forma de restaurar o nosso credito e finanças.

 

Nem um plano, nem um alvitre, sequer, indicam. Cerebros vasios que, na sua ignorancia, pretendem saltar por cima dos homens praticos e de reconhecido saber, para impõrem uma ideia ao paiz que poderá ser bonita como ideal, mas deixaria em peor estado a nossa situação.

Quando, depois do ultimatum houve o movimento contra a Inglaterra pelo assalto de tigre com que nos feriu na nossa dignidade nacional, houve enthusiasmo que, por vezes, subiu até ao delirio, e a resistencia, embora exhorbitante, produziu algum resultado util.

Assim houve, e ainda ha, quem movido justamento pelo odio contra a Inglaterra, repudiasse productos da industria ingleza, para se fornecer dos de industria nacional. Este facto é legitimamente patriotico. (…)

Á semelhança do que se fez desejaria eu que esses patriotas republicanos, em vez de blafesmarem na praça publica, e insultarem pela imprensa as instituições e os homens publicos, se congregassem e unissem em um só pensamento, promovendo por todos os meios uma grande subscripção que tendesse a exonerar-nos dos encargos que pesam sobre a nação; que apresentassem e publicassem planos financeiros com o mesmo fim; e finalmente que fizessem alguma cousa de util e proveitoso para o paiz."

 

É mentira, é mentira, é mentira, sim senhor

Jugula-se que Louçã mentiu quando ontem acusou Sócrates de ter gasto mais dinheiro no BPN que a combater as consequências da crise económica. É mentira, claro. E porquê?

Porque a Caixa teria emprestado dinheiro ao BPN e não dado. Eu também costumo emprestar esmolas aos pobres. Quando eles forem ricos já sei que me devolvem os trocos.

Porque lucros ou perdas do BPN reverterão a favor do estado que emprestou. Ou seja, as perdas ainda vão custar mais caro.

Porque o governo nacionalizou o BPN não por opção, mas por obrigação. É a chamada opção obrigatória. Os países que não nacionalizaram bancos falidos, e sem grande relevância na economia do país serão castigados por desrespeito ao terceiro mandamento do capitalismo: salva os ricos antes que te sobre dinheiro para ajudar os pobres.

Portantos, pás, é tudo mentira.

Excepto o facto de o dinheiro ter saído e toda a gente saber, incluindo os que o desmentem, que não volta a entrar.

 

 

 

Fizeram-lhe a cama

Resistiu até ao limite, em jeito de mais vale quebrar que torcer. Agora quebrou. Paulo Bento desistiu de lutar contra uma maré que já parecia não querer nada com ele. Fiel aos princípios de trabalhar com os meios que colocaram à sua disposição, e sem exigência, o treinador foi vítima de uma estratégia de ultra contenção por parte da SAD leonina.

 

Recebeu poucos reforços, que tardam em mostrar as razões da escolha, e teve de gerir um grupo com o qual parecia já no passado em rota de colisão.

De treinador tranquilo passou a técnico acossado por toda a gente, sobretudo pelos adeptos, que parecem ter esquecido as duas Taças de Portugal e as duas Supertaças.

 

Independente das qualidades, muitas ou poucas, de Paulo Bento como treinador, fico com a clara convicção de que lhe fizeram a cama.

Solidariedade com o camarada Pacheco Pereira

Declaro por minha honra que fui revolucionário uma vez, e não passou. Fui ao médico, receitou-me, tomei a medicação toda, agravou-se. Fiz curas termais, estive quase a rebentar aquilo à bomba. Estive num centro de desintoxicação, organizei uma comissão de utentes, intoxicámos a administração toda. Só a morte me libertará desta sina, sei. Sócrates tem razão.

 

Agora a sério: uma das duas anedotas que sei de cor e salteado vem mesmo a propósito da última piada do primo-ministro:

 

Quando Lenin (também pode ser Marx) morreu foi obviamente para o inferno. Tempos depois o Diabo dirigiu-se a Deus:

– Ó pá, tenho lá um tipo que me anda a desorganizar o inferno todo. Aquilo é comissões de diabretes para aqui, sindicatos de condenados para acolá, já não consigo ter mão em nada. Tu, como és infinitamente bom e misericordioso, podias ficar-me aqui com um gajo durante uma semana, enquanto reponho a ordem natural das coisas.

E Deus, como é infinitamente bom e misericordioso, aceitou.

Passou uma semana, duas, e Deus não devolvia Lenin. E o Diabo dirigiu-se ao céu, bateu à porta, e disse:

– Então Deus, como te tens dado com o revolucionário?

Ao que Deus respondeu rispidamente:

– Em primeiro lugar Deus não existe.

A máquina do tempo: Caim – a Bíblia em causa

 

 

A recente polémica em torno de «Caim», o livro de José Saramago, faz lembrar uma outra, quando, em 1913, Roger Martin du Gard, o escritor francês que iria ganhar o Prémio Nobel da Literatura em 1937, publicou um livro que provocou escândalo – «O Drama de Jean Barois». A história gira em torno das incidências do famoso «caso Dreyfus». Em 1884, um oficial francês de origem judaica fora condenado por alta traição, usando-se para isso provas falsas.

No romance, um jovem (Jean Barois) renega a fé cristã e bate-se pelo ideal socialista empenhando-se, na senda de Émile Zola, na defesa de Dreyfus. Chegada a velhice, o temor da morte, leva-o de regresso ao seio da religião. Porém, ao morrer, num assomo de coragem, reafirma o seu ateísmo e a crença no determinismo universal.

 No seu percurso, Jean contesta a Bíblia e denuncia as fraudes a que esteve sujeita, o aproveitamento que se fez de erros de tradução, como por exemplo o facto de em grego clássico haver só uma palavra para dois conceitos, «virgem» e «jovem mulher». Tal abrangência do campo semântico da palavra deu lugar a um equívoco do tradutor para latim, erro que resultou na «virgindade de Maria», no culto mariano e em tudo o que lhe está associado.

O livro provocou grande escândalo com os habituais protestos da Igreja Católica. Mas, no ano seguinte eclodiu a I Grande Guerra, e a questão foi momentaneamente esquecida. No entanto, o livro de Roger Martin Du Gard ajudou sucessivas gerações a compreender os mecanismos que estão por detrás da crença cristã, nomeadamente da articulação formal da fé católica. Como disse, a propósito da celeuma criada pelo «Caim» de Saramago, voltou a falar-se do «Jean Barois» de Martin du Gard.

 

Embora se trate de dois romances provenientes de dois Nobel, nada a não ser o facto de terem criado um certo escândalo em torno da Bíblia, permite a comparação. O livro do escritor francês, não sendo a grande obra do autor nem aquela que levou a Academia de Estocolmo a atribuir-lhe o Prémio – terá sido «Les Thibauld» a assumir esse papel – é um livro que, como disse, tem ajudado gerações a compreender a permanente mistificação a que as estruturas eclesiais submetem os seus «rebanhos». É um monumento literário de grande importância.

Ao invés, o livro de Saramago é, no contexto da obra do autor, um livro acentuadamente menor. Não que esteja mal escrito, pois mesmo que quisesse, Saramago não saberia escrever mal. Todavia, com livros assim, nunca chegaria ao Nobel e, provavelmente, nem editores arranjaria. Vou referir um exemplo: uma jornalista pegou na «Aparição», a obra-prima de Vergílio Ferreira, digitalizou-a, mudou-lhe o título e fez uma série de exemplares na sua impressora, enviando-os com um pseudónimo para diversas editoras. Resultado: em nenhuma delas os respectivos serviços editoriais identificaram a obra. Todas responderam, recusando a publicação, com a carta normalizada – «Apesar da qualidade do seu original, não nos é possível…» etc. Tenho a convicção que, por maioria de razão, sem o seu currículo e sem a sua bibliografia, sendo «Caim» um livro de estreia, Saramago só o conseguiria publicar pagando a edição do seu bolso.

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Sei que para escrever o «Memorial» Saramago esteve durante uns tempos a viver na Ericeira e dali todos os dias ia no autocarro da carreira até Mafra, em cuja biblioteca, em pleno convento, foi colhendo informação para escrever o seu magnífico romance. Escrever um romance, embora nem todos tenham a envergadura do «Memorial» ou do «Ano da morte de Ricardo Reis», para além de todo o talento que o autor exibiu num e noutro livro, dá muito trabalho.

Pois, senti isso em «Caim» e sentira-o já em «A Viagem do Elefante», Saramago foge a esse trabalho. Escreve com o que tem armazenado na sua cabeça. Não será pouco, mas por vezes seria necessário um pouco mais. Não se dá ao esforço de fazer alguma investigação. Outro aspecto que se tem vindo a agravar de livro para livro é o dos castelhanismos que, em alguns casos, na transposição do castelhano para o português, resultam em erro sintáctico.

 Aqui ficamos sem saber se essa invasão do português por palavras e, sobretudo, por expressões e construções frásicas castelhanas, é fruto da distracção de alguém que vive imerso numa realidade idiomática muito semelhante à nossa ou se transporta consigo a intenção (que seria estulta) de contribuir para a unificação dos dois idiomas como primeiro passo para a absorção política de Portugal pelo estado espanhol.

Não estou sequer a insinuar que Saramago, com a idade, está a perder qualidades. De maneira nenhuma. Muito mais jovem, escreveu livros bem piores. No entanto, este livro tem sido, pela máquina de propaganda da editora, comparado ao «Evangelho segundo Jesus Cristo», obra que, há 18 anos, provocou também celeuma e, devido à desastrada intervenção de um tal Sousa Lara, obscuro sub-secretário de Estado adjunto da Cultura, que vetou o livro numa lista de romances portugueses concorrentes a um prémio europeu, levou o escritor a auto-exilar-se em Lanzarote. Pelo menos, terá sido a causa próxima para tal.

Veio também a Igreja, dessa vez pelo voz do arcebispo de Braga, D. Eurico Dias Nogueira, atacar o livro com diatribes sem nexo, concluindo que a eventual beleza literária da obra, longe de ser uma atenuante «constitui circunstância agravante da culpabilidade do réu, seu autor».

No lançamento mundial do romance, realizado em Penafiel, Saramago lançou a frase que caiu como uma bomba nos meios religiosos, católicos e não só – «A Bíblia é um manual de maus costumes!» E a Igreja voltou a cair na armadilha.  Agora foi um tal padre Manuel Morujão, porta-voz da Conferência Episcopal Portuguesa que lamentou a «superficialidade com que Saramago se debruça sobre a Bíblia». Porém, logo a seguir declarou não ter lido o romance. Como pôde então aferir da superficialidade ou da profundidade da análise bíblica do romance? Custa a crer que uma organização com dois mil anos ainda caia em alçapões destes.

Mas existem apreciáveis diferenças de qualidade e de intensidade nas duas obras. Com o «Evangelho», Saramago fez, como costuma dizer-se, os trabalhos de casa. Não estando também entre as grandes obras do autor é um livro mais bem estruturado, muito bem alicerçado, partindo do Novo Testamento para uma interessante história alternativa. Em «Caim», Saramago vai, ao sabor da inspiração, glosando o tema bíblico. Para usar o vulgarizado aforismo, abusou da inspiração em detrimento da transpiração.

Já se percebe que não gostei do livro e não precisarei de dizer mais para o tornar evidente. O que não me faz retirar uma linha de tudo o que aqui disse em defesa do direito de Saramago, ou de qualquer outro autor, de abordar os temas que quiser, incluindo os que às religiões dizem respeito. Era o que mais faltava que a Igreja Católica que opina sobre tudo e sobre nada, sobre o sa
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ado e o profano, nunca se eximindo de invadir áreas que para outros são sagradas, não pudesse ver criticado aquilo que considera sagrado.

No lançamento em Madrid da edição espanhola, realizado dia 3 deste mês, disse-se que, nas livrarias portuguesas, «Caim» se vende ao lado da Bíblia – o que podendo ter acontecido num ou outro estabelecimento, de modo algum ocorreu «nas livrarias portuguesas». Assumindo este disparate como uma verdade, Saramago comentou «Ya veremos qué montón baja primero».

A verdade é que em Portugal foram distribuídos 130 mil exemplares, dos quais já se terá vendido uma boa parte, cerca de cem mil. Em Espanha, circula desde há dias uma quantidade semelhante. A frase bombástica, sem equivalência transgressiva na textura do romance, pegou. Na realidade, não sendo um dos melhores livros de Saramago, não sendo sequer (na minha opinião) um bom livro, «Caim» está, desde o princípio, a ser uma bem sucedida operação de marketing. Disso não restam dúvidas. Não se pode ter tudo.

 

 

FUTAventar – Paulo Bento demitiu-se

O que preocupa neste Sporting é que depois de quatro anos como a mesma equipa técnica e com a maioria dos jogadores a jogarem juntos, não tenha uma equipa sólida .

 

Se durante aqueles quatro anos nada tivesse ganho mas agora tivesse uma boa equipa percebia-se. Assim, francamente, não se percebe.

 

Jogador após jogador adquirido, com raríssimas excepções, não mostram capacidade para se imporem, numa política de compras incompreensível. Grimi é um exemplo pela negativa que brada aos céus, custou quatro milhões de euros e mostra-se um jogador medíocre.

 

Um muito bom jogador para a defesa e outro para o meio campo é o mínimo exigido.

 

A sexualidade na escola

Levei uma sova de todo o tamanho quando o Padre de religião e moral soube que eu namorava. Fechou-me numa sala e bateu-me a ponto de eu lhe dizer que se tornasse a tocar-me me defendia.

 

Fui confessar-me e o padre escreveu num papel "eu sou um rapaz fraco" e colocou na minha carteira de forma a que sempre que eu a abria, lê-se a frase. Só percebi quando alguem mais velho me disse o que é que aquilo queria dizer. O Padre estava preocupado porque eu estava na idade da pívia.

 

Ficava com um sentimento de culpa sempre que me roçava por alguma amiga, ou apertava o par nos bailes de sábado à tarde. Culpa e remorso se me adiantava  com as amigas mesmo que elas não se importassem.  O meu próprio pai ia-me dizendo  para eu não fazer às raparigas o que não gostaria que fizessem às minhas irmãs (quatro).

 

A educação sexual que eu recebi só não me enviou para o "vale dos ímpios" porque eu era um rapazinho feito de material de primeira, terra da boa, onde o trigo germinava mais depressa e melhor que as ervas daninhas.

 

Aprendi nas aulas práticas já que nunca tive aulas teóricas.

 

Ensinar o que é viver, o que é a vida, ser um bom cidadão, ser bom namorado, bom marido e bom pai, devia ser a mais importante disciplina do curiculum escolar, mas o que se ensina nesta disciplina é, em muitas coisas, incompatível com a doutrina da Igreja.

 

Não podemos fazer à Igreja o que a sua hierarquia nos faz a nós. Culpá-la, enviá-la para o inferno, porque há muitas coisas boas que aprendi na Igreja e à sua maneira sempre me protegeu. Eu quando não tinha aulas ficava nos adros das Igrejas, para o meu pai era o lugar mais seguro.

 

Mas é claro que aqueles tempos não são estes tempos. No meu tempo, o inferno era qualquer coisa que estava ao lado do Céu, pelo menos era uma passagem para um sítio melhor, mas agora o Inferno é cá em baixo, não é passagem para nada.

 

A SIDA e as hepatites e as outras doenças sexualmente transmitidas não se compadecem com doutrinas, exigem um combate sem tréguas e isso passa por uma vivência sexual transparente e responsável.

 

Como tive ocasião de dizer a um senhor Bispo, "o que me pede não se faz a um filho".

Discutíamos o uso do preservativo e o meu filho de dezassete anos, andava de comboio Europa fora.

 

 

Referendo?, Nem Pensar

CASAMENTO DOS HOMOSSEXUAIS VAI AVANÇAR

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PROGRAMA DE GOVERNO.

Há que agradar à esquerda. Não pode viver sem apoios, pequenos que seja.

Sócrates II, o Dialogador, dialoga onde lhe apetece, como lhe apetece, e com quem lhe apetece.

A arrogância do seu antecessor, Sócrates I, o Arrogante, regressa em força.

Os pensionistas de pensões mais baixas recebem um aumento entre 1 e 1.25 %. Será um aumento extraordinário ou o aumento para 2010?

O casamento dos homossexuais vai avançar, mas o problema da adopção foi esquecido.

O TGV e o novo aeroporto da capital avançam.

A luta com os professores continua.

O combate à corrupção deverá continuar, devagarinho, para não incomodar.

Enfim, nada de novo no modo de  trabalhar do nosso Primeiro.

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