Ratzinger

Não sou uma pessoa torpe e mal intencionada, como sugeriu um comentador. Quando disse que Ratzinger era um modelo de falsidade e hipocrisia, disse o que sinto. Posso, no entanto, retirar estas palavras e amenizar um pouco, dizendo que não o considero um modelo de verdade e seriedade. Por tudo o que tenho lido sobre ele, pelo que ouço e pelo que sinto.

 

Ratzinger é, infelizmente, um homem de muita influência no mundo. Mas isto não é razão para que seja considerado um santo, coisa que não é, nem de longe nem de perto. Aquando das comemorações de dois mil anos de cristianismo, o cardeal Ratzinger elaborou um documento doutrinário que, segundo Leonardo Boff, é absolutamente coerente com o sistema romano, férreo, implacável, cruel e sem piedade. Um sistema totalmente fechado, posse privada da hierarquia vaticana da igreja, sem qualquer abertura ás crenças dos outros e um obstáculo intransponível a qualquer tipo de ecumenismo. Diz ainda que qualquer tentativa do Vaticano nesta área do ecumenismo é uma farsa e um engodo. Os apelos que o documento faz à comunidade do diálogo pode considerar as pessoas iguais em dignidade mas desiguais em termos de condições objectivas de salvação, isto é, ninguém fora da igreja, mesmo que pertença a outras crenças, tem salvação possível.

 

Um sistema totalitário, imbuído de rigidez fundamentalista e sem piedade, fechado em si mesmo como qualquer outro totalitarismo, que só produz exclusão e desesperança. A estratégia do documento visa a desmoralização, a diminuição e a humilhação, até à completa negação do valor teologal das convicções do outro. P lema é submeter os outros, desmoralizá-los ou destruí-los. O documento de Ratzinger nunca se refere ao amor, não anuncia a centralidade do amor nem a importância dos pobres, dos humilhados e ofendidos. A fé sozinha não salva, diz Leonardo Boff, a fé só salva quando informada de amor. Diz ainda que o documento ludibria os seres humanos negando-lhes a verdadeira mensagem de Jesus e apresentando um deus que emerge do documento como um deus fúnebre, que morreu há muito tempo. Tudo para manter ferreamente o poder ditatorial da hierarquia vaticana em todos os actos e aspectos religiosos, políticos, económicos, financeiros e sociais da igreja romana.

 

Ratzinger disse um dia: “ Os fiéis são pessoas simples que é preciso proteger dos intelectuais”. Uma frase inteligente de uma pessoa inteligente, mas profundamente insultuosa para os católicos e para a rica tradição intelectual da igreja. Ele sabe bem o que quer dizer. A igreja católica é necessariamente conservadora, tem de ser imutável, pétrea, e o ligeralismo católico não faz qualquer espécie de sentido. Por isso ele é contra tudo o que cheire a qualquer coisa que tente quebrar a cristalização do pensamento emanado do catacúmbico vaticano.

 

Um documento secreto do Vaticano, denominado “Crimen Solicitationis”, de 39 páginas, escrito em latim em 1962, que o cardeal Joseph Ratzinger transformou para melhor eficácia, terá sido utilizado por ele durante 20 anos para instruir os bispos católicos sobre a melhor forma de ocultar os crimes sexuais contra crianças, tornando impunes os criminosos e desqualificando as inocentes vítimas. Este documento ameaça com a excomunhão quem violar um juramento de sigilo absoluto, imposto á vítima, ao acusado e às testemunhas. Um documentário intitulado  "Abusos sexuais e o Vaticano” foi transmitido pela BBC e pelo canal Odisseia nos fins de Novembro, o qual deixa bem patente o quão criminosa é a igreja católica e o Vaticano, não denunciando os seus membros pedófilos e tudo fazendo para conseguir a sua impunidade. A narração foi feita por Golm O’Gorman que aos 14 anos foi violado por um padre.

 

Com tudo isto e milhões de coisas semelhantes na pouco recomendável história da igreja, ninguém tem o direito de me chamar torpe e mal intencionado, ao pretender denunciá-las, para bem da humanidade.

 

Rolf Damher – A paixão pelo problema

“Penso que há um caminho para a ciência ou para a

filsosofia: encontrar um problema, ver a sua beleza

e apaixionar-se por ele; casar e viver feliz com ele

até que a morte vos separe – a não ser que encontrem

um outro problema ainda mais fascinante, ou, evidente-

mente, a não ser que obtenham uma solução. Mas mesmo

que obtenham uma solução, poderão então descobrir, para

vosso deleite, a existência de toda uma familia de problemas-

filhos, encantadores ainda que talvez difíceis, para cujo

bem-estar poderão trabalhar, com um sentido, até ao fim

dos vossos dias. Sir Karl R. Popper

Escutem as músicas e esqueçam por alguns minutos a “Face Oculta”. Ela, isto é, os problemas que se amontoam, não vão fugir. Estarão à espera da vossa acção para resolvê-los. Não para mastigar e remastigá-los vezes sem fim. O saudoso Sir Karl Popper – e não só ele – aponta o caminho genérico. Sim, apaixonem-se pela “beleza” dos problemas a resolver. E lembrem-se: O homem cresce com a resistência.

Não “estou sendo irônico”.

P.S. E depois dizem que os germânicos são muito secos e apagados e que só os “latinizados” têm temperamento. Aqui sim “estou sendo irônico”.

A Partir das Nove da Noite, Vamos Estar Amarelos

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AS CORES COM QUE NOS PINTAM

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Hoje vão pintar-nos de amarelo. A Protecção Civil disse e assim se fará. Vai chover, ventar e fazer frio. Coisa que ninguém sabe o que seja, pelo menos nos dez distritos pintados.

Esta Protecção Civil, que tem de demonstrar o que vale e justificar o que ganha, lá nos vai ensinando a sabermos o que fazer quando o frio chega, o vento sopra ou a chuva cai.

Abençoados.

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Serviço público: Banda do Casaco

 

 

 

 

Saiu mais um Disco com Sono: Banda do Casaco, Contos da Barbearia.

 

Se isto fosse no estrangeiro, já tínhamos uma caixinha com os 7 CDs de originais remasterizados, livrinho cheio de entrevistas e ensaios, um DVD de bónus e mais não sei quantas mariquices. Como felizmente estamos em Portugal, temos masters perdidas, reedições em CD esgotadas e até um disco que nunca saiu do vinil – mesmo perfeito para o Discos Com Sono.

Ao autor do blogue aqui ficam os meus agradecimentos.

Os professores vão ter saudades da Maria de Lurdes

Um assessor da Ministra da Educação não esteve com meias e colocou um gravador a gravar as conversas informais dos jornalistas que esperavam no hall do ministério. Isto é tão bizarro que não pode ser uma gaffe, estilo foi um jota que está aqui pela primeira vez.

 

Isto faz parte do "marcar o território", nós tambem sabemos como se faz, vocês podem estar convencidos que estão imunes ao vosso próprio veneno mas se calhar vão beber do mesmo, aliás, foi mesmo isso que o tal assessor disse quando interprelado pelos jornalistas.

 

Estou a ver os sindicatos a levarem com uma gravação de uma reunião a dizerem que "se não fosse termos que controlar a turba assinávamos já.", isto está cada vez mais bonito, porque há gente que está convencida que pode ser uma espécie de ilha, cheia de coisas boas enquanto à volta, nadam os tubarões esfomeados.

 

Volta Maria de Lurdes que estás perdoada!

Uma parte da vida a 140 caracteres

Existe desde há cerca de quatro anos, mas foi num período de cerca de ano e meio (ainda assim uma eternidade no mundo da internet) que o Twitter ganhou pujança. Beneficiando de uma projecção mediática extraordinária, de umas eleições presidenciais nos EUA onde acabou por ser protagonista, o site de microbloging garantiu um lugar ao sol.

 

Pelo menos durante mais algum tempo. É verdade que o futuro é ainda incerto. O projecto ainda não encontrou um modelo de negócio que lhe permita obter rendimentos visíveis e o Twitter não é um YouTube que, debaixo da alçada da Google, pode ainda continuar a perder dinheiro.

 

Ferramenta de comunicação em 140 caracteres de cada vez, o Twitter tem milhões de utilizadores regulares em todo o mundo. Muitos dos que se inscreveram pouco ou nada utilizam o programa. Muitos por não verem relevância na coisa, outros por não lhe encontrarem utilidade. Há quem tenha dezenas ou centenas de seguidores. Há quem tenha milhares ou mais de um milhão, como a CNN ou o actor Ashton Kutscher, que fizeram uma “corrida” para ver quem chegava primeiro à marca de um milhão de “fallowers”. O marido de Demi Moore ganhou.

 

Certo é que, como todas as acções no mundo da Internet (e não só), é preciso ter algum cuidado com o que se diz. Vejamos o que um diálogo de 140 caracteres pode provocar… (vídeo em inglês)

 

 

 

A Criança Velha

1 A criança em contexto.

 

O nosso hábito é falar de crianças. É pensar que falamos duma infância que se espalha entre o nascimento e a puberdade. No melhor dos casos. Na forma modelar dos casos, definida com base nos Códigos Canónico e Civil. Criança, ser inocente e exemplo de responsabilidade penal ou civil até aos sete ou catorze anos de idade. Conforme a matéria de que trate o seu afazer. Criança inocente por não entender o mundo e estar a formar a sua epistemologia. Criança que não tem memória social, não conhece o mundo, não tem contacto com a interacção social nem conhece as hierarquias nem percebe a responsabilidade. Excepto, a sua própria que lhe é incutida pelos adultos, esses que têm o denominado uso da razão. A criança pequena, estudada por mim entre os Portugueses, Galegos e o grupo Picunche do Chile, sítio desde o qual foram nascendo as ideias para este texto. Pequenada que brinca e corre, que inventa jogos, que cresce e cruza pelos ciclos de vida até ser um adulto com todos os desejos e a responsabilidade aprendida enquanto desenvolve o seu julgamento adquirido no brincar e na escola, entre a meninada com a qual estuda ou joga, na rua, na casa ou no pátio. É o seu contexto social, que lhe ensina a memória social, essencial para o convívio entre os seus e com o mundo que lhe cabe viver ao longo do tempo.

 

O nosso hábito é falar de crianças. É pensar que falamos duma infância que se espalha entre o nascimento e a puberdade. No melhor dos casos. Na forma modelar dos casos, definida com base nos Códigos Canónico e Civil. Criança, ser inocente e exemplo de responsabilidade penal ou civil até aos sete ou catorze anos de idade. Conforme a matéria de que trate o seu afazer. Criança inocente por não entender o mundo e estar a formar a sua epistemologia. Criança que não tem memória social, não conhece o mundo, não tem contacto com a interacção social nem conhece as hierarquias nem percebe a responsabilidade. Excepto, a sua própria que lhe é incutida pelos adultos, esses que têm o denominado uso da razão. A criança pequena, estudada por mim entre os Portugueses, Galegos e o grupo Picunche do Chile, sítio desde o qual foram nascendo as ideias para este texto. Pequenada que brinca e corre, que inventa jogos, que cresce e cruza pelos ciclos de vida até ser um adulto com todos os desejos e a responsabilidade aprendida enquanto desenvolve o seu julgamento adquirido no brincar e na escola, entre a meninada com a qual estuda ou joga, na rua, na casa ou no pátio. É o seu contexto social, que lhe ensina a memória social, essencial para o convívio entre os seus e com o mundo que lhe cabe viver ao longo do tempo.

O nosso hábito é falar de crianças. É pensar que falamos duma infância que se espalha entre o nascimento e a puberdade. No melhor dos casos. Na forma modelar dos casos, definida com base nos Códigos Canónico e Civil. Criança, ser inocente e exemplo de responsabilidade penal ou civil até aos sete ou catorze anos de idade. Conforme a matéria de que trate o seu afazer. Criança inocente por não entender o mundo e estar a formar a sua epistemologia. Criança que não tem memória social, não conhece o mundo, não tem contacto com a interacção social nem conhece as hierarquias nem percebe a responsabilidade. Excepto, a sua própria que lhe é incutida pelos adultos, esses que têm o denominado uso da razão. A criança pequena, estudada por mim entre os Portugueses, Galegos e o grupo Picunche do Chile, sítio desde o qual foram nascendo as ideias para este texto. Pequenada que brinca e corre, que inventa jogos, que cresce e cruza pelos ciclos de vida até ser um adulto com todos os desejos e a responsabilidade aprendida enquanto desenvolve o seu julgamento adquirido no brincar e na escola, entre a meninada com a qual estuda ou joga, na rua, na casa ou no pátio. É o seu contexto social, que lhe ensina a memória social, essencial para o convívio entre os seus e com o mundo que lhe cabe viver ao longo do tempo.

O nosso hábito é falar de crianças. É pensar que falamos duma infância que se espalha entre o nascimento e a puberdade. No melhor dos casos. Na forma modelar dos casos, definida com base nos Códigos Canónico e Civil. Criança, ser inocente e exemplo de responsabilidade penal ou civil até aos sete ou catorze anos de idade. Conforme a matéria de que trate o seu afazer. Criança inocente por não entender o mundo e estar a formar a sua epistemologia. Criança que não tem memória social, não conhece o mundo, não tem contacto com a interacção social nem conhece as hierarquias nem percebe a responsabilidade. Excepto, a sua própria que lhe é incutida pelos adultos, esses que têm o denominado uso da razão. A criança pequena, estudada por mim entre os Portugueses, Galegos e o grupo Picunche do Chile, sítio desde o qual foram nascendo as ideias para este texto. Pequenada que brinca e corre, que inventa jogos, que cresce e cruza pelos ciclos de vida até ser um adulto com todos os desejos e a responsabilidade aprendida enquanto desenvolve o seu julgamento adquirido no brincar e na escola, entre a meninada com a qual estuda ou joga, na rua, na casa ou no pátio. É o seu contexto social, que lhe ensina a memória social, essencial para o convívio entre os seus e com o mundo que lhe cabe viver ao longo do tempo.

 

2 A criança velha.

 

 Parece como se estivesse a falar duma meninada que não mexe, que não tem imaginário, que é triste. Como se tivesse mais anos dos que a cronologia do tempo nos diz. Bem queria eu falar desses. Fica prometido.Porque da criança velha que falo, a do círculo dos ciclos de vida, referidos por mim noutros textos e por especialistas em geriatria com os quais tenho tratado para entender essa viragem da vida. A vida começa em bebé primário e acaba em bebé secundário, dizem-me esses especialistas e diz-me a observação participante feita em terreno europeu ou latino-americano. O ciclo bebé primário é curto e acaba quando o pequeno entra na memória social. O ciclo do bebé secundário é curto também: começa com a perda da memória social, da identidade de si, da identidade dos outros, do sítio onde mora. Não sabe onde está. Não entende as palavras. Confunde as situações. Pensa que o ser que está ao pé de si é o pai ou a mãe. É um regredir à infância.

 É um brincar com os símbolos que um dia para ele foram sagrados. É brincar com o terço como colar. É procurar os bonecos dos seus descendentes e cantar-lhes uma canção de embalar. Uma canção sem palavras, um sussurro gentil e sem melodia. Uma alegria permanente que oculta os sentimentos antigamente vividos e transferidos ao brinquedo que agora lhes fala. O bebé secundário quer o pequeno-almoço à noite e em biberão, o jantar no meio do dia feito papa, foge para os cantos mais obscuros da casa. Gatinha por baixo das camas e come tudo quanto fica perto do seu voraz apetite, da sua eterna fome. Inventa nomes, baptiza os novos amigos, descobre em seu redor im
ag
ens que mais ninguém vê e fala com elas. Às tantas, fica cansado e adormece no chão, ou no canto da cama onde o bebé secundário foi deitado com amor e carinho, para acordar decabeça para abaixo e pés por cima da pessoa adulta que o acompanha. Ou, como relata um adulto que tem um bebé secundário, acorda a brincar sentado no peito do mesmo. E chama, chama, chama. Grita sons imperceptíveis para o glossário comum da memória social. Bebés secundários, que tiram as fraldas que usam, para satisfazerem os seus desejos eróticos parte da memória genética que os bebés primários trazem consigo ao nascer; parte da memória interactiva que o bebé secundário deixa ao abandonar a memória social. Esfregar genital, que os adultos no dito uso de razão rejeitam por acreditarem numa ética pouco apropriada para tratar de crianças primárias ou secundárias. Adultos para quem o erotismo é pecado e por isso deve ser guardado para a idade da interacção, sem se lembrarem da sua infância, nem da sua puberdade, nem tão pouco da sua própria maturidade erótica, essa que adora jogar com o prazer que faz a reprodução. Prazer que faz crianças, logo, faz história. Prazer que nasce connosco e morre quando o corpo é já carcaça sem espírito.

A criança velha tem espírito. A criança velha tem ideias do tamanho da sua idade infantil. Ideias que fazem rir os que ficam ao pé da criança velha. Esse acordar sufocado pelo peso dessa criança no peito, esse virar dos símbolos rituais do grupo social em brinquedos, é um desfazer a tradição que o grupo social consciente, respeita e obedece. Uma brincadeira engraçada convidar todas as pessoas que passam perto da criança velha para beber chá ou jantar. Esse dizer: caramba, há tanta gente em casa! O que é que vamos servir a todos, gente que é visita dos outros bebés secundários que compartilham o dia-a-dia da criança velha. Criança velha que é docemente acarinhada enquanto está quieta na cama, ou é espancada se faz mal ao adulto que perde a paciência pela persistência da brincadeira do, tecnicamente denominado, adulto maior. Denominação pouco adequada. Denominação que faz acreditar os adultos, persistentemente referidos neste texto com uso da razão, sentirem e pensarem que a todo o minuto e a todo o momento esse bebé secundário quer música e alegria, cantos, bater as palmas, não mostrar sentimentos genuínos, inventar a vida. A esquecer, esse grandalhão, hábitos anteriores do ciclo de vida da criança bebé que gostava do silêncio, da calma, da paz, do respeito. Conceitos que ele ou ela não lembram, mas que perduram ainda nos seus sentimentos. Porém, brincar só e quando o bebé secundário entra no delírio da sua própria alegria, para assim respeitar o afazer desse agora bebé, tal e qual se respeita o bebé ao qual o grupo social está habituado, o bebé primário.

A criança velha foi um dia um adulto como todos nós, capazes de ler estas notas de campo e de as entender, adulto feito hoje uma criança que faz não entender o seu comportamento. Comportamento que quer calma e cuidado, canções de embalar que repete nas suas próprias ininteligíveis palavras. Amorosas palavras. Adoradas palavras. Queridos sons que a criança velha é ainda capaz de produzir e mostrar que está a viver uma outra vida. Que nos diz que quer respeito ao seu eu. Mesmo que nem saiba que o diz. Mesmo ainda que os seus adultos não saibam como entender e fiquem cheios de desespero por as não perceber. E batam mais uma vez. Ou, já resignados a terem outra vez um bebé maior, saibam deitar-se ao pé dele e acariciarem com ternura até adormecerem de cansaço, o adulto que entende a memória social e a criança velha que o seu código genético mandou abandonar. Para tristeza de quem vê e entende. Para desespero de quem tem que estar sempre ao cuidado desse ser que regride no seu ciclo de vida, esgotadas já todas as etapas. Até, um dia, morrer. Ensejo de todos os que estão perto do denominado adulto maior, que eu quis baptizar como bebé secundário ou criança velha, à espera dum melhor entendimento antropológico da sua espistemologia. Como entre nós tinha começado a estudar a nossa querida Antropóloga Susana de Matos Viegas. Como a experiência de Vilas Boas deveria chamar-nos a pesquisar.

 

3 Amor, paciência, troca.

 

Quis pôr como título o que o leitor pode apreciar: para um estatuto. Porque todo o ser humano está a precisar, neste século – e lá vão tempos que já precisava – um entendimento do acontecer do fim da vida de todo o ser humano, que acontece não na morte imediata, mas na regressão. O ciclo fecha na regressão à idade da infância. Parece começar em bebé e acabar em bebé e, a seguir, a morte.

Mas um bebé adulto acaba por ser surpreendente para todos nós. Nem estamos à espera. Porque à espera sempre aprendemos a estar, de que a vida acabava com uma doença súbita, ou com uma doença conhecida e prolongada, ou ainda, numa idade precoce da vida. Hoje em dia, as pessoas vivem muitos mais anos, mas ainda não temos os elementos para sermos capazes de manter esses anos todos com uma consciência adequada à cronologia que esse adulto passa a viver.

Porém, escrevo estas linhas desde o meu trabalho de campo entre os Picunche do Chile. Picunche que têm um cerimonial especial para incorporar os mais velhos entre os sábios ou em sítios destinados às almas santas que dizem ter visto seres que tinham, faz tempo, desaparecido, e com eles falavam e deles reproduziam palavras que fazem tremer os vizinhos. Mas, classificados entre essas almas divinas, ou almas denominadas pelos antropólogos como "bruxas", o seu dizer é ouvido e respeitado sem ter que ser obedecido. Bem como outros analistas de grupos sociais têm observado a longevidade e o silêncio ou a raiva que a acompanham, como sinais do contributo que esse ser deu à sociedade e, pelo cansaço atingido, merece respeito e bom acolhimento.

Para entender estes feitos, comparei-os com as pessoas do ocidente cristão, especificamente católico. Os que acreditam na ressurreição da alma e do corpo, quer dizer, na imortalidade simbolizada no credo central das ideias. E percebi que a esse credo tinham-se juntado duas atitudes: 1) a das pessoas que ajudam com orações, turnos de cuidado, missa, comunhão e solicitude amorosa para entreterem o bebé regressivo e, no lado oposto, 2) a das pessoas que vivem de tomar conta do bebé secundário da forma mais adequada a elas próprios: construir um lar, gerir esse lar, investir imenso lucro nacontinuidade da vida da pessoa que está a morrer um pouco cada dia no seu abandono da memória social. Observei pessoas a serem ressuscitadas com choques eléctricos, arrebitadas para além das suas forças, gastas no seu ciclo de criança, gastas à família, gastas para viver. Porque o adulto que regressa a ser bebé, sente, sofre e manifesta-o no grito. Não é casualidade, é dor, é mesmo dor dum corpo que sabe sem saber porquê. Assim, a criança velha, é mal tratada, mesmo essa mulher doce, senhora e serena que fui capaz de observar com os seus olhos enevoados, cansados, de boca aberta, incapaz já de brincar. Como brincam os seres regressivos sem darem por isso.

Fica assim, um começo para um estatuto do adulto maior, tantos como eles são hoje em dia e tantos que vamos ser em breve: a troca da dor final pelo viver mais um minuto numa vida pensada imortal. Estatuto que, por amor aos que tenho visto, por carinho a mim próprio, ao meu futuro e à minha vida, dedico a minha atenção de antropólogo especialista em crianças: à infância que nasce, à infância velha, nas suas respectivas cronologias. Para nos s

alvarmos da troca comercial que de nós fazem, especialmente os descendentes aterrorizados de ver feito bebé o seu adulto maior, esse que um dia os fez e os soube criar com amor. É para entendermos o actual ciclo de vida e saibamos, em casa, tomar conta da criança velha. Especialistas em família somos nós, os que em família sabemos viver: a cronologia do grupo mudou e o seu comportamento também. Hoje há crianças bebés e crianças velhas. Saibamos agir, especialmente em lares onde há pequenada nova, para se integrarem na heterogénea realidade da vida.

 Tolstoy 1910

 

Sindicatos co-governam o Ministério da Educação

Desde a sua nomeação que Isabel Alçada tem tratado daquilo que em Portugal se convencionou designar como educação, a saber o problema das carreiras dos professores do ensino público.

Na Assembleia da República os deputados têm tratado igualmente da educação que naturalmente versa  a mesma temática da progressão dos docentes do ensino público.

E o próprio país quando fala de educação já sabe que se vai falar da avaliação dos professores.

Não arranjo melhor exemplo para o estado de alienação a que o excesso de Estado nos conduziu: os funcionários tornaram-se a razão de ser e o centro das atenções do próprio ministério. Os ministros sucedem-se e a sua sorte, ou mais habitualmente a sua desgraça, é ditada pela relação que estabelecem com os mesmos funcionários. Dos alunos ninguém fala e do ensino muito menos. Até quando durará isto?

 

Aventado ao Blasfémias e à Helena Matos

O segredo de justiça quando é lá em casa ou entre amigos não conta?

Segundo o DN nas buscas a Vara foram encontrados "elementos de um processo que corre no Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP) e que, de acordo com fontes contactadas pelo DN, deveria estar em segredo de justiça".

Já sabíamos que também conhecia decisões judiciais antes de serem proferidas.

Chamo a atenção dos legisladores socratistas para terem cuidado com o aumento das penas para o crime de violação do segredo de justiça: não se esqueçam de excluir estes casos, ou ainda tramam os amigos.

Poemas com história: Se não matarem todos os monandengues da nossa terra

 

 

 

O título é tirado de uma das narrativas de Luaanda, o livro do escritor angolano Luandino Vieira a que foi outorgado o prémio literário da Sociedade Portuguesa de Escritores, prémio que conduziu, em 1965, ao encerramento daquela associação de classe pela polícia política. Disse Luandino: «Se não matarem todos os monandengues da nossa terra, eles contarão mesmo para seus filhos e seus netos dos tempos bons que vêm aí:» Monandengue é a palavra de quimbundo para garoto, criança.

O pequeno poema de hoje, escrito em 1965, constituiu uma homenagem ao Luandino,  um protesto contra o encerramento da SPE, da qual eu era sócio, e, principalmente, um gesto de contestação contra a guerra colonial. Foi publicado em 1968 na colectânea A Voz e o Sangue, livro que foi proibido quando se estava já a vender a segunda edição. Diz assim o poema (no qual introduzi pequenas alterações, pois a versão original era injusta para os militares portugueses) :

 Se não matarem todos os monandengues da nossa terra

Os meninos da terra mártir contarão

como os seus pais e irmãos foram assassinados,

como os homens e as mulheres do seu povo

depuseram as suas vidas no regaço do futuro.

Contarão como morriam as aldeias e os homens,

os pássaros e as árvores, como as suas mortes

semearam a vida nova e a liberdade na terra mártir.

Nas vozes comovidas dos monandengues, os mortos

renascerão mais nobres e heróicos, acendendo

lágrimas nos olhos do povo.

 

Pelos nossos jovens  só suas mães chorarão.

Braços do nosso silêncio, da nossa cobardia,

molharão os seus dedos

no sangue que a nossa crueldade

os fez verter.

Quem os chorará?

Quem reclamará os louros

do seu inútil sacrifício?

 

 

 

A chave para a inovação – onde te apertam os sapatos?

“O sucesso consiste em ser bem sucedido, não em ter potencial para o sucesso”.

Fernando Pessoa

 

Ficando cada vez mais óbvio que não podemos esperar que “eles” resolvam os nossos problemas – socorro! –, temos que fazê-lo nós próprios. Vai aqui um dos muitos milhares de casos que mostra como é que se faz – mudando de estratégia sob observação de determinadas regras.

 

É o exemplo de um homem que cresceu com a resistência precisamente fazendo “crescer” os seus clientes com a resistência. Diga-se de passagem: ouvi esta história de sucesso em pormenor da própria boca do seu autor.

 

Cada um é capaz e com a crise, o mais tardar quando verificamos que não há mais nada para ninguém, vamos ter motivos para experimentar. Basta perguntarmos ao próximo onde é que “lhe aperta o sapato”. Assim já temos matéria para a inovação – sem interferências atrapalhadoras de agências estatais onde gente muito esperta, seguindo ideiais e critérios teóricos que na prática não funcionam, vai distribuindo dinheiros públicos que acabam por caír em saco roto porque distorcem a homeoestase. E veremos: com cada caso bem sucedido criado por nós próprios, por mais modesto que seja, nos aproximamos da mudança e da saída da crise,

 

Ah, e temos que começar a abstrair-nos de vez do eterno lema do “eu cá não sei, eu sei lá”. Desta vez vamos mesmo precisar “saber cá”!

 

RD

 

http://www.janelanaweb.com/manageme/eks_caso4.html

 

Santa Madre Igreja! Será isto?

“Ai dos que não recebem os pequeninos em meu nome, pois melhor seria que pendurassem uma mó de azenha ao pescoço e se atirassem para o fundo do mar”.

 

“Deixai vir a mim as criancinhas”.

 

Quem terá proferido estas palavras?

 

A prática da pedofilia e abuso de menores não será global mas é muito grande na igreja católica. Mais do que em qualquer outra instituição, por razões que não cabem neste comentário. Não venham com a treta de que não se pode tomar a árvore pela floresta. E a atitude da igreja foi sempre a de esconder os culpados, mudando-os de paróquia em paróquia com o objectivo de abafar os escândalos. Estima-se que a igreja católica tenha pago nos últimos anos, apenas nos Estados Unidos, cerca de 2 biliões de dólares em indemnizações para as vítimas de abusos sexuais.

 

O actual papa Joseph Ratzinger, um modelo de hipocrisia e falsidade, chegou a elaborar um manual que ensinava como esconder os pedófilos e desqualificar as vítimas. O actual papa foi o maior responsável, ainda na época em que era um cardeal, pela renovação e modernização dos mecanismos da igreja para garantir a impunidade dos culpados por crimes de pedofilia. Ratzinger chegou ao cúmulo de afirmar que os escândalos nos EUA seriam consequência da ruptura de valores da sociedade americana, quando na verdade o próprio papa era o encarregado de ocultar os casos de pedofilia dentro da Igreja, além de ter silenciado totalmente o assunto durante sua primeira visita ao país dos padres pedófilos.

 

Para a própria igreja este encobrimento tornou-se trágico, pois várias dioceses tiveram que vender património e declarar falência para pagar as indemnizações. Mas o clero, o papa e toda a estrutura orgânica da igreja são mais importantes que os valores morais e o próprio deus em que dizem acreditar. Esta escumalha chamada igreja católica esconde clérigos criminosos dentro do Vaticano e nega a extradição quando é pedida. Como dizia o cardeal Mazzarin, “simular e dissimular”. Simulando e dissimulando, a igreja católica soube sempre e muito bem como se estruturar de forma a que pudesse cometer os seus crimes, económicos, morais e políticos e escapar impunemente.

 

Como se não bastasse o que até aqui tem acontecido, continua a crescer o número de casos de pedofilia na Igreja Católica. Para além deste recente relatório do Ministério da Justiça irlandês, no ano passado foram feitas pelo menos 800 novas alegações de abuso sexual de menores cometidos por clérigos, o que representa um aumento de 16% em relação a 2007. O levantamento foi feito em quase 200 dioceses e ordens religiosas em várias partes dos Estados Unidos, e mostrou que mais de 20% das crianças abusadas sexualmente pelos padres e sacerdotes não possuíam sequer 10 anos de idade quando foram molestadas. Apesar dos números serem assustadores, os casos de pedofilia divulgados não correspondem á verdade. Em primeiro lugar porque nem todas as vítimas conseguem denunciar os criminosos e em segundo lugar porque a própria Igreja possui poderosos meios de encobrimento. Tudo isto demonstra à saciedade o carácter hipócrita, falso e monstruoso da igreja católica. Não é admissível que haja crimes fora da igreja, passíveis de julgamento e penas severas, e os mesmos crimes ficarem impunes dentro da igreja. É uma total perversão do Direito. Em termos de criminalidade a igreja tem de ser devassada pelas autoridades laicas, a bem da justiça e da humanidade. Por mais que esperneie.