FUTAventar – a taluda

Há um erro que persiste, Pepe a jogar no meio campo é uma tremenda asneira. A bola não sai sali, e ele corre trinta metros com a bola para depois a entregar a um adversário ou a um colega que está ali a um metro. As bolas que tenta colocar à distância nem uma é bem entregue.

 

As transições não se fazem com fluidez e os avançados sofrem com isso. Com Pedro Mendes naquela posição tudo gira ao primeiro toque, apanha os adversários em contra pé, os avançados têm espaço. Raul Meireles tambem faz bem aquele lugar, com Tiago e Deco o meu campo da selecção é muito mais consistente e criativo.

 

Quer manter os três centrais em campo, Pepe,Bruno Alves e Ricardo Carvalho? Então jogue com três defesas, cinco médios e dois avançados.

 

A equipa adversária não é em nada inferior e com um bocado de sorte podia ter ganho o jogo.

 

Hoje saiu a taluda à nossa selecção!

 

Pior que todas as touradas

 

 

Será o espectáculo popular com que umas centenas de animais se deliciarão esta noite em Medinaceli, um município de Soria no reino de Castela e Leão.

As bestas lançarão fogo aos cornos de um touro indefeso, terminando por soltá-lo entre fogueiras e outras chamas, para seu gaúdio de pobres seres sem inteligência.

Eu sei que os animais são inimputáveis. Mas estes deviam ser enjaulados por uns bons tempos, ou talvez convertidos ao reino vegetal, ao menos não incomodavam, e daí, bestas destas viravam no mínimo em silvas bem espinhosas.

Um anúncio contra a estupidez

 

 

Este anúncio foi considerado o "melhor anúncio governamental europeu de prevenção da sida".

A minha dúvida é se será o mais eficaz. Leiam a caixa de comentários no youtube e vejam como aparece gente que leu a mensagem ao contrário.

É um velho problema na comunicação humana, o raio da ironia. Podem dizer que a culpa é do ensino mas não é: nenhum sistema educativo pode resolver o facto de existir gente muito pouco inteligente. Tapada. Bloqueada. E momentos infelizes todos nós temos.

Por essa mesma razão ainda gosto mais do vídeo: pelo menos um dos comentadores teve de exercitar o cerebrozinho, e abrir os olhos para a evidência de a vida ter mais cores para lá do preto, do branco e do óbvio.

No Centenário (3): Faces nada Ocultas

  

 

"(…) Affonso Costa recebia treze contos, a título d’umas tretas, por … sustentar, como influente republicano, como dirigente republicano, como deputado republicano, o pleito da "Companhia dos Phosporos", n’um caso escuro, n’uma infame negociata em que iam envolvidos os interesses e a honra do paiz, n’uma vil judiaria. Uma grande vergonha. Porque evidentemente, a Companhia não foi procurar o Affonso Costa como advogado. Não precisava d’elle para nada. Já lá tinha advogados e advogados  eminentes. Precisava d’elle mas era como deputado republicano, e deputado republicano por Lisboa."

 

Ver mais no Centenário da República

 

Portugal é um país onde se "vive habitualmente".

 

Olha prá Zèzinha…

A Zèzinha há 30 anos que anda de emprego em emprego pagos por nós todos. Nada a segura, é com o CDS, é com o PSD, é com o PS e agora é com o PSD na AR e com o PS na CML.

 

Sempre muito politicamente correcta e com opiniões chegadas aos movimentos mais conservadores, gente de poder que lhe vai dando acesso aos empregos, à comunicação social.

 

No DN não está por menos e titula " A coisificação da criança ".

 

" Não há discriminação quando se trata diferentemente o que é diferente,  nem o que é diferente passa a ser igual através da alteração de alguns artigos do Código Civil" .

 

" A única consequência será destituir de qualquer sentido o casamento civil, que, ao perder os seus pressupostos e objectivos, fica reduzido a um contrato subtraído à liberdade das partes, por uma inexplicável ingerência do Estado".

 

"Porque se duas pessoas do mesmo sexo se podem casar não há razão para proibir o casamento a termo certo ( 5,10,20 anos) ou o casamento poligâmico (um homem e três mulheres, uma mulher e três homens). Fazia mais sentido a devolução desse contrato às partes, hetero ou homossexuais, permitindo que cada um estabelecesse livremente o modelo da sua união."

 

"Quanto à adopção, enquanto o casamento envolve duas partes, a adopção implica terceiros,crianças que não têm capacidade de exprimir a sua vontade e, por isso, precisam de quem as represente."

 

" O casamento homo acarreterá, automaticamente, o direito a adoptarem."

 

" Esta lei pode ser a consagração da "coisificação" das crianças, a sua utilização como uma coisa, um adorno de uma mera simbologia. Uma irresponsabilidade atroz para a qual ninguem recebeu mandato!"

 

PS: esta do adorno é bem real

Um ministro com as gravações bem contadas

Augusto Santos Silva é um bocado desbocado, sabia-se, e vai ter agora de explicar como sabia o número exacto de cassetes (52) onde terão sido gravadas conversas do grande líder. O Sol online confirma uma suspeita que me ficou quando ontem o ouvi na SIC Notícias: tal número era desconhecido do público, ao contrário do que afirmou.

Tratando-se do actual ministro da Defesa ficam suposições no ar sobre a forma como obteve a informação, suposições óbvias e que nos fazem entrar no território do golpe de estado, uso dos serviços de informação para cobertura partidária, etc. etc.

Já agora, essa de as escutas serem gravadas em k7’s dá vontade de rir: a polícia portuguesa ainda anda no analógico? Não gravam em suporte digital porquê? Será que têm medo da pirataria informática?

Jogada de Mestre

.

PSD DEIXA CAIR SUSPENSÃO

.

Num repente, deixa de ser o CDS a mandar na oposição ao governo, e volta o PSD a estar na ribalta, ao fazer com que o governo não «perca a face».

Ao propor uma substituição em vez de uma suspensão do modelo de avaliação dos srs professores, fez uma jogada de mestre, fez uma aliança estratégica com o PS, e deixou o resto da oposição de cara à banda.

.

Poemas com história: Esplanada da praia

 

 

 

Numa tarde de sábado, em Abril de 1988 (foi a data que pus no final do poema) estava sentado numa esplanada de uma praia da linha de Cascais. Lembro-me que fazia uma temperatura elevada para a época e bebia cerveja enquanto observava as pessoas que colhiam os últimos raios de sol daquele belo dia. Sentia-me bem. Depois comprei o Diário de Lisboa, que ainda se publicava e publicou por mais um ano ou dois, folheei-o, li as notícias e lá se foi a sensação de beleza e de tranquilidade…

Esplanada da praia

Ah, meu amigo, o que é o coração do homem!

(Goethe)

Sim, na verdade

o coração do homem é assim,

espalha-se no vento,

escreve gritos na paisagem,

viaja no silêncio, enfim,

é assim –

é veleiro e astronave

em permanente viagem,

o coração do homem.

Coração, é um modo de dizer,

é uma expressão nada científica,

por sinal, que serve para definir

o local, o território misterioso

onde habitam o amor, o afecto,

o ódio, o medo e a coragem.

Onde mora também

A capacidade de sentir

os oceanos que golpeiam

o peito da humanidade.

Dizemos coração,

talvez por ser mais simples situar

num simples órgão

tudo aquilo que em nós transcende

o bisonho animal

que nos domina e vigia.

Por exemplo,

é Abril e é sábado,

estou aqui na esplanada da praia,

a cerveja está fresca,

a temperatura é amena,

o mar é azul, as pessoas são bonitas,

o céu é um lago de serenidade.

Tudo é tranquilo e belo.

Porém, compro o jornal da tarde

e a tranquilidade

quebra-se logo,

como um vidro frágil agredido

pela fúria selvagem

de um martelo à solta.

O meu coração viaja até à Palestina,

à África Austral, à América Latina,

onde a ânsia animal de dominar,

destrói a vida,

oculta o Sol,

impede o amor…

 

O meu coração,

muito habituado a caminhar,

abandona o corpo sentado na esplanada,

a cerveja, o mar azul,

o céu sereno, as gaivotas;

viaja até onde a morte é lei,

o passado e o futuro

se defrontam em áridas colinas

revolvidas por obuses.

Se queres que te diga,

A tarde deixou de ser tranquila

e primaveril,

a cerveja sabe-me a sangue

e no sangue passa-me a circular

vitríolo.

Nesta tarde de Abril,

em que tudo estava a correr

tão bem,

antes que me esqueça,

pergunto-me:

terá sido a cerveja

que me caiu na fraqueza,

ou terá sido o coração

que me subiu à cabeça?

 

 

En defensa del ateismo, de la discussion y del pensamientp libre

En defensa del ateísmo, de la discusión y del pensamiento libre

 

Jorge Luis Rojas D’Onofrio

Rebelión

 

(2) ¿Sobre qué discutir?

El objetivo más importante de este texto es convencer a los lectores sobre la importancia de una sana discusión sobre temas de religión, superstición, divinidades y creencias. Al hablar de discusión no nos referimos a un intercambio de insultos y descalificaciones con el objetivo de herir emocionalmente al adversario, sino a un intercambio de opiniones e ideas con el objetivo de contrastar nuestras creencias con las creencias de otros, y con el fin último de acercarnos a la verdad, de acercarnos al conjunto de creencias que aumentan nuestras probabilidades de obtener la felicidad.

Pero la discusión está condicionada por nuestra realidad, y por el tiempo del que disponemos para debatir. La cantidad de temas y de creencias posibles parece ser infinita. Aceptar la importancia de discutir sobre religión puede ser completamente inútil si la discusión se centra en los temas menos esenciales, en los temas periféricos, que dan por ciertas las suposiciones más fundamentales. Discutir sobre religión no debería empezar por discutir cuál de tantos libros o escrituras consideradas sagradas, o cual de su versiones o interpretaciones, es correcta, sino por establecer las bases o principios de nuestras creencias, la manera en la que obtenemos el conocimiento, y la naturaleza de este conocimiento. Discutir sobre religión no debería empezar por analizar la virginidad de María, o la resurrección de Jesús, sino por examinar la posibilidad o imposibilidad de lo sobrenatural. Una discusión sobre religión debería empezar por cuestionar la existencia de uno o varios creadores, no por debatir sobre su nombre, sus poderes o su personalidad.

A descoberta da verdade é uma grande gargalhada

Para o público saber da utilidade social da Antropologia.

Todos começaram a rir! Às gargalhadas! Éramos vários cientistas a vender o seu peixe aos caloiros. Não era na praça do mercado, antes fosse, facilitava o debate. Era dentro de um grande anfiteatro. Por acaso, três académicos no estrado,Maat, a Deusa da Justiça e da Verdade, ligada ao equilíbrio de trezentos caloiros na plateia do auditório. Os peixes cheiravam de acordo com a pronúncia e a voz de quem falava. No meu caso, sempre cheirava a mar de rosas: o meu sotaque era pesado, especialmente para os mais novos, não habituados a ouvir a sua língua portuguesa, falada de forma britânica, galega, castelhana ou afrancesada. Os vendedores de peixe, muito sérios, usavam palavras caras nas suas intervenções. Caras, pelo rigor do vocabulário e a dificuldade do conteúdo. Minutos passados foi a minha vez. Perguntaram para que servia a Antropologia? Para sintetizar devido ao meu modo de falar, (denominado por alguns alunos pelo termo carinhoso de Iturrês) lentamente respondi: "Nunca perguntamos quantas pessoas vão à Missa aos Domingos para depois juntar um grupo deles e fazer um inquérito a um número proporcional; nós perguntamos, em que dia da semana é dita a Missa, e as explicações começavam para o coitado que nada sabia de catequese dentro de um País Fatimizado". A gargalhada foi grande pela raridade da resposta e por fatimizar o país, como se fosse um assassínio maciço. Fatimizar Portugal? Mas, que laia de académico é este estrangeiro que nem sabe que Portugal é terra sagrada por ter aparecido na vila de Fátima a Nossa Senhora? Fiz cabeça de turco e pedi explicações. Não paravam. Os que por sentimento de fé diziam, os que por simpatia narravam, os que por colaborar ao saber histórico provavam, e o debate nunca mais acabava..! Tinha vendido o meu peixe, imensos caloiros passaram para o curso de Antropologia do ISCTE dos anos 80 do Século passado, como anteriormente tinha acontecido com o meu sotaque castelhano na Grã-Bretanha, ou antes ainda, com o meu sotaque britânico na Galiza. O elo era sempre atingido: começava, sem saber como e por onde, a interacção.           Fátima, procissão das velas

 

Interacção, como fatimizado? Não será intercalado? Não, interacção era e é, esse diálogo que abre as portas à intimidade com desconhecidos, que com a sua amabilidade, gostavam de colocar dentro da sua história pessoal, o coitado que nada sabe porque vem de fora. E com cara séria mas sempre surpreendido, abria-se o diálogo entre os que sabiam muita ciência ou essa lógica metódica para avaliar o saber empírico, e os possuidores do saber empírico, alvo do cientista social. Saber empírico que se pode definir como o cálculo feito com os dedos, uma lei que é costume praticar ainda que não esteja escrita, como esse morgadio desaparecido na ciência do direito mas não entre os habitantes de uma aldeia ou vila, a economia baseada na poupança do cêntimo, estruturada na colaboração de angariar força de trabalho para semear e plantar, força de trabalho que deriva do parentesco e das histórias de vida ou, simplesmente da vizinhança, mas nunca de Adam Smith ou Milton Freedman, saber doutoral que não tem cabimento dentro da empiria ou esse saber lógico que acredita nas experiências como principais formadoras das ideias, discordando, portanto, da noção de ideias inatas, definidas pelo saber doutoral. Adam Smith,leitor Edimburgo 1754

O saber do Antropólogo é a procura do saber da economia empírica, que faz, pelo saber académico, o denominado PIB ou Produto Interno Bruto, a base da riqueza de uma nação, do saber matemático dedilhado e dos teoremas retirados da reciprocidade. Essa base obrigatória de colaborar uns com os outros. Especialmente, quando dentro de una nação há diversas formas de ser, várias etnias diferentes, porém saberes e racionalidades que não se encontram facilmente, é dever do Antropólogos explicá-las para si próprio e transferi-las para as palavras simples e quotidianas do saber da já referida interacção social. O povo português, como todos os outros, não é apenas uma estirpe, são várias ao encontro da Nação. Nem uma só classe social, mas tantas como nem Marx imaginou. Saberes em desencontro que o Antropólogo tem o dever de explicar aos seus contemporâneos e aos mais novos para que possam ser cidadãos de utilidade social e não apenas operariado urbano ou rural. O elo central da Antropologia é a descoberta dessas palavras, teorias e conceitos culturais ou costumeiros, para os explicar aos formadores nacionais com palavras usadas no dia a dia e transferir as ideias empíricas para as ideias académicas.

Há muito insucesso escolar por se querer organizar uma população que pense como os doutores. O dever do Antropólogo, após interagir, em terreno, de trabalhar, suar e produzir, na vida quotidiana de um grupo social, é transformar esse saber em conhecimento erudito, simplificado e assim organizar o saber para educar e desenvolver a lógica da pesquisa dentro da lógica empírica. É assim que muitos vão morar com habitantes de outras terras, de outras nações, de outr
a
classe social para aprender o que eles sabem. Não para guardar o saber em livros ou aulas universitárias, mas sim para explicar aos membros do saber doutoral que existe um saber paralelo dentro da lógica da mesma nação, que deve ser incorporada no que eu denomino o saber doutoral. Todo o ensino é especial e deve ter duas entradas: as da filosofia dos cientistas e a da filosofia do empirismo ou esse saber pragmático que permite acumular bens, armazenar os usos e costumes não escritos para não desaparecerem. Toda a ciência tem um saber especial para se traduzir à lógica da cultura, no nosso país, orientada pelo saber religioso pragmático. Existe a semiologia que explica o que uma palavra significa, a economia doméstica que produz e acumula património, o saber lógico da religião que orienta a interacção social com palavras pragmáticas e, especialmente, o saber da educação usado para ensinar os mais novos. Saberes todos para serem usados como ponto de união entre duas culturas da mesma nação: a heterogénea do povo, dividida entre vários conhecimentos, e a hierárquica, arrogante e difícil da denominada saber doutoral, essa que vive e mora entre quatro paredes e uma biblioteca e que não permite ao povo entender. Pierre Bourdieu, que viveu infância e juventude entre os Kabila da Argélia, costumava dizer-me: "Nós não somos o que pensamos ser, nós somos o que os outros pensam de nós", saber que, nos nossos debates, aparecia sempre marginalizado por ser menosprezado pela cultura doutoral, que inclui pessoas do saber empírico que, como Pierre dizia, eram trânsfugas do seu saber pelo orgulho e anseio de se ser doutor que não permite a acumulação do capital social do saber popular que, doutores ou não, vive dentro de nós. Saber que pode ser retirado com o método aplicado por Paulo Freire e por mim, ao retirar o conhecimento costumeiro, esse que parece não pensar, para o levantar às palavras e consciência do marginalizado povo, esse que é o nosso, mais uma vez, capital social.

Telefonei um dia a uma amiga, do grupo saber doutoral, para lancharmos juntos, disse que não podia por estar à espera de sua equipe que trazia dados para ela analisar. Era simpática e amiga, não era Antropóloga: explicava a empiria através de estatísticas. O Antropólogo tem a utilidade social de interpretar a cultura para descobrir o saber popular e acumular esse saber empírico em interacção entre iguais e fornecer a descoberta do capital social do país na reciprocidade do, tu trabalhas para eu comer, eu oiço como uma árvore, surda, cega e muda, para entender e te explicar a ti e aos meus colegas, o que nós somos. Daí o saber médico do povo, da médica doutora Berta Nunes, daí o saber botânico da Amélia Maria Frazão, daí os saberes educativos de tantos, entre eles Ricardo Vieira, que auxilia o nosso Ministro de Ciência, como tenho feito eu, para converter esse capital social em formas de ensino entendidas por todos, por ter sido retirado ao saber da acumulação social a mais valia que configura o saber social. É este papel, não reconhecido ao Antropólogo entre os doutores, que tentamos resgatar, por ser de utilidade social ao auxiliar as denominadas ciências académicas, com palavras simples do saber popular. Uma aluna sintetizando dizia-me: a Antropologia é a ciência comparada, ou do saber comparado, dos diferentes. Logo descobrir a verdade não é gargalhar, é aproveitar as gargalhadas para saber, qual de entre todos os saberes comparados, é o verdadeiro.

 

 

Escutas ilegais, o tanas…

Diz o Juiz Rui Rangel, se o Primeiro Ministro é apanhado numa escuta telefónica legal, em que não é ele que está sob suspeita, e dessa escuta resultar índicios criminais, deve ser retirada uma certidão para efeitos de abertura de inquérito se um Juiz considerar relevantes esses índicios.

 

Se o objecto da escuta for o Primeiro Ministro, aí a escuta tem que ser autorizada por um Juiz do Supremo. É essa a letra e o espírito da Lei. Só se a escuta  tiver como objecto o PM, o PR ou o PAR, é que  é necessária a autorização (prévia) do Juiz do Supremo.

 

Não pode ser de outra maneira, pois se a PJ recolhe indicios de crime tem que os dar a conhecer a um magistrado para este avaliar do valor de tais índicios. A não ser assim, teríamos os mais altos dignatários do Estado a cometer crimes, a polícia a saber, ou melhor, o Magistério Público a saber, e o crime seguiria impune.

 

Por redução ao absurdo. Um dos três dignatários era apanhado numa escuta (a um amigo, como diz Sócrates) a preparar um golpe de Estado, com vista a terminar com a Democracia e a instaurar uma ditadura. Então o que se faria? Metia-se a cabeça debaixo da areia ? Deixava-se fazer o golpe de Estado ?

Outra coisa seria se alguem, a polícia, por  iniciativa própria, andasse a escutar aquelas personalidades porque desconfiava que estavam a preparar um golpe!

 

E dizer na AR que não conhecia o negócio PT/TVI, calar a voz incómoda e agora dizer que sabia "oficiosamente" e não "oficialmente" é uma grande treta!

 

 

Vale a pena reproduzir

Mário Crespo

A cabeça do polvo

 O sistema judicial português enfrenta o imenso desafio de não deixar que o Face Oculta se torne numa segunda Casa Pia. Até aqui o processo tem tido um avanço modelar. Não houve interferências políticas. Lopes da Mota não veio dFausto ae Bruxelas discutir com os seus pares metodologias de arquivamento e, no que foi uma excelente janela de oportunidade de afirmação de independência, não havia sequer Ministro da Justiça na altura em que o País soube da enormidade do que se estava a passar no mundo da sucata. Mas há ainda um perturbante sinal de identidade com a Casa Pia. É que o único detido, até aqui, é o equivalente ao Bibi e Manuel Godinho, o sucateiro, no mundo da alta finança política não pode ser muito mais do que Carlos Silvino foi no mundo da pedofilia. Ambos serviram amos exigentes, impiedosos e conhecedores que tentaram, e tentam, manter a face oculta. É preciso ter em mente que as empresas públicas são organizações complexas. Foram concebidas para ser complicadas. Com os tempos foram-se tornando cada vez mais sinuosas. Nas EPs, as tecnoestruturas, que Kenneth Galbraith identificou e descreveu como o cancro das grandes organizações, ocupam tudo e têm-se multiplicado, imunes a qualquer conceito de racionalidade democrática, num universo onde não conta o bom senso ou a lógica de produtividade. Parecem ter um único fim: servirem-se a si próprias. Realmente já não são fiscalizáveis. Nas zonas onde era possível algum controlo foram-se inventando compartimentos labirínticos para o neutralizar, com centros de custos onde se lançam verbas no pretexto teórico de elaborar contabilidades analíticas, mas cujo efeito prático é tornar impenetráveis os circuitos por onde se esvai o dinheiro público. Há sempre mais um campo a preencher em formulários reinventados constantemente onde as rubricas de gente que de facto é inimputável são necessárias para manter os monstros a funcionar. Sem controlo eficaz, nas empresas públicas é possível roubar tudo. Uma resma de papel A4, uma caneta BIC, um milhão de Euros, uma auto-estrada ou uma ponte. Tudo isto já foi feito. Por isso mais de metade do produto do trabalho dos portugueses está a fugir por esse mundo soturno que muito poucos dominam. Por causa disso, grande parte do património nacional é já propriedade dos conglomerados político-financeiros que hoje controlam o País. Por tudo isto é inconcebível que Manuel Godinho tenha sido o cérebro do polvo que durante anos esteve infiltrado nas maiores empresas do Estado. Ele nunca teria conhecimentos técnicos para o conseguir ser. Houve quem o mandasse fazer o que fez. Godinho saberá subornar com de sacos de cimento um Guarda-republicano corrupto ou disfarçar com lixo fedorento resíduos ferrosos roubados (pags 8241 e 8244 do despacho judicial). Saberá roubar fio de cobre e carris de caminho de ferro. Mas Godinho não é mais do que um executor empenhado e bem pago de uma quadrilha de altos executivos, conhecedores do sistema e das suas vulnerabilidades, que mandou nele. É preciso ir aos responsáveis pelas empresas públicas e aos ministérios que as tutelam. Nas finanças públicas, Manuel Godinho não é mais do que um Carlos Silvino da sucata. Se se deixar instalar a ideia de que ele é o centro de toda a culpa e que morto este bicho está morta esta peçonha, as faces continuarão ocultas. E a verdade também.

 

 

 

 

 

Ufff!

.

ESCUTAS ANULADAS E DESTRUÍDAS

.

A revolta e a indignação do nosso Primeiro, Sócrates II O Dialogador, lembrando o seu antecessor, Sócrates I O Arrogante, e o pedido de explicações a Pinto Monteiro, acabou por dar frutos, e, as escutas que tanta polémica tem gerado, vão ser anuladas e após isso, destruídas.

Mas a suspeição ficará por muito tempo a manchar a reputação do chefe do governo. Disso não se irá livrar facilmente. Não vai dar para anular e destruir.

Mais uma machadada na credibilidade deste senhor.

.

Os monstros que moram ao nosso lado

 

Monstros. Esta será, porventura, a palavra mais serena que encontro para classificar Burrell Edward Mohler Sr. 77 anos, e os seus filhos David A. Mohler, 52 anos, Burrell Edward Mohler Jr. 51 anos, pai de seis filhos, Jared Leroy Mohler, 48 anos, e Roland Neil Mohler, 47 anos.

O primeiro cabrão acima identificado é pai das restantes bestas que surgem a seguir. Foram detidos há dois dias pelas autoridades da pequena cidade do estado do Misouri, nos EUA.

 

Foram todos acusados de sodomia forçada, violação criança menor de 12 anos e uso de criança para práticas sexuais, actos de bestialidade, obrigar crianças a encenar falsos casamentos e provocar a gravidez e aborto de uma menor a abortar. Muitas das vítimas eram familiares dos acusados, netas, filhas, sobrinhas.

Os crimes, diz a polícia, terão decorrido entre meados dos anos 80 até, pelo menos, 1995. O caso começou a ser investigado quando uma das vítimas contou tudo às autoridades. Seis outras vítimas, hoje já adultas, seguiram o exemplo. A polícia acredita que na propriedade desta ‘família’ haja corpos de outras vítimas que não terão escapado com vida.

Na sexta-feira, Darrell Mohler, outro elemento desta coisa pavorosa, foi detido e acusado de duas violações.

 

A pequena comunidade onde os cabrões viviam diz-se em choque. Três dos filhos da puta, Burrell Mohler Sr., David Mohler e Jared Mohler eram ministros da “Community of Christ”, uma pequena igreja local.

 

Algo me diz que esta história não vai ficar por aqui e que nos próximos dias teremos conhecimento de mais detalhes sórdidos de uma história quase inacreditável. Como, por exemplo, é que aquela gente não deu por nada?