Há um erro que persiste, Pepe a jogar no meio campo é uma tremenda asneira. A bola não sai sali, e ele corre trinta metros com a bola para depois a entregar a um adversário ou a um colega que está ali a um metro. As bolas que tenta colocar à distância nem uma é bem entregue.
As transições não se fazem com fluidez e os avançados sofrem com isso. Com Pedro Mendes naquela posição tudo gira ao primeiro toque, apanha os adversários em contra pé, os avançados têm espaço. Raul Meireles tambem faz bem aquele lugar, com Tiago e Deco o meu campo da selecção é muito mais consistente e criativo.
Quer manter os três centrais em campo, Pepe,Bruno Alves e Ricardo Carvalho? Então jogue com três defesas, cinco médios e dois avançados.
A equipa adversária não é em nada inferior e com um bocado de sorte podia ter ganho o jogo.
Hoje saiu a taluda à nossa selecção!

Éramos vários cientistas a vender o seu peixe aos caloiros. Não era na praça do mercado, antes fosse, facilitava o debate. Era dentro de um grande anfiteatro. Por acaso, três académicos no estrado,
Maat, a Deusa da Justiça e da Verdade, ligada ao equilíbrio
de trezentos caloiros na plateia do auditório. Os peixes cheiravam de acordo com a pronúncia e a voz de quem falava. No meu caso, sempre cheirava a mar de rosas: o meu sotaque era pesado, especialmente para os mais novos, não habituados a ouvir a sua língua portuguesa, falada de forma britânica, galega, castelhana ou afrancesada. Os vendedores de peixe, muito sérios, usavam palavras caras nas suas intervenções. Caras, pelo rigor do vocabulário e a dificuldade do conteúdo. Minutos passados foi a minha vez. Perguntaram para que servia a Antropologia? Para sintetizar devido ao meu modo de falar, (denominado por alguns alunos pelo termo carinhoso de Iturrês) lentamente respondi: "Nunca perguntamos quantas pessoas vão à Missa aos Domingos para depois juntar um grupo deles e fazer um inquérito a um número proporcional; nós perguntamos, em que dia da semana é dita a Missa, e as explicações começavam para o coitado que nada sabia de catequese dentro de um País Fatimizado". A gargalhada foi grande pela raridade da resposta e por fatimizar o país, como se fosse um assassínio maciço. Fatimizar Portugal? Mas, que laia de académico é este estrangeiro que nem sabe que Portugal é terra sagrada por ter aparecido na vila de Fátima a Nossa Senhora? Fiz cabeça de turco e pedi explicações. Não paravam. Os que por sentimento de fé diziam, os que por simpatia narravam, os que por colaborar ao saber histórico provavam, e o debate nunca mais acabava..! Tinha vendido o meu peixe, imensos caloiros passaram para o curso de Antropologia do ISCTE dos anos 80 do Século passado, como anteriormente tinha acontecido com o meu sotaque castelhano na Grã-Bretanha, ou antes ainda, com o meu sotaque britânico na Galiza. O elo era sempre atingido: começava, sem saber como e por onde, a interacção.
uma lei que é costume praticar ainda que não esteja escrita, como esse morgadio desaparecido na ciência do direito mas não entre os habitantes de uma aldeia ou vila, a economia baseada na poupança do cêntimo, estruturada na colaboração de angariar força de trabalho para semear e plantar, força de trabalho que deriva do parentesco e das histórias de vida ou, simplesmente da vizinhança, mas nunca de Adam Smith ou Milton Freedman, saber doutoral que não tem cabimento dentro da empiria ou esse saber lógico que acredita nas experiências como principais formadoras das ideias, discordando, portanto, da noção de ideias inatas, definidas pelo saber doutoral.
Adam Smith,leitor Edimburgo 1754







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