José António Saraiva ao CM – é isto que entope o PGR ?

"Não falimos por um milagre"

 

  José António Saraiva, director do semanário ‘Sol’, revela ao CM que o

  Governo o pressionou para não publicar notícias do Freeport e que

  depois passou aos investidores.

 

  Correio da Manhã – O ‘Sol’ foi coagido pelo Governo para não publicar

  notícias do Freeport?

 

  José António Saraiva – Recebemos dois telefonemas, por parte de

  pessoas próximas do primeiro-ministro, dizendo que se não

  publicássemos notícias sobre o Freeport os nossos problemas se

  resolviam.

 

  – Que problemas?

 

  – Estávamos em ruptura de tesouraria, e o BCP, que era nosso sócio, já

  tinha dito que não metia lá mais um tostão. Estávamos em risco de não

  pagar ordenados. Mas dissemos que não, e publicámos as notícias do

  Freeport. Efectivamente uma linha de crédito que tínhamos no BCP foi

  interrompida.

 

  – Depois houve mais alguma pressão política?

 

  – Sim. Entretanto tivemos propostas de investimentos angolanos, e

  quando tentámos que tudo se resolvesse, o BCP levantou problemas.

 

  – Travou o negócio?

 

  – Quando os angolanos fizeram uma proposta, dificultaram. Inclusive

  perguntaram o que é que nós quatro – eu, José António Lima, Mário

  Ramirez e Vítor Rainho – queríamos pa-ra deixar a direcção. E é quando

  a nossa advogada, Paula Teixeira da Cruz, ameaça fazer uma queixa à

  CMVM, porque achava que já havia uma pressão por parte do banco que

  era totalmente ilegítima.

  E as pressões acabaram?

 

  – Não. Aí eles passaram a fazer pressão ao outro sócio, que era o José

  Paulo Fernandes. E ainda ao Joaquim Coimbra. Não falimos por um

  milagre. E, finalmente, quando os angolanos fizeram uma proposta

  irrecusável e encostaram o BCP à parede, eles desistiram.

 

  – Foi um processo longo…

 

   Foi um processo que se prolongou por três ou quatro meses. O BCP,

  quase ironicamente, perguntava: "Então como é que tiveram dinheiro

  para pagar os salários?" Eles quase que tinham vontade que entrássemos

  em ruptura financeira. Na altura quem tinha o dossiê do ‘Sol’ era o

  Armando Vara, e nós tínhamos a noção de que ele estava em contacto com

  o primeiro-ministro. Portanto, eram ordens directas.

 

  – Do primeiro-ministro?

 

  – Não temos dúvida. Aliás, neste processo ‘Face Oculta’ deve haver

  conversas entre alguns dos nossos sócios, designadamente entre Joaquim

  Coimbra e Armando Vara.

 

  – Houve então uma tentativa de ataque à liberdade de imprensa?

 

  – Houve uma tentativa óbvia de estrangulamento financeiro. Repare–se

 que a Controlinveste tem uma grande dívida do BCP, e portanto aí o

  controlo é fácil. À TVI sabemos o que aconteceu e ao ‘Diário

  Económico’ quando foi comprado pela Ongoing – houve uma mudança de

  orientação. Há de facto uma estratégia do Governo no sentido de

  condicionar a informação. Já não é especulação, é puramente objectiva.

  E no processo ‘Face Oculta’, tanto quanto sabemos, as conversas entre

  o engº Sócrates e Vara são bastante elucidativas sobre disso.

 

  – Os partidos já reagiram e a ERC vai ter de se pronunciar. Qual é a

  sua posição?

 

  – Estou disponível para colaborar.

 

 

Recebido por mail

 

 

 

 

Cheira a robalo

Um portal por 99 500 Euros já é caro. Feito com uma plataforma open source (ou seja gratuita) e com base num template também gratuito, não é caro: é descaramento.

É ler para crer no Diário2.

 

O Banco Alimentar

 

No último fim-de-semana, tive de ir duas vezes ao Pingo Doce e lá contribuí duas vezes como manda a (minha) tradição.

Da segunda vez, enquanto esperava que a família chegasse, estive a observar durante alguns minutos. Havia gente que comprava alguma coisa para si e deixava muito mais para o Banco Alimentar; havia gente que levava muito para si e deixava alguma coisa; outros levavam pouco para si e não deixavam nada para os outros; alguns levavam os carros cheios mas não deixavam nada; outros ainda recusavam-se a receber os sacos logo à entrada; e ainda outros pegavam no saco e enfiavam lá as suas coisas (que assim não tinham de comprar saco), não deixando nada para o Banco Alimentar.

Chamou-me especialmente à atenção um casal com putos que levou o carro cheio, incluindo brinquedos e montes de chocolates e doces e foi incapaz de oferecer o que quer que seja. Nem um pão. E o daquela velhota, loira pintada e com um animal morto às costas (leia-se casaco de peles),  que recusou o saco, vociferando que «também ninguém me dá nada».

Há casos e casos e há pessoas que vivem com dificuldades – o que ganham mal chega para si. Compreende-se que nada dêem. O que já não se compreende é que quem vive bem, sem dificuldades, assuma desde logo que não quer dar e que tudo o que ganha é para si e assim é que está bem. E que ensinem isso aos seus filhos.

Curiosamente, porque o mundo é muito pequeno, conheço o casal de que falei acima e sei que vai todas as semanas à missa. Lá dentro, muito provavelmente batem no peito e clamam por Deus. Cá fora, é o que se vê.

Red Bull em Lisboa

O Aventar está em condições de informar em primeira mão que está confirmada a transferência do Red Bull Air Race para Lisboa. Os patrocinadores deste saque são a TMN e a GALP.

Chamar a isto um governo é boa vontade…

Diz o Publico :

 

A Jornalista Ângela Silva resumiu bem a situação ao comentar na Rádio Renascença "Assistimos atónitos a um governo que decidiu desmentir-se a si próprio. A avaliação dos professores era para manter, mas já caiu. As taxas moderadoras não podiam acabar nos internamentos e cirurgias, mas já acabaram.O enriquecimento ílicito não podia ser crime, mas afinal vai ser…Chamar a isto um governo é boa vontade"

 

Aventado a Francisco Sarsfield Cabral

I Tertúlia do Aventar

 

«Salgueiro Maia e a Memória da Revolução», com Carlos Abreu Amorim e João Teixeira Lopes. Sábado, dia 5 de Dezembro, às 18 horas, no Clube Literário do Porto (à Ribeira).

Um português que Portugal desconhece

 

Fernando Lemos, 83 anos de idade e radicado no Brasil há quase seis décadas. Fernando Lemos – surrealista que, como Man Ray, se notabilizou através da fotografia…

Em entrevista, ontem, ao Câmara Clara. Um português nem sempre suave.

 

 

 

 

 

Porque é o 1º de Dezembro

   

 

A nacionalidade, bem ao invés da consuetudinária propaganda pós-iluminista, não consiste num princípio "republicano". Com ela nascemos herdando-a como um privilégio que a origem geográfica impõe, ou desgraçadamente apega-se como um incurável carcinoma que apenas um milagre poderá resolver. 

 

Assim, neste importante aspecto da nossa identidade que é confirmada por fastidiosos preceituados legais que ditam ao mundo o nosso estatuto entre os demais povos, somos todos e cada um à sua maneira, "reis". Ultrapassando barreiras étnicas que uma história multissecular amesquinha, temos a felicidade de beneficiar das garantias burocráticas confirmadas em cartões, bilhetes de Identidade, certidões ou passaportes.  Somos o mais pobre país entre os ricos e o que isto significa numa sociedade completamente alheada dos dramáticos problemas de sobrevivência quotidianamente enfrentados pelos nossos semelhantes, remete-se única e exclusivamente  para o cada vez mais acossado reduto do consumismo que até hoje confere o estatuto.

 

 

A tradição portuguesa que sempre se soube dotar daquele sentido prático das coisas que uma exígua comunidade impunha, estabeleceu ao fim de duas décadas desde a chegada do Gama a Calecute, o princípio da tácita assimilação que propiciou uma muito prolongada sobrevigência de um Império que contra si tinha todas as probabilidades. Fosse no funcionalismo, nos mercados ou nas Armadas, lá estavam sempre os novos-portugueses que a necessidade impunha. Do sertão brasileiro à Guiné de Honório Barreto, dos macaenses ao abnegado heroísmo de D. Aleixo Corte Real e de Aniceto do Rosário, temos esse precioso património humano que garante por si, o nome de Portugal entre os grandes. Distraídos contumazes, temos entre nós os sobreviventes de uma época que parece para sempre perdida e entre estes, ergue-se a figura de um Marcelino da Mata, esquecido por oportunamente técnicas ou suspeitas questões de legitimidade do sistema.

 

Hoje, a cobiçada nacionalidade portuguesa parece apenas acessível a quem muito porfia ao longo de anos a fio, submetendo-se a todo o tipo de questões e prepotências legalistas que os balcões estatais ditam. São tristemente célebres e exasperantes os métodos do SEF e entidades adjacentes que ao invés, por vezes são estranhamente céleres na atribuição do passaporte nacional a meritórios jogadores de futebol e atletas de craveira olímpica. Estes nossos compatriotas, em muitos casos provêm de territórios que pertenceram à soberania portuguesa, o que ajuda a súbitas mudanças de ânimo que facilitam procedimentos claramente concomitantes com a oportunidade da conquista de galardões que prestigiam Portugal.

 

Na véspera do 1º de Dezembro, a data maior da nossa história, surge uma oportunidade única de demonstrar a uma grande potência, a razão da existência de um pequeno país que ao longo de quase meio milénio com ela compartilhou uma reduzida mas significativa fronteira territorial. 

Quando da entrega de Macau à República Popular da China, não passou despercebido um muito simbólico detalhe que os novos proprietários de Macau não deixaram de anotar. Quem comandava a unidade do nosso exército  que de espada em punho representou o nosso país, era um oficial português de etnia chinesa.  Se isto pouco significa para nós, um povo habituado a ver entre os seus gente proveniente de todos os continentes, para a orgulhosa China foi um sinal de uma grandeza que mesmo empalidecida pela inexorável passagem dos tempos, não deixa de ser uma mensagem que vai muito além das meras formalidades que os tratados internacionais e a lei do mais forte parecem garantir. Ainda no último 10 de Junho, as Forças Armadas tiveram a sageza de fazer desfilar as bandeiras históricas de Portugal e todos puderam verificar que uma ou outra era empunhada por alunos do Colégio Militar, cuja origem extra-europeia não oferecia a mínima dúvida.

 

Amanhã passa mais um 1ª de Dezembro. 

 

Portugal não pode arriscar-se a ver um homem recentemente galardoado com uma das mais relevantes – porque significativas naquilo que o seu próprio nome inspira – Ordens Honoríficas, ser expatriado para um país onde os direitos que aqui auferimos com naturalidade, não passam de uma quimera. Seria humilhante para Portugal, saber que o Cavaleiro da Ordem do Infante D. Henrique, o Dr. Jing Guo Ping, desembarcara à força no aeroporto de Pequim e que de Comenda à lapela tivesse seguido imediatamente para um tugúrio prisional onde para sempre desapareceria numa tragédia de maus tratos e brutal coacção moral sobre si e sobre os seus.

Este homem já fez mais pelo nosso país, que regimentos de anónimos deputados, secretários de Estado, ministros e até chefes de go
ve
rno e presidentes. O seu nome ficará para muito tempo ligado ao estudo da presença nacional no Extremo Oriente, defendendo mesmo contra os seus óbvios interesses materiais e de segurança pessoal, a verdade a que a História tem direito.

 

Este homem merece ser e de facto já é, um português de justiça e de Direito. Não se trata de qualquer súbito impulso generoso, concedendo a nacionalidade pelo conhecido princípio de protecção aos perseguidos que a Carta das Nações Unidas nos obriga. É fácil contrariar um país de reduzida influência internacional, escolhendo as nossas autoridades a seu bel-prazer e no cumprimento daquilo que se considera como interesse geral, novos cidadãos capazes de tornar mais conhecido o nome de Portugal. Impedido de trabalhar nos nossos centros de saber e perseguido há anos pela ameaça da expulsão, este homem viu recentemente a Nação reconhecer-lhe a obra e o seu inegável valor que consolida a nossa própria consciência nacional e revigora uma presença secular em longínquas paragens.

 

Não sendo um "dono da bola", um proprietário de casinos ou um magnata na construção de aeroportos off-shore, o Dr. Jin Guo Ping já fez mais por Portugal que a maioria daqueles que ostentam o precioso e invejável passaporte deste país. O Estado não pode ficar agora preso a ínfimas formalidades processuais e deve ser célere e radicalmente incisivo na perfeita delimitação da sua soberania, ditada pela justiça e queiramos ou não, pelo interesse comum. Seremos mais respeitados, quanto mais firmes e ousados formos.

 

Não conheço pessoalmente o Dr. jin Guo Ping, mas como português, sinto-o muito acima da minha pessoa. Este homem deve poder trabalhar e contribuir para a consolidação da existência de um país que enfrenta hoje a mais ameaçadora hora da sua existência.

 

O Estado que o povo reconhece como seu, tem uma obrigação moral ditada até pela decência que deveria ser a norma geral nas relações internacionais.em república".

 

É urgente, vital e inevitável, a imediata atribuição da nacionalidade portuguesa ao Dr. Jin Guo Ping e à sua família refugiada neste país.

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Aqui está um sucinto currículo do Dr. Jin Guo Ping

 

JIN GUOPING

 

 

Natural de Shanghai. Curso de Espanhol de 1965 a 1975 no Colégio anexo à Universidade de Línguas Estrangeiras de Pequim. De 1975 a 1978, licenciatura em linguística hispânica pela Universidade de Línguas Estrangeiras de Pequim. De 1979 a 1981, pós-graduação em português na Universidade de Línguas Estrangeiras de Pequim. De 1981 a 1982, Curso Superior de Cultura e Língua Portuguesa na Universidade de Lisboa. De 1981 a 1986, professor de Português no Departamento de Português da Universidade de Línguas Estrangeiras de Pequim. Em 1986, emigrou para Portugal, onde se dedica actualmente aos estudos da presença portuguesa na China e da história de Macau.

 

 

OBRAS:

 

  As Relações Sino-Portuguesas Histórica e Geograficamente falando, (em chinês),Macau, Fundação Macau, 2000

 

 

 

 O Ocidente ao encontro do Oriente—Um Olhar Retrospectivo dos Primeiros Contactos Sino—Portugueses, (em chinês),Macau, Fundação Macau, 2000

 

 

 

 

 

 

Enciclopédia de Macauem chinês)(aproximadamente 40 entradas e redactor responsável da área histórico-geográfica da edição de 2004,Macau, Fundação Macau, 1999, 2ª edição 2004

 

 

 

 

 Dicionário da História de Macau》(em português)(aproximadamente 100 entradas, Universidade de Macau, 2004no prelo

 

 

 

 

 Fontes Ocidentais sobre Macau, séc. XV-XVIem chinês, vol. I, Edições do Povo de Cantão e  Fundação Macau, 2005

 

 

 

 

 

 

 OBRAS EM PARCERIA:

 

 

 

 

Para a vista do Imperador: memoriais da Dinastia Qing sobre o estabelecimento dos Portugueses em Macau (1808-1887)》(em português)(de parceria com António Vasconcelos de Saldanha, Macau, Instituto Português do Oriente, 2000

 

 

 

 

 

 

História(s) de Macau—-Ficção e Realidade, (em chinês) de parceria com Wu Zhiliang, Macau, Associação de Educação de Adultos de Macau, 2001

 

 

 

 

 

 Em busca de história(s) de Macau apagada(s) pelo tempo, (em chinês) de parceria com Wu Zhiliang, Macau, Associação de Educação de Adultos de Macau, 2002

 

 

 

 

 

 

 Abrindo as Portas do Cerco, (em chinês) de parceria com Wu Zhiliang, Macau, Associação de Educação de Adultos de Macau, 2004

 

 

 

 

 

 

 Embaixada de D. João V de Portugal ao Imperador Yongzheng da China : (1725-1728) em português)(de parceria com Mariagrazia Russo, Lisboa, Fundação Oriente, 2004

 

 

 

 

 

 

 

 

 Navegações chinesas no século XV realidade e ficção em português e inglês)(de parceria com José Manuel Malhão Pereira, Lisboa, Academia de Marinha.  2006

 

 

 

 Macau nos seus primórdiosem chinêsde parceria com Wu ZhiliangEdições do Povo de Cantão e Fundação Macau, 2007

 

 

 

 

 

 

The Wall: 20 anos de um muro de angústias e opressão

Angústia, opressão, depressão, medo, isolamento, desprezo, redenção, esperança. Está tudo lá. Em “The Wall”. Hoje assinalam-se os 20 anos da edição do álbum que levou os Pink Floyd a um patamar superior na escadaria da música rock, depois do primeiro passo ter sido dado após o sucesso de “The Dark Side of The Moon”.

Num duplo álbum, a banda britânica construiu uma ópera rock em redor de Pink, um alter-ego de Roger Waters, que escreveu e interpretou a maior parte das canções. Ao longo dos temas, acompanhamos a vida tumultuosa da personagem: o pai desaparecido na guerra, os abusos e opressões dos professores (num Another Brick in the Wall que ficou para a história como hino revolucionário de uma certa rebeldia estudantil), a mãe super-protectora e controladora, um casamento falhado, as drogas, inúmeros estigmas sociais. Tudo tijolos acrescentados a um muro crescente rumo a um isolamento total. Até à tentativa de redenção final.

Depois da infância e adolescência doentia, com permanentes tijolos assentes uns em cima dos outros, Pink tornou-se uma estrela rock, casou, envolveu-se em drogas, perdeu a mulher. Mais tijolos. Agora os suficientes para concluir um grande muro. Os necessários para o isolamento social. Pink entra numa deriva alucinatória e “transforma-se” num ditador fascista com desprezo por quem vai aos seus concertos, indignos de lá estarem. Angustiado pela culpa, submete-se a um tribunal interior. “The trial” termina com o “seu” ‘juiz – consciência’ a ordenar que, como castigo por expor os seus sentimentos, faça a demolição do muro, expondo-se aos seus pares. Um pesado “tear down the wall” é a sentença. Uma canção com tanto de teatral como de angustiante.

Além de ‘beber’ na sua biografia, Roger Water aborda ainda os dramas de um dos fundadores do grupo, Syd Barrett, e os problemas pessoais que agitavam a banda e levaram, pouco mais de um ano depois, ao fim do projecto. Aliás, a gravação de The Wall foi também assombrada pelos problemas internos.

Um disco conceptual que é hoje reconhecido como um dos clássicos da história da música pop / rock. “The Wall” foi um sucesso tremendo em todo o mundo. É um álbum desequilibrado, com momentos geniais e outros aquém da média geral da obra da banda.

Mais tarde foi levado ao cinema, com realização de Alan Parker e Bob Geldof no papel de Pink, e em 1990 foi base do espectáculo encenado em Berlim.

 

 

Honduras

A dignidade de muitas pessoas e de muitos Estados não vale um pano de limpar o chão. O que se passa nas Honduras mostra bem isto que digo. Um golpe torpe e sujo corta, de uma catanada, o pescoço à Democracia e ao Estado de Direito. Mas como esse golpe é vibrado pela direita fascista, coisa que já se pensava erradicada da América Latina, contra uma governação rigorosamente democrática, logo os Estados Unidos e lacaios aproveitaram o facto, não para repor o Direito e a Democracia, mas para cozinhar um caldeirada eleitoral a que procuraram habilmente juntar todos os temperos possíveis, de modo a que soubesse a tudo menos a merda. Mas o cheiro a merda é tão forte, que não há condimentos que o abafem. Parabéns Brasil, Bolívia, Venezuela e Argentina que nem sequer a caldeirada querem provar. Comam-na aqueles que sempre estiveram habituados a comer merda.

O Sporting não vai à bola como os homossesuais

O Sporting colocou no mercado uma promoção, a "Gamebox Duo", que só pode ser comprada por casais heterossexuais. É interdito a essas modernices de casais homossexuais. Esses, em primeiro lugar, não devem gostar de futebol e, mesmo que gostem, que comprem os bilhetes comuns.

 

As normas de acesso à promoção contemplam apenas "dois sócios do sexo oposto" e a "obrigatoriedade de serem Homem e Mulher". Não devem valer travestis, embora o normativo não seja esclarecedor.

 

Ao jornal i o presidente da Opus Gay, António Serzedelo, referiu não perceber como é que em pleno século XXI, “um grande clube como o Sporting, que terá seguramente sócios homossexuais, pode fazer uma discriminação insultuosa como esta".

 

Um dirigente do Sporting esclareceu, para que não haja confusões, que esta é “uma campanha para mulheres e não para casais". Esclarecidos, pois.

Daqui se assume que um casal de lésbicas, homossexuais, portanto, pode comprar a Gamebox Duo. Já um casal masculino não, porque não tem mulheres. Ah, perdão, afinal o gajedo que se arma em macho não pode comprar, também. As normas indicam “dois sócios do sexo oposto”. Um Maria e um Manel. Dois Maneis nem pensar, duas Marias também não. Não vá essa malta desatar aos beijos e outras porcarias na bancada e distrair os restantes espectadores do belo jogo praticado pelos 22 machos que andam atrás da bola, no relvado.

 

O Sporting, clube de elite, de famílias bem, não brinca com as coisas das famílias tradicionais e não vai à bola com paneleirices como os casais do mesmo sexo. É de leão. Alfa, claro.

Os gestores eternos

Por amor à pátria, há gestores públicos que ameaçam ficar até à cova, nas empresas públicas. Há aí gente que está há trinta anos, na administração das empresas públicas, pulam de umas para as outras, sem se conhecer obra, a ganharem balúrdios, mas nem a idade os tira de lá.

 

Conheci-os, a maioria pessoalmente, com menos trinta anos e, alguns deles já eram velhos, mas continuam aí, por amor à coisa pública. Não saem, nem empurrados e quando saem é com pensões fabulosas e com um lugarzinho em "zero time" numa outra qualquer empresa nossa, muito nossa.

 

Quando as privatizações diminuiram os lugares nas administrações das empresas publicas, por o universo ser menor, logo arranjaram um esquema para manterem os lugares. Importaram o esquema "anglo-saxónico" do "Chairman" e do "CEO", lugares em duplicado, que não poucas vezes serve para fomentar guerras internas.

 

Não saem, não permitem a renovação, impedem que a geração seguinte cresça com mais energia e outras experiências, mas o amor à coisa pública não os deixa irem para casa.

 

O Engº Van Zeller já se queixou, e bem, de que está farto deles, não fazem nem deixam fazer, caquéticos, deviam ir para casa tomar conta dos netos.

 

Tudo, porque ganham milhares de euros por mês, a somar às mordomias dos grandes bólides, sem risco, sem meterem lá o dinheirinho próprio, enfim o paraíso na terra.

 

E são os mesmos que andam há anos a ameaçar que se vão embora. Eu pago para, por cada dez deles, apareça um empresário sem aversão ao risco, que crie postos de trabalho, inove, exporte e enriqueça.

 

Há aí uns lares com vistas para o mar…

Força de Bloqueio, ou Outra Coisa?

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E JÁ SÃO CINCO!

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.O Tribunal de Contas chumbou a concessão da quinta auto-estrada, e se calhar o número não fica por aqui. A primeira a ser chumbada foi a do Baixo Alentejo, logo seguida da Transmontana, depois foi a do Douro Interior e há dias a do Algarve Litoral. Hoje coube a vez à do Litoral Oeste.

Uma ou duas, seria de se entender, mas cinco, dá a parecer que ou o Tribunal de Contas quer mal a este governo, ou este governo faz mal as coisas.

De uma forma ou de outra, algo vai muito mal.

Entretanto, a Estradas de Portugal, já entregou recursos a estes chumbos.

A ver vamos no que isto vai dar.

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Mais um chumbo

 Tribunal de Contas

 

 Faz parte da cultura portuguesa sermos muito rápidos a acusar e lentos a reconhecer. Afinal nem todos os políticos ( ex-políticos ? ) permanecem reféns dos aparelhos partidários que os alcandoraram aos lugares que ocupam. Guilherme d’Oliveira Martins tem sido um exemplo disso. Com este novo chumbo, o Tribunal de Contas põe em causa  um dos eixos da política de betão do governo para o "relançamento da economia".

   Os motivos, presume-se, são os mesmos que conduziram aos chumbos anteriores, entre eles uma violação dos cadernos de encargos que implica uma derrapagem  dos custos previstos para a seis auto-estradas a construir ( Transmontana, Douro Litoral, Baixo Alentejo, Baixo Tejo, Algarve Litoral e Litoral Oeste ) de 2 790 milhões de euros para 3 900 milhões.

   Além disso, o TC manifestou-se perplexo ao verificar que nos casos da Transmontana e Douro Litoral o estado perdoou 430 milhões de euros de contrapartidas à Mota-Engil e à Soares da Costa.

   Sócrates e Jorge Coelho devem andar fulos, já que, com estas decisões e por uma vez, algumas "economias" privadas sofrem mais do que a da generalidade dos portugueses. É chato, é injusto e revela que o homem não passa de um mal-agradecido…

Acodo otogáfico vigora no Sapo

Aqui está mais uma inovação. O acodo otogáfico está em pleno, pelo menos nas notícias sobre o Sporting, que diga-se está a pensar comprar no emergente mercado de Moçambique, de onde, todos sabemos, têm saído grandes jogadores do futebol mundial.

 

Os REFOCOS que podem vir de Moçambique

O funeral dos ciganos

Intuí, no momento, que se passava alguma coisa com aquelas pessoas que conhecia há muito. Por razões que não interessam aqui, estava no funeral da mãe de um banqueiro. Havia incómodo, tristeza, mas tudo era como que de uma mera chatice se tratasse, uma coisa que havia que fazer quanto mais depressa melhor.

 

Noutro tempo, acompanhando alguem da família a um hospital, assisti às manifestações de dor de uma família cigana. O seu patriarca tinha morrido naquele hospital, e a família, acampada nos jardins, dava largas à sua dor, com cânticos, com choros, num cerimonial que tinha muito de místico.

 

A noite ía alta, o silêncio tinha caído sobre a grande cidade, e aqueles cantares ecoavam e arrastavam-se mil vezes, com uma nobreza que me emocionava. Foi nessa altura que me lembrei do sentimento que me havia  aflorado, feito de intuição, no funeral de há anos atrás e que só agora compreendia.

 

A dor emocional é a expressão de quem experimenta o amor, não há uma sem outra, e foi essa falta que eu intuí.  Se reduzirmos a vida ao prazer, se passarmos por cima dos sentimentos profundos que nos dão identidade, não somos mais que  agentes de uma sociedade insaciável, onde não cabe  o amor, a bondade, a solidariedade, a amizade.

 

Mas aqueles cantares, tinham uma dimensão mística, religiosa, como sempre tiveram as manifestações de expressão sentimentais que erguem o homem ao nível do artista, do cientísta, do político, do escritor, da mãe, gente que se dedica ao bem do seu semelhante e tenta compreende-lo.

 

Esta componente mística e religiosa do ser humano faz parte da sua essência, torna-o mais humano, menos dependente da ideia  que tudo se compra, que tudo está ao alcance da voragem do prazer.

 

Muito do que se quer compreender quanto à religião passa por aqui, por esta linha, entre o homem que se quer omnisciente e omnipotente e o homem que procura, que sofre, que ama…

 

E o divertido da questão, é que o homem se revolta contra Deus por não o aceitar como omnisciente, omnipotente e omnipresente…

 

O Mundo é melhor com Deus do que sem Deus. Para mim, basta!

Honduras: os ditadores brincam às eleições

A ditadura golpista hondurenha montou ontem uma farsa eleitoral. Na falta de votantes inventaram votos. Na falta de candidatos da oposição inventaram-se os golpistas como rivais.

Num país onde não há liberdade de expressão nem sequer governo legítimo a fraude e a farsa têm o apoio dos mesmos Estados Unidos que foram no mínimo coniventes com o golpe de estado.

Tudo como dantes no velho quintal americano.

A máquina do tempo: Bon colp de falç! – a Restauração portuguesa e a Catalunha (1)

 

(Texto de Carlos Loures e Josep Anton Vidal) 

 

Faz amanhã 369 anos, em 1 de Dezembro de 1640, Portugal recuperava a sua independência perdida 60 anos antes. Todos sabemos, até aos mínimos pormenores, como foi esse dia «em que valentes guerreiros / nos deram livre a Nação». Interessante que os catalães têm a ideia de que lhes devemos a libertação do jugo estrangeiro. E afirmam que foi o facto de os castelhanos terem de deslocar tropas para a frente catalã que nos permitiu, apanhando os ocupantes fragilizados, restaurar a independência. Independência que, formalmente, sempre conservámos, embora com um rei estrangeiro no trono.

 Em parte, isto é verdade. Mas só em parte. Tal como só em parte é verdade que tenham sido os conjurados, os «valentes guerreiros que nos deram livre a Nação», como se canta no tal hino escrito para uma peça teatral em 1861, por Eugénio Ricardo Monteiro de Almeida (1820-1869) numa visão romântica de uma realidade bem mais dura. A letra parece ter sido escrita por plumitivos ao serviço do regime salazarista. Regime que aliás aproveitou o hino e o tornou coisa sua, com honras especiais na organização para fascista da «Mocidade Portuguesa». Hoje, o hino é trauteado, como vamos ouvir no vídeo abaixo, pelas populações raianas. A música ficou, mas a letra foi esquecida, como merecia coisa tão rebuscada e falsa. Tipicamente romântico e falseador da realidade é também o quadro de Veloso Salgado (1864-1945) que vemos acima. Sabemos ser impossível expurgar a História de todos os mitos. Mas podemos, pelo menos, tentar libertá-la de alguns deles.

 

A verdade completa é um pouco diferente da versão catalã e dos mitos românticos que se forjaram em Portugal no século XIX. Em síntese, a verdade é que durante 28 anos aguentámos uma guerra que mobilizou desde rapazes de 16 anos a velhos à beira da cova, deixando os campos abandonados, trabalhados por mulheres e crianças, e que nos obrigou a fundir os sinos das igrejas para fabricar canhões, a desviar para o esforço de guerra os parcos recursos de uma economia débil. Construíram-se ao longo da fronteira sólidas fortalezas que ainda hoje estão em bom estado de conservação. Contrataram-se técnicos militares estrangeiros para reorganizar um exército desmantelado ou articulado de acordo com os interesses do invasor – oficiais, engenheiros… Tivemos alguma ajuda francesa,  algum apoio inglês, mas a pior parte foi feita por nós. A vitória em batalhas como as de Montijo (1644), Linhas de Elvas (1659), Ameixial (1663) e Montes Claros (1665), foi um factor decisivo.

Ganhámos a guerra. Ao fim de quase três décadas e de milhares de mortos, das cidades e vilas raianas devastadas pelas frequentes incursões inimigas, ganhámos e a nossa independência foi reconhecida. Porém, hoje queria ocupar-me da parte em que os catalães têm razão. De como a «Revolta dos Ceifeiros» e a guerra que se lhe seguiu nos ajudou. Porque quando aqui dizemos que na Catalunha se ignora tudo o que a Portugal diz respeito, manda a verdade que se diga que, para a maioria dos portugueses, a Catalunha é uma província de Espanha. Ponto final. Vou, pois, em breves palavras, contar a quem não sabe, a história dessa sangrenta revolta, coisa que os meninos na Catalunha conhecem bem, mas de que a maioria dos portugueses nem sequer ouviu falar. Para pilotar a nossa máquina do tempo pela história da Catalunha adentro, pedi ajuda ao meu amigo Josep Anton Vidal. Este texto é da autoria de ambos. Vamos ver como as coisas ocorreram na Catalunha.

*

Em 1635, a França encetava a uma nova fase da guerra contra os reinos da Casa de Áustria, os Habsburgos, que dominavam grande parte da Europa, para além das colónias da América, de África e da Ásia. O sol nunca se punha na vasta parte do mundo dominada por Castela e essa grandeza sufocava a pretensão francesa de hegemonizar a Europa militar e economicamente. Era a chamada Guerra dos Trinta Anos que começara em 1618. No entanto, apesar da paz de Vestefália assinada em 1648, a guerra prosseguiria entre os dois estados até 1659, quando se assinou o tratado dos Pirenéus. Este prolongamento por mais doze anos da guerra dos Trinta Anos teve como cenário e motivo a Catalunha.

Por outro lado, esta guerra com a França veio evidenciar as fragilidades do gigante castelhano, minado pelo próprio gigantismo das suas estruturas e sobretudo pela corrupção que o afluxo de ouro e prata, proveniente da América, criando fortunas rápidas e fáceis e a quebra no valor dos metais preciosos, geraram uma crise profunda que o conde-duque de Olivares, chefe do governo, procurava enfrentar impondo medidas drásticas nos reinos submetidos. O astuto governante pusera em marcha uma política destinada a recuperar o esplendor da monarquia, ameaçado pela decadência, reforçando o poder do soberano nos reinos peninsulares e na Europa.

A carga fiscal aumentara em Castela e a sua política belicista, que o levou a envolver-se numa guerra pela hegemonia europeia, exigia uma repartição dessa carga fiscal e do esforço militar por todos os reinos da Península. Porém, a legalidade de cada reino constituía um obstáculo a essa política. Porque, quer Portugal, quer a Catalunha, Aragão ou Valência não tinham perdido formalmente a independência. O que acontecia era que o rei era o mesmo – o de Castela e imperador das Alemanhas. Em Portugal, desde Filipe I (II de Castela) havia o compromisso de respeitar os «foros e privilégios» do Reino.

Na Catalunha e outros reinos, acontecia o mesmo. Daí a urgência de unificar as leis e alinhar os direitos desses reinos pelos de Castela. No fundo o que Olivares pretendia era acabar com a independência teórica dos reinos que compunham o Império da Casa de Áustria, centralizar de uma vez por todas as decisões em Madrid. Já em 1625, em carta ao rei, o conde-duque dissera que o monarca não deveria contentar-se em ser rei de Portugal, Aragão e Valência, conde de Barcelona; deveria esforçar-se por «levar a esses reinos as maneiras, as leis e os costumes de Castela». Numa palavra, deveria aniquilar a independência formal, centralizar, castelhanizar. A Flandres aceitou essas medidas que impunham o recrutamento forçado de soldados para a guerra com a França. A Catalunha e Portugal recusaram liminarmente o agravamento dos impostos e o recrutamento adicional, plano de reestruturação militar a que Olivares chamou a «União de Armas».

Em suma, de um ponto de vista formal, não se tratava de recuperar a independência, pois quer Portugal, quer a Catalunha nunca a tinham perdido até então. Filipe I, fora dentro da linha sucessória, o herdeiro legítimo do trono de Portugal. O mesmo acontecera na Catalunha, onde os Áustria cingiam legitimamente a coroa condal. Olivares, porém queria alterar as regras do jogo e foi neste clima, em que as diversas legalidades colidiam com os interesses de Madrid e a sua supressão parecia inevitável, que os conflitos eclodiram.

Nas Cortes Catalãs de 1626, que o rei abandonou antes do encerramento e sem ter obtido qualquer acordo, as instituições recusaram as obrigações impostas pela União de Armas, n
eg
ando-se igualmente a aceitar exigências que colidiam com a legalidade catalã (Els Usatges). Voltou a fracassar a ofensiva de Olivares quando as Cortes foram reatadas em 1632. Nesta altura, Olivares recorreu a uma artimanha: tentou usar a legalidade catalã para a aniquilar: mercê do usatge “Princeps Namque”, era concedido ao conde de Barcelona (soberano do país), o direito de chamar às fileiras os súbditos em defesa do território. Porém as instituições catalãs mantinham a argumentação de que sendo essa potestade exclusivamente destinada à defesa do Principado da Catalunha, não era legítimo usar as forças assim constituídas para atacar outros territórios. Portanto, constituído um exército com recurso a essa lei, não podiam as tropas ser empregues noutro fim que não a defesa, nem podiam sair do território.

Este argumento levou Olivares a deitar mão a um estratagema militar para forçar o recrutamento dos catalães, desencadeando operações militares contra os franceses junto das fronteiras da Catalunha. Assim, em 1637,desencadeou a campanha de Leucata, no Languedoc francês. A campanha redundou num desastre para as tropas de Filipe IV (III da Catalunha e de Portugal). Embora as unidades catalãs se tenham recusado a abandonar o território, o grosso do exército de Olivares ocupara a Catalunha e, acabada a desastrosa campanha, permaneceu no país. A permanência do exército, obrigava ao «aboletamento», ou seja, a população civil era obrigada a acolher os soldados, proporcionando-lhes alojamento – sal, vinagre, fogo, cama, mesa e roupa lavada. Aqui acabava a obrigação legal – as demais despesas tinham de ser pagas pelos soldados. Porém, na prática, as coisas eram mais complicadas, pois não se estipulava durante quanto tempo tinham os civis de garantir o aboletamento, nem o número de militares que tinham de ser acolhidos em cada casa. Dado este vazio legal, os soldados impunham a lei com a arbitrariedade que se pode imaginar.

Os camponeses eram obrigados a cuidar e a alimentar as montadas e, inclusivamente, tinham de pôr à disposição do exército os seus próprios animais de montada e de tiro. Destas obrigações estavam dispensados os nobres, os clérigos e os cidadãos. Pelo que o peso recaía por inteiro sobre a população rural, fustigada pela precariedade das colheitas. O aboletamento vigorava desde 1626, mas a partir da campanha de Leucata a situação foi tornando-se cada vez mais insustentável.

Em Janeiro de 1640, Olivares quis agravar as obrigações do aboletamento, de modo que a população civil (e rural), assumisse também a manutenção da tropa, ou seja, os custos da sua alimentação e pagasse, sem direito a qualquer reembolso ou compensação, as despesas dos soldados. Esta situação de violência e abuso crescentes sobre a população, particularmente da rural, criou um clima de tensão que atingiu o clímax na Primavera de 1640 e levou à mobilização dos camponeses que se organizaram de acordo com as formas tradicionais de defesa (escaramuças, ataques de surpresa…) e constituíram um exército de populares que conseguiu expulsar as tropas de alguns territórios, empurrando-as para o Rossilhão. O levantamento atingiu Barcelona em Maio de 1640. Na capital, libertaram algumas autoridades, mandadas encarcerar pelo vice-rei, por terem encorajado à resistência contra o aboletamento. Foi neste contexto que eclodiu a sublevação do Corpus de Sang.

 

 (Continua)

 

A caminhar para a miséria

  

In a crashing civilization, being rich just means being the last to 

starve.” Anthony Doerr (US-Writer) 2005

 

 

Pensando na crescente gravidade da nossa situação sócio-económica e vasculhando nos meus arquivos, encontrei um mail com um texto que escrevi em 22.12.2005. Considero que se o tema em 2005 era actual, hoje é actualíssimo.

 

RD

 

P.S. Parece que o livro actualmente já se encontra disponível na Bertrand https://www.bertrand.pt/catalogo/detalhes_produto.php?id=32742

 

 

Rolf Damher – convidado

 

 

 

Roubá-los, desculpem, robalos pelo Natal, é o que está a dar