Dias de Novembro

No século XX há duas datas que marcam o caminho da humanidade por uma outra sociedade que derrube o capitalismo, chamem-lhe comunismo, socialismo, arroz com ervilhas ou o que quer que seja.

 A 7 de Novembro de 1917 na Rússia a primeira revolução triunfante criou a União Soviética, trazendo uma lufada de esperança aos explorados de todo o mundo.

 

Comite central do partido comunista russo em 1917

A 9 de Novembro de 1989, o derrube pelos berlinenses do muro que simbolizava a vergonha em que se transformou a URSS, onde o pior dos capitalismos, aquele onde domina uma clique de burgueses burocraticamente cooptados governando com mão de ferro um povo condenado a uma enorme desigualdade social e submetido por uma máquina repressiva incontrolável.

Faz hoje 20 anos que, simbolicamente, a URSS deixou de ser um aparelho de propaganda do capitalismo, regressando ao capitalismo tradicional, em breve seguida pela China. A URSS, o país onde provavelmente se  assassinaram mais comunistas que em qualquer outro. Um dia que honra a memória dos homens assinalados a vermelho na imagem, membros do comité central do partdo bolchevique em 1917.

Duas grandes datas, das maiores de um século, onde por duas vezes alguns dias mudaram o mundo.

FUTaventar – S.L. Benfica ganhou à Naval

Desta vez não houve goleada, mas houve TUDO o que é necessário para ser campeão!

O melhor jogo do BENFICA este ano!

Javi Garcia

 

 

Um golo do jogador que, na minha opinião, está a fazer a diferença este ano!

Ao fim de quatro meses de trabalho, creio que há duas marcas na dinâmica de jogo do Benfica: a pressão alta e a forma como os avançados – Di Maria, Aimar e Saviola – imprimem velocidade ao jogo ofensivo.

E, para que estas duas coisas aconteçam é preciso que o Benfica tenha bola… Aí entra o Javi Garcia! Sorrio quando me lembro do que se disse e escreveu quando se percebeu que o Benfica tinha desistido do Reyes para ficar com este "novo Balboa".

 

Mas quanto ao jogo de hoje,

Que sofrimento!

André Vilas-Boas no FC do Porto

Pois é, o André Vilas-Boas tem mesmo de ser o próximo treinador do FC do Porto. De preferência, já na próxima época.

Não se trata apenas de ganhar ou perder campeonatos. Trata-se de implementar uma filosofia de jogo, de transformar o futebol numa paixão. Vilas-Boas, pelo que aprendeu com Mourinho e não só, é o seu digno sucessor.

Quanto a Jesualdo Ferreira, devemos agradecer-lhe imediatamente tudo o que fez pelo FC do Porto. Ter sido tricampeão nacional nunca será esquecido.

As falências não falecem

Todos os dias temos notícia de falência de empresas deitando para a o desemprego milhares de trabalhadores.

 

Inexoravelmente, a crise, pese embora a propaganda e os números falsos atirados contra a miséria, vai fazendo o seu caminho, perante a incapacidade dos governantes. Da mesma forma que nada são capazes de fazer contra o desemprego, tambem nada são capazes de fazer a favor do emprego, criar postos de trabalho, criar riqueza, única forma de manter o nível de vida das pessoas.

 

Milhões atirados para cima dos bancos, que supostamente chegariam às empresas, pouca relevância têm quando o que está em jogo é a dura realidade do mercado de trabalho, dos mercados que deixaram de comprar ou dos preços que deixaram de ser competitivos.

 

Bem podem os políticos socialistas colocar os seus nas empresas públicas, controlar bancos e escolher a dedo os negócios que ajudam ou os que deixam cair, que não substituem a iniciativa da sociedade civil na produção de bens transaccionáveis e exportáveis e que substituem importações.

 

Endividar o país e construir pontes e autoestradas é fácil , muito fácil. Daqui a dez anos estamos tão pobres e sem tecido empresarial como estamos agora e aí íniciaremos um novo ciclo de obras públicas e assim sucessivamente. Alimentar a besta insáciavel.

 

Desde " o condicionamento industrial de Salazar" que é assim, o Estado e a visão centralista de meia dúzia de grandes grupos económicos, a ganhar dinheiro em monopólio

e/ou em cartel, sem risco, abafando a iniciativa privada, tolerando aqui e ali iniciativas mas nunca fazendo delas " a paixão" de governar.

 

Todos os dias fecham empresas, apesar dos milhões disponibilizados, das medidas gritadas aos quatro ventos, dos 600 000 trabalhadores no desemprego.

 

Percebi bem esta incapacidade quando o ex-Presidente Eanes dizia, que o que mais o horrorizava no poder ,apesar dos imensos meios colocados à sua disposição, era a incapacidade de poder resolver os problemas concretos das pessoas.

 

Ninguem diz a Sócrates que é mais fácil calar uma voz incómoda na TVI do que criar um único emprego?

Se a minha vagina falasse

          

 

 

  Do Jornal de Notícias de hoje:

 

 

 

 

 

              Num país iletrado e iliterato, uma pessoa ciente da necessidade de cultivar as massas devia falar de livros e de filmes e de arte abstracta, mas como resistir ao apelo de uma vagina que absorve – é o termo! – desta maneira aquele que poderá ser considerado um dos títulos jornalísticos do ano? Resumindo: considero imperdoável que o pé me fuja tão rapidamente para uma pantufa vagamente lúbrica, mas não me perdoaria se não partilhasse convosco alguns pensamentos inocentes.

Em primeiro lugar, confirma-se a incompetência da justiça. Vejamos: a dada altura, ficamos a saber que o tribunal confessa que “não encontra os arguidos para os notificar.” Será necessário um raciocínio assim tão elaborado para concluir em que local estarão escondidos os meliantes? Basta usar como guia um ginecologista com experiência em espeleologia, senhores! Convém, igualmente, que a polícia se faça acompanhar por um negociador, não vá dar-se o caso de os criminosos quererem usar algum óvulo como refém.

Entretanto, tivemos acesso à gravação áudio da preparação para um assalto. Aqui fica a transcrição.

                Voz masculina 1: Vamos lá ver se está o material todo. Armas?

                Voz masculina 2: Confere.

                Voz masculina 1: Cordas?

                Voz masculina 3: Confere.

                Voz masculina 1: Pés-de-cabra?

                Voz masculina 4: Confere.

                Voz masculina 1: Vagina?

                Voz feminina (sensual): Queres conferir?

                Voz masculina 1 (pigarreando): Mau, mau, vamos lá continuar…

 

 

                Enfim, após tanta importância dada à face – mesmo que oculta – parece-me um sinal de pluralismo que a justiça dê agora importância a outras partes do corpo.

Quando a vida nos é destruída mesmo antes de nascermos

 

Adil Zhilyaev tem dois anos. É cego e sofre de paralisia cerebral e de hidrocefalia. Doenças que herdou da mãe, que esteve exposta, há uns anos, às radiações emitidas pelos testes de armas nucleares pela extinta União Soviética (URSS) no tempo da guerra fria.

Os pais abandonaram Adil, aqui ao colo da enfermeira Larissa Soboleva, no orfanato de Semey, no Cazaquistão, numa imagem de 24 de Novembro de 2008.

 

Enquanto se assinala hoje o 20º aniversário do Muro de Berlim, uma outra data ficou por registar. Há 60 anos, a URSS fez explodir a sua primeira bomba nuclear, apelidada de “Primeiro relâmpago”, num campo de testes do norte do Cazaquistão. O local, com o nome de Semipalatinsk Polygon, foi cenário de 456 detonações atómicas nos seus 40 anos de existência.

 

Os habitantes das redondezas foram expostos de forma deliberada, por vezes, de forma imprevista, de outras, aos efeitos da radiação. Foram também sujeitos de testes. Acabaram afectados por doenças como cancro, deformidades, envelhecimento precoce, doenças da tiróide e do coração. Ainda hoje a esperança média de vida é de 17 anos a menos que a média nacional do Cazaquistão.

 

A radiação afectou três gerações de residentes. Mais de um milhão de pessoas foram afectadas. Umas mais outras menos. Já se vê que Adil foi dos mais atingidos, como muitos outras protagonistas de uma reportagem fotográfica de Ed Ou para a Getty Images, que o Big Picture hoje mostra.

 

 

Angela Merkel diz: o Dia da Felicidade

Berlim, 1 de Setembro de 1986

 

Hoje, 9 de de Novembro de 2009,  Jerónimo de Sousa denuncia um mundo "mais injusto, com mais desigualdades e mais perigoso". Como se este mundo, não fosse incomparavelmente mais democrático, justo e seguro que aquele de há vinte anos! As desigualdades entre alemães de leste e do antigo ocidente, devem-se antes de tudo, à ocupação e despotismo soviéticos, exercidos através do regime dos gauleiters W. Stoph e Erich Honnecker. 6.000.000 de cidadãos catalogados na sede da Stasi, medo generalizado, prepotência e depotismo levados ao limite por uma STASI doze vezes mais vasta que a Gestapo de Adolf Hitler. Um protectorado russo – ao mesmo nível do Reichsproktetorat da Boémia-Morávia de 1939-45 -, a RDA era patrocinadora de todo o tipo de terrorismo e os seus líderes participavam lucrativamente no tráfico internacional de armas e de estupefacientes. Uma população que auferia de cerca de 30%  do nível de vida dos seus concidadãos ocidentais e que hoje atinge – ainda insatisfatoriamente – 70% da média da antiga República Federal da Alemanha. As cidades hoje limpas, reconstruídas e com o arruinado património arquitectónico em quase completa fase de recuperação.Gente que pode circular, ler, escrever e pensar, sem medo de delação por parte de um amigo, vizinho ou familiar. Muito falta por fazer, dizem os alemães. Decerto.

 

Visitei Berlim-leste em 1986. Uma cidade plena de ruínas da II Guerra Mundial, triste, cinzenta e onde era impossível estabelecer qualquer tipo de diálogo com habitantes que nos olhavam  à distância com uma mescla de medo e curiosidade. Uma cidade policiada a cada esquina, com poucas lojas cheias de prateleiras vazias. Jamais esquecerei a experiência à saída daquele "supermercado" reservado a quem possuía numerário ocidental – os poucos turistas e a gente do Partido SED-, quando tendo comprado alguns chocolates, batatas fritas e alguns outros snacksprovenientes do Ocidente, deparei com três miúdos que olhavam fixamente o meu prometedor saco de plástico. Ofereci-lhes tudo quanto comprara e não me arrependi, tendo há muito a certeza de que pouco tempo faltaria para que eles próprios pudessem ter uma vida normal, sensivelmente idêntica à dos seus irmãos da Alemanha Ocidental.

 

Mas que diferença esta Alemanha oriental, daquela outra que visitei em Setembro de 1986 e que era um pardieiro de lixeiras a céu aberto, rios e terrenos poluídos, policias em cada esquina, soldados de ocupação, uniformes por todo o lado, passos de ganso, gente triste, cabisbaixa, mal vestida e proibida de falar com os estrangeiros! Que diferença, sr. Jerónimo de de Sousa, que diferença!

 

O fim de Honnecker foi rápido, lapidar e soube procurar um tranquilo refúgio para os seus últimos dias de vida neste mundo: o Chile do general Pinochet.

 

 

O crescimento dos filhos é a lenta morte

 

 

1. Introdução.

 

O título é uma hipótese. Parece existir uma estrada de dupla via, dois caminhos paralelos entre ascendentes e descendentes dum ser humano, um cruzar-se nas diferentes etapas da vida entre adultos e crianças. Um efectivo avanço das crianças, parece resultar num aparente declínio dos pais; à medida que a criança cresce, o adulto inicia esse declinar e não a procura de outros objectivos não entrosados à vida com a qual sempre sonhou ou para a qual se preparou ou foi preparado. Todo o adulto, na nossa cultura, é ensinado que o seu objectivo é fazer crianças, nutri-las, cuidá-las, ajudá-las no seu crescimento e educá-las. Amá-las. Ser o peão de pivot, o fantasma do objecto da vida, o apoio necessário para os que andam a aprender. Modelo para filhos, ou para a nova geração, caso não haja filhos. A questão que se coloca não é simples: um dia nasce uma criança e os adultos, alvoroçados, sentem e pensam que o seu olhar deve ser reproduzido; o seu pensar, um elo central; as suas palavras, a lei sagrada a ser respeitada. O seu amor, o centro da forma de reproduzir o grupo social. Reprodução com ou sem descendentes, reprodução como memória histórica: o que eu faço é bom, mas, melhor ainda, se a geração seguinte fizesse da mesma forma. Igual nos sentimentos que me fazem feliz, igual no agir que me torna o centro do meu grupo social. Conquistar a minha hierarquia e ultrapassá-la. Este parece-me ser o sentir das pessoas que analisei na Beira Alta ( Portugal), em Pencahue, (Chile) e Vilatuxe, (Galiza). Sítios que dinamizam a minha observação, a minha conclusão e a minha emotividade. La gallina ciega (Goya).jpg. La gallina ciega, Óleo sobre lienzo, 269 cm x 350 cm. Date. 1788-1789.

 

 

2. O crescimento das crianças.

 

Há já muitos anos que convivo com as crianças dos lugares anteriormente referidos. O tempo passa, elas crescem. Os pais parecem ser estar iguais, enquanto amadurecem, não ficam mais velhos, como entendem o real com maior parcimónia, e isso, deve-se não a cronologia, com um algarismo a mais (o numero é irrelevante),mas à experiência. Essa sim, é o mais importante. O adulto vai entendendo a memória social e o contexto que a cria,  dinamiza, a produz, e  que lhe lembra o que fazer, quando e como. Memória que, desde a via paralela, a geração mais nova observa com curiosidade pelo real. Não é ainda uma experiência acumulada, e amadurecida, é, antes uma experiência que desenha o futuro, projectando (podríamos dizer que é o que e como gostaria de ser quando for grande) imaginariamente o que atingir para conquistar o seu lugar. Tal e qual o adulto já atingiu criando para si um nicho social dentro do seu grupo. Vias paralelas que se observam: a miudagem que tenta entender esse querer amar,  possuir,  preparar uma vida folgada como recompensa de uma vida de trabalho. O adulto folga-se do sucesso enquanto a miudagem se afasta do cansaço que no sucesso do adulto, vê. O adulto pensa e sente que a sua vida é o lar ao qual a criança deve, um dia, chegar. A criança pensa e sente que esse lar já foi trilhado e é tempo de começar de uma forma diferente. Os seus adultos foram pais bem cedo, as crianças querem adiar a criação para o dia em que tenham uma vida económica viável. Os seus adultos apaixonaram-se quase na puberdade e criaram crianças; estas, por sua vez, começam a distinguir entre paixão e amor: a primeira, como a junção de corpos no prazer de se acariciarem; o segundo, para cimentar uma união que acompanhe duas pessoas numa eventual procriação ou criação, acrescentando carinho à paixão e ao amor. Um terceiro sentimento novo, que permite a organização de uma vida a dois

que os acompanhe até o fim dos seus dias.

 

 

3. É a lenta morte dos pais.

 

Será a ideia dos pais desaparecerem? Ou a ideia natural dos mais velhos morrerem primeiro? É o sentimento da memória social que separa as águas de duas gerações diferentes, em rotas de subida e descida pelas vias da vida? Ou, não será apenas apagar o exemplo do adulto no andamento pelos trilhos da vida? Parece ser certo os mais velhos traçarem o exemplo. Parece ser certo os mais novos fixarem  novas regras. Porque há novos dados. Tal como os Romanos que não souberam usar a lei de Arquimedes para levar a água para dentro da casa por debaixo da terra, construindo muros como canais para a elevar até ao fogão. Tal e qual a nova geração tem aprendido que autonomia e individualidade, vontade e objectivo de vida, são as vias subterrâneas, privadas e íntimas, para a felicidade. A criança cresce no caminho contrário ao do seu adulto. Cresce até ao ponto de não se reconhecer nos seus ancestrais mais imediatos na produção da vida. Esse feito que tenho denominado reprodução e desino agora também, de transição. A geração dos pais, com ou sem tenham descendentes, procurava e queria a reprodução. A geração mais nova, quer ser transição. Entende-se como transição. Não entre nascer, crescer e morrer, mas sim em como será a vida com a analise da sua nova possibilidade cronológica, da descoberta do genoma humano, dos esrtudos que lhe estão associados, abrindo novas formas ao de entendimento, faz saber como a sua vida vai decorrer. O saber científico de hoje, bem como o saber da gestão da economia para o lucro de todos por igual, sem trabalho em demasia. A clonagem da vida à qual estão agora agarrados os novos seres. Ainda em Pencahue os adultos continuam a falar calados por temor ao velho ditador, quem tanto matou, nomeadamente entre esta população,  provocando o silêncio dos adultos, não vá algum fetiço ressucita-lo. Os mais novos já não querem saber desse medo: desejam e têm o direito de viverem a sua vida sem olhar sempre para o passado. Falarem calmamente as palavras que pensam e fazerem o que sentem: já não há perseguição. Não entendem esse conceito e, menos ainda, o sentimento de um saber no experimentado. Há toda uma transição entre ascendentes e descendentes. Ou, esse outro que diz, algures em Pencahue, em Vilaruiva ou em Vilatuxe, que o pensamento católico continua a condenar as opções sentimentais das pessoas quando não ajustadas à Tradição da Patrística, tal e qual lhe parece ler no Catecismo de 1991. Leitura adulta mal feita, Tradição e Patrística sempre manipulada pelos objectivos das pessoas que desejam governar as suas vidas e impor esse entender no meio do seu grupo social. Como, de facto, aconteceu em Pencahue, quando vi tantos casais novos de experiência antes do compromisso, tanto adulto a perguntar-me como era possível voltar ás águas passad
as
, furtadas pelo agir do saber que eles não entendiam. Ou esse rapazes de Vilaruiva, a pôr em questão as suas mães num debate público sobre sexualidade: tua não me deixas, tu queres mandar e eu quero ser autónomo, seria a síntese dessa discussão. Debate de meninas de 19 anos com mães de 40. Questão nunca pensada pelas santas senhoras a congeminarem na vida em que foram criadas, elas próprias e as suas santas mães, algumas delas, já anciãs. Pais a temerem pela castidade da sua descendência, essa que nem diz nem conta, mas não ouve a homilia que desde Roma ou Fátima se tenta inculcar. Homilia a cair em ouvidos em transição, ouvidos sem tímpanos para entenderem o som da melodia de dançar, de melopeia que perdura pelos passeios das ruas que o grupo social cruza ao partilhar um saber universal. Os pais a saberem que continuam vivos como seres, mas mortos como autoridades; sem saberem que, dentro de cada pequeno, esse adulto ficou quando a pequenada era menina e quando, já na puberdade, esse adulto soube entender que a vida era muito diferente à vida da que ele próprio teve quando jovem e pequeno.

 

4. Epílogo.

 

O crescimento das crianças é a lenta morte dos pais. Mais entendem, sabem e fazem os novos, menos pais e mais amigos ficam os adultos. Quase da mesma geração se conseguirem não mandar o que não entendem, e entenderem a nova era que hoje se vive. A seguir à clonagem do genoma, à sua analise, à mudança dos dogmas das Igrejas, mudanças necessárias para se ajustarem ao avanço do que, no Século XIV, o frade franciscano de Oxford, Guilherme de Occam, denominava como ciência:  prática das pessoas validada pela dinâmica que a experimentação traz na interacção humana, bem mais avançada que a Teologia do Vaticano. A lenta morte dos pais deve ser aceite pelo ser humano, jovem ou adulto, para continuar a viver em paz e felicidade, ou pelo menos, em compreensão. Como a desses pequenos de Pencahue que me deram uma festa de dança e flores, por eu ter falado deles nos meus livros. Amor com amor se paga, foi-me dito. Amor com amor, faz da lenta morte dos pais, uma transição do tratamento de adulto para adulto. Amor que nunca deixa o ninho vazio, que o faz crescer enquanto os novos ninhos aprendem  o amor como desejo e esquecem a paixão já apagada nas práticas da adolescência e da primeira, da segunda e terceira juventudes. Conceitos até hoje usados apenas para o fim da vida: a terceira e quarta idade. Conceitos que devem ser transferidos às novas formas de vida que incrementam a cronologia da juventude alongando as idades da vida. Enquanto crescem as crianças, morrem os pais, mas as pessoas ficam juntas e em convívio . A ciência deve-nos obrigar a mudar os conceitos, tal como a vida tem mudado da reprodução para a transição. Como a juventude de hoje  faz transintando entre alternativas.

Fonte:

  • Catecismo de la Iglesia Católica, 1992, Asociación de Editores del Catecismo, Madrid. A versão portuguesa é de 1993.
  • Iturra, Raúl, 2000: O saber sexual das crianças. Desejo-te, porque te amo. Afrontamento, Porto.
  • A Página da Educação, Nascer, morrer, crescer: a persona é transição, Julho de 2000. Porto-
  • Miller, Alice, (1970) 1994: El drama del niño dotado. Tusquets Editores, Barcelona.
  • (1980) 1983: For your own good. The roots of violence in child -rearing. Virago, Londres.
  • (1988 a) 1990: El saber proscrito. Tusquets Editores, Barcelona.
  • (1988b) 1991: La llave perdida. Tusquets Editores, Barcelona.
  • Occam, Guilherme de, (1319) 1985: Principios de filosofía. Sarpe Editora, Madrid.
  • Valcuende del Río, José Maria, 1998: Zalamea la Real: la tierra y la mina. Cambios socio-económicos, relaciones de poder y representaciones colectivas. Diputación Provincial, Huelva.
  • Vega e Carpio, Lope de, c. 1580: Si tu pensas. Monserrat Figueras, Jordi Saval, Hesperión XX. Astrée, Berlim 1987.
  • Texto reeproduzido do Jornal A Página da Educação, da minha autoria,

    A Página impressa – arquivo


    N.º 94

    Ano 9, Setembro 2000

    Escrito para conforto de amigos

 

 

A água do Louçã

A água é, para Louçã, um bem insubstituível  que pertence a todos e não deve ser objecto de negócio.

 

É uma maneira de dizer que a água tal qual os outros bens essenciais à vida devem ser propriedade do Estado. Não é dificil estar de acordo com tal postulado.

 

Mas ,e para mais fácil definição chamemos-lhe negócio da água, o negócio consiste em i) captar a água,ii) transportá-la iii) distribuí-la.

 

Se a propriedade se deve manter como propriedade colectiva, e isso é coisa que não se discute, as outras componentes do negócio podem e devem ser atribuídas a quem 1) o faça com mais competência 2) da forma mais barata .

 

Não está provado que a água chegue a nossas casas em melhores condições e mais barata se for capatada, tratada e distribuída pelos privados ou pelo Estado. A estas questões só concursos públicos (sem Faces Ocultas) podem dar resposta. Ao Estado caberá sempre o papel de regulador e fiscalização, porque com a água não se brinca, não só porque é um bem escasso mas tambem porque influencia, e de que maneira, a nossa saúde.

 

A primeira coisa a fazer é distinguir muito bem qual o papel do Estado, insubstituível no cumprimento das regras, depois definir as várias fazes do negócio a) em alta (captação e tratamento e b) em baixa (transporte e distribuição) e a seguir promover as melhores condições para as diversas fazes.

 

Todos se dizem muito preocupados com o negócio da água, no futuro a sua míngua será uma certeza e a vida não é possível sem ela, mas quando sabemos que 60% da água captada se perde no transporte e na distribuição, por menor manutenção da logística de transporte, percebemos que há muito por onde se trabalhar.

 

E que dizer da utilização abusiva da água, na via pública, nos jardins e nas nossas casas, para não falar da sua utilização em actividades que bem podiam ser efectuadas por água reutilizável.

 

E com estes dados pergunto. O mais baixo preço é mesmo o melhor preço, no caso da água? Não dará azo a uma utilização desregrada que um preço superior pode limitar?

Os professores avaliados não podem ser prejudicados

Arranjem uma solução transitória até entrada em vigor do novo modelo de avaliação mas os professores avaliados não podem ser prejudicados. Cumpriram com o que as escolas lhes indicou.

 

Muito menos os professores com notas de excelente e de bom. Ainda compreendo que quem está pouco satisfeito com a nota que obteve ou que não foi avaliado, não veja a nota ter consequências na sua carreira, mas os que trabalharam para a avaliação não podem ser prejudicados.

 

Felizmente que hoje já se fala em novo modelo não se colocando em causa a avaliação, mas espero que o novo modelo não seja o do PCP que quer "avaliar as escolas, não os professores" o que quer dizer que os professores continuam a ser avaliados todos como excelentes e subirem todos ao topo da carreira.

 

O PCP o que propõe é uma avaliação sem consequências, o igualitarismo, todos iguais, "para função igual, salário igual" quando o que se pretende "é trabalho igual, salário igual" o que é bem diferente, leva em conta a produtividade do professor.

 

Claro, que o Mário "alucinado" já anda aí a fazer ameaças, ou é como os sindicatos querem ou vamos para a luta.

A máquina do tempo: David Mourão-Ferreira

 

David Mourão-Ferreira é um escritor muito conhecido, muito falado, com muitos estudos e numerosas teses académicas sobre a sua obra. Não faria muito sentido estar aqui a glorificar os seus livros, a sua poesia. Há um pormenor, que me leva a subir para a minha máquina, a voltar uns anos atrás e ir ao encontro da recordação que dele conservo – a amizade. Sempre me tratou com amizade e eu era muito amigo dele. Por isso, não tecerei elogios à sua obra – deles não precisa – outros o fizeram e o farão melhor e com maior autoridade. Falarei um pouco da sua grande amabilidade, da generosidade que era nele uma segunda natureza.

 

Embora tenha sido director do serviço da Fundação Gulbenkian em que trabalhei durante dez anos, não nos cruzámos ali, pois saí em 1971, quando o director era ainda Branquinho da Fonseca. Conhecera-o na Faculdade de Letras, estive com ele em reuniões da Associação Portuguesa de Escritores; era uma relação cordial, mas mais ou menos formal.

 

 

Quando lancei o meu primeiro romance, «Talvez um Grito», dado que ele fizera parte do júri que o distinguira, fui à Gulbenkian pedir-lhe que fizesse a apresentação que seria no Solar do Vinho do Porto – imediatamente se disponibolizou, sem qualquer espécie de hesitação. Fez uma apresentação magnífica, que tenho gravada em vídeo (mas num standard que já se não usa, o Beta, e não sei se a conseguirei recuperar), lendo da forma expressiva que o caracterizava, e valorizando-as, como só ele sabia, algumas das páginas do livro.

Fomo-nos encontrando, almoçámos algumas vezes na Gôndola, um restaurante que ficava perto do meu escritório, na Av. António Augusto de Aguiar e a poucos passos do edifício da Gulbenkian onde estava instalada a direcção do Serviço de Bibliotecas. Num desses almoços, propus-lhe que dirigisse uma história da literatura portuguesa (não pôde aceitar, pois estava com mil e um compromissos, mas forneceu-me uma série de pistas de grande utilidade). Na Primavera de 1996 encontrámo-nos casualmente no restaurante do Hotel Continental – eu não o reconheci, pois estava muito magro, quase calvo, acabava de chegar de uma clínica de Londres,  desfigurado pela doença e pela quimioterapia. Estávamos costas com costas e ele chamou-me. Disse-me sorrindo que a sua vida estava por dias ou por semanas. Protestei e ele continuou a sorrir. Fiquei devastado. Em Junho morreu.

Fui à maldita Basílica da Estrela, onde o corpo estava em câmara ardente. Não sei por que motivo os escritores ali vão sempre parar (o Palácio Galveias não seria mais adequado?). Não era o caso do David, mas, por exemplo, o Orlando da Costa e o Luiz Pacheco, comunistas e ateus, numa basílica… A nora, a ex-apresentadora da RTP, Margarida Mercê de Mello, leu alguns poemas dele. Um era muito comovente, dizia: – «Há-de vir um Natal e será o primeiro/ em que se veja à mesa o meu lugar vazio…» No cemitério dos Prazeres, Amália (com a qual abri este post, cantando uma canção com letra de Mourão-Ferreira), chorava copiosamente.

David Mourão-Ferreira, um grande poeta, um grande professor e intelectual. E, acima de tudo isso, um homem de uma excepcional e humana capacidade de ser generoso.

Um bom amigo.

Deixo-vos com o seu poema «A Secreta Viagem», muito bem interpretado por António Moreira da Silva.

 

 

 

Prós e Contras

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COMO DE COSTUME, É ASSIM

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Como se sabe, eu não gosto da sra d Fátima. Já o escrevi várias vezes. Desde que fez um programa pretensamente sobre o Porto, ou talvez antes, que cheguei a essa conclusão. A sra é, no meu entender, uma nódoa nos programas televisivos, mas tem audiência, e isso conta muito nos interesses de cada um.

Agora e mais uma vez, a sra está nas bocas do mundo, que é como quem diz, nas bocas dos homens do CDS e da Entidade Reguladora para a Comunicação Social.

E o CDS tem toda a razão e legitimidade para fazer queixa contra o programa Prós e Contras e contra a sua apresentadora e responsável.

Como estação televisiva de serviço público, não se admite que num programa sobre o governo, se convidem elementos do governo, do maior partido da oposição e do quarto maior partido da oposição, esquecendo o terceiro e o quinto.

Porque será que os responsáveis pelo programa assim procedem? Será que o CDS incomoda tanto que até num programa de televisão tem de ser calado?

Logo à noite, quem tiver a pachorra de ver o dito programa, logo saberá se voltaram com a palavra atrás ou se acabaram por fazer o programa assim mesmo.

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Casamento gay – a verdade da mentira

" Só interessa o amor. O casamento não passa de um papel!"

 

Este foi o grande argumento para apoucar o casamento entre duas pessoas de sexo diferente. Não tinha interesse nenhum só os parvos e quem acredita nessas tontices da procriação e da família é que ía nisso do casamento.

 

Agora, como determinaram que é moda casar os gays, os mesmos que vomitavam aquela frase, usam-na em sentido contrário. "quem se ama não se pode casar"!

 

Mas trata-se só de um papel, o amor é que une as pessoas, é a única coisa que interessa, para quê o casamento entre duas pessoas do mesmo sexo?

 

Os gays não apresentam nenhuma razão sólida para terminarem com a instituição casamento tal qual a conhecemos. nem uma !

 

Mas não parece que proteger o casamento, a família e a procriação seja coisa de somenos, bem pelo contrário, trata-se de um alicerce fundamental da sociedade em que vivemos. O contrato casamento é um contrato entre duas pessoas de sexo diferente e assim deve continuar. As uniões de facto já protegem juridicamente os contraentes do mesmo sexo que queiram viver juntos.

 

As instituições fundamentais da nossa sociedade não podem estar à mercê de modas!

Quando a água e o azeite se misturam

Por vezes o azeite mistura-se com a água. Quando acontece nem tudo é assim tão transparente. Por isso, nem todos os casos de violência doméstica são de diagnóstico simples, porque esta violência, como outras, não é sempre clara como água.

 

Não são as nódoas negras, nem os braços partidos. São outros sinais, outras mazelas, que um estudo europeu (de nome DoVE) pretende avaliar. Portugal está na primeira linha desta investigação. Ainda bem.