Última hora – José Penedos sai da REN

José Penedos, o presidente da REN constituído arguido na caso Face Oculta, e pai de Paulo Penedos, jurísta da PT, tambem ele constituído arguido no mesmo processo, demite-se.

 

Notícia o i na sua edição de hoje.

Celebrações de Novembro: há 4 Anos arrancava "The Great Portuguese Disaster (1985-1995)", o blogue mais radical contra Cavaco

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Éramos pouco, mas ferozes: o primeiro "Arrebenta" (uma bichona, que até entrevistas dava…) "Pinto Ribeiro", o "Lúcio Ferro", a "Katia Rebarbado d’Abreu", o "SAF", o "Daviduskas", e a minha querida e saudosa e doida "Freira Antónia".

Como Blogue Eleitoral, desapareceu na noite da sinistra eleição — mais 10 anos de Cauda da Europa.. –", mas esta Entrevista e estas imagens tornaram-se em Grandes Clássicos da Blogosfera.

Vá, toda a gente a cantar "Parabéns"!!!!!… 🙂

 

(celebrado no "Aventar", no "Arrebenta-SOL" e em "The Braganza Mothers" )

O direito a não levar com uma religião na cara

 

A decisão do Tribunal Europeu dos Direitos do Homem de considerar que  "a exibição obrigatória do símbolo de uma determinada confissão em instalações utilizadas pelas autoridades públicas e, especialmente em aulas”, restringe os direitos paternos de educarem os seus filhos “em conformidade com as suas convicções”. Adiantou que a exposição do símbolo cristão também limita “o direito das crianças a crerem ou não” representa um franco progresso em matéria de liberdade religiosa.

O que está em causa é o direito a não levar com a simbologia de uma crença nas salas de aulas, sujeitando crianças educadas noutra religião, ou muito simplesmente em religião nenhuma (direito que deviam ter, já que a fé dos pais não pode ser imposta como se fosse hereditária). 

É tempo que todos entendam que a religião é uma questão de fé, individual, terminando o direito de a propagandear onde começa o direito dos outros a sentirem-se ofendidos com essa propaganda. Idealmente devia ser como nas nossas caixas de correio: religião não solicitada, não entra.

No caso do cristianismo a utilização de imagens da execução pública do seu fundador é no mínimo de mau gosto, e nem me parece incentivar uma prática pedagógica de combate à pena de morte.

É certo que há representações artísticas de inegável valor. Esta de Dali nem é das minhas favoritas, mas desconfio que se tivesse sido adoptada por alguma escola seriam os próprios devotos os primeiros a protestar.

 

 

 

Modelo de avaliação dos políticos

Crescimento do PIB – 0,8% ( média dos nos últimos dez anos )

 

Criação de emprego só acima dos 2%, a partir dos 3%

 

Nota para a avaliação – 0

 

Despesa pública – acima dos 50% ( devia andar pelos 30/40% )

 

Nota para a avaliação –  0

 

Déficite orçamental – 8% ( com a crise admitia-se 5/6% ;normal 2%)

 

Nota para a avaliação – 0

 

Dívida externa –  70% do PIB

 

Há cinco anos estava nos 10%

 

Nota para a avaliação -0

 

Desemprego – 8%

 

Metade seria uma boa meta

 

Nota para a avaliação – 0

 

Prioridade do programa do governo – casamento dos homossexuais e megainvestimemtos!

 

Prioridade que os números acima exigem.- relançamento da economia ( investimentos de proximidade, apoio às PMEs de bens transaccionáveis, energia, baixar impostos das empresas exportadoras) , tratar da Justiça, e conter a despesa.

 

Nota para a avaliação – 0

 

 

Eu sabia que havia algo de estranho com eles…

 

Há já uns anos que me interrogava sobre eventuais coisas estranhas relacionadas com estas personagens que algumas pessoas insistem em presentear os seus rebentos. Aquilo, lamento dizer, sempre me despertou olhares desconfiados. Agora foi-me feita justiça.

 

Um Teletubby roxo (consta que Tinky Winky) está sendo procurado pela polícia da localidade de  London, no estado de Ontário, Canadá, acusado de roubo durante o Halloween, o Dia das Bruxas.

A polícia refere que a vítima informou que estava a passear sozinha pouco depois da meia-noite de sábado (31 de Outubro), quando foi abordada por um Teletubby armado, que exigiu o dinheiro e fugiu a pé. O ladrão tinha cerca de 1,88 metros de altura e pesava entre 90 e 110 quilos.

 

A polícia insiste que se tratava de uma pessoa disfarçada de Teletubby. Eu desconfio. Não estou a ver ninguém no seu juízo perfeito a disfarçar-se daquilo. De Chewbacca, ainda vá, agora de Teletubby…?

A Democracia é quando um homem quiser

Já se esperava que o BE e o PS rejeitassem o referendo. O BE chamou-lhe descabido. Descabido é bom. É tipo: "ah e tal quem acha isso é estúpido". Eu, sinceramente, já estive contra o referendo. Porque achava que era um assunto que só dizia respeito a um certo número de pessoas. Mas agora não. Agora acho que esta medida vai provocar uma mudança da sociedade e por isso, se calhar, era bom perguntarmos à sociedade o que ela pensa. Mas isso sou só eu. E há outra razão importante: eu queria referendo porque acho que o referendo chateia o PS e BE. E tudo o que chateie o PS e o BE para mim é saudável. Podem pensar que isto é só má vontade contra estes dois partidos, mas na realidade não é bem assim. O que me irrita, muito mesmo, nesta questão, é esta suposta ideia que o referendo é "absurdo". Ou porque os referendos tem pouca participação, ou porque já houve um "amplo debate" ou por qualquer  outra razão que eles inventam. Afinal de contas, a legalização da IVG foi referendada e aqui também se podia argumentar, como muito se argumentou e se disse, que isto era uma decisão que pertencia à mulher. Sim, sim eu sei que há diferenças, mas a ideia de um referendo não é assim tão absurda. O que é absurdo é a hipocrisia destes dois partidos. Porque estes 2 partidos sabem perfeitamente que se houvesse referendo era incerto que a lei passasse, enquanto sem referendo passa de certeza.

A conclusão que eu tiro daqui, evidentemente, é que a Democracia só funciona quando dá jeito.

Histórico ! PS convida PCP para coligação

A verdade é que esta reunião entre o PS e o PCP é um acontecimento histórico na Democracia Portuguesa. Os que viveram o 25 de Abril conhecem, os obstáculos que uma proposta destas enfrentaria se alguma vez até agora, o PCP fosse convidado para uma coligação de incidência governamental.

 

Aconteceu e não morreu ninguem, nem o céu escureceu, até passou como natural jogo democrático, o que diga-se, é uma enorme vitória da Democracia. Os fantasmas estão afastados, nem os comunistas comem criancinhas nem o PS tem medo de perder votos por fazer o convite ao PCP.

 

Claro que o PCP, não está interessado na coligação, porque não líderaria a coligação, os anos de governo não são para brincadeiras e o famoso "abraço de urso" que destruíria o PCP, como destruiu todos os partidos irmãos comunistas que tiveram a coragem de serem governo.

 

Não tenho dificuldade em perceber que foi mais uma manobra de propaganda do "Dialogador-Mor" José Sócrates. Oferecer coligação ao PCP nos mesmos termos que ofereceu ao CDS é pura demagogia. No fundo, foi perguntar se o PCP estaria interessado em ajudar a pôr em prática o programa do PS, que está em minoria na Assembleia da República.

 

Mas este momento histórico, tambem mostra que os 64,3% que a oposição tem no hermeciclo, não constitui nenhuma maioria, porque lhe falta o essencial. Um programa comum para o país!

Uma pergunta para a qual sei a resposta

 

O bispo do Porto, D. Manuel Clemente, defendeu um referendo sobre a questão dos casamentos homossexuais. Diz que é uma das formas de promover um debate alargado “e sem pressas” na sociedade portuguesa sobre o tema.

 

Das duas uma, ou D. Manuel Clemente andou muito distraído nos últimos dois anos e perdeu um interessante debate – sem pressas – acerca do tema ou apenas que ver o assunto adiado ao longo do tempo, nada resolvendo.

 

Até desconfio de qual seja a resposta certa.

 

 

Comunicado da Associação Ateista Portuguesa

 

A Associação Ateísta Portuguesa (AAP) não pode deixar de se congratular com a decisão histórica do Tribunal Europeu dos Direitos do Homem, em Estrasburgo, ao considerar a presença de crucifixos nas salas de aula "uma violação do direito dos pais de educar os seus filhos de acordo com as suas convicções" e "uma violação da liberdade religiosa dos estudantes".

 

A escola laica é o reflexo de um Estado laico onde, ao contrário dos estados confessionais, a liberdade não é apanágio da religião oficial mas um direito de todas, direito igualmente conferido aos ateus, cépticos, agnósticos e livres-pensadores.

 

Perante a agressividade de várias religiões na disputa do mercado da fé, esta decisão histórica deve servir de aviso às professoras que pretendem dar aulas de burka, às comunidades que pretendem ver as escolas transformadas em madraças e a todos os prosélitos que querem uma escola ao serviço das suas crenças.

 

A jurisprudência do Tribunal Europeu dos Direitos do Homem remete para o foro privado as práticas religiosas cabendo aos Estados respeitá-las e defendê-las.

Intransigente na defesa da laicidade do Estado, que o mesmo é dizer, do direito de todos os cidadãos à crença, descrença ou anti-crença, a AAP reitera a sua satisfação e solidariedade pela sábia decisão tomada pelo referido Tribunal.

Reduzir o espaço de confronto religioso entre os fundamentalistas de várias religiões é contribuir para a paz e a liberdade, dois valores fundamentais da democracia.

 

Espera ainda a Associação Ateísta Portuguesa (AAP) que o Governo português exerça a vigilância que deve em relação aos abusos que ainda persistem, por incúria, nas escolas e hospitais públicos.

 

A visão anti iniciativa privada do PS

Já se enterraram milhões em bancos e em grandes empresas, procura-se lançar os megainvestimentos, mas não há nenhuma medida dirigida às Pequenas e Médias Empresas.

 

Medidas tão simples e tão justas como pagar o que deve aos pequenos e médios fornecedores, nunca para além dos 30 dias, cobrar o IVA só quando as empresas o tenham, elas próprias, cobrado, suspender o Pagamento por Conta em empresas que não conseguem facturar quanto mais ter lucros, suspender o pagamento à Segurança Social até que a situação das empresas melhore, nada disto é encarado pelo governo Sócrates.

 

Isto mostra duas coisas. Primeiro, que para o PS a contribuição da iniciativa privada de 360 000 empresas, é marginal, passando por cima do facto bem real de representarem 70% do emprego, 80% da riqueza criada, e 90% das exportações; segundo, que não podem viver sem a sua contribuição para as receitas do Orçamento Geral do Estado.

 

Esta visão que persiste, quando a crise já vai longe e depois de tantas medidas promovidas, explica como é que neste país cada vez mais pobre, continuamos a adorar as grandes empresas estatais e os grandes grupos económicos, umas e outras a operarem no mercado interno, em monopólio ou perto disso, em cartel e com benefícios fiscais que representam milhões.

 

Esta visão centralista, estatista, já levou o país para o último lugar da pobreza dos países europeus. Mas centralizar é a única forma de controlar os negócios, mesmo os do "ferro velho" não vá escapar alguma coisa…

a morte que abandona e a morte em vida

 

 

As vezes, a vida pare-nos cumprida e entediante. Cumprida e entediante, para os que acreditamos apenas em ela. Amamos aos nossos. Esses nossos por serem parte da vida em família ou por ter partilhado os nossos dias e, um dia, por motivos importantes para eles, já não estão perto de nós. Partem para outros sítios ou não lhes apetece estar mais com nós. É denominada a morte em vida. Ou, porque apenas não nos entendemos e as nossas ideias são tão diferentes, que morar juntos no mesmo sítio, mata o amor, ou pior ainda, a paixão que, antecede ao amor. Essa morte é a separação. Morte que todos tememos ou receamos. A morte em vida é esse evitar cruzar pelas vias da vida com pessoas das que receamos, é dizer, temos medo o suspeitamos. Ao pensar na morte, nem sei se a que nos separa definitivamente porque alguém que amamos já não está; o se a separação em vida é mais pesada pelo temor a econtrar um dia esse ser humano de quem queremos evitar ver outra vez. A morte fisica e não esperada de quem amamos, é uma dor que acaba em grande depressão ou em tristeza tão profunda, que nem sair de casa desejamos. Até sermos empurrados por uma pessoa forte que nos confronta com a realidade: quem detestamos, já não pode fazer mal se entendemos e sentimos essa distância dentro de nós a ganhamos vantagem: é o triunfo sobre o nosso fabricado sofrimento e o temor de quem fazia de nós, seres entediados ou aborrecidos, epecialmente se vemos duas pessoas que se amam e a uma terceira só, na primavera da vida.

Por existir o sentimento de entediados, talvez a morte em vida seja a mais aborrecida. Ficamos sem alternativas ou sem opções. Fixamos a nossa vida em nós próprios sem saber para donde a encaminhar, sem saber qual a alternativa para o nosso ego. A morte que abandona, tira de nós os nossos sentimentos que passam a se fixar na pessoa querida que, sem saber como e porque, entra na eternidade. É o que acontece ao perdermos um ser amado. Na morte em vida, nada se perde, excepto os nossos próprios sentimentos, a maior ameaça para continuar em frente o caminho que nos traçamos. A morte que nos arrebata ao ser mais querido, como Luís Miguel, define um permanente desasosego que, enquanto andamos na burocracia para preparar o seu descanso, parece que está ainda vivo: a burocracia faz esquecer a dor e leva-nos imaginar a pessoa amadacomo um pedestal lavrado pelo melhor escultor do mundo que, na escultura que mostro de Luís Miguel, deveria ser Michelángelo, apesar de ter sido Marcus Aureliuis, na Roma de 115 da nossa era. Luís Miguel, como a imagem de Marcus Aurelius, foi chorada ao longo dos tempos. Como a da nossa novas pérdidas de esta semana, o brilhnate, calmo, sábio e sereno Claude Lévi -Strauss que conhecemos de esta maneira , sendo antes um sedutor homem sábio que namorava enquanto explorava a selva amazónica, de esta maneiraOs dois sábios, retiram dos nossos sentimentos ese do aborrecimento e nos faz fixar os sentimentos de aussência no jovem da escultura, um Luís Miguel que tinha toda a sua vida em frente e que podia ser comparado com a vida mais do que feita do nosso também desparecido sábio. Luís Miguel e Claude Lévi-Strauss partilharam, sem se nunca conhecer, estes sentimentos: de amor, de alegria, de procura do saber e da criação de novas ideias para o mundo progredir. Há a frase que diz: quebrou com uma visão etnocêntrica da história e humanidade […] Em um tempo em que tentamos dar sentido a idéia de globalização, construir um mundo mais justo e humano, eu gostaria que o eco universal de Claude Lévi-Strauss ressonasse mais forte". Como soa mais forte a do Luís Miguel. Os dois nos fazem sofrer esta semana, mas a obra feita de Luís Miguel, nos seus 32 anos é, em devidas proporções,  como a que durante 101 anos fez Claude Lévi -Strauss. Este, aos seus 32, namorava e trabalhava; o outro, também. Um teve imensa sorte, o outro, a moda

dos tempos o levara antes de cumprir a sua obra completa. Os dois nos retiram do aborrecimento da vida. Muito obrigado, Senhores. 

 

A falta de educação

Curioso no artigo do Público sobre pais que não querem educação sexual para os seus filhos na escola pública é o facto de os progenitores citados terem uma média de procriação muito acima da média nacional.

Não sei porquê mas cheira-me a que não praticam planeamento familiar. É uma opção de vida, respeitável, mas tentar impô-la aos seus filhos, e é disso que se trata, é no mínimo repugnante. E fazer-lhes o favor de avisar quando se vai falar de sexualidade nas aulas é, por parte das escolas, no mínimo absurdo, e de resto impraticável. Ou vão fazer o mesmo em relação a outras matérias com as quais a família do petiz não concorde? Tipo:

– olhe que amanhã começa a educação ambiental senhor suinicultor, fica avisado que a criança pode chegar aí a casa com comentários críticos sobre as suas descargas poluentes.

Não dá.

Sobre arte contemporânea

Acerca da arte contemporânea (sobre a qual tudo se pode dizer sem dizer nada), fiz esta pequena reflexão, após uma pequena conversa que ouvi:

 

Recuso considerar a esquematicidade e as técnicas artísticas

como dimensão imprescindível e fundamental da arte.

A arte começa, a meu ver, na intersecção dos factores técnicos

com os factores culturais e humanos, isto é, na estruturação

e na formação do homem global onde assenta a verdadeira

expressão da vida, rampa de lançamento para as questões

da essência.

 

A arte é uma atitude quase intemporal e projectiva,

e não apenas uma habilidade, uma tecnologia, ou um modo

de inserção no que quer que seja. Desta forma, sendo ela

nuclearmente individuísta, não é individualista, podendo ser

tanto mais de cada um quanto mais livremente for de todos.

Daqui, a contradição entre a subjectividade da consciência artística

e a perversa orientação no sentido das influências,

sejam elas quais forem.

 

A arte não assinala os passos nem se mede a metro

ou a baldes de tinta. Os passos e as medidas pertencem

ao mundo da moda, e a moda, como mistificação dialéctica,

é a morte da arte.

 

Concurso «Blogues Escolares» – Regulamento

Como ja demos conta aqui, o Aventar está a promover o Concurso «Blogues Escolares», destinado aos professores e alunos das escolas básicas e secundárias portuguesas. Dado o interesse que a iniciativa tem despertado, aqui fica o Regulamento do Concurso:

Regulamento do Concurso «Blogues Escolares»

 
1. O Blogue Aventar organiza um concurso designado «Blogues Escolares», dirigido aos professores e alunos do ensino básico e secundário das escolas portuguesas públicas e privadas.
 
2. O concurso «Blogues Escolares» tem como objectivos fundamentais:
Interessar os alunos portugueses pelo mundo da blogosfera e das novas tecnologias;
Criar situações que favoreçam a criatividade dos alunos;

Abrir as turmas participantes à sua comunidade educativa;

Promover o intercâmbio entre as várias turmas participantes;
 
3. O Blogue Aventar cria o blogue da turma, no caso de ele ainda não existir, e promove a sua divulgação através de um «link» num «post» fixo do blogue.
 
4. A actualização do blogue fica a cargo da turma participante, que poderá recorrer ao Blogue Aventar sempre que houver necessidade.

5. Periodicamente, o Blogue Aventar destacará uma das turmas participantes através de um «post».

6. O Aventar poderá recorrer a um ou mais elementos exteriores para a escolha do blogue vencedor. Esse(s) elemento(s) serão membros de reconhecida capacidade ligados ao mundo das escolas e/ou da blogosfera.
 
7.  Todas as turmas participantes terão direito a um diploma de participação.
 
8. As candidaturas podem ser apresentadas até ao final da segunda semana do 3.º Período.
9. Os resultados do Concurso «Blogues Escolares» serão divulgados no Blogue Aventar durante a última semana do ano lectivo.
 
10. O Concurso «Blogues Escolares» terá carácter anual.
 
Explicação geral da iniciativa aqui.
Turmas participantes aqui. 

 

Monsieur le Professeur Claude Lévi-Strauss

Um ser humano não é eterno. Um dia pára de viver, o seu coração pára, a respiração já não está. Um ser humano não é eterno. Pode viver ao longo de muitos anos. Pode sentir-se que a vida é uma eternidade por ser pesada para a pessoa. Um ser humano pode pensar que há seres humanos eternos: um dia estão connosco e habituamo-nos à sua presença, no outro dia podem não estar mais. Vivem no símbolo, esse sinal que representa, nas nossas mentes as suas formas de viver a vida, o transcorrer da cronologia da vida material na história, ou a representada na imagem virtual que criámos dessa pessoa. Porque não é eterno, cria uma eternidade, fabrica uma longevidade que fica fora deste mundo e alimenta os que nele já não estão, com comida que passa a ser oferta aos deuses que tomam conta dessa  inexistência de vida material. Vida material que representa  o que é, tem sido e será. A vida material, que vivemos em interacção enquanto não existe morte social e estamos com os outros. Há morte social por nos afastarmos dos outros, ou porque os outros nos afastam por respeito, desapreço, desdém, ou desprezo, por não sermos capazes de atingir a grande obra que ele fez ou, ainda, por louvor a esse saber que dá medo.

 

Medo de não saber responder à acumulação de saber que aparece em frente de nós. Os nossos encontros eram no Laboratoire de Anthropologie Sociale, Rua Cardinal Lemoin Nº 3, ou na Ecole des Hautes Études en Sciences Sociales ou, em raras quintas-feiras, na sua casa. Tocava Bach e Mozart para os poucos convidados, sempre seleccionados pela sua terceira mulher, Monique Roman. Eu sentia um imenso apreço pelo seu trabalho, especialmente pelo, em minha opinião, melhor texto, Tristes Tropiques, Libraire Plon, 1955, escrito depois da viagem de lua-de-mel com a sua primeira mulher, Dina Dreyfus. Nessa época, Lévi-Strauss encontrava-se exilado por causa da guerra e da perseguição aos hebraicos etnia de que era membro. Uma narrativa etnográfica romanceada, com excertos curiosos sobre sociedades indígenas brasileiras. Aparentemente, apenas um livro de viagem, mas, repleto de passagens onde o autor faz especulações filosóficas sobre o status da Antropologia; análise comparativa de religiões, entre o Novo e o Velho Mundo, as concepções de progresso e de civilização. Começo do questionamento da palavra selvagem para grupos sociais que tinham outro tipo de conhecimento, tão importante e válido como o da nossa cultura. Não é em vão que mais tarde, no seu texto La Poitiére Jalouse, Plon, Paris, 1985, publicado em português sob o título Oleira Ciumenta, Edições 70, 1985, diz, in passin: Que há de comum entre um pássaro insectívoro, a arte da olaria e o ciúme conjugal? Entre o pensamento especulativo dos índios e os dos psicanalistas? Entre uma tragédia de Sófocles e uma Comédia de Labiche? A sua obra de 1947,   defendida como tese e publicada em 1948 como livro, Les Structures Éleméntaies da la Parenté, Mouton & Ca, Paris, Der Hagen, defende o universo das regras parentais, especialmente exogamia e endogamia. Escreveu tanto, que é impossível analisar a sua obra num curto espaço de linhas. Menciono apenas a «guerra» intelectual com o meu Mestre de Cambridge, Jack Goody. Não havia livro que Jack publicasse sobre a escrita e a leitura ou sobre o pensamento, que M. Lévi-Strauss não refutasse com a sua principal criação: a Teoria Estruturalista ou Teoria Linguística, que considera a fala como um conjunto estruturado, onde as analogias definem os termos. Goody defendia que era a escrita a dar esta virtualidade. Leach, introdutor  de Lévi-Strauss na Antropologia Britânica, meu antigo professor, dividia, na linha de M. Le Professeur, os antropólogos entre substantivistas – como Goody e vários de nós, pelo delito de trabalho de campo – e racionalistas, os que retiram ideias do pensamento humano, como o próprio Lévi-Strauss. O parentesco, para ele, não eram relações consanguíneas, mas antes ideias para classificar relações, baseadas num totem e nas classificações dos tipos de matrimónio. No seu texto de 1952, Race et Histoire, escrito a pedido da UNESCO, Lévi-Strauss classifica os povos entre aqueles que têm a História como base da sua memória, e aqueles em que a cultura reiterada e não escrita é a base da orientação do comportamento social. Acrescento ainda que brincou com o seu professor Émile Durkheim, nomeadamente sobre o livro As estruturas elementares da vida religiosa, seu tutor em estudos de Antropologia (Lévi-Strauss tinha estudado Direito e Filosofia anteriormente) e de quem mais tarde tomaria conta, quando, por terror às SS alemãs, gerou uma psicopatia que o manteve vivo até os 90 anos. Lévi-Strauss publicou todos os livros da autoria de Durkheim

Pelos anos 70 do século XX aposentou-se, e começou a corrida para o suceder na Cátedra de Antropologia, a primeira criada na Europa e por causa dele. Mas M. le Professur não hesitou e entregou directamente o poder a Françoise Heritier. Muitos ficaram magoados, entre eles o meu grande amigo e colega Maurice Godelier, que actualmente e após ter sido duas vezes Ministro da Ciência e Director do CNRS com François Miterrand, luta ontra uma doença que mata, como me tem referido.

Este é o Lévi-Strauss que eu conheci: humilde e calmo. Costumava dizer que não gostava de louvores, nem de barulhos, nem de festejos. Eis porque o seu funeral será privado.

 

Assim era quem tanto ensinou aos meus discípulos ingleses e portugueses e a tantos de nós, que hoje choramos por ele. Fica o consolo de morar na eternidade feita por todos nós, e materialmente na sua obra.

 A sua ideia preferida era: O antropólogo é o astrónomo das ciências sociais: ele está encarregado de descobrir um sentido para as configurações muito diferentes, por sua ordem de grandeza e seu afastamento, das que estão imediatamente próximas do observador.” Antropologia Estrutural, 1967.

 

A máquina do tempo: isto anda tudo ligado

O escritor e jornalista Eduardo Guerra Carneiro, um amigo que desde o dia um de Janeiro de 2004 já não está entre nós, deu como título a um seu livro de poemas «Isto Anda Tudo Ligado». E este título, como disse Jorge Listopad, numa nota publicada na «Colóquio-Letras», que aparentemente é um «slogan banal», quase um lugar-comum, tem sido centenas de vezes utilizado, por escritores, jornalistas, por músicos (como o Sérgio Godinho)  e não só. Creio que muitos que o utilizam já nem o relacionam com o grande poeta e a maravilhosa pessoa que foi o Guerra Carneiro. Não é o meu caso. Fui amigo e companheiro de luta do autor destas palavras. Evoco a conhecida frase «Isto anda tudo ligado» homenageando a memória do Eduardo.

 

 

 

 

 

Nesta fotografia, tirada em Novembro de 1962, em Coimbra, da esquerda para a direita podemos ver o Egito Gonçalves, eu, o Eduardo e o António Cabral, ainda sacerdote católico na altura. O Eduardo, de perfil, parece ausente, alheado, coisa que lhe acontecia com frequência. Talvez estivesse preocupado com a eventual presença nas proximidades de algum agente da PIDE.

 

 

Fomos ali reunir-nos por questões políticas e culturais – a expansão do Centro de Cultura Ibero-Americana, que pretendíamos alargar editando um boletim periódico multilingue (nos idiomas da Península a que juntaríamos resumos em francês e inglês). Mas voltemos ao Guerra Carneiro e ao seu livro.

 

Não era em globalização, na famosa globalização de que hoje tanto se fala, que o Eduardo pensava quando, em 1970, publicou o livro por acaso numa colecção da Ulmeiro onde também publiquei uma colectânea de poemas. Era na dimensão dialéctica do Universo na qual, de facto, tudo se relaciona e interage. Música, literatura, desporto, política, vida quotidiana, são fragmentos indissociáveis de uma mesma realidade que por comodidade e hábito de classificar, dividimos em compartimentos.

Fui passar esse fim do ano a Vilamoura (onde só consigo ir sem ser no Verão) e, no dia três de Janeiro, um sábado, estava na esplanada do Paulo China a ler o Expresso quando me saltou aos olhos o nome do Eduardo numa pequena notícia – Fora encontrado morto na madrugada do dia um num pátio subjacente ao seu terceiro andar. Presumivelmente suicidara-se, adiantava a notícia. Às primeira horas do novo ano. Quando regressei a Lisboa, logo telefonei a um amigo comum, o José Quitério. Sim, confirmou, o Eduardo suicidara-se. Poucos dias antes ao telefone tinha dito ao Quitério isso mesmo, que estava farto, que a vida não lhe interessava. O Zé pensou que fosse apenas um dia mau e que aquilo passasse. Não passou.

 

A última vez que estive com ele, pouco tempo antes, almoçámos juntos num restaurante perto do meu escritório. Trouxera-me alguns dos seus livros que eu  não tinha ainda lido e combinámos que iria colaborar num projecto editorial da empresa. Estava bem disposto, recordámos os velhos tempos de Vila Real, do Setentrião, do António Cabral e do Ascenso Gomes. Mas acabou por não fazer o tal trabalho – foi-me telefonando e adiando. Até àquele dia.

 

 As coisas não lhe tinham nunca corrido bem. Interrompera os estudos universitários por lhe parecer inútil o curso que frequentava. Profissionalmente, jornalista, um bom jornalista, diga-se, tinha de fazer muita coisa de que não gostava. Na vida privada, casamentos falhados, o refúgio no alcoolismo e, sobretudo, o suicídio inexplicável da sua filha, a  Catarina, destruiu a sua capacidade de resistência, provocaram-lhe o cansaço da vida que confidenciou ao Quitério. A soma de tudo isto resultou numa rápida viagem de três andares até ao cimento do pátio.

 

Quando estas coisas acontecem, ficamos sempre com uma sensação de culpa, com a ideia que poderíamos tê-las evitado conversando, acompanhando, ajudando. Porque, no fundo, quando estas coisas acontecem, todos temos, de facto, culpa por ajudarmos a manter um mundo em que tudo anda ligado, mas no qual não sabemos conservar entre nós pessoas como o Eduardo que, depois de desaparecerem, verificamos tanta falta nos fazerem.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O porta bandeira

Um dia, no velho estádio da Luz, fiquei no terceiro anel no meio da rapaziada do Porto. Gente porreira, o terceiro anel era alto como tudo, rapidamente arranjei por ali umas amizades que isto de gente do norte é tudo mais fácil quando se trata de camaradagem.

 

Como é de bom tom, o grupo de adeptos que tinha descido à capital reunia à volta de uma enorme bandeira do Futebol Clube do Porto, empunhada por um  chefe de família que dava toda a ideia de ser o gajo que nos jogos de futebol de rua jogava onde não havia mais ninguém. E a bandeira era muito  grande, pela conversa era filha da emoção e do entusiasmo do porta-bandeira e com ela nas mãos ninguém via o jogo.

 

Estava pois entregue a bandeira a quem de direito, e vá de gritar alto e cantar que o jogo está a começar. E cá o "mangas" ali estava a equilibrar a alegria, o entusiasmo e as manifestações, pelo que me ía sobrando tempo para apreciar o que se desenrolava ali bem perto de mim, com manifesto interesse para a "postura" (como não se dizia na altura) do nosso porta-bandeira.

 

O homem, mal começado o jogo, começou a dar mostras de não aguentar a bandeira, a princípio ainda pensei que fosse do peso, com o vento a dar-lhe pesava um bocado, mas a situação degradava-se rapidamente, a bandeira cada vez descia mais, e o pobre do homem começou a pedir ajuda aos companheiros, que não, que a não trouxesse, bem o avisaram que transportar uma bandeira daquelas era um frete de não poder mais, e era tão grande que não cabia em lugar nenhum.

 

E o homem cada vez mais aflito, que o árbitro era um ladrão, já sabia que ia ser assim, e os outros a dizerem-lhe, não olhes, se não és capaz não olhes e o homem cada vez mais de esguelha para o jogo, começou a pedir-me para lhe relatar o jogo, onde é que a bola andava, perto da "nossa" área?, com uma ansiedade cada vez maior, e eu a não saber o que fazer, ninguem se mexia, tal era a multidão, não havia por onde fugir, nem lugar havia para deitar a bandeira, queriam lá saber da ansiedade do porta bandeira, que agora já estava segura a quatro mãos, e eu sem saber se seria melhor tornar-me um garboso porta-bandeira ou não conseguir ver o jogo.

 

Optei por ver o jogo, e saber por experiência própria quanto de amor clubístico é preciso para aguentar noventa minutos com uma grande bandeira desfraldada ao vento!

 

PS: Ao Carlos Loures, grande benfiquista, e ao Fernando M Sá, grande portista, um e outro do melhor que há.

Reparem!!!!!!!!!!!!!!!!!

«No dia em que Santos Ferreira admitiu prejuízo para a imagem do BCP e que o Banco de Portugal pediu para o ouvir, Armando Vara pede para suspender mandato. O vice-presidente abdica de um salário mensal de 34 mil euros e um rendimento anual de 480 mil …»

 

Comento eu:

ISTO O QUE DEIXA DE ALAPARDAR!

GRANDE VARA!

NEM PRECISA DE PAPEL HIGIÉNICO!

 

O equívoco da plutocracia

  

 

 

 

 

 Desde que deixei de pertencer ao grupo coral da igreja de Santo António da Polana (Lourenço Marques, Moçambique), raras foram as vezes em que presenciei à celebração de uma missa. Respeitando a Igreja e as suas tradições como é normal em qualquer português consciente do importantíssimo papel por ela desempenhado durante os séculos da formação da nossa nacionalidade, confesso não ter sido bafejado pelo sopro redentor da Fé. Talvez por ignorância ou atávica preguiça, os textos sagrados foram lidos como curiosidades filosóficas, histórias exemplares para a formação da conduta da res publica, ou no pior dos casos, como frutos da superstição necessária que consolidou gentes esparsas num mundo que já foi muito maior.

 

  O discurso pronunciado há uns tempos por Bento XVI em França, carece de cuidadosa atenção. No país de todos os laicismos e de todas as superstições iluministas, o Papa procedeu a um violento e implacável ataque a este novo capitalismo dos nossos dias que parece ameaçar a própria existência da até agora vitoriosa civilização ocidental liberal. Este chamado capitalismo que desde os anos oitenta do século XX foi sendo crismado consoante o surgimento deste ou daquele grupo de manipuladores do sistema, é um perfeito mas odiado desconhecido. Não se lhe reconhecem quaisquer regras nem limites. Não é um capitalismo quantificável em obras, nem materializável em metal sonante.

É uma simples e quimérica abstracção de números e de equações ou teoremas, quantas vezes imaginários, mas  que controlam efectivamente a vida de todos, desde o mais ignoto habitante da Matabelalândia, até ao refastelado accionista do NASDAQ novaiorquino.  Longe vão os tempos dos empreendedores florentinos que se alçaram à categoria principesca pelo patrocínio do Renascimento, pela criação material que fez o mundo ocidental saltar etapas e libertar-se da tacanhez territorial de uma Europa fria, pobre, suja, feudal e sem reminiscências daquele luxo oriental que auferira durante dois milénios.

Já não existem Médicis, nem Függers e no horizonte, erguem-se os guindastes que possibilitam a construção de novos polos económicos que nada têm que ver com a produção de novidades, a promoção de postos de trabalho que tranquilizam a sociedade, ou pelo menos, que se destinem a embelezar a vida dos centros urbanos. Estas provisórias torres de aço, gigantescos Meccano que parodiam aquele famoso guindaste medieval que durante séculos foi erguendo a Catedral de Colónia, servem apenas a mera especulação. Constroem casas de minguada dimensão, sem real valor de investimento e que se inserem naquilo que o medo incutido pela insegurança, habilmente designa por condomínio.

É este mundo de medo e de condomínios que arruina a segurança física e mental de todos. Medo do vizinho que menos pode, medo do estrangeiro que connosco se cruza na rua sem em nós sequer reparar, medo do continente mais a sul, mais a leste ou a  ocidente, onde se trabalha para uma improvável perdição dos nossos.

O simples exercício de um quarto de hora de zapping televisivo, demonstra-nos a fragilidade de todo um sistema perfeitamente virtual e logicamente dispensável. Uma breve visita ao canal Bloomberg ou à CNBC,  consiste num quase paranóico exercício de masoquismo, pois a linguagem cifrada da especulação mais chã e despudorada, evidencia-se na interminável passagem de cifras, siglas, onde uma multiplicidade de termos ininteligíveis procuram conformar aquilo que para a quase totalidade dos cidadãos é absolutamente inexplicável. Consiste num mundo de fantasia alicerçada no éter das suposições de uma economia que não encontra correspondência material na realidade visível. Os serviços – ou aquilo que se imagina existir como tal -, ocupam plenamente o espaço outrora reservado aos golpes de génio de cientistas e estudiosos que mediante aturado labor, nos deram mais tempo de vida, conforto e democracia no consumo acessível para aqueles que jamais conheceram algo mais que a miserável farpela que os protegia do frio, ou a malga de sopa e o bocado de pão que enganava a fome. Longe vão os tempos dos titãs da indústria e da finança. Onde estão os Krupp, os Thyssen, os Vanderbilt, Hearst ou Citroën? Onde param as portentosas realizações sociais daquelas empresas que dentro dos seus muros incluiam creches, hospitais, escolas técnicas, primárias e laboratórios de pesquisa onde o mais humilde podia ambicionar a glória da ascensão pela simples manifestação do talento? Onde estão os herdeiros dos Luíses XIV ou Joões V que  imortalizaram na pedra os sonhos de grandeza e nos proporcionam aquilo que orgulhosamente exibimos como a nossa cultura? Onde estão aqueles Alfredos da Silva que construíram impérios, arrancaram milhares à gleba ancestral e impeliram ao estudo várias gerações que nos deram o mundo moderno de que desfrutamos despreocupadamente e de forma tão ingrata?

 

Este capitalismo dos nossos dias, não é o capitalismo do conceito que aprendemos e que muitos até reprovaram de forma violenta, acabando-o até por copiá-lo travestido de estatismo. É algo de profundamente nefasto, mesquinho e brutal no seu apetite de exploração. Trata-se de uma manipulação iconoclasta que não conhece nações nem fronteiras, que não respeita homens ou locais de trabalho e que para cúmulo da nossa previsível infelicidade, abre de par em par as até agora bem aferrolhadas portas do nosso mundo, possibilitando o ímpeto oportunista de novos comunismos ou aventureiros de ocasião, desta vez providos do ensinamento da História e dos impiedosos recursos tecnológicos que farão sentir o esmagador peso de uma inaudita opressão. É isto o que o futuro parece reservar à totalidade das nações e países, mas teremos ainda a possibilidade de o esconjurar?

 

 

 

Quadras do dia

O país de cima a baixo

É um covil de ladrões

Mas ainda há gente séria

Entre os nossos dez milhões.

 

Ser corrupto é ser podre

Porco, sujo, cagalhão

Não há crime mais nojento

Do que a grande corrupção.

 

Tudo gente muito fina

Tudo altos figurões

Gente da alta finança

Empresários e patrões.

 

Não há nada que te safe

Ó meu portuga coitado

O poder é todo deles

E a justiça passa ao lado.

 

Como Se Fora Um Conto – As Minhas Férias na Montanha (segunda parte)

AS MINHAS FÉRIAS NA MONTANHA (SEGUNDA PARTE)

(CONTINUAÇÃO DAQUI)

Um ano sem nos vermos. Tanto tempo!

A ESTADIA

Da minha idade, os meus amigos eram o A e o O, a A e mais alguns, cujos nomes a memória apagou, provocada por quarenta anos de ausência, que não as caras, essas presentes e marcadas indelevelmente em mim. E todos os outros, que pela idade poderiam ser meus pais ou avós. A sra Isaura, a sra Zulmira, o sr Manuel Inácio, a I, o primo T M, o Zé das porras (interjeição sempre presente nas suas palavras), o Brasileiro, porque esteve para ir para o Brasil embarcado, o B.

Havia ainda o Padre que tinha um rádio a pilhas que tocava alto na janela, e a irmã mais nova deste, que um dia se zangaram connosco. Tanta gente boa, tantas lembranças saudosas.

Em Meneses viviam os Marta, os Maio, os Miranda, e outros igualmente importantes. Esta aldeia chegou a ter um movimento imenso de pesssoas. Hoje está reduzida a meia dúzia de habitantes.

Depois de tudo arrumado, ou ainda antes dada a euforia do momento, saía de “nossa” casa em direcção à casa do meu amigo A. Por lá, o pai, a mãe e o irmão, davam-me calorosamente as boas vindas. A prova do presunto ou do salpição, acompanhados pelo minúsculo copito de vinho, era obrigatória. Durante a prova, que os donos da casa faziam questão de providenciar, contavam-se as novidades, e punha-se a conversa em dia. Havia sempre muito que contar. Um ano de ausência é muito tempo.

Depois corria as “capelinhas” todas. A casa do primo, a casa do Padre, a casa da A, e acabava em casa da I. Em todos os lados, as mesmas conversas, e as mesmas provas, com as cambiantes próprias das diferenças de interesses de cada um.

O regresso a casa foi numa das vezes, complicado. Convém dizer que entre as duas casas mais afastadas não distavam mais de duzentos metros. A aldeia é pequenina.

Já perto do fim da tarde, com o sol a pôr-se para lá dos montes, regressava eu da minha última visita, quando me perdi. Dei por mim a não saber onde estava nem o que fazia por ali. Depois das muitas provas, quatro ou cinco, de um copito meio cheio de vinho em cada casa, de muitos cigarros (sim, naquela altura eu fumava uns cigarritos) a acompanhar, e de pouco pão de centeio e pouco presunto e salpicão, fiquei um pouco etilizado. Deveria ter perto de dezoito anos quando isso aconteceu. Com muita dificuldade, e também um pouco de sorte, já escuro, cheguei a casa. O jantar foi frugal, mas a bebida continuou a acompanhar-me, assim como os cigarros. Estava instalada a minha primeira bebedeira assumida (tinha havido, anos antes, uma outra, dizem as más línguas, que nunca aceitei que o fosse). Aquela noite ficou-me gravada para sempre. Passei mal, muito mal, e como resultado, não bebi mais durante dois anos, e não fumei durante cinco. Infelizmente ainda retomei o cigarro durante sete anos, altura em que acabei com eles para sempre.

No dia seguinte, começavamos a acalmar da euforia do dia anterior. Com a chegada do pão, fresquíssimo, grande, de centeio ou de mistura, acordávamos. A noite mal se tinha despedido de nós. Depois as coisas habituais. Ver quem ia primeiro à casa de banho, minúscula. Era uma “guerra”. Quem se levantasse mais cedo, mais sorte tinha. Depois, o pequeno almoço. A mesa já posta, o leite, o café, o chocolate, a manteiga, tudo em cima da mesa a chamar por nós. E os seus cheiros, esses, acompanham-me desde então. Quando os sinto, salivo, e uma saudade tremenda apodera-se de mim. Comíamos como se fosse a nossa última refeição. Os ares da montanha tinham começado já a fazer efeito. Saboreávamos tudo muito devagar. Tudo era feito com muita calma.

Como sempre, após ter comido, e em paz comigo e com o mundo, saía, dava a volta à casa, e ficava durante algum tempo, a olhar o vale, a serra e os campos espalhados pela encosta. Também me deliciava a sentir os cheiros que ali eram totalmente diferentes dos da cidade. Não me cansava de olhar. Era a altura do dia que eu mais gostava. Dei comigo a pensar muitas vezes, nos últimos anos que por lá andei, que seria ali que gostaria de vir a acabar os meus dias.

Nos anos, e foram bastantes, em que todos os primos, ou quase, estavam juntos, não havia lugar para todos dormirem em casa da sra Margarida. Por essa razão, eu ia dormir em casa do meu amigo A. Era bom, era diferente. Era uma maravilha.

A casa dele, separada da outra por uma vereda, era antiga, o chão era de largas réguas de madeira, em grande parte por cima das cortes do gado e tinha uma varanda sobre o vale e a serra. Perdia-me de amores pela varanda. Adorava estar lá a olhar, a olhar.

Foi lá que aprendi a ouvir o silêncio, quebrado aqui e além pelo vento, por um restolhar dos braços das árvores, pelo chilrear de algum pássaro ou pelo mugir de algum boi.

Fui muitas vezes com estes meus amigos, “trabalhar” para os campos. Eu nada fazia, claro. Mas levava a enxada, a mais pequena como é evidente, e às vezes a barriquinha do vinho, ou a merenda.

Quando isto acontecia, o dia era diferente para melhor. Os pés nus na lama e nos regos da água, os cheiros, o da terra acabada de cavar, ou o da erva cortada, ou ainda o do folhelho arrancado e atado mesmo ali a meu lado.

Era uma jorna dura, de trabalho árduo, de que eu mal me apercebia. Eu era o menino da cidade que nada sabia fazer e só estava a passar férias. Os meus amigos e o pai deles, trabalhavam quase sem parar. Os intervalos eram raros, e só para um gole na barrica ou para uma bucha de pão.

Quando regressávamos a casa, eu vinha feliz. Sujo de terra, mas feliz. Tinha sido um dia em cheio. Dos que valem a pena lembrar pela vida fora.

Noutras alturas, estamos em Setembro, lembram-se (?), acertávamos na semana da vindima. A azáfama era imensa. Era preciso ser rápido, que havia muita uva para apanhar.

Na minha memória ficaram estampados os grandes cestos de vime onde todos despejávamos o que íamos colhendo, os pequenos cestos pendurados nas ramadas ou nas escadas, as tesouras, os cheiros, sempre os cheiros que ainda hoje sinto, os carros de bois, a alegria estampada no rosto de toda a gente.
Nestas coisas eu já ajudava, embora pouco, e por pouco tempo. Depois, mais tarde, quando tudo apanhado, havia o pisar das uvas com os cânticos dos homens descalços dentro do lagar, a pisar, a pisar, a pisar.

Adorava estar no meio deles. Sentia cócegas nos pés ao calcar as uvas. Entalado entre dois dos homens, era engraçado reparar como, ombro com ombro, íamos pisando ritmadamente sem parar. E mais uma vez, o cheiro forte da uva pisada.

Mas os trabalhos que aqui relato, eram esporádicos, para nós, crianças. Na maior parte do tempo, os dias eram gastos em brincadeiras infantis. Um “pau” de milho (o caule da planta, que na sua parte superior faz uma curva onde encaixa a espiga), servia como espada, e também servia como cavalo. Com um pau atravessado a unir dois caules na sua parte superior servia como junta de bois. E lá fazíamos as nossas lutas de capa e espada, as nossas cavalgadas, ou os nossos trabalhos do campo, imitando o som maravilhoso dos carros puxados pelos bois. Iiiiióóóó … íiiiióóóó… íiiióóóó.

As horas passavam bem depressa. Logo logo era noitinha e íamos para casa. Durante o dia só lá passávamos para o almoço ou para o lanche. De resto andávamos pelos montes, sozinhos, sem necessidade de quaisquer cuidados. Por vezes íamos às aldeias vizinhas, Moçães, Torgueda, Arrabães, só por ir, ou para telefonar aos nossos pais, ou ainda para comprar, na “venda”, alguma coisita que a sra Margarida necessitasse (a venda era uma espécie de mercearia onde havia de tudo, desde pão ou grão ou caramelos, até enxadas ou productos para a terra, ou ainda telefone ou serviços de correio). Também para deitar qualquer carta no marco do correio, ou para comprar o respectivo sêlo. Se a memória me não falha, naquelas bandas, só havia um telefone em Moçães e outro em Arrabães. Sá havia marco do correio em Arrabães e uma venda em cada uma dessas aldeias. Em Torgueda, havia a igreja onde aos domingos íamos à missa, e o cemitério.

Foi em Meneses que pela primeira vez, vi lacraus. Os meus amigos mostraram-mos, levantando algumas pedras, e ensinaram-me a não me meter com eles. Foi por lá, que me familiarizei com os bichinhos que existem por todo o lado, aprendendo a não ter medos e a saber respeitá-los. Foi lá, em Meneses que aprendi muito do que a vida é.

As noites eram engraçadas. Quando nada havia para fazer, jogávamos às cartas (ao burro, à bisca dos três ou dos sete, ao crapô ou à canasta), ao dominó, ao jogo chinês e às adivinhas. Tudo debaixo da luz do petromax ou do gasómetro. E era giro. Adorávamos as noites sem horário para deitar.

Mas quando havia que fazer, valia ainda mais a pena. E o que havia para fazer, era trabalho que todos fazíamos com muita satisfação. O mais interessante de todos era o debulhar do milho. Juntavamo-nos numa espécie de cabanal, ou eira fechada, sentavamo-nos em roda e começávamos a debulhar o milho. Havia conversas, cânticos, anedotas, tudo o que se possa imaginar. Na roda, muita gente, nova e menos nova. Rapazes e raparigas das mais diversas idades. Tudo numa alegria imensa, que explodia quando alguém apanhava uma espiga vermelha. O milho rei. O felizardo ou felizarda, tinha então direito a festa, a beijos, a abraços e a ditos maliciosos. Quando tinha a sorte de me calhar a mim, sempre corava de vergonha. Tinha de escolher uma moça para me beijar, e a minha timidez não me deixava. A vontade era imensa, e no fim, depois de risos e chacotas, lá acabava por se concretizar o meu prémio. E o beijo lá vinha, acompanhado das brincadeiras dos restantes, e era dado na parte da cara que mais longe estivesse da boca. Às vezes, quase na orelha, que na testa não era permitido. Satisfação interior grande, a minha, e a cara mais vermelha que o milho. Havia quem fosse malandro e  escondesse a espiga de milho rei atrás das costas para que ciclicamente fosse bafejado com a “sorte”. Eu, nunca fui capaz de o fazer. Azar o meu!

As férias acabavam depressa. Normalmente no dia de aniversário do dono da casa, ou no Domingo a seguir, que era o dia do almoço, onde toda a minha família ia, e onde quase não se notava que era para festejar a ocasião. No entanto, nunca vi aquele senhor queixar-se de alguma coisa. A felicidade dele e da sra Margarida em nos ter lá a todos, assim como de toda a gente que connosco convivia, era enorme, e não se preocupavam com menores atenções, se é que alguma vez existiram. Eu, também só acabei por reparar nessas coisas, muito mais tarde, e é até possível que nem fosse tanto assim.

A tarde chegava num ápice. Tínhamos de estar no Porto antes de anoitecer, que o Marão era perigoso de descer. Encontrávamos nevoeiro com muita frequência. Pelo menos duas horas de caminho, se não mais.

Despedidas, abraços, promessas, beijos.

-Até para o ano.

-Adeus, até para o ano.

-Façam boa viagem.

-Obrigado, fiquem bem.

Um último aceno antes da curva da estrada que nos impedia a visão.

Uma lágrima no canto do olho, aparecia por vezes, e eu fazia todos os possíveis para a disfarçar, mesmo de mim.

Quando dei por ela, tinham passado alguns anos, muitos, sem que eu lá voltasse naquela altura do ano, e até alguns, demasiados, em que simplesmente não ia de forma alguma. As minhas férias na montanha, naquela aldeia maravilhosa, tinham acabado há muito. E aí, a saudade chegou, mas não havia nada a fazer.

A não ser, talvez, conseguir deixar um testemunho saudoso.

In O Primeiro de Janeiro, 4-11-2009