A Fugas do Público

É um exemplo de bom jornalismo.

Sandra Costa, Directora da Fugas (Suplemento de Sábado do Jornal "Público")

Feito por gente boa que todos os sábados me surpreende.

O dinheiro, ou a ausência dele nunca me deu muitas oportunidades para viajar e conhecer outros mundos. Com a Fugas, todos os Sábados (o únido dia da semana que não termina em A  em que compro o jornal) sonho em sair daqui! Fico a saber mais sobre comida, sobre os vinhos que não bebo, sobre os carros que não gosto… Mas é sempre um prazer ler.

Obrigado pelo vosso trabalho!

FUTaventar – Domingos e o Pinto da Costa

São tão amigos, mas mesmo, mesmo tão amigos que o FCP até perde só para deixar o Domingos à mesma distância. Isto é que é camaradagem!

Coisas Que Me Confundem, Muito! (Parte Dois)

.PARADAS?, OCULTADAS!

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.Nove certidões do FACE OCULTA estiveram paradas (ocultadas, escondidas, sonegadas, disfarçadas, subtraídas) quatro meses na PGR.

Foi por causa das eleições?

Mas que grande lata que estes senhores têm!

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O Roto Chileno e O Zé Povinho: duas espadas na mesma bainha

Em 1839, no sul do sul do mundo ocidental, livrava-se uma guerra entre o Chile e a recentemente criada Confederação Peru-Boliviana. Países recentemente libertados da Monarquia Espanhola. O Chile, em 1818, ajudou o Peru, e em 1820, o Peru a Bolivia. Ganharam a sua autonomia. Do Peru, foi expulso o Vice-rei espanhol e o governador da Bolivia, o Marechal Andrés de Santa Cruz,tomou o mando das duas nações.As nascentes repúblicas sul-americanas enfrentaram um inevitável período de anarquia política até lograr o necessário consenso cidadão para se consolidarem como nações- A criação da Confederação Peru-Boliviana, outorgou a Santa Cruz o poder político  e económico suficiente para projectar-se superiormente contra Chile.O Ditador desenvolveu sérias interferências às actividades comerciais chilenas, violando tratados existentes, em quanto buscava fazer cair ao Governo do General José Joaquín Prieto Vial com variadas tácticas de infiltração política,

Os chilenos não aceitaram, rebelaram-se contra a confederação e a  marcha forçada, cruzaram 3000 quilómetros de território chileno para atacar a quem pretendia derrubar o seu Governo. O ponto nevrálgico para entrar em territórios da Confederação, era assaltar o Morro de Arica, um monte de pedra, guardião das fronteiras dos três países, que tinha que ser ultrapassado. Parecia quase impossível. No entanto, a 20 de Janeiro de 1839, o exército chileno,

com facas e muito aguardente, trepou esses 600 metros de altitude, com 56 Km de comprimento e apenas 8 Km de largura máxima e.914 metros a maior elevação, debaixo do ataque a tiros dos soldados da Confederação. Metralha impossível de atingir aos que escalavam o morro, porque a pendente alta e plana desviava a espingarda para o vazio ou sobre as tropas que protegiam os atacantes e disparavam contra o inimigo. A aguardente, bebido alcóolica do Chile de  40º, sedava, dava forças e embebedava, convertendo os asaltantes em feras sem medo. O calor era imsuportável, o assalto ocorreu ao entardecer, os atacantes em silêncio surpreemderam por trás o exército da Confederação, ganhando o morro, sito na vila de Yungay, na noite de 20 de Janeiro. Comandos pelo General Manuel Bulneses, a vitória deve-se aos notáveis dotes militares do comandante e à admirável capacidade guerreira dos soldados chilenos, que tornaram possível a entrada nas terras confederadas, pelo assalto dos cem soldados, todos rotos (rasgados e com várias escoriações corporais) pela escalada. Foi assim que nasceu a palavra Roto Chileno e a sua comemoração a 20 de Janeiro de cada ano, decretada pelo Allende do Século XIX, o Presidente Liberal José Manuel Balmaceda Fernández, a 7 de Outubro de 1888, que, para homenagear o Roto Chileno, pela sua participação  no triunfo contra a Confederação Peru-Boliviana, mandou erigir uma estatua na Praça de Yungay em Santiago do Chile. É, pois, nesta praça, que desde o dia em que se decretou esta festa, todas os anos se continua a comemorar o nome do Roto Chileno e o seu contributo fundamental para a manutenção da Independência nacional.

* En Chile se entiende por "roto" a la persona de origen humilde que por lo general no sabe comportarse en sociedad, aunque este uso que llega a ser despectivo en mucha ocasiones se utiliza más cuando quien lo utiliza es de otra nación. E o Zé Povinho?. Narrado ontem, o Zé Povinho é o Roto Chileno, com uma grande diferença. O Zé Povinho é uma metáfora nacional criada pelos burgueses do seu tempo para especular sobre o povo e considerar a personagem como um parvo que nem falar sabe. Ou simples, o Zé Povinho é uma figura cheia de contradições, tal como foi referido por João Medina em "O Zé Povinho, caricatura do «Homo Lusitanus»": Mas se ele é paciente, crédulo, submisso, humilde, manso, apático, indiferente, abúlico, céptico, desconfiado, descrente e solitário, também não deixa por isso de nos aparecer, em constante contradição consigo mesmo, simultaneamente capaz de se mostrar incrédulo, revoltado, resmungão, insolente, furioso, sensível, compassivo, arisco, activo, solidário, convivente. Pensa-se dele com estes sinónimos: gentalha fofoqueiro desgraçado povo populares gente simples medíocre .

O Roto Chileno é de cepa diferente: nem parvo, nem se engana ao falar. Pelo contrário, a sua inteligência é grande e arguta e sabe manipular as situações mais difícieis para o seu bem- estar.

Os dois, com todo, são louvores entregues ao povo para os manter calmos e destemidos nas piores situações financeiras que acontecem quando não existe no país a arte de governar. O Zé Povinho é desenhado como parvo, o Roto Chileno, é considerado como um ser de grande habilidade.

No entanto, se o Roto Chileno é resultado de factos de guerra e da sua força para batalhar, é apenas uma metáfora, como o Zé Povinho. Os verdadeiros Rotos e Zé Povinhos, são os pobres da nação, como esta imagem nos mostra:

 

Em minha opinião, as metáforas acima referidas devem ser rejeitadas por ofenderem pessoas  da nossa Soberania.

 

Obama ganha batalha do sistema de saúde

Por 220 votos contra 215 Obama consegue uma vitória extraordinária que terá repercussão em todo o mundo.

 

Desde Roosevelt que nenhum presidente americano tinha conseguido fazer passar uma reforma na saúde, incluindo Clinton que teve que recuar.

 

Do que se trata é trazer para dentro do sistema 40 milhões de americanos que não têm qualquer cobertura de cuidados de saúde. Isto que parece ser, e é, um acto de humanismo e de bom senso, tem contra as seguradoras americanas que defendem o negócio com unhas e dentes.

 

O sistema americano, que deixa de fora 40 milhões de cidadãos pobres é, mesmo assim ,mais caro que o europeu e com prestações de saúde de menos qualidade. As próprias empresas, que pagam estes seguros aos seus trabalhadores, têm dificuldade em os suportar e constituem uma pesada factura na competitividade externa dessas empresas.

 

Contra o capitalismo sem rosto e ganancioso que leva ao desespero milhões de pessoas em todo o mundo, esta medida do governo americano aproveita a actual fraqueza para fazer vingar um objectivo de grande alcance politico e social.

 

Não esqueçamos que este mesmo governo, que tem contra si  o grande capital, é o mesmo que injectou milhões de dólares para salvar as grandes empresas em falência, após a ganância sem freio dos últimos dez anos.

 

Mas não havia dinheiro para a saúde dos cidadãos !

 

 

Onde pára o nosso dinheiro?

Só para não esquecer:

 

No BPN já lá foram metidos pelo Estado 3.5 mil milhões e necessita de uma injecção extra de capital de 1.8 mil milhões

 

No BCP o assalto socialista com dinheiro da Caixa Geral de Depósitos é um segredo de Estado, não se sabe quanto nos custaram os negócios finos.

 

No BPP foram lá metidos 400 milhões de euros, há um silêncio assustador

 

Nas autoestradas a construir já derraparam 1 110 milhões de euros, reparem "a construir"

 

Só em 2011 Portugal voltará a ter riqueza igual à de 2006

 

Os cenários traçados para 2010 e 2011 deixam-nos paranóicos. Dívida pública e défice com valores brutais.

 

A queda do PIB prevista por Bruxelas para este ano, é de -2,9%. Para 2010 e 2011, as projecções são de 0,3% e 1%.

 

A taxa de desemprego estimada para este ano e para o próximo é de 9%, o que é uma surpresa, atendendo a que o crescimento miserável do PIB vai continuar a criar desemprego, logo aquela taxa vai ser ultrapassada.

 

A Dívida Pública no final de 2011 vai atingir 91,1% !

Coisas Que Me Confundem, Muito!

O ENVELOPE DO DR VARA

O sr dr Armando Vara, pessoa muito importante, com múltiplos e bons conhecimentos em tudo quanto é empresa, e também em todos os lugares de decisão a nível nacional, amigo pessoal do nosso Primeiro, Sócrates II, o Dialogador, vice presidente do BCP, ex-administrador da CGD, ex-deputado pelo partido Socialista, ex-secretário de Estado e ex-ministro, com um vencimento chorudo e com bons rendimentos globais, suja-se e é apanhado por causa de uns míseros dez mil euros?

Que oculta esta face?

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Clube dos Poetas Imortais: Daniel Filipe (1925-1964)

Ouvimos o belo poema de Daniel Filipe, «A Invenção do Amor», muito bem dito por João Manuel Alves e seguido por uma canção de Pedro Abrunhosa inspirada no poema. Daniel Filipe é um poeta, nascido em Cabo Verde, mas que faz parte da história da Literatura Portuguesa do século XX – no entanto, não vamos com isso criar um problema com os nossos irmãos cabo-verdianos – digamos que ele pertence aos dois países – a Cabo Verde porque lá nasceu, a Portugal porque aqui viveu, sofreu, amou e escreveu a sua poesia maravilhosa.

 

Além dos livros que nos deixou, foi um activista cultural e político. No final da década de 50, trabalhou na delegação do Porto do jornal lisboeta Diário Ilustrado. Cordial, amistoso, grande contador de histórias, depressa se relacionou com um grupo de escritores antifascistas como ele – Egito Gonçalves, Papiniano Carlos, Luís Veiga Leitão e outros. Com este grupo ajudou a criar as «Notícias do Bloqueio», título de um poema de Egito Gonçalves e de uma série de nove «fascículos de poesia», publicados no Porto entre 1957 e 1961. A PIDE prendeu-o porque animação cultural para aquela gente significava «agitação social» (talvez não o tenham prendido só pela sua actividade cultural; mas também). Foi, segundo consta, barbaramente torturado. Morreu em Lisboa com 39 anos.

Não tive o prazer de o conhecer. Vi-o uma vez ou duas, disseram-me – «Olha, é o Daniel Filipe, o da “Invenção do Amor”», mas nunca falámos. Fora um dos organizadores dos Encontros da Imprensa Cultural, ou melhor, organizou o primeiro, no qual não estive. Participei no segundo em Cascais, em Julho de 1964, quando ele acabara de falecer. Na foto que encerra o texto  documenta-se o momento em que nesse II Encontro, se guardava um minuto de silêncio em memória de Daniel Filipe, fundador daquele movimento e grande poeta.

 

Daniel Filipe, nasceu em 1925 na ilha da Boavista, em Cabo Verde, e faleceu em Lisboa no ano de 1964. Jornalista e funcionário da Agência-Geral do Ultramar. Dirigiu o programa «Voz do Império» na Emissora Nacional. Foi preso pela PIDE, sendo submetido a tortura. Entre a sua obra destaca-se: «O Viageiro Solitário» (1951), «A Invenção do Amor» (1961) e «Pátria Lugar de Exílio» (1963), colectânea de que seleccionei um fragmento da 3ª Canção:

            Pátria, lugar de exílio

            geométrico afã

            ou venenoso idílio

            na serena manhã.

 

            Pátria, mas terra agreste;

            terra, apesar da morte.

            Pátria sem medo a leste.

            Lugar de exílio a norte.

 

            Pátria terra, lugar,

            cemitério adiado

            com vista para o mar

            e um tempo equivocado.

 

            Terra, débil lamento

            na temerosa noite.

            Sobre os carrascos, vento,

            Desfere o teu açoite!

 

No II Encontro da Imprensa Cultural, realizado em Cascais em Julho de 1964, guarda-se um minuto de silêncio em memória de Daniel Filipe. Este encontro foi presidido por Manuel Ferreira, ao centro. O escritor catalão Fèlix Cucurull é o sétimo, da esquerda para a direita.

 

Afinal parece que os Professores de Argoncilhe tinham razão

Há um ano

 

Argoncilhe na Manifestação de 8 de Novembro de 2008

 

Começou por ser um ataque descarado ao nosso profissionalismo. Eram, os 150 mil, uns malandros, uns incompetentes e tudo o que havia de mau na Educação era culpa dos Profs.

A malta fez greve – a Ministra vai para tribunal para impedir a greve.

Em Outubro, num dia feriado, vamos para a rua e esse maravilhoso Sr. Lemos vem para a TV falar em milhões de horas que os professores não trabalhavam porque faltavam – ao que parece, o mesmo motivo que o levou a perder um mandato não sei onde.

Aí o país começou a tocar a mesma música, logo, é muito bem feito, os professores são uns malandros que não fazem nada e ganham muito.

Aos poucos a classe foi-se levantado, uma vez no dia Internacional da Mulher, uma outra foi necessária 8 meses depois… e outra… ELEIÇÕES!

Só agora todos dizem o que nós andámos a dizer durante 3 anos!

A vida é isto mesmo, LUTAR sempre! É uma AVENTURA!

 

Nota: em tom de saudade dedico esta vitória ao Dalby que, como sabemos, esteve em todas as Manifestações de Professores

A Amélia das Sucatas

trash

Imagem KAOS

 

As taxas de combustível estão altíssimas e isso torna as Maldivas muito longínquas, e já está toda a gente a pensar para que é que as Maldivas são chamadas para aqui, mas isso ainda é segredo: posso adiantar que estando muito perto do nível do mar, a erosão salina faz desaparecer a sucata muito depressa, por aquelas paragens, ao contrário de cá, em que se enrolam em trapos pretos, e vão viver para umas terras de nomes horríveis, na Beira, e ficam com a sucata toda lá por baixo, enfim, supõe-se que seja por isso que os garanhões da pastorícia — ainda há pastores — prefiram as ovelhas, a terem de comer a avó do melhor amigo…

Tirando esta introdução, muito metafísica, como viram, vou já falar do tema do dia, que é quando a gente pensa que já chegou à última cave, a Nação tem sempre uma surpresa, e lá levanta mais um alçapão, e mostra-nos uma subcave, bafienta, e ainda mais deprimente, que, afinal, nos rege na sombra.

Antigamente, no tempo em que o António Variações fazia de Cesévora Ávida, e nada lhe escapava, nem na goela, nem na cloaca, o rés do chão era a corrupção do Futebol, mas o avião fez-se um pouco mais à pista, e descobrimos que, por detrás do Futebol se escondia o nível inferior, dos Construtores Civis, e eu pensei, "pronto, chegámos às bases…", mas a verdade é que as bases ainda não eram essas, e ainda havia as rainhas, as princesas e as camareiras da sucata, uma espécie de discretas vascas francas, que saltavam à vara por cima de uns godinhos que só deus sabe em que ferrugem habitavam.

É deprimente saber que, enquanto a Rússia tem o Kremlin, os States, a Casa Bran… perdão, Preta, a França, o Eliseu, o País é governado a partir de uma sucateira, e, portanto, qualquer Plano Tecnológico, qualquer Plano Nacional de Leitura, ou qualquer Plano de Ação da Matemática estão, não só cronológica, como espacialmente desfasados da Realidade, como, aliás, todos pressentimos, embora nos choque ver a confirmação.

Eu até aqui estaria descansado, mas deixo de estar descansado, quando penso, por analogia, que, se já ontem o último patamar foi vencido por um mais baixo, também amanhã aparecerá qualquer coisa ainda mais subterrânea, que fará parecer a Sucata um Belvedere, ou "un Petit Trianon".

Tudo o resto que vou escrever é pura imaginação, mas suponho que, por detrás dos sucateiros, amanhã, se descobrirá que quem realmente governa este país sejam aquelas velhinhas dos sacos, recoletoras do lixo, que entornam os caixotes verdes no passeio, para grande desgosto do António Costa e alegria dos cães e gatos famintos, que têm bigode, dizem palavrões rosnados, e nos ameaçam com a bengala, mas que, em contrapatida, naquelas sacolas, amarradas com cordéis sujos, transportam segredos, matéria cifrada, e o registo de fluxos financeiros importantíssimos. No fundo, só a nossa desatenção não o permitiu ainda descobrir: basta olhar para a corcunda de cada uma dessas sombrias criaturas, e para o disfarce perfeito de… sei lá… de pobres, sim, de pobres, que elas põem, para se ver que, na verdade, são realmente poderosas.

Isto não sou eu a delirar: mal a gente vira as costas, elas tiram dos bolsos telemóveis caríssimos, de platina, e ligam para o Obama, tratam-no por tu, com vozes de Maria João Avillez, exercem pressões e chantagens no Héron-Castilho, e ditam todas as oscilações do preço do Petróleo e do Plutónio, no Golfo Pérsico. É por isso que eu adoro viver no Umbigo do Mundo, e me sinto todos os dias importante, e cada vez mais  seguro, e espero que vocês também.

 

 

(Hexagrama do latão do lixo, no "Aventar", no "Arrebenta-SOL", no "A Sinistra Ministra", no "Democracia em Portugal", no "KLANDESTINO", e em "The Braganza Mothers")