Sócrates faz parte do problema

Hoje no Público, Vasco Pulido Valente, vem dizer o que aqui há bastante tempo, venho dizendo. As coisas para o país seriam bem mais fáceis sem Sócrates!

 

Com o PS mas sem Sócrates, seria possível encontrar áreas de concordância, convergências, entendimentos que não são possíveis hoje e que ajudariam e muito na governação. Sócrates tem inimigos, pessoas que não lhe perdoam quatro anos de governo de "quero, posso e mando" e a quem tratou mal .

 

Ninguem quer partilhar com Sócrates esta situação miserável, a caminhar para a bancarrota e muito menos a continuar políticas que se revelaram desastrosas como mostram os resultados.

 

Depois, as suspeitas em que se envolve ou em que o envolvem, minam a credibilidade e a capacidade de resolver problemas, arrastam consigo a credibilidades de outras figuras do Estado, como é esta patética " revelo, não revelo" que o PGR protagoniza.

 

Obrigado a recuar em políticas que há seis meses eram intocáveis, e por fraqueza, não por vontade própria, vai rapidamente perder a iniciativa política e daí à paralisia, vai um passo.

 

Quiz governar pela propaganda e para isso arranjou multiplos combates com a comunicação social, tentando amansá-la, no que resultou casos atrás de casos,  espremidos até ao absurdo, no meio de uma situação económica dramática.

 

Em democracia é possível enganar muitos durante algum tempo!

Rodrigo Leão

Rodrigo Leão

Lá fora chovia copiosamente. Era sábado, a primeira noite de um fim-de-semana prolongado. Nos écrans de televisão estava a dar o sporting-benfica.

Fomos mais de três mil que viramos costas a tudo, ao futebol, às mini-férias de Dezembro, ao aconchego de nossa casa. No dia em que soube que eles vinham ao Porto, tratei de vida. Foram três notas de vinte aplicados em prenda à patroa. Nem que chovessem canivetes, pensava eu, longe de saber que não foram canivetes mas penicos dela. “Vida tão estranha”, canta a Ana. “Como uma corda tensa vivo o dia-a-dia” e são estas noites de magia que nos aliviam a alma. E que noite, meus caros amigos e amigas, que noite!

Era a primeira vez que o Coliseu se enchia para os receber. Francamente, dei por mim a pensar que estava a sonhar. Como um Porto Vintage, um jantar no D.O.C. ou uma escapadela no Alentejo profundo, imaginem um concerto que juntou tudo o que de bom se faz em Portugal. Agora que estão a imaginar e o deslumbramento vos invade, eis encontrada a definição para este concerto de Rodrigo Leão e os Cinema Ensemble nesta noite de verdadeira magia.

Nas suas faces, perante um Coliseu pelas bordas, via-se o nervoso miudinho. Todos os artistas, incluindo muitos dos internacionais que nos visitam, sabem que este público é especial. Exigente e duro mas de uma entrega genuinamente total quando perante a excelência. E isso pesa, se pesa, na cabeça de qualquer artista. Foi aqui que vi a Beth Gibbons chorar como uma menina tal o ambiente electrizante com que o Porto recebeu os Portishead e a surpresa estampada no rosto de Lila Downs na Casa da Música mas também um certo distanciamento de boa parte da assistência quando os Feist por cá passaram e que dizer da loucura instalada aquando do concerto dos Placebo? Somos assim, ou tudo ou nada.

Esta foi a noite da consagração de Rodrigo Leão e dos Cinema Ensamble no Porto. Merecida, mais do que merecida. O Rodrigo Leão é o maior génio vivo da música portuguesa e só se espanta quem não conhece. Mas esta foi uma noite especial, muito especial para a Ana. A sua voz é divina. A forma como começou nervosa, quiçá receosa perante tantos e tantos e se superou por via de uma entrega total e absoluta, numa comunhão perfeita com os músicos, marcou-me profundamente e, tenho a certeza, a todos os presentes. Foi uma dádiva.

A Ana Vieira entrou, a partir de hoje, na “minha” galeria das mais notáveis vozes femininas. Mas o que estou eu a dizer? Ó injustiça! Qual Beth Gibbons, qual Lila Downs, qual PJ Harvey ou Laura Veirs ou Yael Naim? Lhasa de Sela? Joanna Newsom? Little Annie ou Teresa Salgueiro? Qual quê? A Ana Vieira é “A Voz”.

O seu canto, em português (perfeito), em francês (maravilhoso), em castelhano (castiço), em inglês (competente), etc, etc, etc, supera qualquer outra.

Ela ali, sozinha perante o holofote de luz, com o microfone na mão direita enquanto a esquerda ajuda a amparar o corpo no tripé, a sentir os instrumentos e a embalar o público num êxtase completo cantando “a minha alma chama por ti” e, no fim, o calor das palmas, dos gritos de “bravo” e ela, a sorrir envergonhada como uma criança e com as mãos abertas com os dedos esticados, muito hirtos, como dez pequenas barras de ferro, fugindo da nossa vista. Ela fugiu, refugiou-se atrás da cortina preta enquanto o Coliseu vinha abaixo numa enxurrada de palmas e palmas e palmas. Ela fugiu talvez querendo manter escondido este que foi, até hoje, o maior “Segredo” da nossa música e eu “Em vão procuro as palavras” que expliquem o que hoje aconteceu e só “peço mais uma vez ao tempo” que me permita voltar a assistir a uma noite assim.

O Porto é assim, grato perante o sublime, insistiu incessantemente para um regresso ao palco e no que foi retribuído. Mas não chegou e, uma vez mais, quando o Coliseu já tremia, outro regresso com repetição de temas fruto, julgo eu, da surpresa, outros não estavam preparados. São assim as noites de apoteose. São assim as noites mágicas.

Red Bull Air Race em Lisboa! E que tal o Rock in Rio no Porto?

Penso que é justo! Já tivemos 3 anos a olhar para o céu e a ver a bela competição. Os lisboetas também têm direito a ver os aviões!

No entanto, para que a justeza se mantenha, é necessário que venha para o Porto o Rock in Rio…

Ó suiços, agora não se esqueçam de demolir estes minaretes

Catedral de Bâle

Catedral católica de Bâle

Catedral Protestante de Lausanne

Catedral protestante de Lausanne

Ernesto Melo Antunes – não faltou ninguem que fizesse falta

Já quando era primeiro ministro, Cavaco Silva não apoiou a candidatura de Melo Antunes a Presidente da UNESCO. Nessa altura não funcionou a tal ideia que é preciso apoiar Durão Barroso para presidente da Comissão Europeia por ser português.

 

Agora, enquanto Presidente da Republica, não aceitou o convite para presidir à homenagem a Melo Antunes que foi prestada nos dias 27/28 e 29 na Calouste Gulbenkian. Cavaco Silva, vá lá saber-se porquê, não gosta de Melo Antunes, nem dos capitães de Abril. Ora a verdade é que lhes deve, por inteiro, ter sido primeiro ministro e agora Presidente da Republica.

 

Magoa-me, porque a verdade é que sempre votei em Cavaco Silva, mesmo quando votar em Cavaco era votar no PSD, onde nunca militei nem tenho referências políticas. Mas achei sempre que Cavaco Silva tinha (tem) um sentido de Estado que faz falta à vida política portuguesa, onde sobram os invejosos, oportunistas, ladrões e medíocres.

 

Parece que tenho andado enganado, Cavaco Silva é presidente de todos os portugueses e é-o tambem de homens que tiveram que tomar posições muito dificeis que não agradaram a todos mas que, no caso de Melo Antunes, até se revelaram de enorme interesse nacional e evitaram guerras civis.

 

Mas em democracia há sempre hipóteses de mudar, de melhorar, de aprender com os erros. Nunca mais votarei em Sua Excelência!

Eleições nas Honduras

Roubaram, antidemocraticamente, com um golpe sujo, a democracia e não a restituíram. Agora, afirmando-se grandes democratas, vêem dizer para esquecermos, democraticamente, o passado e começarmos, democraticamente, uma nova colaboração. Entendi bem?

A Suíça é uma mentira

Um dos mais falsos neutrais países do mundo voltou hoje a mostrar a sua verdadeira face, impregnada de uma cínica xenofobia.

A Suíça é uma daquelas coisas estranhas que prefere nunca tomar posição, mas tomando-a sempre. Seja sob a capa do implacável negócio, onde o dinheiro é que mais ordena, seja sob a capa de uma qualquer igualdade. Como no caso dos minaretes.

A Suíça é uma mentira.

O PGR não revelou nada

Como se temia o PGR nada revelou acerca do conteúdo das escutas. Isto não é bom para ninguem. Antes de tudo, para o próprio Sócrates, que vê adensar à sua volta as suspeitas que  o juiz de Aveiro tem razões substantivas para fazer o que fez.

 

Depois para o PGR que funciona como alguem que não está seguro do que tem em mãos, nenhum interesse em deitar gasolina para a fogueira, disfarça, esconde, encolhe e nada disto é saudável para a democracia que não pode viver nesta clausura de segredos e de meias verdades.

 

Penalistas de mérito já deram o exemplo da Alemanha, onde decorreu um caso rigorosamente igual, com a diferença de que lá, o povo teve direito a saber o assunto que tinha sido escutado, não as escutas elas mesmas, evidentemente. O que leva que dois magistrados em Aveiro considerem que Sócrates cometeu " um crime grave contra a segurança do Estado"?

 

Este medo que se adivinha no PGR, no Presidente do STJ e nos socialistas confirma, em pleno, que os dois magistrados de Aveiro não são dois loucos que um dia de manhã acordaram e se lembraram de lançar estas terríveis suspeitas sobre o Primeiro ministro!

 

Ninguem acredita em tal "espionagem política" e na " decapitação do PS e do governo" as mesmas patranhas que foram usadas no caso "Casa Pia" e em todos os outros casos em que o PS se envolveu ou se deixou envolver.

 

O PGR devia ser nomeado pelo Presidente da República, ter um mandato igual ao dele, entrar com ele e sair com ele, com as mesmas prerrogativas, de poder ser apeado nas mesmas condições do PR, não poder ser reconduzido mais que uma vez, para o bem e para o mal, irmão gémeo do PR.

 

Mas ter um PGR que é nomeado pelo PR sobre proposta do governo e que este pode demitir quando bem entende, dá nesta pocilga onde chafurdam a credibilidade e a decência do Estado de Direito!

Ser Pai. Saber amar incondicionalmente

 

Estou consciente de ter escrito um texto, cujo título era Sermos Pais, a profissão mais antiga e desprestigiada da História? Um texto com citações, debates, definições, comparações, enfim, um texto de erudito que, sem saber como, vai citando, de forma natural, enquanto escreve. Mas, ser pai também é acordar de noite porque um descendente está a asfixiar e a necessitar de ajuda imediata. É a dor da incerteza, é a dor do amor incondicional que não tem descanso, é a doçura convertida em desespero, é a luta com escudo e elmo para manter o mais pequeno. Enquanto travamos esta batalha (verdadeiro milagre da vida) não pensamos, não sentimos, apenas nos concentramos na luta que acaba por permitir a continuação da vida desse ser pequeno a quem tanto amamos. Roxo, brônquios fechados por uma teia fabricada por um indecente vírus que apareceu sem se saber de onde. Ou, sabemos, mas não queremos recordar. Existem bactérias e vírus que nos rodeiam sem nos apercebermos. Não somos capazes de ver ou entender que existem, tão intensa é a nossa alegria ao levarmos o nosso pequeno a passear, a alegria de o poder mostrar aos outros membros da família, aos nossos amigos, exibimo-nos com o pequeno ser que, no dizer de Wilfred Bion em 1961? Cogitations e em 1962? Learning from experience, nasce já no nosso pensamento. Tanto desejamos ser pai, que antes de o conceber, o imaginamos, brincamos, beijamos, andamos às cavalitas, vamos juntando berlindes, temos piões classificados para o dia que…somos capazes de o ver tal e qual se pensou dever ser ou virá a ser. Podíamos partilhar esse prazer com a mãe, mas prazer de pai é prazer solitário, calado, imaginário, ternamente, como se esse homem fosse a mulher que traz a criança no seu ventre. Prazer que dinamiza esse não esperado acordar nocturno em que vimos que o fruto do nosso imaginário, está quase a partir, a deixar-nos. Sem pensar mais, aplicamos essa resiliência de Cyrulnik ou inaudita capacidade de construção humana. Sem saber como, nem de que maneira, o reconstrói e o faz ficar vivo e a saltitar. Alguma frase salta de repente da nossa cabeça: ter filhos é um prazer, mas criá-los, pode ser um martírio e a nossa atitude muda do imaginário de berlindes, à vigilância permanente enquanto o pequeno se faz adulto, e entende o desenvolvimento da vida e, assim, acabamos por viver em paz: sabemos que aprendeu, do nosso próprio exemplo, das nossas noites acordadas e dos nossos dias de observação silenciosa, que a criança percebe nos seus sentimentos inconscientes, esses que ficam gravados na História do indivíduo.

Amor de pai, um Cid Campeador, que nem chora nem tem raiva: vê, ouve, vigia, toma conta, ama e ensina. Com a esperança que os mais novos aprendam o debate com os factos da vida, provem os perigos e afastem-se deles, aceitarem que as palavras ditas e o gesto autoritário, seja apenas um incentivo para continuarem a aprender e a interagir com outros seres humanos.

Este amor de pai, transferido para outros mais novos, em idade ou em saber, trabalha sem descanso a preparar novas ideias para transferir de forma adequada e conveniente, na base do debate, com amplidão de entendimentos, com coordenação com outros saberes, que permita a síntese de uma ideia já provada, com hipóteses de outros autores. É este o processo que dinamiza o saber comparativo, que ensina o amor de pai. Crianças maduras em idade mas fracas em dedicação ao cuidado de si próprias e no respeito a um pai que vela o ano inteiro com o objectivo de ensinar apenas um facto: saber precisa de leituras, de paciência, de confronto consigo próprio, de aceitar os erros pessoais, de saber perguntar, corrigir e melhorar o que tem sido indicado como ausente no debate, aprender as regras para não se afogar, para não ficar roxo por falta de ar, mas sim empenhado em aceitar a experiência de quem mais percebe, pela dedicação imensa ao longo do tempo, transmitida com respeito e a altura adequada à capacidade de entendimento.

Ser pai é ser professor. Ser professor, é a vida sem descanso para avançar nas experiências de transmitir saber e pedagogia ou processo estruturado de retirar ideias do pensamento de outros e ganhar as forças e o oxigénio suficientes e necessários que levam a uma aceitação de si próprio e a uma clara, limpa, serena e tranquila disposição na relação com os que comigo aprendem. Se um pai tem confiança em mim e se permite entender o meu texto, olhar a minha cara no espelho, esse pai pensa de mim o que o seu imaginário já experimentado, criou. Mãos estendidas que ajudam a não sufocar, por falta de saber ou por falta de técnicas que são retiradas do ser mais experiente, no qual acredito porque permite melhorar o amor à vida. Comigo e com os meus colegas de carteira ou de vida. Aos que oiço e ajudo, tanto quanto aprendi ao saber ser independente por aceitar as técnicas da respiração que o meu pai cota, teve a paciência e o amor de me transferir. Ser pai, é o trabalho mais benevolente do mundo. Construído para as novas gerações serem adultas no saber e na idade, ao aceitarem a História e a sua lógica. Nem sempre favorável ao indivíduo, mas aprendida ao longo do tempo, mata os vírus que retiram a capacidade de respirar o ar sadio do saber amar os outros e de me respeitar a mim mesmo.

Clube dos Poetas Imortais: Pedro Oom (1926-1974)

  Segundo reza a história, a Revolução de 25 de Abril de 1974 apenas provocou quatro mortos. Agentes da PIDE/DGS, aterrados com a multidão que gritava sob as janelas do quartel-general daquela polícia, dispararam sobre os manifestantes, matando quatro e ferindo muitos outros. A História está errada – foram cinco e não quatro os que morreram nesse dia devido à Revolução. A poucos metros do sinistro palácio da Rua António Maria Cardoso, no Largo de Camões, dois poetas seguiam, entre muitas outras pessoas que enchiam o largo naquela tarde de Primavera, as peripécias dos agentes da secreta que, saltando de telhado em telhado procuravam escapar de ser presos pela força de fuzileiros que invadira o edifício. Era o António José Forte (o sócio número um deste clube) e o Pedro Oom. O Pedro estava feliz e comentava para o Forte: «Nunca esperei ver uma coisa destas, os pides a fugir de nós!». Sorria, e de repente, sentiu-se mal cambaleou e caiu. O Forte, ajudado por algumas outras pessoas, estenderam-no sobre um banco do largo e tentaram reanimá-lo. Alguém foi rapidamente telefonar a pedir uma ambulância. Nada feito. O coração do Pedro não aguentou tanta alegria.

 

Nos meses que antecederam a Revolução, encontrávamo-nos, num dia certo da semana, num restaurante da Rua João Crisóstomo, o Forte, a pintora Aldina, sua mulher, eu e a minha mulher, o Camecelha, o Pedro Oom, que éramos o núcleo duro do projecto, e mais alguns que apareciam com menos regularidade. Falávamos da queda do regime (tínhamos acesso aos comunicados que saíam das reuniões do MFA) e projectávamos criar uma comuna. A ideia fora lançada pelo Pedro. Chegámos a ir ver terrenos no Ribatejo – iríamos todos viver para lá e seríamos auto-suficientes. Com a morte do Pedro Oom, o utópico projecto não voltou a ser debatido.

 

 

Pedro Oom nasceu em Santarém no dia 24 de Junho de 1926. Inicialmente ligado ao neo-realismo, aderiu ao movimento surrealista. Foi o mentor da teoria do abjeccionismo, ao redigir, em 1949, o Manifesto Abjeccionista. Até 1974, os seus textos encontravam-se dispersos por jornais e revistas, sendo um dos colaboradores da «Pirâmide». Alguns desses textos poéticos, foram postumamente compilados em Actuação Escrita (1980) e em «Histórias para Crianças (Emancipadas», pequenos poemas ou relatos escritos com um insólito non sense próprio da poesia surrealista. Como o poema «Pode-se escrever» que ouvimos, declamado por Mário Viegas, e como estes «Camaradas»:

 

Os camaradas

 

Os camaradas

 

saíram para a rua

com os bolsos cheios de serpentinas

(o calendário

estava trocado

e de entrudo

nicles

nem um só cabeçudo

ou máscara

até o polícia de giro

com dignidade sui generis

dos pequenos autocratas

participou na patuscada

depois do jogo

– o Benfica foi eliminado)

Os camaradas

compraram fatos novos

nos alfaiates dernier-cri

e botaram as serpentinas

no lixo

para não deformar

os bolsos (novos).

António Barreto – entrevista ao (i) – 1

Citando :

 

Dependência " conheço pessoas com receio de falar"

 

"O que se passa com a Justiça entristece-me muito, mas tambem me irrita. A nossa Justiça está hoje refém"

 

" Há uma falta óbvia de capitalistas. As elites são fracas e têm uma noção medíocre de serviço público"

 

" Se não houvesse a Europa e ainda houvesse Forças Armadas, já teríamos tido golpes de Estado"

 

"Depende-se de muita coisa: de ter autorização, de ser aceite, da boa palavrinha do bom secretário de Estado"

 

" Os poderes só receiam uma coisa: a opinião dos homens livres"

 

" A opinião pública pode ser a grande parteira da democracia "

 

"Portugal está à beira de iniciar um percurso para a irrelevância, talvez o desaparecimento, a pobreza certamente"

 

" O Presidente da República devia enviar mensagens à Assembleia da República"

 

"A Justiça está refém de grupos profissionais e os portugueses sem esperança"

 

Este é o retrato desencantado de alguem que conhecemos como um homem de bem, um estudioso e que agora se dedica a tempo inteiro à presidência da Fundação Francisco Manuel dos Santos, onde estuda Portugal e os portugueses.

 

É a isto que chegamos !

FuTaventar – S. L. Benfica #11… Na liderança

Os jogos fora com as equipas de meio da tabela são sempre complicados – com o sonho de obterem um pontito para avançar na luta por um lugar entre os primeiros dez do campeonato, o Sporting entrou em campo com a motivação toda. Percebe-se. Jogar contra um grande motiva sempre os pequenos.

Por outro lado, o Benfica corria o risco de ficar só com oito pontos de vantagem o que pode ser pouco, na medida em que se arrisca a chegar ao fim do campeonato com mais de 20.

O jogo, esse acabou por ser fraquito, com uma equipa a tentar jogar, mas outra, a do cor do relvado miserável, preocupada em não deixar ninguém jogar.

E eis, que Jesus faz uma jogada de mestre – dá indicações para que o Javi Garcia abra a cabeça.

 

Javi Garcia dá 12 pontos ao Benfica

São 12 senhores! DOZE os pontos que o melhor jogador do Benfica levou… Assim, além do ponto que obtivemos pelo empate e que nos permitiu assumir a liderança do campeonato, conseguimos obter mais doze o que nos dá um avanço de 23 pontos em relação ao Sporting.

Um terço do campeonato está feito.

O BENFICA tem sido a melhor equipa e por isso está na frente.

O Braga está a fazer um excelente campeonato e por isso está em segundo.

O Porto, em crescimento, é o ENORME obstáculo ao sucesso do Benfica.

O Sporting, esse, deixou de ser um grande!

FUTAventar – golos é que é…

Estive a ver à tarde um jogo de futebol da liga Inglesa, uma farturinha de futebol de ataque, remates, grandes defesas, e cinco, cinco golos !

 

Duas equipas inglesas a jogarem entre si é um espectaculo cheio de vida e emoção, há alegria, comunhão entre os artistas ( é um espectaculo) e o público, que vê futebol como vê ópera ou um bom programa de música.

 

À noite fui ver o Sporting – Benfica, zero golos, uma batalha campal no meio campo, não marcas e tu tambem não, com medo de perder como se fosse possível perderem os dois, uma chatice pegada, se não são os amigos a gente não se diverte nada, o melhor mesmo é tirar os olhos da bola e ver a turba, aos gritos, aos pulos, não se percebe porquê.

 

O Sporting lá fez as correcções que todos viam que eram necessárias, deixou de haver aquele enorme buraco no meio campo por onde passava quem quizesse, bastava tropeçar na bola e já estava perto da baliza, vi isso vezes sem conta. Os que diziam que era o arbitro que tinha culpa, agora já mudaram, estamos melhores ainda lá vamos.

 

Quanto ao Benfica, o gaz já se foi, o Di Maria não fez um sprinte, o Saviola não apareceu uma vez na área ( O Adrien não deixou, jogou para fazer esse papel) o Aimar tinha sempre em cima um adversário, o Cardoso não recebeu uma bola que fosse "mesa de Deus"…

 

E eu a dar comigo a pensar, mas a gente paga para ver gajos a impedir que os que sabem jogar não joguem?