Bento XVI quer diálogo com os ateus!!!

Bento XVI quer diálogo com os ateus!!!

 Li o post do amigo João José Cardoso, intitulado a “arrogância dos ateus”, frase proferida por D. José Policarpo na mensagem natalícia. Apesar de o post de João José Cardoso ser curto, diz tudo, e, de facto, acaba como deve: “Não vou perder tempo com isso”. Seria a melhor solução.

E eu seguiria de bom grado o conselho do amigo João, marimbar-me-ia para estes disparates, se gostasse que me comessem as papas na cabeça, e se não tivesse recebido, logo a seguir, um texto enviado por um amigo do Canadá intitulado:”Papa deseja criar espaços de diálogo com agnósticos e ateus”.

 Bento XVI assegurou que a Igreja precisa criar espaços de diálogo e de encontro com agnósticos e ateus, que em algumas sociedades representam um grande número de pessoas. Acrescento eu que está mais ou menos calculado que mais de metade da humanidade é ateia. Mas porque quer BentoXVI criar estes espaços de diálogo, com os filhos do diabo?

“Quando falamos de uma nova evangelização”, diz ele, “talvez essas pessoas se assustem. Não querem enxergar-se convertidas em um objecto de missão, nem renunciar à sua liberdade de pensamento e de vontade. Mas a questão sobre Deus segue desafiando-os” (a mim não, e creio que nenhum ateu sente esse desafio), “ainda que não possam crer no carácter concreto de sua atenção por nós. Penso que a Igreja também deveria abrir hoje uma espécie de ‘pátio dos gentios’, onde os homens possam, de alguma forma, manter contacto com Deus, sem conhecê-lo, antes de encontrarem o acesso a seu mistério, a cujo serviço se encontra a vida interior da Igreja” (a vida interior de muitos, que os há,…acredito,  a vida exterior da igreja não, essa seria a vergonha de deus).

“Ao diálogo com as religiões deve-se acrescentar hoje todo o diálogo com aqueles que enxergam a religião como algo estranho, aqueles que desconhecem Deus” (os burros, os cegos de espírito) “e que, todavia, não gostariam de permanecer simplesmente sem Deus”, (quem o diz?) “mas aproximar-se dele, ao menos como Desconhecido” (quem disse tal coisa tão disparatada?).

Aquilo que eu respondo é que é preciso ter lata! Esta gente não tem a mais pequena noção do ridículo. Nem pensam que quase tudo o que dizem se pode virar contra eles. Não têm a noção dos momentos em que devem estar calados e metidos para dentro de si mesmos. Como se os ateus necessitassem de abrir alguma espécie de diálogo com os senhores irredutíveis detentores absolutos da verdade! Os ateus não precisam da ICAR para nada, não estão minimamente preocupados com deus nem necessitam de dialogar, em nada, com a igreja. A não ser num ponto, e nesse eu estarei em primeiro plano para entrar no diálogo, apenas como cidadão: os crimes da igreja, os malefícios da igreja na sociedade, versus os valores que a ICAR poderia ter se não fosse a sua falsidade, o seu apego super-capitalista aos bens terrenos (os únicos que lhe interessam, deixemo-nos de cantigas), a sua arrogância, a sua hipocrisia monumental, a sua prepotência, a sua irracionalidade, a total ausência de humildade que tanto prega, e a sua mão pegajosa colada desde há muitos séculos ao pobre coração daqueles que, ao contrário dos ateus, não tiveram a sorte de lhe escaparem.

Falo em meu nome pessoal, mas julgo que a maneira de ver da maioria dos ateus é idêntica à minha. Esta gente pensa que “os gentios” são burros, que não pensam, que, como seres humanos responsáveis, não usam a sua inteligência e a sua razão. É preciso aproximá-los da igreja. Se eles não vão à igreja, terá de ser a igreja a ir a eles. Pensa, ingenuamente, que falta abrir a janela no empedernido cérebro dos ateus, por onde entra a luz divina, a luz que neles entrou por artes mágicas. E se houver diálogo entre a igreja e os ateus, pode ser que estes, coitados, tenham a sorte de ver deus, pelo menos a espreitar na frincha de algum postigo lá no céu. Não pode haver maior sinal de arrogância e hipocrisia querer impor, como um diálogo criativo e transformador, aquilo que neles está profundamente cristalizado e fossilizado.

O ateu não está preocupado com a doutrina da igreja, não está nem tem de estar preocupado com a fé e com os crentes a quem respeita escrupulosamente como a qualquer ser humano de qualquer crença, de qualquer fé ou posição, o ateu não impõe nada nem nunca impôs nada em termos de crenças. O ateu não precisa de qualquer diálogo com a igreja. Não espera nem tem de esperar qualquer benefício, a não ser na matéria exposta a meio do texto. O ateu apenas não quer que a igreja saia do seu âmbito e se meta onde não deve e onde não é chamada. Que respeite a laicidade das instituições, que nada têm a ver com a ICAR. Quem precisa do diálogo é a ICAR, não porque pense que irá converter alguém. Ela sabe que o ateu, chegado à fase em que está, adquiriu a difícil lucidez necessária ao não regresso. A igreja quer o diálogo para tentar (ingloriamente) amenizar a poderosa força com que o ateísmo está, naturalmente, a minar os seus alicerces.

Faça Bento XVI um congresso corajoso para analisar os monstruosos crimes e males da igreja, a sua reconversão aos princípios do cristianismo e dos valores do homem, um congresso de arrependimento sincero, de lavagem dos verdadeiros pecados, um congresso de desagravo ao “Deus” que tanto têm burlado e eu inscrever-me-ei no congresso, a fim de os ajudar, com a minha humilde sabedoria. Pode ser em Roma, e o papa já não precisa de se incomodar com viagens reais e imperiais em aviões de superluxo, preparados para o efeito. Cristo andava de burro. Já não proponho que o papa ande de burro, estamos noutros tempos, mas num avião igual àquele em que andam todos os seus irmãos em Cristo.

Comments

  1. Carlos Loures says:

    Seria curioso saber qual a ideia que esteve por detrás do empurrão ao Papa. A rapariga deve ter os tais problemas mentais de que falam, mas nunca se sabe. Quanto ao diálogo com os ateus só pode ser um diálogo de surdos. Naturalmente que, subjacente a estas propostas, há sempre intenções proséliticas – a esperança de que haja ateus que o sejam por ignorância. Para mim, vêm de carrinho… desde a prova ontológica da existência de Deus, aquitectada pelo S. Anselmo, até aos argumentos do Julián Marías, fui lendo tudo (sou curioso). Sou, na perspectiva deles, uma alma perdida. O teu texto tipifica bem as razões por que se é ateu. O diálogo é tempo perdido, pelo menos até eles reconhecerem que a história da existência de Deus vale tanto como qualquer outra superstição. As bruxas que queimaram, eram tão respeitáveis quanto os papas e os bispos.

  2. Luis Moreira says:

    Se ele já utiliza termos como “…enxergam…” quer dizer que pelo menos o santo engº Macedo da igreja evangélia (a que cobra pelos milagres…) já aderiu…

  3. maria monteiro says:

    desde que me conheço que vivo não casada com a igreja católica mas em união de facto com todas as religiões, com agnósticos e ateus… Estou muito mais avançada que Bento XVI

Deixar uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.