Fé e doutrina – ciência e razão

Fé e doutrina – ciência e razão

O coração bate em média 60 vezes por minuto, 3.600 vezes por hora, 86.400 vezes por dia, 31.536.000 por ano e cerca de dois biliões e meio de vezes numa vida de 80 anos. O coração tem movimento automático, ele gera o seu próprio movimento, ele é a sede do seu próprio automatismo. Não precisa de ninguém a dar-lhe corda, não precisa de ninguém a empurrá-lo, não precisa de bateria. Mesmo fora do peito, isolado, ele continua a bater, se o alimentarem. É um interessantíssimo fenómeno que a ciência, após décadas e décadas de profundo estudo, explica de forma muito clara e transparente.

Se perguntarem a qualquer papa, cardeal, bispo ou padre, seja qual for a religião que professe, não sabem explicar, nem há espírito santo que os ensine. Mas também não são obrigados a saber. O que me admira é que não sabendo as coisas reais ainda que complexas, se arvoram nos únicos sábios de coisas transcendentais e sobrenaturais,  e deitando mão da sua “sabedoria” são capazes de arranjar mil e uma explicações para tudo, como arranjam para explicar muitos outros fenómenos da vida. O exemplo mais marcante, neste momento, é a Evolução. A evolução das espécies é hoje um facto científico situado ao mais alto nível dos factos científicos. E a igreja sabe-o. Então que será da criação e de todos os criacionismos que para aí proliferam? A ICAR está á rasca para descalçar a bota, mas lá vai tentando descalçá-la. Que há que deus a evolução não contradiz a criação. Bravo! Não se vê como não contradiz, mas eles lá sabem. Já devem ter muitas cabeças a pensar no assunto, não para procurarem ou ajudarem a procurar a verdade, mas para arranjarem formas de continuar a mentira, a falsificação e o ludíbrio.

Comments

  1. Carlos Loures says:

    Todos já percebemos e, pelo menos, desde Teilhard de Chardin, a Igreja também, que o chamado «mistério da vida» encontra nos livros religiosos a explicação mais cómoda e simplista – Foi Deus, um deus que criou tudo isto, incluindo o homem; é uma «explicação cómoda» para quem não quer gastar neurónios, porque só convence quem quer ser convencido. Essa maravilha biológica de que falas, o funcionamento do coração mais de dois biliões de vezes numa vida de duração normal, é fenómeno mais bem tratado na canção popularucha do chileno Raphael, Maravilloso corazón (de que o «nosso» Marco Paulo canta uma versão) do que na Bíblia. No entanto, às vezes invejo os crentes – tão sem dúvidas, com respostas para as perguntas mais angustiantes sempre na ponta da língua… É um ópio, como dizia o Karl, mas poupa muito a caixa das ideias.


  2. É de facto um ópio, Carlos, mas eu mesmo assim não o queria. Prefiro gastar a minha caixa de ideias que foi para isso que “deus ma deu”.

  3. maria monteiro says:

    Há cada vez mais crentes a terem dúvidas, a terem perguntas na ponta da língua, a não aceitarem respostas pré-cozinhadas. Os crentes cada vez mais usam a cabeça, pensam… Os crentes cada vez mais sentem que é em igrejas vazias que encontram a igreja da verdade, da sabedoria, do amor, da paz

    A ICAR até pode descalçar a bota com Galileu, com Darwin, com … mas nunca tira o conforto da meia… as inverdades continuam, encontram sempre respostas reformatadas à medida dos tempos, das ocasiões, das conveniências


  4. Exactamente, Maria. É isso mesmo. Bem comentado. O grande temor da ICAR é as pessoas, sem precisarem de se excluir da religião, começarem a abrir os olhos e a ver o atoleiro em que estão metidas e os remendos sobre remendos a que a igreja se vê obrigada, para ir escamoteando os atrasos mentais que a configuram.

Deixar uma resposta

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.