Previsão meteorológica

Tenho uma amiga que vive em ânsias de saber a previsão meteorológica. É que as condições do tempo influenciam muitíssimo o seu estado de espírito e, se aquilo que se pode esperar é uma longa sucessão de dias cinzentos, então ela prefere sabê-lo o quanto antes e alugar cinco comédias no videoclube.

Se, pelo contrário, os dias serão soalheiros e a temperatura convidar ao passeio, ela quer estar prevenida, deixar o trabalho organizado para poder agendar uma escapadela ao campo, ou algo semelhante. Quem a conhece sabe que os dias cinzentos equivalem a vê-la depressiva e desconfiada da humanidade.

E que estes dias de primavera enganadora, carregados de cinzento, tolhidos de frio são, para ela, um sacrifício muito penoso. Não sendo tão sensível como ela, há dias em que eu também experimento as agruras que um Inverno demasiado prolongado pode trazer. À sensação geral de desconforto que induzem o frio e a humidade, juntam-se as pequenas misérias do dia-a-dia, um pulha que nos entra pela porta, um cão abandonado numa varanda, um desencontro com alguém a quem ansiávamos ver, a nossa equipa que perde um grande jogo em casa, esta chuva que não pára de cair…

Todos temos os nossos truques, que às vezes têm algo da fórmula mágica dos magos das histórias de encantar. O meu truque para os dias assim é evocar uma canção que sempre me tranquiliza porque acredito no que ela diz. E o que ela diz é uma verdade tão simples quanto irrefutável: não se pode reter a primavera. Não se pode demorá-la ou recusá-la ou aviltá-la. Tímida ou impositiva, ela fará a sua entrada e com ela novos dias e novas esperanças. O meu mago chama-se Tom Waits.

Uns mais cães que outros: o pluto e o pateta

Ouvi pela rádio que a Quimonda ia despedir umas centenas de funcionários e que iria deixar “meia-dúzia” para fazer a manutenção da fábrica.
A Quimonda é uma história muito mal contada porque a empresa (siemens, depois infineon e agora Quimonda) fartou-se de receber dinheiro (NOSSO!) para operar – em Vila do Conde diz-se mesmo que foram subsídios equivalentes a um ano de salários dos funcionários, isto é, o custo com pessoal era coberto integralmente pelos apoios do estado.

Mas, só me ocorria uma imagem “emprestada” por um amigo – até na Disney, uns são filhos e outros são filhos da mãe.
Que animal é o Pluto?
Certo. Um cão!
E como é tratado?
Certo. Como um cão!
E o Pateta? Que animal é?
Certo. Um cão?
Pois…

E foi então que juntei o Governo, a Quimonda, os Bancos, o Pluto e o Pateta tudo na mesma imagem. Há muito tempo que a explicação para a nossa crise estava nos quadradinhos da Disney: uns são Plutos e outros são Patetas.

A Minha Primeira Vez…

Não sei se ainda existe mas a Antena 3 tinha um spot que dizia: “A minha primeira vez foi na 3“. Já um amigo meu, um gabarolas, costuma dizer: “A minha primeira vez foi a três”. Ora, a minha primeira vez foi…”colectiva“. A minha primeira vez na blogosfera, entenda-se…
Foi num blogue colectivo, o já defunto “Quando Calhário”, que me iniciei nestas coisas. Depois vieram outros. Nos últimos tempos bloguei a solo no “Sinaleiro da Areosa”. Entendeu um amigo do Aventar meter-se na alhada de me convidar a fazer parte deste grupo. Confesso que hesitei um pouco menos que o Miguel Dias. Ao José Freitas só a contragosto digo que não. Contem comigo.
E mais não digo que hoje o meu Porto perdeu e as grandes dores são mudas.

Memórias da Revolução: 15 de Abril de 1974

A 15 de Abril de 1974, israelitas e sírios batiam-se no monte Hermon: dezenas de homens foram mortos na disputa de um «pico nevado».
Entretanto, a nível nacional, surgem preocupações quanto à praia Figueira da Foz: é possível conciliar petróleo com turismo. O turismo ainda lá anda, o petróleo é que não.
A Direita francesa tenta ainda a unidade em torno de Messner. Miterrand esclarece que não é antiamericano.
Faltam 10 dias para a Revolução.

Os F 16 de Portas que nunca voaram

Afinal andam por aqui.Convertidos em OVNIS e pagos pelos Tugas.
Trata-se de uma filmagem feita por uma turista alemã numa praia em Tobago.

Se não é verdade é bem apanhado!

Novas taxas e impostos: uma ajuda para reduzir o défice

Estou (acho que estamos todos) preocupado com o défice e a situação aflitiva das contas do Estado (isto é, de todos nós). Em vez de ficar com lamentações e lamurias, fui à procura de ideias e sugestões para ajudar o Governo. Enfim, fiz o que qualquer cidadão deveria fazer. Não coloquei os pés ao caminho mas decidi utilizar os dedos e a internet, seguindo os mandamentos do choque tecnológico, para tentar encontrar algumas propostas.

Não precisei de procurar muito. É certo que contei com algumas ajudas mas a partilha de sugestões é uma das coisas boas da Internet. Assim, decidi recomendar ao Governo a recuperação de algumas taxas e multas de outros tempos. Todas as que aqui proponho são passíveis de actualização.

  1. A taxa da barba. Foi criada por Pedro, o Grande, que detestava barbas. O grande líder de outros tempos obrigava ao pagamento de uma multa e o detentor dos pêlos faciais ainda tinha de usar uma medalha a admitir que usar barba era ridículo. Bela ideia para os dias de hoje. Claro que o célebre Barbas teria de admitir, numa medalha, que o Benfica joga de forma ridícula.
  2. É ilegal comercializar drogas mas nos EUA há um artigo do código de IRS que obriga quem obtém rendimentos deste tipo de comércio a declara-lo e a pagar imposto sobre isso. Por cá, podíamos fazer o mesmo. Aposto que as receitas do Estado aumentavam muito, em particular em certos círculos.
  3. Oliver Cromwell criou, em 1665, uma taxa que deveria ser paga por quem criticasse o Rei. Cá, seria aplicada a quem criticasse o primeiro-ministro. Imagine-se o espectáculo. O único senão é que teríamos de importar cofres e isso não seria bom para a balança comercial. Mas que se lixe.
  4. No século XIV, em Inglaterra havia uma taxa que era aplicada a toda a gente, apenas por terem a mania de existir. Quem estivesse vivo, pagava. Nos dias de hoje seria o imposto perfeito. Todos pagavam. Claro que haveria uma comissão da AR para determinar se algumas pessoas existiam realmente ou eram apenas virtuais. O Pacheco Pereira, por exemplo. E eventualmente o Manuel Fino.
  5. Taxar o sal. Aplicar taxas ao sal é histórico. O sal sempre foi fundamental ao longo da história (que o digam os soldados romanos que recebiam o vencimento em sal, o salarium, que deu origem ao nosso salário, e veja-se a desvalorização que ambos registaram em cerca de dois milénios). Esta taxa ajudou a revoluções em muitos locais e motivou Gandhi para manifestações na Índia. Com este imposto as receitas do Estado aumentavam e os casos de hipertensão desciam, com a correspondente queda das comparticipações em fármacos. Só vantagens.
  6. Recuperar o imposto de isqueiro dos tempos da outra senhora. Voltávamos a ajudar a pujante indústria fosforeira nacional (há uma empresa) e com o elevado número de incendiários que temos (na blogosfera é um fartote) a máquina registadora do Estado estaria sempre com aquele ruído engraçado de “tlim, tlim”.
  7. Multar quem permaneça nas estações de metro do Porto ou as atravessar sem ter bilhete válido. Bela ideia, não? E inovadora. Oh, diabo. Dizem-me que esta multa está em vigor nos dias de hoje. E que foi aprovada na AR em 2006. Afinal, estou mais descansado. Com deputados criativos como estes, estamos safos.

«Não me parece que na PSP exista homossexualidade. É um mundo muito masculino»


A frase, publicada ontem no «Jornal de Notícias», é de António Ramos, do Sindicato dos Profssionais da Polícia. Assim mesmo. ««Não me parece que na PSP exista homossexualidade. É um mundo muito masculino».
A reportagem vem na sequência de uma discussão acerca dos Estatutos da PSP, que não incluem a não-discriminação pela orientação sexual. Ou seja, a Polícia pode continuar a discriminar em função da orientação sexual porque não há nada nos Estatutos da PSP que diga o contrário.
Honra seja feita ao Sindicato Unificado da PSP, que pretende a inclusão desta cláusula na revisão dos Estatutos da PSP que está a ser feita neste momento. E honra seja feita aos Polícias que, na reportagem do jornal, assumem a sua homossexualidade e descrevem o que tem sido a sua vida profissional, muitas vezes na luta contra o preconceito e a injustiça. Um deles, quando passou pelos Açores, chegou a ser questionado pelo comandante pelo facto de ser «gay». Um outro viu o seu nome com asterisco na lista dos agentes femininos. A ler.
Quanto à frase do sindicalista António Ramos, seria cómico se não fosse tão trágico.

Soeiro Pereira Gomes nasceu há 100 anos (II)


(parte anterior aqui)
Joaquim Soeiro Pereira Gomes é uma das figuras maiores de Vila Franca de Xira. Mesmo não tendo nascido no concelho, a população, sobretudo a de Alhandra, vê-o como um dos seus.
Soeiro Pereira Gomes nasceu em Gestaçô, Baião, em 1909, no seio de uma família de pequenos agricultores. Fez os primeiros estudos na terra-natal e seguiu para Coimbra, onde tirou o curso de Regente Agrícola.
Em 1930 e 1931, trabalhou em Angola ao serviço da Companhia de Catumbela, mas regressou devido às más condições de trabalho e ao clima demasiado rigoroso. Apesar de curta, esta experiência em África deu-lhe uma consciência diferente dos valores do humanismo e da liberdade, devido à opressão colonial que ali sentiu bem de perto.
Instalou-se então em Alhandra e começou a trabalhar como chefe de escritório na fábrica «Cimento Tejo», que pertencia ao Grupo Sommer Champalimaud.
A sua intervenção política iniciou-se nos finais dos anos 30, no momento em que aderiu ao Partido Comunista. Pouco tempo depois, integrava já o Comité Central de Alhandra e participava activamente na acção cultural e política que o Partido desenvolvia em todo o Baixo Ribatejo.
Algumas das iniciativas que protagonizou foram extremamente importantes para o desenvolvimento da freguesia de Alhandra. Organizou cursos de ginástica para os operários da fábrica onde trabalhava, ajudou a criar bibliotecas populares nas sociedades recreativas e impulsionou a construção de uma piscina, a «charca», que servisse toda a população.
Era uma altura em que, em Alhandra, os assalariados da indústria e da agricultura lutavam, em conjunto, por melhores condições de vida.
Ao mesmo tempo, começa a dedicar-se à literatura e ao movimento neo-realista, que então dava os primeiros passos. Escreve para o «Sol Nascente» e para «O Diabo» e recebe em sua casa figuras como Sidónio Muralha, Alexandre Cabral e Alves Redol. Com este último e ainda com Dias Lourenço, promoveu e animou inúmeras excursões de fragata no rio Tejo, os tais «passeios culturais» a que anteriormente aludimos. Mais do que a confraternização, o objectivo era o trabalho político e a conspiração contra o regime.

Os célebres «Passeios Culturais no Tejo».  Na imagem da direita, Álvaro Cunhal.

Entre 1940 e 1942, Soeiro Pereira Gomes participou na reorganização interna do Partido Comunista e ingressou no Comité Central do Ribatejo. No seguimento da acção cívica que desde cedo empreendera, empenhou-se activamente no resgate de muitas famílias afectadas pelo grande ciclone de 1941. Tripulando uma frágil barca no Tejo, com três outros trabalhadores de Alhandra, salvou mais de vinte assalariados que se refugiavam da intempérie numa pequena ilhota em frente à cimenteira, o Mouchão de Alhandra.
Foi nesse mesmo ano que publicou «Esteiros», uma obra editada pela Sirius e ilustrada por Álvaro Cunhal. Dedicou-a aos adultos que nunca foram meninos. Crianças que foram obrigadas a trabalhar quando deviam estar a estudar, crianças tão aventureiras quanto miseráveis. Não escondendo demasiadamente os seus sentimentos, o autor indigna-se pela exploração infantil de que são vítimas essas crianças e transmite a sua ternura por elas.
Soeiro Pereira Gomes conhecia bem a realidade de que falava em «Esteiros». Personagens como as do João Gaitinhas, do Maquineta, do Malesso, do Cocas, do Sagui ou do Gineto eram, afinal, bem reais. Representavam as vítimas das injustiças sociais, da exploração dos fracos pelos fortes, do monopólio crescente da grande fábrica perante as pequenas e médias empresas.

AS ESCOLHAS DA DRª MANUELA II

Vá-se lá saber porquê, a senhora escolheu o sr Rangel. É o menino bonito da drª Manuela. Já o tinha escolhido para comandar os seus pares na Assembleia da República. A meu ver uma má escolha de então, ficou muito aquém do seu antecessor (não é que esteja a fazer um mau trabalho agora, mas o outro era bem melhor), e uma má escolha agora, pois terá uma derrota anunciada no confronto com Vital Moreira.
Eu gostaria de estar enganado, eu gostaria de, daqui a uns meses vir aqui, humildemente, falar do meu erro de apreciação, de vir dizer que afinal a escolha tinha sido boa, mas não me parece possível. O candidato, apesar de inteligente e de parecer ter boas ideias, não tem carisma.
O nome mais falado nestes dias, nem chegou a ser considerado pela chefe do partido, e pela primeira vez, a drª Manuela, teve uma reacção negativa de alguns dos seus segundos, muito embora, na apresentação do nome, tudo se tenha calado e ninguém fez ondas, ou ainda a senhora se zangava e não haveria lugares para os que os esperam.
Nada tenho contra o actual cabeça de lista do PSD. Realmente as suas últimas prestações têm sido razoáveis, tem vindo a melhorar, a argumentação tem melhorado, e tem vontade e capacidade, mas havia tantos outros nomes melhores e mais capazes para esta luta, que me parece mais um erro da drª. Mas mais à frente é que se vai ver.
Parece-me que só o partido do governo fica a ganhar com esta candidatura.

METRO, BOAVISTA / CAMPO ALEGRE

Na polémica que por aí andou, e hoje está um pouco adormecida, sobre as linhas de Metro que o Porto deveria ter, e sobre a escolha entre a linha da Boavista e a do Campo Alegre, não sou a favor de uma em detrimento da outra. Antes sou a favor das duas.
Qualquer uma delas tem os seus defeitos e as suas virtudes. Qualquer uma delas é necessária à zona que atravessa. Uma não tira utentes à outra. Fazem parte de uma (mais uma) guerra entre a Câmara da cidade e o governo da República.
A polémica mais recente prende-se com o projecto que a Empresa do Metro apresentou para a linha do Campo Alegre. As críticas aparecem de todo o lado. Vozes de ilustres da cidade, levantam-se contra a proposta. A população está desta vez totalmente ao lado dos notáveis. As vozes de uns e de outros levantaram-se já no Auditório da Universidade Católica, cheio de gente a contestar o projecto. A hipótese de um abaixo-assinado para exigir que o projecto seja diferente, é mais que certa.
A proposta, apelidada por muitos de aberração, aborto urbanístico, atentado e absurdo, passa pelo enterramento da linha a partir de Lordelo, deixando à superfície a parte ocidental da linha.
Ora é nessa parte, na deixada à superfície que as opiniões se não dividem. Tem de ser enterrada!
Os custos da implementação da linha “por cima”, são enormes, atrofiando toda a zona envolvente, e destruindo toda uma área privilegiada.
Não se compreende muito bem, a não ser por motivos maquiavélicos de carácter político, que tal proposta tenha sido apresentada e muito menos que não seja modificada.
É evidente, para mim, que o Presidente da Câmara vai contestar este projecto, que a não ser mudado, irá provocar mais uma guerra do género da do túnel de Ceuta, com a razão do lado da edilidade e a tentativa de aproveitamento político do lado do governo.
Esperemos pelos desenvolvimentos de mais um caso que ainda se vai arrastar por muito tempo.

Small is beautiful.Lembram-se?

Foi moda na gestão. Controlo pela qualidade, virada para o mercado, recursos humanos “poucos mas bons”, toda uma filosofia de vida.

Depois, à mesma velocidade como apareceu foi submersa pela concentração, fusões, havia que ganhar dimensão, compras de concorrentes, pela via orgânica…

Ninguem sabia mas vinha aí a globalização, mercados globais, dimensão maior que alguns Estados. Ganhar competitividade, baixos salários na India e na China, massa cinzenta nos países mais avançados e perto dos grandes mercados.

Enquanto isto se fazia à velocidade de um meteorito largado no espaço sideral, o controlo e a regularização mantiveram-se ao nível do mercado caseiro, incapaz de perceber que para mercados globais, regulação global.

Um dos pais do monstro foi este senhor. Escutem-no:

“Novos desafios regulatórios aparecem por causa do facto provado recentemente que algumas instituições financeiras se tornaram muito grandes para falharem,na medida em que a sua falência levantaria preocupações sistémicas.A solução é desencorajá-los a tornarem-se demasiado grandes!”

Pois é, o senhor é o ex-presidente da Reserva Federal dos US, Alan Greenspan !

Durante vinte anos jurou a pés juntos que a regulação é que era o impecilho a abater!

Soeiro Pereira Gomes nasceu há 100 anos (I)


Nasceu em Gestaçô, Baião, há 100 anos, feitos hoje. Morreu em 1949, corria o quinto dia de Dezembro. Nome maior do neo-realismo literário português, autor de uma obra longa mas pouco divulgada nestes nossos dias, militante comunista, desde cedo desenvolveu uma enorme sensibilidade social.

No túmulo tem escrita a frase: A tua luta foi dádiva total.
Amanhã e depois, iremos homenageá-lo aqui no Aventar. Para que o esquecimento não seja total.

Memórias da Revolução: 14 de Abril de 1974

O «Jornal de Notícias» de 14 de Abril de 1974 noticia a «rajada de internacionalização» no Aeroporto de Pedras Rubras.  Em 1975, prevê-se que mais de um milhão de passageiros  utilize a infra-estrutura.
É Domingo de Páscoa e o «JN» publica a mensagem pascal do Bispo do Porto, D. António Ferreira Gomes. Ainda uma nota sobre o Compasso, uma «tradição perdida».
amanhã, aumenta o preço das comunicações telefónicas.
No noticiário internacional, Miterrand é o favorito depois da primeira sondagem realizada em França; e Israel vinga-se no Líbano, matando 2 mulheres e dinamitando 24 casas.
Faltam 11 dias para a Revolução.

Porquê Rangel?

Não é que não reconheça capacidades a Rangel.Não enxergo são as vantagens em afastar de chefe da bancada parlamentar alguem que tem exercido o cargo com eficácia e que tem agora já algum traquejo na função.É novo e a partir da AR podia preparar-se para outros voos.Quem vai para Bruxelas ou é novo demais ou já está na curva descendente.A Rangel não se aplica nenhuma das duas situações.

Em contrapartida Marques Mendes já foi tudo na vertente interna.É conhecido pelo eleitorado o que é uma vantagem tremenda para a campanha que aí vem.Além disso é tido como um político capaz e sério.Nunca teve qualquer campanha negra contra ele em tantos anos de política activa, o que diz bem que é prudente e não se mete em apertos.

Face à idade de Manuela Ferreira Leite a pergunta que aqui coloquei ontem tem hoje maior razão de ser.A quem abre caminho Ferreira Leite com esta escolha?

Dívida externa aumenta 54% com Sócrates

Só em quatro anos, Sócrates aumentou em 54% a dívida externa passando de 43.2 para 97.2 do PIB!!!

Segundo o Boletim estatístico do Banco de Portugal de Março de 2009, constata-se que entre 2005 e 2008 a dívida externa atingiu uma meta alarmante.É um assunto de extrema gravidade que põe em perigo a capacidade do país poder fazer os investimentos necessários devido à maior dificuldade em obter financiamento e em piores condições. Já pagamos os empréstimos a uma taxa mais cara que a maioria dos nossos parceiros.

Ainda segundo o mesmo Boletim o crédito bancário aplicado ao imobiliário e á habitação foi dez vezes maior do que o aplicado à agricultura e à indústria.Estes números reflectem a política económica deste governo, especulativa em detrimento das actividades produtivas.

Desta forma o governo tem lançado no desemprego centenas de milhares de pessoas,destruindo a capacidade produtiva do país.Temos os bons e conhecidos exemplos dos empréstimos milionários e finos que a CGD tem efectuado para jogos na bolsa e controlo de bancos como o BCP.

Onde irá Sócrates e em que condições obter os empréstimos para levar avante os investimentos desastrosos do TGV, do aeroporto e da terceira ponte?

As eleições autárquicas em Vila Nova de Gaia

Enquanto eleitor tiver oportunidade de votar em 3 freguesias e dois concelhos do Grande Porto. Nessa qualidade, a de Cidadão da bigUrbe invicta, vou aqui postar sobre o ponto de situação nas candidaturas às eleições autárquicas, procurando perceber o que se passou nas eleições anteriores.
Começo pelo Concelho onde vou votar:
As eleições em Vila Nova de Gaia têm uma marca particular para todos os eleitores porque têm pela frente uma tarefa tremendamente ingrata: por um lado não podem votar no PS porque pretendem penalizar a ditatorial maioria de direita que nos tem governado. Por outro têm no poder autárquico, nada mais, nada menos, do que o Dr. Menezes, um Homem cuja passagem pela liderança do PSD deixa saudades. A mim, pelo menos, deixou. Como eu me ria.
Bom, Gaia tem 249 938 eleitores.
Em 2005, os Gaienses votaram assim:
PPD/PSD.CDS-PP: 77971 ( 54,97%) 7 mandatos
PS: 39657 ( 27,96%) 3 mandatos
PCP-PEV: 11781 ( 8,31%) 1 mandato
B.E.: 5327 ( 3,76%) 0
MPT: 887 ( 0,63%) 0
PH: 599 ( 0,42%) 0
Resultados de 2005 muito semelhantes aos de 2001, tal como em 1997, onde as coisas não eram muito diferentes do que são hoje:
PPD/PSD:64038 ( 46,72%) 6
PS: 56746 ( 41,40%) 5
PCP/PEV: 10150 ( 7,40%) 0
PSR: 992 ( 0,72%) 0
UDP: 881 ( 0,64%) 0.
Se o tempo regressar a 1993, então sim, aí tínhamos o PS no poder, à semelhança do que tinha acontecido, SEMPRE, no pós-Abril:
PS:57601( 44,14%)6
PPD/PSD: 47619 ( 36,49%) 4
PCP/PEV: 15029 ( 11,52%) 1
CDS-PP: 6623 ( 5,08%) 0
E este ano como é que vai ser?

O caso de Fernando Lugo e a vitória do Papa

Fernando Lugo era bispo católico e agora é presidente do Paraguai. Ontem, admitiu ter um filho de dois anos, concebido quando ainda era sacerdote e prometeu assumir “todas as responsabilidades”. Não disse quais.

No poder desde Agosto de 2008, Lugo colocou um ponto final num ciclo de mais de 60 anos de governos de direita no país. Era (ainda deve ser) um sinal de esperança para os mais desfavorecidos, uma vez que a sua campanha apostou no combate às desigualdades sociais.

No período da campanha eleitoral, o bispo foi acusado pela a oposição de ter 17 filhos não assumidos. Lugo disse que era mentira. Agora, pelo menos neste caso, verificou-se que mentiu. Nos outros, até ao momento não sabemos.

Este é um mau sinal para os paraguaios. Se o padre mentiu num aspecto, também poderá ter mentido noutros. Mas é um bom sinal para o Papa.

Bento XVI não autorizou Lugo a deixar o seu lugar e o bispo teve de se rebelar contra o chefe para ser candidato presidencial. Num aspecto, sabemos agora, o ex-bispo respeitou as ordens do Papa: não usou preservativo. Aliás, tenho a certeza que só praticou sexo com fins reprodutivos.

A CAÇA AO DESGRAÇADO

A DGI anda muito activa. Em pouco mais de um mês enviou milhares (mais de seis mil) de notificações a gestores, para pagar o que as firmas que geriram, e que falindo não têm bens para o fazer, devem ao fisco.

Este é um caso extraordinário, para usar um termo caro ao nosso Primeiro. As firmas que têm uma responsabilidade limitada à empresa, por isso são “…, lda.”, l.i.m.i.t.a.d.a, deixaram de o ser e agora os zelosos fiscais, vão buscar a casa dos gestores ou gerentes dessas empresas, micro e médias, o dinheiro das dívidas da empresa (coimas fiscais), o que nunca deveriam poder fazer.

O gerente ou gestor, já não tem direito a subsídio de desemprego, aquando do terminus da actividade da empresa, apesar de descontar para isso. Dizem que desconta menos um por cento e por isso já não tem direito a nada. Mas descontam praticamente como qualquer outro trabalhador.

Estas coisas só acontecem porque esses gestores e gerentes não são muito ricos e não têm influência, nem capacidade de subornar, influenciar, contornar, contestar ou negociar. Muitos não passavam de meros empregados sem muito poder de decisão (às vezes em nenhum) e muitas vezes com ordenados em atraso, porque senão, se tivessem essas capacidades ou esse dinheiro e poder, acontecia-lhes o mesmo que está a acontecer às instituições bancárias que viram o IVA perdoado em cerca de quatro milhões de euros, por “falta de meios” do fisco.

Que fazem as associações de comerciantes pelos seus associados? Como os defendem neste caso? Não os vejo a fazer seja o que for que tenha cabeça, tronco e membros.

Depois admiram-se que os ditos gestores, aflitos, tentem vender o pouco que têm para que esse bem não seja penhorado.

Este é o saque a que temos direito com o governo que nos (des)governa. O que o estado quer é cobrar multas, taxas e impostos, seja de que forma for.

Desta forma, da forma que o governo impôe, isto está a ir longe de mais.

Temos de os fazer parar, à boa maneira do nosso Primeiro: seja de que maneira for!< –>

FREEPORTGATE

Como se nada fosse, o povo Português assiste impávido e sereno à novela do caso Freeport.
Pelo que se vai sabendo, ou pelo que se julga que se sabe, estamos a falar de suborno, de dinheiro que alguém pagou e outro(s) alguém recebeu para que se licenciasse uma obra que não o deveria ter sido.

Pelo que se vai sabendo, ou pelo que se fala, estamos a falar de leis e de direitos que alguém, porque possivelmente recebeu dinheiro que não poderia nem deveria ter recebido (fala-se em quatro milhões de euros, pagos aos bocadinhos para não dar nas vistas), esqueceu e das quais fez tábua raza, para que outro alguém pudesse ganhar milhões de euros de mais valias e de lucros indevidos.

Pelo que se vai sabendo, ou pelo que se diz à boca cheia, estamos a falar do envolvimento de um membro do governo, ministro à altura dos acontecimentos e Primeiro ministro na actualidade.

Ninguém sabe ao certo, porque ninguém nos diz, e também porque ninguém se acusa, se é verdadeiro esse envolvimento. Mas aos poucos vai-se adensando a nuvem que cobre este nosso governante, que cada vez mais se mostra revoltado com a situação. Mas o homem é perito em mudar o nome e as cores das coisas e das situações. E a história do menino pastor e do lobo, todos a conhecemos.

O que mais me confunde, é a passividade do povo do meu País. Noutra altura qualquer, ou com outro qualquer personagem, já os meus concidadãos tinham saído para a rua, exigindo saber a verdade, ou a demissão do governante enquanto não se apurasse tudo direitinho. Com este, nada se ouve. Com este tudo se cala. Com este tudo e todos se dobram. Que terá ele dado ao povo? Noutras circunstâncias e noutros contextos dir-se-ia que lhe tinha dado água de c. lavado.

Agora até já se fala na possibilidade de arquivamento do caso Freeport. Fala-se de pressões sobre os magistrados que estão com o caso. O presidente do sindicato dos magistrados do ministério público pede uma audiencia de urgência com o Presidente da República. Que poderá sair daí?

Todo este caso cheira mal, e a campanha dita negra, só o é se se revelar que tudo é uma mentira. Até lá não há campanha de cor alguma, seja ela branca, cinzenta ou negra.

Tudo isto é um espelho do nosso País.

Tudo isto me dá vomição.

(In O Primeiro de Janeiro, 09-04-2009)

És uma besta, não és amor?

Muito se tem debatido sobre as incompatibidades de interesses que a Fernanda Câncio esquece (esquecerá) ao escrever sobre assuntos que envolvem o namorado.

Eu creio que a única solução séria seria não escrever nada.Não ter opinião pública. Pois não é verdade que há outros jornalistas que podem fazer o mesmo trabalho sem levantar suspeitas, com outra liberdade? Claro que há. E é tambem claro que isso seria positivo para todos, incluindo o jornalismo.

Mas os que falam sobre o assunto juram a pés juntos que, não senhora ,a Fernanda não é nada influenciada pelos sentimentos que nutre pelo namorado! Pois se ela é tão séria e tão boa profissional! Pessoa de convicções, de antes quebrar que torcer.

Pois, são justamente essas qualidades que me levam a dizer que a cidadã Fernanda Cãncio nunca poderia, na presente situação, ter outra opinião. Se a tivesse acabava com o namoro! E a jornalista(enquanto jornalista) namora? E escrevia se a verdade, na opinião da Fernanda, fosse outra?

Mas cá no país tudo é possível, tudo é uma questão das pessoas envolvidas e das circunstâncias. Não há convicções nem regras nem verdades.

Vale tudo, até esperar que alguem escreva num dos principais jornais “és uma besta , não és, amor?”

PS.A Ana Matos Pires da Jugular, sendo médica, levou-me à velha máxima em medicina “os médicos não tratam os filhos porque lhes pode tremer a mão!” Ou tambem já não se aplica?

só disponível para Mac

Li recentemente um artigo acerca de uma aplicação informática que parece ter tudo para vir a tornar-se um êxito. O propósito desta aplicação é bloquear a capacidade de um computador se conectar à internet. O bloqueio poderá demorar um minuto ou até oito horas, dependendo da vontade do utilizador.

Incapazes de se coibirem de deitar uma olhadela furtiva ao mail, de espreitar a ver que amigo actualizou o seu estado no facebook, de dizerem ao mundo o que estão a fazer nesse instante via twitter, alguns utilizadores viram-se obrigados a instalar um programa que os impede de ligar-se à rede, permitindo-lhes os minutos ou horas de descanso (ou trabalho) que eles não teriam a coragem de obter por si.

Este programa é aquilo a que nos filmes americanos se costuma chamar o “mean motherfucker”, o tipo cool, que sabe sempre o que fazer a seguir e impõe a sua vontade aos demais. “Precisas de acabar um relatório mas tornaste a meter-te no Messenger? Eu trato já de ti…”. Mas o que mais me agrada neste história, confesso, é o nome do programa: Freedom.

Nada mais condizente com os tempos que correm do que esta liberdade que vem fardada de agente da autoridade e nos manda fechar a porta da cela.

Sócrates e Ministra vão a escolas: clima de festa. Mas,…

Os alunos estavam de férias.
Este detalhe no fim da notícia do Correio da Manhã é uma pérola da escrita.

Não resisto a sublinhar o detalhe – a visita dos governantes em tempo de pausa lectiva para celebrar na ausência dos ausentes (car@ leitor@, a redundância é intencional) as boas novas da governação.
Admito, por ser no Porto que a Srª Directora Regional também lá esteve.

Todos felizes e contentes para o boneco… sem alunos, claro!
Esses poderiam estragar a festa.

Memórias da Revolução: 13 de Abril de 1974

Marcello Caetano e Lopes Rodõ, diz o «Jornal de Notícias» de 13 de Abril de 1974, estiveram em Coimbra. Passaram a noite no Buçaco. Previam ir à serra da Estrela, mas o mau tempo não o permitiu.
Neste momento, há mais de trinta candidatos ao Eliseu. Miterrand expôs linhas moderadas, Delas reuniu-se em segredo com Giscard d’Estaign.
Na sequência do massacre de Kiryat Shemone, Israel tenciona vingar-se no Líbano.
Faltam 12 dias para a Revolução.

CÂMARA DE LISBOA: CONVERGÊNCIA DE ESQUERDA?

Hoje, o jornal ‘Público’ noticia o lançamento via Internet de uma petição, já subscrita por cerca de 170 nomes – os nomes é que subscrevem? – intitulada “Apelo à Convergência de Esquerda nas Eleições de Lisboa”.

A referida petição, ainda segundo o ‘Público’, “será entregue aos partidos políticos e movimentos de cidadãos que concorrem às eleições autárquicas”. Há mil e uma questões a submeter aos protagonistas da iniciativa. Todavia, uma primeira que me ocorre é sobre a frase “será entregue aos movimentos de cidadãos”- para quê? Ou é erro do ‘Público’ ou há a tentativa de manipulação da opinião pública, por Paulo Fidalgo e/ou outros protagonistas da petição. Com efeito, enjeito a possibilidade dessa gente ignorar o estabelecido no n.º 1 do art. 17.º da Lei Eleitoral das Autarquias Locais, Capítulo II – Apresentação de Candidaturas.

A hipótese de manipulação é, para mim, a mais plausível; por mera coincidência, Helena Roseta, em nome dos Cidadãos por Lisboa, acaba de declarar em entrevista a Luís Novaes Tito do ‘Público’, sim do ‘Público’, o seguinte: “há um impedimento legal à participação de movimentos como o nosso em coligações eleitorais” – Cidadãos por Lisboa: Notícias.

Tudo isto significa o quê? Que podemos estar em presença de mais uma manobra, desta vez realizada, sem mestria, por Paulo Fidalgo e companhia, sob a produção do PS – Mário Lino, outro renovador; este último, lembremos, com o topete da renovação do Cais de Contentores de Alcântara sem concurso público, e com adjudicação à TERTIR / MOTA-ENGIL.

O Bloco Central, a 18 de Janeiro deste ano, urdiu e aprovou a Lei Eleitoral das Autarquias Locais. PS e PSD, partidos de governo, sempre que necessário, entendem-se. Propositadamente, ignoram as outras formações partidárias e os movimentos de cidadãos, na maior parte do tempo. Nestas acções, o PS assume-se como um exímio autista. Escolhe o caminho de constantes derivas. Apenas confrontado com o risco da perda de poder recorre ao expediente ardiloso de se querer aliar ao PCP, ao BE e a tudo o que lhe cheire a esquerda.

A história política é demasiado fértil em alianças do género, na maioria das democracias ocidentais. Maurizio Cotta em ‘Democracia, Partidos e Elites Políticos’, editado por Livros Horizonte (Circap – Centro Interdipartimentale di Ricerca sul Cambiamento Politico: Maurizio Cotta), é bastante eloquente quanto ao fenómeno das relações intra e interpartidárias, abordando a tese dos partidos descartáveis. Invoca o exemplo da coligação, em finais dos anos 1970, dos Partidos da Democracia Cristão e Comunista de Itália (Compromisso Histórico). Quando ficou seguro da grande erosão do eleitorado do PCI, o PDC extinguiu o compromisso.

A “convergência de esquerda”, agora engenhosamente oferecida pelo PS, poderá fazer incidir sobre a esquerda autêntica um segundo golpe eleitoral, complementar daquele que o mesmo PS aplicou na aprovação da Lei Eleitoral das Autarquias Locais; lei que, recorde-se, concede ao partido vencedor o direito a uma Presidência privilegiada pelo benefício da escolha, entre os eleitos de confiança, de 2/3 dos vereadores. Note-se que à falta de proporcionalidade estabelecida adiciona-se o facto de, em Lisboa, o número de vereadores ficar reduzido de 17 para 12, a partir das próximas eleições. Ou seja, a concelhia de Lisboa do PS quer António Costa e mais 8 amigos vereadores. Toda esta gente é de esquerda a sério? Duvido e com as derivas do PS estão os portugueses desiludidos. Coliguem-se com o BPN ou o BPP.

MFL está a abrir o caminho a quem?

Rangel é uma estrela em ascensão e está a fazer um bom trabalho num lugar difícil e de grande visibilidade política. Mandá-lo para Bruxelas à conta de quê?

Marques Mendes já foi tudo cá dentro excepto Primeiro Ministro que não vai ser. É o melhor cabeça de lista às europeias do PSD. Todo o país o conhece e tem boa reputação.

Rui Rio sabe bem que ir para Bruxelas é o fim do caminho. O mesmo se diga de Passos Coelho. Têm demasiadas ambições para se enterrarem em Bruxelas.

Então Manuela Ferreira Leite ao mandar Rangel para Bruxelas está a abrir o caminho a quem? Não podemos esquecer que tem uma vida política muito cheia e quase 70 anos. Esta é a última batalha.

RAIOS PARTAM OS MEDICAMENTOS

Isto das farmácias se quererem sobrepor aos médicos não pode acontecer. Os senhores doutores médicos é que sabem se o medicamento que receitam pode ou não pode ser substiuído por outro. Esta coisa de se querer beneficiar os doentes arranjando medicamentos mais baratos não beneficia ninguém, nem médicos, nem farmácias nem doentes.
A maior parte das vezes os chamados genéricos não prestam para nada, e assim os doentes não melhoram. Se não melhoram têm de comprar outros que lhes tragam saúde.
Desta forma os doentes são prejudicados na sua saúde e na sua bolsa.
A maior parte das vezes os medicamentos chamados genéricos são mais baratos, logo o lucro das farmácias é menor. As boticas são assim prejudicadas nas suas receitas.
A maior parte das vezes os chamados genéricos, se não forem receitados pelo médico e não surtirem o efeito desejado, a culpa é sempre do clínico que os não receitou mas aceitou a troca, e assim fica perante o doente numa posição fragilizada. Os médicos são desta forma prejudicados pelos efeitos menos bons do remédio.
Em todo este contexto, as farmácias surgem como más da fita ao quererem que os doentes paguem menos por um medicamento que o governo se farta de nos dizer que é igualzinho aos de marca. As farmácias não têm esse direito. Como não o têm de prejudicar as farmacêuticas. E aqui é que a “porca torce o rabo”.
Há interesses instalados! Das farmacêuticas e dos médicos que em muitos dos casos poderiam facilmente receitar um medicamento genérico, mas não podem “à cause des congrés”, e de outras coisas de que se fala.
Por causa de todos os interesses instalados, logo saltaram abespinhados os médicos e agora o governo, que, para salvaguardar, não os interesses dos cidadãos, mas outros, porventura escusos, já fez saber que se o doente aceitar trocar o medicamento receitado pelo médico, por outro genérico, sem o consentimento prévio do clínico, esses medicamentos não serão comparticipados pelo estado. Só podemos ter medicamentos de marca, apesar do governo dizer que quer aumentar o número de genéricos receitados e vendidos. A mania das grandezas, misturada com mentiras surdas.
Abençoado País que tal governo, amigo dos governados (alguns deles), tem!
Carago (como se diz aqui na minha terra), e não há forma de os pormos daqui para fora?

O 'test drive' da adopção e a incompatibilidade com o canídeo

Podias-me emprestar 500 euros? / Não. Não tenho aqui. / E lá em casa? / Lá em casa estão todos bem, muito obrigado.

Foi desta pequena história sobre a arte de desconversar que me lembrei hoje quando acompanhava a caixa de comentários online de uma notícia breve do jornal Correio da Manhã inserida numa reportagem sobre 80 crianças adoptadas que foram devolvidas às instituições sociais.

Numa caixa que acompanha a notícia principal, o jornal conta que “em 2006, ao fim de uma semana, um casal da Região Centro devolveu a criança que lhes foi confiada, porque não se dava bem com o cão. “O cão já estava com a família há muito tempo”, terá sido a explicação”, relata o CM. Esta criança foi uma das 80 que foram devolvidas às instituições nos últimos quatro anos, durante a fase de pré-adopção, o período experimental de seis meses em que vivem com os pais adoptivos. Assim, uma espécie de ‘test drive’ para ver se as pessoas gostam ou preferem um novo modelo. Uma fase que acontece depois de um longo processo de avaliação da família adoptante.

E o que diziam os comentários?

Os comentários que foram surgindo ao longo do dia abordavam a questão do abandono da criança versus o abandono do cão e de as crianças serem mais ou menos importantes que os cães no seio de um família. Uma senhora jurava, sob o peso de uma sentença de morte, que não trocava o seu cão por um ser humano.

Posso até estar errado mas parece-me que há qualquer coisa de estranho nestas reacções. Não creio que a questão a ter em conta nesta história seja a incompatibilidade entre o cão e a criança. O mais certo é que no final da semana – convém realçar, uma semana -, em convivência com o petiz adoptado, as pessoas deste caso tenham percebido que tinham cometido uma asneira. As possibilidades são várias e vão do facto de não terem gostado da uma criança que lhes foi entregue até terem percebido que, afinal, já não queriam mais ninguém na vida deles. Depois terá sido apenas encontrar uma desculpa para devolver o miúdo à procedência. Como se de um produto se tratasse, alega-se a existência de um defeito e, pronto, não tem de se fazer mais. Como não conheço os detalhes deste processo, fico-me por aqui quanto a especulações.

Esta notícia vem complementar uma outra, da Lusa, de Novembro passado, segundo a qual, nos últimos três anos, mais de 70 crianças que foram acolhidas por uma família para adopção foram devolvidas às instituições, no âmbito das pré-adopções.

Nessa altura já se falava da questão do cão, daqueles que perceberam que um fedelho lá em casa custava muito dinheiro e de uns para quem bastou um fim-de-semana para tirar a pinta ao pirralho. Foram umas dezenas de casos, todavia importantes, no meio de 1431 crianças que acabaram integradas nas famílias que iniciaram a pré-adopção.

Naquela altura, Edmundo Martinho, presidente do Instituto da Segurança Social, dizia à Lusa que alguns candidatos chegavam a ser indignos e revelaram falta de preparação. Uma possibilidade, de facto. Mas não deixa de ser estranho que estas pessoas tenham queimado etapas num processo longo, de cerca de cinco anos, em média, e que envolve diversas avaliações, incluindo entrevistas pessoais de várias horas.

Em Novembro, as Listas Nacionais de Adopção indicavam a existência de 1.856 crianças em condições de serem adoptadas e 2.363 candidatos inscritos.

Métodos revolucionários 2

Nota introdutória:
Estes métodos revolucionários são antes de mais, processos de reflexão e de sugestão à reflexão. Eu bem sei que esta sociedade tem muito pouca prática no que toca à compreensão de metáforas ou mensagens subentendidas, e exactamente por essa razão os métodos revolucionários que proponho (ainda que entendidos à letra) estão precavidos de prejuízos maiores. Não se assustem, porque não vou incentivar ao suicídio colectivo, nem tão pouco pedir que se atirem ponte abaixo! Ainda que acredite… certamente haveria quem o fizesse.
Para todos os efeitos adoraria que me cuspissem à porta de casa, mas com a certeza de saberem o porquê de o fazer.

Então o método revolucionário número dois, explica-se assim:
Com seis anos de idade uma criança é introduzida num sistema de ensino, denominado instrução primária. Durante quatro anos receberá formação elementar na área e domínio da língua portuguesa, das ciências, história e matemática, e muito possivelmente existirão alguns exercícios que estimulem a sua capacidade de expressão artística, através da educação visual. Nos seguintes anos de escolaridade, respectivos ao ensino básico, o cenário é relativamente idêntico: alguma especificação na área das ciências, no domínio da linguística (com a introdução ao ensino de uma língua estrangeira), o aprofundamento de áreas como a história, a geografia e matemática…e a educação visual.
Eis que uma criança chega aos 15, 16 anos de idade, com um conhecimento básico em diferentes áreas disciplinares, razão pela qual se presume que esta criança terá já uma vaga ideia acerca da(s) disciplina(s) que estará mais capacitada para seleccionar e desempenhar numa fase seguinte. (“capacitada”, pode também significar uma escolha com base nas disciplinas que se gosta mais, ou numa selecção que exclua as disciplinas em que se tem mais dificuldades)
Na fase seguinte respectiva ao ensino secundário, as áreas disciplinares são mais específicas tendo em vista a progressão académica do aluno, e o futuro ingresso num determinado curso universitário. Neste processo, o aluno tomará decisões e fará escolhas determinantes no pacote de conhecimentos e técnicas, que quando terminada a sua carreira académica (curso universitário incluído), classificarão a sua utilidade e importância no funcionamento da sociedade. À classificação da utilidade corresponderá um salário, que varia de forma relativamente homogénea dentro da respectiva profissão.
A carreira académica poderá ainda prolongar-se com mestrados e doutoramentos, que podem acrescentar maior especificidade ao papel do indivíduo, clarificando ainda mais a sua utilidade nesta super-estrutura.
Agora repare-se, todo este processo é condicionado pela máxima capitalista que relaciona a oferta com a procura.
Por exemplo, se existirem demasiados médicos, relativiza-se a sua contribuição para a sociedade, e a sua remuneração será mais baixa, por força do aumento da oferta. Está tudo ligado.
Neste sentido, e para fazer frente à concorrência, o médico especifica-se numa área especial da medicina, aproximando-se de um nível de exclusividade que reequilibra as relações de oferta e procura, permitindo-o voltar a receber uma remuneração digna da sua contribuição para a sociedade.
É assim para todas as profissões, até para o futebol… Houve alturas que os jogadores mais valiosos eram os pontas-de-lança, porque marcavam golos. Agora, já se percebeu a importância que um bom lateral esquerdo pode ter, e o quão valioso pode ser um jogador deste género… principalmente, numa altura em que cada vez há menos esquerdinos.
Agora quando uma criança de 6 anos diz ao pai que quando crescer quer ser jogador de futebol, a obrigação paternal é imediatamente aconselhar o filho a saber jogar com os dois pés… Nesta vida de competição, não podemos todos ser pontas de lança, portanto, mais vale preparar o puto para ser um bom defesa esquerdo. Qualquer pai mais preocupado não se descansa em ver o filho decidido a ser um médico… No mínimo um médico cardiologista, para não dizer um cardiologista especializado no ventrículo direito, que o esquerdo (segundo estatísticas) dá menos problemas, logo menos dinheiro.
Obviamente que determinadas profissões carecem de especificação, o que implica que serão menos remuneradas. Infelizmente ainda não se procuram encarregados de armazém especializados a arrumar pacotes de arroz… nem sequer encarregados de armazém especialistas a rotular comida de gato. Nestes casos, a progressão faz-se num sentido hierárquico, de empregado para encarregado, de encarregado para chefe, de chefe para gerente, de gerente para director, de director para presidente…e por aí… Percebe-se que nestes casos, o investimento na educação e formação poderá não ser preponderante na progressão de carreira, daí que exista tão poucas crianças que desejem um dia serem encarregados de armazém… e tão poucos pais que aconselhem os filhos nesse sentido. Mais, mesmo que a remuneração correspondente a um director de armazém seja desejável, é preferível contornar todo aquele processo de progressão demorada (e sempre tão dependente de variados factores, nos quais se inclui a capacidade de trabalho) e atalhar de imediato por uma carreira na área de gestão e marketing.
São três anos numa universidade, que poderão poupar penosos anos de trabalho não qualificado só alimentados pela esperança de ascensão. Se por acaso não se conseguir um digno cargo nos headquarters da Vodafone, ao menos que exista um lugar na direcção dos armazéns do Minipreço…o que conta mesmo é o vencimento no final do mês.
E atenção, quando se fala em cargos de chefia, a questão da especificação volta a ser importante, e extremamente condicionante no papel e lugar social que o indivíduo vai ocupar. Um licenciado em gestão de marketing, com uma tese de mestrado em telecomunicações está uns lugares à frente na corrida aos headquarters da Vodafone. E claramente melhor posicionado quando concorrer contra o encarregado de armazém, na disputa pelo lugar de director do Minipreço. (Salvo condições especiais, das quais se destaque a famosa cunha, ou a disponibilidade do concorrente,em “abrir as pernas” a um salário consideravelmente mais baixo… as habilitações académicas vencerão, em condições normais, os anos de experiência num trabalho não qualificado.)
Resumindo, todas estas voltas para conseguir demonstrar o quão importante é uma formação específica, e o quanto a nossa sociedade valoriza o esforço individual da especificação.
E porquê?

Porque sim.
É um dado adquirido, e a sociedade não tem dúvidas em reconhecer na especificidade uma mais valia para o seu funcionamento. Mais, a sociedade entende que a especificidade surge claramente no seguimento do binómio económico que regula todo o capitalismo: a oferta e a procura. E são múltiplas as vantagens que daí derivam: criação de mais empregos; disponibilização de mais serviços e bens; estimulo do desenvolvimento científico e tecnológico, enfim… crescimento económico.
Sendo do senso comum, que gente de estudos é gente qualificada…será que é verdade que gente de muitos estudos, é gente ainda mais qualificada?
Não necessariamente… principalmente se esses estudos não significarem uma especificação.
E porquê?

Porque sim, é um dado adquirido e já diz o povo: cada macaco no seu galho! Então agora era o que faltava, eu estar no consultório do dentista, e por traz da cadeira ele ter lado a lado, o diploma de medicina dentária e de engenharia mecânica. Quem é que confiava os dentes, a quem trabalhou 5 anos que seja, a desaparafusar válvulas de turbinas? Ainda por cima, sendo o dentista um gajo novo? Foge!
Qual é a cara de um pai, quando um filho termina a magistratura e decide que afinal quer é ser bombeiro? Arde
c
om a casa!
E será que é possível, nesta sociedade, alguém ser professor de História da Arte e simultaneamente animador cultural num Hotel em Vilamoura? Quem vai votar num político, que depois da licenciatura na universidade moderna, cursou o ensino qualificado do Chapitô?
E não me venham com as tretas das virtudes inigualáveis da especificação, porque eu aposto que se por ventura existir um professor de História de Arte, com experiência em animação cultural ele terá capacidades únicas e exclusivas, em conduzir uma aula…e deveria obviamente ser reconhecido por isso. E não me digam que não urge alguma criatividade e disposição às políticas dos últimos 500 anos, e que de tudo que se experimentou, muita falta faz as ideias de um palhaço devidamente qualificado para o efeito.

O método revolucionário número dois, é precisamente este: substituir a ultra especificação, pela pluralidade disciplinar. Assim, poderemos finalmente emergir desta lógica pós-moderna que nos faz crer que o desenvolvimento humano depende duma constante melhoria e aperfeiçoamento das técnicas e conhecimento já adquirido. Sinceramente, e observando os resultados do desenvolvimento humano nos últimos 500 anos, penso que será mais importante procurar novos processos de formação que visem, um verdadeiro conhecimento novo (ao invés de um velho constantemente reinventado).
Neste sentido, vamos estimular a imaginação que se perde com a maturidade, e que tanto é necessária na procura de novos caminhos, novas soluções…e definitivamente… novas sociedades.
O poder da criatividade, e a capacidade que um individuo tem em relacionar conhecimentos e técnicas, são a arma mais poderosa contra sistemas opressores, contra sistemas que condicionam a nossa vida, em prol da estabilidade social que tanto convém à promulgação de sociedades desiguais, estratificadas e claramente segregadoras.

Nota: Não é por acaso, que um dos maiores motes das revoluções socialistas era precisamente o combate ás monoculturas infligidas. Este era um processo económico, através do qual os países centrais retiravam toda a soberania de países periféricos, deixando-os à mercê dos seus interesses, da sua subjugação, da sua exploração.
Hoje, o imperialismo capitalista generalizou-se de tal forma, que os indivíduos desta sociedade global, mimetizam não só entre países, mas também nas relações entre indivíduos, os princípios basilares das sociedades capitalistas de que fazem parte…
Não o farão comigo.

Rui Rio candidato ao Parlamento Europeu

Ao contrário do José Magalhães, palpito que Rui Rio vai ser o candidato do PSD às próximas eleições europeias. Se repararem, não há cartazes do PSD para as Europeias,nem de Rui Rio para as Autárquicas.
Seria uma jogada de mestre: por um lado, o Partido apresentava um candidato muito forte e com muitas hipóteses de vencer; por outro lado, Manuel Ferreira Leite revelava-se capaz de surpreender e de um genial «golpe de asa»; por fim, o PSD jogava no terreno do PS no que respeita às Autárquicas, sendo que Elisa Ferreira nunca poderia criticar o adversário pela decisão tomada.
Apenas um senão: o eleitorado do Porto nunca perdoaria a Rui Rio essa opção e antes a encararia como querendo o autarca assegurar um cargo com medo de perder a Câmara meses depois. E, como fez com Fernando Gomes, dar-lhe-ia a derrota.

Cão Allgarvio

O único cão que gostou de mim foi um cão d`água do Algarve como são todos. Usados para ajudar à pesca, nadavam à volta do cardume cercando-os com a rede. Estiveram muito próximo da extinção.Conta-se que foi um americano de visita ao Algarve que convenceu uns pescadores a oferecerem-lhe um exemplar. Conhecedor, salvou-os da extinção. É um animal muito dócil e amigo, vivo e brincalhão. Merece a Casa Branca.

Mas no meio desta alegria tenho algo a atormentar-me. É que nunca vi um cão d`água genuíno com manchas brancas! Haverá por ali americanices, cruzamentos com um rafeiro qualquer lá do Rancho Busch? E a Michele não vai estragar o “rapaz” com umas vestimentas ridículas?

O melhor mesmo e para que comecemos a pensar num movimento à escala mundial em defesa do “nosso algarvio”, é mostrar um exemplo da vergonha a que podemos estar sujeitos!