O cálculo de probabilidades à moda do Cunha

Cunha, já de si, é palavra de significância negativa – viver à custa da ‘cunha’ não é propriamente uma forma de vida louvável, embora o privilegiado saia ganhador; mas caramba!, o jargão estigmatiza mas não é letal.

O pior de tudo é haver os Cunhas, que pela vida fácil que lhes oferecem, ganham um impulso enorme de auto-estima e, sem a menor consciência do ridículo, manifestam-se em pretensiosos raciocínios e conclusões, para os quais a cunha em nada contribui e a estrambólica petulância desmascara.

O Cunha é favorável ao encerramento da MAC. Tem todo o direito a tal opção. O que não é acto de mínima inteligência é o recurso a cálculos de probabilidades enviesados, para defender a sua dama. Aqui, demonstrando falta de conhecimentos de estatística analítica, questiona:

Qual é a probabilidade de 1 de 5,4% dos bebés nascidos num dado ano acontecer no dia 1 de Janeiro entre as 0h00 e as 0h05, em Lisboa e na Maternidade Alfredo da Costa?

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Saúde: custos das PPP agravados em 6 mil milhões de euros

O ‘Correio da Manhã’ saiu hoje para as bancas com o seguinte destaque de 1.ª página:

Correio da Manhã_28-07-2013(2)

Trata-se, como é sabido, de um jornal sensacionalista, suscitando dúvidas quanto à credibilidade de títulos de primeira página. Todavia, nem sempre especula sem sentido. Certas vezes, recorrendo a provas dignas de confiança, acerta na ‘mouche‘, como é o caso do descontrolado e pesado gasto não previsto com as famigeradas PPP no sector da saúde, dominadas pela HPP (CGD), Grupo Mello, uma sociedade gestora herdeira da SLN do BPN e, para completar o cartaz, o grupo Espírito Santo Saúde, dirigido por essa ardilosa e insolente figura, Eng.ª Isabel Vaz.

Desta vez, não há, de facto, dúvidas, menores ou maiores. O CM baseia-se no Relatório nº. 18/2013 – 2ª. Secção do Tribunal de Contas, de conteúdo pormenorizado, e até exaustivo, que em 347 páginas descreve, avalia e recomenda acções do governo sobre as Parcerias Públicos Privadas no Sector da Saúde.

Os resultados para os cofres públicos, conforme o TC justifica, saldam-se por enormes gastos, tomando por base os custos previstos face aos custos reais para o Estado que, como diz o CM, se reflectem em encargos adicionais de 6 mil milhões de euros.

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Desmontar as teorias de Luís Cunha Ribeiro, presidente da ARSLVT

royal marsden hospitalroyal brompton hospitalO presidente da ARSLVT, Luís Cunha Ribeiro, declarou  em audição parlamentar:

 O edifício da MAC não tem as condições a que as nossas grávidas têm direito.

Revelou ainda uma despesa de um milhão de euros para reparar o telhado e canalizações da maternidade. A seguir utilizou argumentos reveladores de falta de bom senso – ou de vergonha? – de quem é responsável supremo da gestão de unidades e actividades na Área Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo. Teve, por exemplo, as seguintes tiradas:

[…] o Hospital de Santa Maria perdeu partos, por causa da abertura do Hospital de Loures…

ou estoutra:

[…] a MAC faz cerca de cinco mil partos e o previsto para o Hospital de Todos os Santos são três mil. “Se hoje fazem 5400 partos, é possível irem todos as equipas para o futuro Hospital de Todos os Santos? Não me parece.”

Paremos aqui, porque o conjunto de topetes e incoerências já é suficiente.

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A bexiga e as cirurgias das grávidas da MAC

JMF é dos mais prolíferos tudólogos da nossa praça. De sabedoria polivalente, é um mestre sem barreiras. Agora ficou motivado pelas perfurações de bexiga e cirurgias das grávidas da MAC. Como neo-liberal de vanguarda, está permanentemente mobilizado para a propaganda e campanha em defesa do actual governo.

A fim de evitar o afogamento em argumentos inconsistentes, agarra-se à boia chamada Prof. Pita Barros, para afirmar:

O Prof. Pita Barros escavou números e mostrou-os

Do que foi aqui escrito pelo referido professor, destaque-se o texto da ‘nota final’:

…estas informações e opinião poderão ser corrigidas se entretanto se obtiver informação mais actualizada ou mais completa. Agradeço aos leitores do blog que me enviaram sugestões, mesmo que a minha opinião não vá de encontro à sua. [Read more…]

Há uns anos, vendiam a MAC ao ‘El Corte Inglés’

Carlos Monjardino, neto do fundador da MAC,  diz o ‘Público’, esteve a ver uns papéis lá em casa, manuscritos pelo avô, e concluiu que o Ministério da Saúde poderá fazer da MAC o que bem entender.

Sem atender a princípios fundamentais de ‘interesse público’, o prepotente Macedo recebeu, assim, uma chancela de cunho bem vincado para certificar a decisão abstrusa, anti-social e até anti-científica de encerrar a MAC.

Quem quiser ver com olhos de ver, facilmente percebe que MAC e Hospital de Santa Maria, com a transferência de 2.100 partos / ano, serão sacrificados em favor do Hospital de Loures, construído e explorado em regime de PPP com a Espírito Santo Saúde. A mulherzinha que preside ao negócio de saúde do BES é uma tal Isabel Vaz que, como escreveu o meu amigo João José Cardoso, é autora da célebre frase: “Melhor negócio do que a saúde só o das armas”. [Read more…]

MacTrete

Vencedores:

Pedro, se não vamos a votos no país, vamos a votos no partido” é uma frase atribuída, por uma fonte jornalística, a Marco António Costa. Como estou a citar de cor, pode não ser bem assim mas o sentido imputado era este.

O vice-presidente da Comissão Política Nacional e presidente da CPD do Porto do PSD, Marco António Costa, é diabolizado por boa parte dos opinion makers e alguns jornalistas da capital. Mesmo dentro do PSD algumas almas não gostam dele. É certo que são cada vez menos. Mas existem.

Por aquilo que tenho visto, não consigo entender. Como Presidente da Distrital do Porto consegue obter excelentes resultados. Seja nas eleições autárquicas, na dinamização do partido no distrito do Porto como em eleições nacionais (olhem para os resultados do PSD no distrito nestas legislativas e para a forte mobilização em toda a campanha eleitoral – incluindo uma perninha num e noutro distrito vizinho). [Read more…]

Mubarak

Está visto, se usassem mac não tinham problemas com virus…

As empresas públicas e um novo Grande Porto:

O serviço público existe para servir as pessoas e não para servir as empresas que deviam prestar esse serviço público. É muito relevante fazer esta distinção. É preciso equacionar se o serviço público que está a ser prestado às pessoas é o correcto, o adequado e tem a dignidade que deveria ter. Se essas empresas são as que melhor asseguram esse serviço público ou se outras empresas, noutro modelo e noutro tipo de regime de prestação, as serviriam melhor. O Estado deixou de se preocupar com as pessoas que tem de servir para se preocupar com a manutenção das empresas” – Marco António Costa em entrevista ao i.

Nesta entrevista, o vice-presidente do PSD, esclareceu as dúvidas suscitadas e amplificadas, nalguns casos por má-fé, por muitos comentadores. Segundo estes, o PSD pretende fechar as empresas públicas que dão prejuízo. Não, não pretende. O que o PSD e Pedro Passos Coelho afirmaram é coisa bem diferente: a prestação do serviço público deve ser adequada à condição económica e social de cada um. As empresas públicas com constantes e reiterados prejuízos de funcionamento para as quais exista uma alternativa de gestão privada que preste o mesmo serviço, com a mesma qualidade e cumprindo o objectivo social pretendido podem (e devem) ser privatizadas. No caso das restantes empresas públicas, análogas, para as quais não é possível prestar o mesmo serviço através dos privados, terá o Estado que continuar a assegurar a sua gestão mas de forma mais disciplinada e rigorosa. Tão simples quanto isso.

Outra nota interessante da entrevista (a exemplo da publicada no semanário Grande Porto) é a posição de Marco António quanto a Vila Nova de Gaia sem esquecer o elogio a Rui Rio e o seu apoio a uma candidatura de Luís Filipe Menezes ao Porto. É só saber ler para compreender que o Douro pode, finalmente, unir o que aparentemente separa e o sonho de um verdadeiro Porto Metropolitano se tornar realidade.

Em suma, tendo presente que “a prestação do serviço público deve ser adequada à condição económica e social de cada um”, como afirma Marco António, cabe ao Estado verificar qual a forma economicamente mais eficaz para o realizar. Daí a fechar “todas as empresas públicas que dão prejuízo” vai uma enorme distância. Depois de termos visto o PS aos gritos a acusar o PSD de pretender acabar com o Estado Social ao mesmo tempo que o governo de Sócrates seguia de machado em punho a destruí-lo, temos agora mais um número de ilusionismo comunicacional: o PS a afirmar que o PSD quer fechar/privatizar todas as empresas públicas. Será que a seguir vamos ver o governo a exterminar as empresas públicas? Não é difícil, basta continuar a estrangular financeiramente uma a uma. Eu já vi este filme…

Outra nota interessante da entrevista (a exemplo da publicada no semanário Grande Porto) é a posição de Marco António quanto a Vila Nova de Gaia sem esquecer o elogio a Rui Rio e o seu apoio a uma candidatura de Luís Filipe Menezes ao Porto. É só saber ler para compreender que o Douro pode, finalmente, unir o que aparentemente separa e o sonho de um verdadeiro Porto Metropolitano se tornar realidade.

Steve Jobs e o Tablet PC: O profeta e a sua tábua

É quase uma religião. O homem, alto, acentuadamente magro, careca, com uma barba de três dias, óculos, vestido com uma camisola preta de gola alta, calças de ganga, entra na sala. Acto contínuo, é saudado de forma efusiva por quem enche a sala. Há palmas, gritos, saudações. Quando desvenda a sua última revelação, há mais palmas, mais gritos, mais… Ninguém diz, mas deve haver quem pense que a “Apple é deus e Steve Jobs o seu profeta”. A um mês de celebrar 55 anos, o homem cujo rosto se confunde com a marca da maça é hoje bem mais que um arquitecto de tecnologias. É um símbolo e uma forma de estar na vida e nos negócios.

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Os novos Mac, o sistema operativo que os opera, o sucesso monstruoso do iPod, da loja iTunes, que ensinou aos incompetentes do universo das editoras como se pode e deve vender música online, o iPhone, que colocou um computador num telefone, são produtos topo que ajudaram a crescer a marca e a fazer desta algo de especial, próximo da idolatria por muito boa gente. E o dedo de Jobs está em todo o lado.

Cada evento da Apple é um momento especial. De tal forma que deve ser catalogado de EVENTO. As letras minúsculas ficam para outros. A empresa californiana vale hoje mais de 178 mil milhões de dólares.

Quase sem se dar por isso, porque aparentemente nem existe, a estratégia de marketing é digna dos melhores especialistas. Há uma linha determinada e seguida ao milímetro. Quando a Apple anuncia um evento, perdão, EVENTO, nasce um processo.

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só disponível para Mac

Li recentemente um artigo acerca de uma aplicação informática que parece ter tudo para vir a tornar-se um êxito. O propósito desta aplicação é bloquear a capacidade de um computador se conectar à internet. O bloqueio poderá demorar um minuto ou até oito horas, dependendo da vontade do utilizador.

Incapazes de se coibirem de deitar uma olhadela furtiva ao mail, de espreitar a ver que amigo actualizou o seu estado no facebook, de dizerem ao mundo o que estão a fazer nesse instante via twitter, alguns utilizadores viram-se obrigados a instalar um programa que os impede de ligar-se à rede, permitindo-lhes os minutos ou horas de descanso (ou trabalho) que eles não teriam a coragem de obter por si.

Este programa é aquilo a que nos filmes americanos se costuma chamar o “mean motherfucker”, o tipo cool, que sabe sempre o que fazer a seguir e impõe a sua vontade aos demais. “Precisas de acabar um relatório mas tornaste a meter-te no Messenger? Eu trato já de ti…”. Mas o que mais me agrada neste história, confesso, é o nome do programa: Freedom.

Nada mais condizente com os tempos que correm do que esta liberdade que vem fardada de agente da autoridade e nos manda fechar a porta da cela.