A Palestina, pasto de uma geração de ódios.

A questão da Palestina não será resolvida pelas actuais gerações no poder, cresceram com o ódio, não há família que não chore um morto ou um estropiado. É uma questão de orgulho pessoal, já pouco contam os verdadeiros interesses da paz e dos povos. Antes morrer que recuar ou ser visto como perdedor, mesmo que ganhem todos.

As gerações mais novas, libertas desses constrangimentos, já conseguiram estabelecer pontos de entendimento, o que abre caminhos para a negociação e para a vivência em comum. Se querem ter uma vida fraterna, próspera e em paz vão ter que conviver uns com os outros, uma parte importante da população de Israel é de proveniência Palestina, têm a sua vida repartida pelas universidades Israelitas e a sua família trabalha em empresas do Estado de Israel. Não há volta a dar, a não ser o entendimento!

Mas se para quem vive no local é dificil, incompreensível se torna que pessoas longe do conflito, sem sofrer as sequelas da guerra, lance lenha para a fogueira meramente por razões ideológicas. Não dão um passo no sentido da paz, da compreensão do problema. Tudo se resume a quem está do nosso lado e a quem não está. Quem está ,ideologicamente, perto ou longe dos USA assim reage, sem cuidar de saber se tal posição ajuda ou aprofunda o problema.

Sempre contra Israel, sempre a favor dos palestinianios! Sempre contra os Palestinianos, sempre a favor de Israel.

Como o Nuno Castelo-Branco mostra aí nesse belo e avisado artigo se calhar o problema é mais complexo e, em vez de ódio, exige discernimento! E a Ana Paula, mesmo tomando partido, clama segundo o direito internacional aplicável. Com ódio é que se não vai a lado nenhum!

Comments


  1. Como já disse, julgo que o problema toca mais fundo do que uma diferença geracional. A prazo vai ser impossível manter Israel como um estado “judeu” – seja isso o que for – logo uma solução tem de ser encontrada rapidamente. No entanto, se a ideologia dominante não mudar no governo israelita vamos continuar com esta história durante muitos anos.

  2. José says:

    Esse é o grande dilema e, ao mesmo tempo, o paradoxo fundacional do Estado de Israel: como manter o estado não confessional e a identidade que legitima a sua existência e simultaneamente manter-se um estado democrático, com o princípio de uma cabeça, um voto?
    Ao contrários do que alguns poderão dizer, Israel ainda é um estado não confessional, com menos restrições religiosas do que, por exemplo, as europeias Grécia e Irlanda, onde no BI da primeira é obrigatório identificar a confissão religiosa e, na segunda, o divórcio e o aborto continuam proibidos.
    A história é o que é, e seja na Grécia, Irlanda, Polónia ou Israel, as religiões dos seus povos serviram sempre para manter a identidade nacional viva, e isso tem o seu preço…
    Israel teve a sorte de ter como partido fundador um movimento de esquerda laico, que evitou muitas das tentações religiosas que os ortodoxos pretenderam impor.
    Mas é a natureza judaica – que vai para muito além da religião e dos seus sacerdotes – que legitimou e legitima a sua existência.
    Simultaneamente, a natureza intrinsecamente democrática do Estado – com os problemas todos que tem tido é o único país naquela religião do globo que nunca teve qualquer golpe de estado, existem diversos partidos, inclusivé da etnia árabe, representados no parlamento, a separação dos poderes funciona, com os tribunais a reverterem diversas decisões governamentais ou militares e a serem obedecidos – tem sido posta à prova de 1967 e, com a demografia contra si, mais problemas se avizinham.
    Não é apenas um problema de ideologia, até porque os trabalhistas, o principal partido de esquerda, estão representados no governo, com o lugar de vice primeiro-ministro e ministro da Defesa atribuído ao Ehud Barak, precisamente o ministro de esquerda que deu as ordens desastradas e desastrosas.
    É um problema por resolver na sociedade israelita – e, por arrasto, também na árabe-palestiniana – desde a sua fundação e acentuada com o resultado da Guerra dos Seis Dias.

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