Nem se Via o Sol

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Neste fim de semana resolvi ir dar um passeio pelo Douro Vinhateiro. Meti-me a caminho, no sábado após o almoço, que a carteira só dava para um dia de folga e no sábado de manhã ainda há quem trabalhe.
Tinha marcado estadia para uma unidade hoteleira muito boa entre a Régua e o Pinhão, e ansiava por lá chegar e deitar-me ao sol, na piscina de onde se vê uma curva e mais um bocado do rio.
No Porto estavam trinta graus e o calor apertava.
Auto-estrada fora, ar-condicionado ligado, velocidade de cruzeiro de cento e dez, cento e vinte e um sorriso nos lábios.
O termómetro do carro marcava já trinta e oito, e a subir, como eu, na IP4. O sol nem se via graças a algumas nuvens. Trinta e nove, quarenta, mas dentro do carro estava-se bem.
Chegados ao alto do Marão, resolvi parar. Abri a porta do carro e um sopapo de ar quente atingiu-me, misturado com o cheiro a incêndio. As nuvens que eu via a tapar o sol mais não eram que fumo dos inúmeros fogos espalhados pela região. Continuei o meu caminho já com uma atenção virada para essa realidade.
Chegado ao hotel, ainda tentei ir para a piscina, onde a exemplo de todo o caminho e também das horas que se seguiriam, o sol não se via e o chão estava coberto de cinzas, juntando a isso um calor abrasador.
Já no quarto e ligada a televisão, soube que muitos dos incêndios tinham começado de noite (????) e alguns lavravam já há muitas horas, que os bombeiros, a maior parte deles voluntários, não tinham mãos a medir para acudir a tanto fogo, e que não havia carros de combate nem aviões suficientes para tanta chama.
Com tanto dinheiro que por aí há, e que se gasta com uma facilidade gritante, com tanto dinheiro que por aí há, e que se ganha com uma facilidade ainda mais gritante, veja-se no primeiro caso o que o governo gasta e no segundo o que os bancos ganham, para não falar noutros casos ainda mais gritantes, porque não canalizar algum do dos primeiros casos e mais algum do do segundo para equipar convenientemente os homens que lutam por nós?
E já agora, porque não acabar de uma vez por todas com a capacidade de os energúmenos que ateiam fogos de o poderem fazer (fisicamente?)
O meu fim de semana ficou um pouco estragado, mas a vida de muitos Portugueses ficou ainda pior, por causa de uns quantos bandidos. Os que ateiam fogos e os que, podendo e tendo obrigação, nada fazem, assobiando para o lado como se nada fosse com eles.
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Comments

  1. José Manuel Vieira says:

    Deixa lá era só turismo !

  2. graça dias says:

    é turismo e só turismo todo ano, nada melhor que ser turista

  3. joão Nunes says:

    Eram mais uns para pendurar nos pórticos das scuts. A fazer companhia aos dos bancos e aos da política, que fariam companhia a quem vive deste flagelo, os do material, dos helis e dos berievs, mais os que assinaram há três anos que se pode plantar eucaliptos até no quintal, aos que não pagam a madeira desses eucaliptos a um preço que dê para matar a fome a quem anda a plantá-los, não a quem manda plantar, e aos que os cortam e transportam.
    Portugal ia parecer um enorme fumeiro industrial com tanto chouriço ao dependuro.
    Quanto mais tarde se começar o fumeiro, pior.

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