Em tempo de berreiro…


Uma oportuna crónica, para ler aqui:
“Bombacci foi líder do Partido Socialista Italiano com Mussolini e, depois, um dos fundadores do Partido Comunista Italiano. Após a Marcha sobre Roma, com o consenso mussoliniano com o velho liberalismo, a Igreja e a Monarquia, Bombacci manteve-se fora. Com a ruptura do consenso, com a derrota militar e a criação da República de Salò- um Estado fantoche manipulado pelos alemães – deu-se aos “velhos fascistas” poder para reeditarem as premissas do movimento. Não podendo governar (os alemães não o deixavam), empenharam-se na “purificação” do fascismo. E o que nasceu desse esforço ? Republicanismo, defesa das nacionalizações, formulação de uma teoria de co-gestão empresarial, sindicalismo revolucionário, anti-catolicismo militante.
O PCI quis ver nessa cartada um desesperado movimento demagógico. Infelizmente, os factos contradizem a simplificação. Ao longo dos anos do consenso, os elementos ideologicamente mais “puros” do fascismo dedicaram-se à teorização ideológica e ao “combate cultural”, pois que Mussolini deles não precisava para governar a Itália. Ao longo dos anos 30 e inícios de 40, cripto-comunistas e fascistas puros conviveram e fizeram o que o regime mussoliniano lhes permitia fazer: revistas, cinema, ensaio, literatura. O tão aclamado Neo-Realismo nasceu desta camaradagem entre comunistas e fascistas, bem pagos e integrados nas estruturas do Ministério da Educação Popular, do Instituto Luce, na Gioventù Universitaria Fascista e no Dopolavoro. Em 1943, Bombacci, ao invés de optar pela resistência, optou por Salò e pelo seu velho amigo Mussolini.”

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