‘Cortar Despesas’ – O PS responde ao PSD com tecnologia multimédia

Os dois grandes partidos portugueses, a despeito da vontade de se mostrarem diferentes, não se furtam à vida irmanada. Seja na polémica ou no acordo, na desventura ou no sucesso, nada os demove da união e da semelhança supremas, ao estilo de dois gémeos siameses.

Este tipo de coexistência assenta em inevitáveis mimetismos e, embora pareça incoerente, numa acirrada concorrência. De tão iguais, qualquer deles luta por se demarcar do outro. Mas, insistimos, a composição genética é idêntica, embora, coitados, julguem o contrário. Os últimos 34 anos de ‘rosas’ e ‘laranjas’ são a prova iniludível da vida comungada.

O PSD lançou o ‘site’ Cortar Despesas. Trata-se de uma ferramenta ao serviço dos cidadãos para reclamar a eliminação de despesas. Contém um forte apelo à participação dos funcionários da administração central, regional e local. Bem pensado, digo para mim próprio. É claro como a água: a senhora que anda a varrer o jardim aqui em Galveias, como tantas funcionárias e funcionários congéneres por esse país fora, vão transformar-se em activos zeladores das contas públicas. Elas ou eles mandam e o PSD, no governo, executa. Corta aqui, corta acolá.

Entretanto, deixemos a São Caetano a caminho do Largo do Rato. Ops! O PS, afinal, não está dormente. Pelo contrário, programou a devida resposta ao PSD. Recorrerá a tecnologias mais avançadas. É uma solução multimédia: integra também um ‘site’ e um sistema de e-mail, ambos na modalidade ‘store and forward’; um serviço de ‘contact centre’, intitulado “Trim trim, então corte aqui”, a cargo de uma jovem militante da JS, tipo Jamila Madeira dos tempos actuais; e finalmente um sistema de videoconferência para que os interessados possam comunicar com um dos elementos da equipa de dez indefectíveis “socráticos”, dizendo de sua justiça, em tempo real. Este sofisticado sistema será instalado em todas as escolas, hospitais, repartições, câmaras municipais, juntas de freguesia, serviços da Região Autónoma dos Açores e, se o Alberto João permitir, a Madeira também será abrangida.

Convenhamos que, até à reacção ‘laranja’, expectável a todo o instante, os socialistas progridem tecnologicamente. O que mais me fascina é, de facto, o modelo de videoconferência. Imagino a tal D. Bia de Galveias, numa sala da junta, a sugerir ao Vitalino Canas: “Oh senhor Vitalino, escute lá, por que raios se compram 3 vassouras por ano para limpar o Jardim? Corte para duas, homem! Sempre é uma poupança”.

Em suma, isto cheira a revivalismo do PREC: “O povo é quem mais ordena” – “O tanas”, digo eu.

Comments


  1. Sem esquecer o Magalhães ligado a um quadro mágico a mostrar uma blogconf em realtime.

  2. carlos fonseca says:

    Jorge,
    O armamento estratégico não pode ser gasto de uma penada. O Magalhães é a reserva mágica para um ‘second round’ em ‘bède inglish’ do senhor “enginheiro”.

  3. Orloff Esteves says:

    Se se pretende , de facto, fazer cortes, atenda-se a onde é possivel fazê-lo sem que os habituais beneficiários passem a viver mal, eis uma ideia:
    – EliminarCartões de Crédito aos seus utentes nas Empresas e Institutos Publicos.
    – Reduzir a metade os ordenados vergonhosos, ofensivos para quem trabalha em Portugal, caso dos Gestores Publicos da TAP, CGD,ERSE,CARRIS

  4. carlos fonseca says:

    Carlo Orloff, completamente de acordo.

Deixar uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.