antropologia da criança

crianças Picunche, ornamentadas, estudadas por mim ao longo de anos

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Beethoven – Fur elise

«Losotros haulamos dohs idiomas» (não é gralha, é a pronúncia da letra s, sempre aspirada, jamais falada. É a língua huasa).

1. É o que diz Marcelo Castro Morales, o puto de dez anos, uma das quinze crianças a quem a escola C 40 de Pencahue permite pesquisar, comigo, no frio Inverno chileno.

Falamos duas línguas, o castelhano e a huasa. Uma viva polémica se levanta, desenvolvida entre elas, dentro da pequena sala que nos cederam para os trabalhos. Trabalho, que leva o Director do Complejo Educacional de Pencahue (Escola C40 no jargão oficial) a interrogar-se sobre a sua natureza: ensinar o-não-sabe-o-quê desse estrangeiro, sábio Doutor, às 15 crianças escolhidas entre o melhor dos 1.600 estudantes do pré-primário à opção pré-universitária, da população de 9.000 habitantes dos seis sítios rurais e industriais que a comunidade chilena – picunche, clã da Nação Mapuche habita entre o Chile e a Argentina, território que se estende ao longo de 1.000 km2 de [Read more…]

Cheias de Lisboa: As fotos

Lisboa, Outubro de 2010.
Como diz o Tiago Mota Saraiva, a culpa não é do mau tempo. A culpa é da forma como o País continua a ser planeado. Impermeabilização dos solos – uma prática criminosa. Nada que preocupe demasiado, claro, os senhores do poder. [Read more…]

Nenhum comunista no Conselho de Estado

O Conselho de Estado é um órgão político de consulta do Presidente da República. O Presidente da República é o Presidente de todos os portugueses. Não há nenhum comunista, nem sequer alguém à Esquerda do PS, no Conselho de Estado.
Há aqui alguma coisa que não bate certo. Se a função do Conselho de Estado é aconselhar o Presidente da República e ele é o Presidente de todos os portugueses, não deveria o Presidente da República querer ouvir todos os portugueses através dos Conselheiros de Estado?
É que, para além daqueles que têm lugar por inerência ou porque ocuparam cargos no passado, há «cinco cidadãos designados pelo Presidente da República». E sendo assim, repito a pergunta: Se a função do Conselho de Estado é aconselhar o Presidente da República e ele é o Presidente de todos os portugueses, não deveria o Presidente da República querer ouvir todos os portugueses através dos Conselheiros de Estado?
Se calhar não. Porque aquilo que um comunista ou um bloquista teriam para dizer não é conveniente para o poder instalado. Não é conveniente para o «centrão». Não interessa a quem desgoverna o país. Não interessa a Cavaco.

Para fazer uma coisa, é necessário fazer o seu contrário

O leitor habitual do Aventar já deve ter reparado que levamos a efeito uma sondagem intitulada “Como vai votar nas Presidenciais?“, visível no topo da barra lateral direita do blogue.

A própria sondagem (aparte os nomes que a compõem e a sua posição relativa) mostra bem a dificuldade de coerência e a disfuncionalidade mental com que se vive cá no burgo.

Imagine que o leitor escolhe a opção “Não voto” (por acaso a que vai à frente na sondagem) e quer validá-la. Pois bem, primeiro clica “não voto” e, imediatamente a seguir, clica “vote“.

Se não vota, não pode dizer que não vota. E, para o dizer, é obrigado a contradizer-se perante o imperativo: Vote.

Não sei se é um retrato fiel do país. Mas que é muito aproximado, é.

Desabafo

(desenho de manel cruz)

Eu gosto muito do meu Porto e penso que seria capaz de escrever lindos textos sobre o Porto. Mas não me apetece. Apetece-me escrever um texto feio. Como me apetece escrever só textos feios sobre este miserável e corrupto país. Este país, vítima da maior bandalheira da sua história. Este país que tem como Presidente o seu coveiro, e como portadores do caixão, os seus incorruptíveis boys. E o pior é que todos se preparam para a exumação do cadáver. [Read more…]

Embuste… vergonha!

A ACOP – ASSOCIAÇÃO DE CONSUMIDORES DE PORTUGAL -, sediada em Coimbra, instaurou contra a VIMÁGUA, no Tribunal Administrativo e Fiscal de Braga, ACÇÃO POPULAR pela cobrança indevida dos ramais de ligação.
 
Não houve AINDA decisão judicial sobre o mérito da causa.
 
A VIMÁGUA, instada pelos consumidores, diz despudoradamente aos seus consumidores o que vem na carta infra:
 
“Assunto: tarifa de ligação de saneamento – pedido de suspensão do procedimento de facturação.
Na sequência do pedido de condicionamento do pagamento da tarifa de ligação de saneamento ao resultado de uma acção judicial interposta contra a Vimágua, cumpre-nos esclarecer V. Exª que, não obstante a aludida acção ter sido julgada improcedente pelo Tribunal Administrativo e Fiscal de Braga, não poderia a Vimágua suspender um procedimento em prática, com fundamento numa qualquer acção judicial.
Como é evidente, a actividade da empresa é pública e está sujeita ao escrutínio das mais diferentes entidades, a quem está acometido o dever de fiscalização e de regulação.
Temos absoluta convicção nas nossas práticas, na sua justiça e na sua legalidade, pelo que se indefere a pretensão.”
 
Como qualificar esta insólita situação?
 
Para onde terá emigrado o pudor, a vergonha, a verdade?
Será que uma empresa que a seu cargo tem a exploração de um serviço público essencial pode adoptar estes procedimentos impunemente, que nem sequer se sabe ou quer qualificar?
Para onde terá emigrado, afinal, o Estado de Direito?

O Sócrates lá do sítio

A Europa e a nossa incompetência

As peripécias das negociações orçamentais entre os proprietários do regime, PS e PSD, não passam de novas manifestações de incompetência de políticos do arco do poder; aliás, o que se repete ao longo de mais três décadas. Agora, ao que tudo indica por pressão do par Merkel – Sarkozi, Sócrates prepara nova proposta para favorecer o acordo e, das hostes do PSD, Nogueira Leite vem a terreiro afirmar categoricamente “a direcção nacional do PSD vai deixar passar o Orçamento”.

A falta de sentido de Estado é fenómeno corrente, com a subsequente degradação da imagem do País no exterior, em especial na UE e na ‘Zona do Euro’. De resto, desta ‘comédia de vaudeville’, já houvera a representação do 1.º acto por Teixeira dos Santos e Eduardo Catroga. Afastaram o acordo por cerca de 230 milhões, num orçamento que envolve de 80 mil milhões de euros. Contabilizemos prejuízos decorrentes para a economia portuguesa, entre os quais a subida imediata das taxas de juros de empréstimos públicos em mais de 0,5%. Isto em cima de um péssimo orçamento.

Como a crise é grande, o dinheiro e o juízo não abundam e a dependência externa, relativamente à Europa em particular, é imensa, a nebulosidade que nos conduz às trevas intensifica-se a cada passo. Merkel e Sarkozy não desistem do objectivo de impor a reformulação do Tratado de Lisboa – já de si é consabida manta de remendos – com vista a punir com avultadas multas e perda do direito de voto os países incumpridores em termos de objectivos do Pacto Estabilidade, nomeadamente a ultrapassagem do deficit público.

A Portugal e a outros estados-membros da ‘Zona Euro’ está a valer, na circunstância, a posição de Jean-Claude Juncker, presidente do ‘Eurogrupo’. O político luxemburguês, em entrevista ao ‘Die Welt’, considerou inaceitável o projecto de revisão que Merkel e Sarkozy combinaram, em encontro bilateral de há dias, em Deauville, França.

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Reformados e pensionistas: Mira Amaral

18.156 euros

(…)apesar da reforma de 18.156 euros mensais que lhe é paga pelo Estado, desde 2004, aos 56 anos de idade, por ter estado 18 meses na CGD, para onde foi a convite do Governo do PSD que aceitou pagar-lhe a reforma de luxo.

Puxapalavra

Mira Amaral veio hoje a público dizer que a pensão que vai receber por sair da Caixa Geral de Depósitos foi combinada antes da sua entrada para a instituição. Num comunicado, diz ainda que há já um mês que pediu para deixar a CGD.

TSF

a criança velha.Para um estatuto da regressão da vida

nascemos, crescemos,criamos,esquecemos e,finalmente, falecemos

Ensaio de Etnopsicologia da Infância

1 A criança em contexto.

O nosso hábito é falar de criança. É pensar que falamos duma infância que se espalha entre o nascimento e a puberdade. No melhor dos casos. Na forma modelar dos casos baseada nos Códigos Canónico e Civil. Criança, esse ser inocente e exemplo de responsabilidade penal ou civil até aos sete anos ou até aos catorze anos. Conforme a matéria de que trate o seu afazer. Criança inocente por não entender o mundo enquanto forma a sua epistemologia. Criança que não tem memória social,  não conhece o mundo, não tem contacto com a interacção social, nem conhece as hierarquias nem percebe a responsabilidade. Excepto, a sua própria que lhe é incutida pelos adultos, esses que [Read more…]