E então a Alemanha? Xenófoba, como sempre

Markel: "A Saúde da Raça ariana!"

A  xenofobia alemã entrou, de novo, em ebulição e percorre, firme, o caminho da pesporrência. Um a um, politicos de diferentes quadrantes,  desancam sobre gentes de nacionalidades, pensamentos e credos distintos. Agora, chegou a vez de alvejar a comunidade de imigrantes islâmicos. Merkel considera o fracasso da sociedade multicultural na Alemanha. Para a mentalidade germanófila, confortavelmente instalada na proa da nave europeia a navegar em mares encapelados, qualquer experiência, iniciativa  ou movimento de integração multicultural ou multinaciomal está condenada a fracassar, na Pátria dos Eleitos. Os tempos são de globalização, mas alto lá!

Subjacente a este posicionamento, há uma advertência à totalidade das comunidades imigradas na Alemanha, portugueses incluidos. Todos são indesejados, por boa parte da população alemã. São os sinais da xenofobia colectiva germânica que o demonstram.

De facto, os argumentos xenófobos não são questões menores de um ou outro político, sem expressão na opinião pública. Thilo Sarrazin, um social-Democrata (?) e ex-director do Bundesbank, autor do livro em que teoriza que os muçulmanos “baixam a inteligência colectiva alemã”, tem tido sucesso na expansão dessa obra no país, com mais de 650,000 exemplares vendidos. Como  isto não bastasse, uma concepção de pureza genética e social do sangue ariano, acima de todos os outros povos, igualmente enforma os resultados de inquéritos promovidos pela Fundação Friedrich Erbert , conotada com o Partido Social-Democrata alemão – um terço dos alemães defende a repatriação dos imigrantes e 58,4% afirma-se  favorável a restrições das práticas do Islão.

Do Ponto de vista da coesão social e económica na União Europeia, a hostilidade, a outros povos, da Sr. ª Merkel e quejandos é óbvia: “comprem-nos equipamento de guerra e morram à fome”. À conta de Sócrates, estamos já a sofrer. Mas não devemos esgotar-nos numa análise de políticos internos, aqui como na Grécia. É obrigatório também considerar os efeitos da política desta Alemanha implacável e severa para os povos do Sul da Europa. Determinante para o que de funesto está a suceder na UE e na zona  Euro.

Se ponderadas, as razões enunciadas, por si só, justificariam que Portugal devolvesse, de imediato, os famigerados submarinos; se possível, com Durão Barroso e Portas no interior. A contestação de políticas e políticos, sob pena de se  converter em exercício de sectarismo primário, apenas se legitima e fundamenta se extensível a todos os responsáveis pelo momento crítico que vivemos. As culpas mais próximas são de Sócrates, mas não se esgotam no seu consulado. Têm autores e actos precedentes, igualmente demasiado gravosos e ditam também as dificuldades com que nos debatemos. Uns são Internos, outros externos.

Comments

  1. Ana Paula Fitas says:

    Perfeito, Carlos.
    Obrigado.
    Pensei escrever sobre isto e vou fazê-lo mais logo, fazendo link para este post.
    Um grande abraço.

  2. carlos fonseca says:

    Ana Paula,
    Eu é que estou grato.
    Não tenho aparecido na ‘Nossa Candeia’, por falta de tempo.
    Um abraço

  3. Nuno says:

    Merkel só disse a verdade e quem diz a verdade não merece castigo.
    A França já tem no seu solo 8 milhõs de muçulmanos/arabes/africanos, uma autêntica colonização/invasão, será que nós nativos da Europa temos que aceitar isto e ficar de braços cruzados?
    Lisboa caminha para perder a sua maioria portuguesa, (é uma questão de tempo) e os pseudo eruditos aqui do burgo achamq ue está tudo bem tudo lindo, viva o multiculturalismo, viva a criminalidade violenta a ele associado, e aos parasitismo, e á invasão a ques estamos a ser sujeitos.
    enfim

    Portugal aos portugueses


  4. O problema não parece existir relativamente a outro tipo de comunidades. Poderá o Carlos esclarecer-nos acerca da seguinte questão:
    1- qual a Lei predominante para as comunidades islâmicas estabelecidas na Alemanha ?

    Não vale a pena prosseguir com outras questões, pois todas elas são subsidiárias da primeira. Deverão os chegados agir tal e qual como os nossos agiram quando se estabeleceram na Alemanha, Luxemburgo, França, etc. Aceitaram a Lei, a ela se submetem e não a afrontam. É simples. Nada de Lei diferente seja para que comunidade for.

    É fácil apresentar de imediato a cartada da xenofobia, a eterna arma de coacção moral que infelizmente está a transformar-se em física. No entanto, estes argumentos vão caindo na insignificância, dada a realidade que é vivida em numerosos países, onde a consciência cívica é infinitamente superior à que no nosso país se verifica.

    Imaginem o contrário, relativamente a cristãos praticantes ou não, seja em Marrocos, Argélia, Arábia, Irão, etc. Impossível.

    Quando uma comunidade chega a um determinado território e aí se estabelece e pretende viver apartada dos autóctones, isso tem um nome que foi imputado especialmente aos europeus: colonialismo. É a dura verdade. Se os imãs ficam aborrecidos, paciência.


  5. Como é que o Carlos encontra nas palavras da Angela Merkel essa advertência destinada a todos os imigrantes, inclusivamente os portugueses?
    O que o leva a concluir que é “uma concepção de pureza genética e social do sangue ariano, acima de todos os outros povos,” que leva àqueles resultados catastróficos do inquérito?
    Que exemplos concretos me pode dar desse “Um a um, politicos de diferentes quadrantes, desancam sobre gentes de nacionalidades, pensamentos e credos distintos. Agora, chegou a vez de alvejar a comunidade de imigrantes islâmicos”?
    Deu-se conta do ridículo que é fazer um post sobre a xenofobia dos alemães referindo-se a estes no melhor estilo de um Sarrazin?
    (“Merkel: À saúde da raça ariana” e “Pátria dos Eleitos”!? Exemplos de uma retórica que ultrapassa a de Sarrazin, e nem é pela direita, é mesmo pela conduta dos esgotos.)

    O que é que disse a Angela Merkel, afinal? Que a experiência multikulti falhou redondamente (vá a certas escolas em Neuköln, Berlim, e em menos de cinco minutos fazem-lhe um desenho). E que os imigrantes devem investir mais na integração.
    Por outras palavras: durante três décadas a Alemanha “deixou andar”, e agora deu-se conta da existência de sociedades paralelas, ou seja, pessoas que vivem neste país e não conhecem nem respeitam os seus princípios mais básicos, para além de, por falta de integração, ficarem fora dos mecanismos de acesso à criação e à repartição do bolo. A experiência multikulti resultou, em alguns casos, no contrário de convivência harmoniosa. Uma vez identificado o problema, há que deixar claro que: a Lei é igual para todos; as regras de um Estado de Direito também; ao código civil alemão não vai ser acrescentado um capítulo “sharia”; os princípios básicos constitucionais não são objecto de negociação: a dignidade humana permanece inviolável, a igualdade entre o homem e a mulher não se discute, ao Estado pertence o monopólio da violência e aos tribunais pertence o monopólio da Justiça.
    Quanto à necessidade (à exigência) de os imigrantes aprenderem a língua, parece-me que é uma lapalissade. O conhecimento da língua é uma condição quase sempre sine qua non para o usufruto dos direitos e para o acesso a iguais oportunidades de ensino e emprego.

    O que é que nisto é, para si, sinal de “xenofobia em ebulição”?
    Mais: se no mesmo discurso Angela Merkel lembra as palavras do presidente da república, que afirmou recentemente que a Alemanha é terra não apenas de cristãos e judeus, como também de muçulmanos, o que o leva a concluir que “a mentalidade germanófila” (outra sarrazinada) entende que “qualquer experiência, iniciativa ou movimento de integração multicultural ou multinaciomal está condenada a fracassar”?


  6. Moro na Alemanha há 18 anos e desagrada-me ler coisas destas. A Alemanha de hoje não é, nem mais nem menos xenófoba do que os restantes países europeus. A 2ª Guerra Mundial já terminou há mais de 60 anos, é altura de acabar com este cliché!

    Se quiser comparar dados, aconselho-o a ler aqui:

    http://infernocheio.blogspot.com/2010/10/duas-postas-de-pescada-poucas-e-curtas.html

  7. José Salzedas says:

    Bom… a informação que tenho e o que conheço da realidade alemã não corresponde em nada ao que é afirmado aqui.
    Vá ao psiquiatra, Carlos Fonseca.

  8. Guilherme says:

    Helena, em cheio! Post produndamente infeliz de quem nao faz ideia do que está a falar

  9. Baci says:

    Quer me parecer que estes sempre tiveram razão; o PNR

    http://img242.imageshack.us/img242/7199/pnr2hy6.png

  10. sandra says:

    Realmente vê-se que o autor do blogue limitou-se a ler um artigo do jornal público, artigo este que pelos vistos foi escrito por alguém que não entende a língua alemã.
    Sr. Carlos não comente aquilo que não sabe!!
    Sandra
    P.S – Vivo na Alemanha há 5 anos

  11. A. Pedro says:

    Apesar de não partilhar o tom e algumas generalizações contidas no poste ( tal como digo aqui http://www.aventar.eu/2010/10/19/a-alemanha-a-europa-o-nosso-cantinho-e-a-xenofobia) também não vejo os srs. comentadores a rebaterem isto: “um terço dos alemães defende a repatriação dos imigrantes e 58,4% afirma-se favorável a restrições das práticas do Islão.” ou isto “Thilo Sarrazin, um social-Democrata (?) e ex-director do Bundesbank, autor do livro em que teoriza que os muçulmanos ”baixam a inteligência colectiva alemã”, tem tido sucesso na expansão dessa obra no país, com mais de 650,000 exemplares vendidos.”
    E são factos, não são opiniões.

  12. sandra says:

    Caro A. Pedro,

    que eu saiba a maioria dos alemães só não quer na Alemanha imigrantes que não se querem integrar, que se recusam a aprender a língua alemã, que só querem viver às custas do estado, que insultam não apenas os alemães, mas tb muitas outras pessoas de variadas nacionalidades, que são os responsáveis pelo aumento da criminalidade etc, etc, etc . Eu sou portuguesa e vivo na Alemanha e sou totalmente a favor das restrições das práticas do islão. Se em Portugal houvesse tantos turcos como aqui, o Sr. teria de certeza outra opinião. E não estou a pôr os turcos todos dentro do mesmo saco. É óbvio que existem muitas excepções. Não sei o porquê de tanto alarido quando o debate é apenas acerca dos imigrantes que não se querem integrar e não acerca dos que já estão integrados, sejam eles turcos, paquistaneses, japoneses, portugueses, etc.
    Quanto ao livro de Sarrazin as pessoas só pegam nas partes que lhes interessam com é o caso da sua citação. O Sr. por acaso leu o livro todo? Pois a verdade é que ele limitou-se a dizer aquilo que a maioria pensa, politicos incluídos, mas que ninguém tem a coragem de dizer!
    Sandra


  13. A. Pedro,
    sim, os factos revelados por essas estatísticas são realmente um problema grave. Mas não são um problema apenas da Alemanha (neste post mostra-se que, apesar de tudo, em termos de xenofobia Portugal bate a Alemanha aos pontos, pelo que é totalmente despropositado falar disto como se fosse um problema da raça ariana: http://infernocheio.blogspot.com/2010/10/duas-postas-de-pescada-poucas-e-curtas.html )

    Quanto ao Sarrazin, falei aqui sobre essa questão:
    http://conversa2.blogspot.com/2010/10/o-espaco-aereo-sobre-as-mesas-de-cafe.html
    Provavelmente não sabe que o Sarrazin foi corrido do Banco por causa dessas afirmações, como já antes tinha sido corrido de um ministério berlinense (digo: da Land Berlim) por afirmações igualmente descabidas a propósito das pessoas que dependem da Segurança Social. E pensa-se que venha a ser expulso do partido socialista.
    É verdade que alguns políticos fazem afirmações inaceitáveis. A vantagem desta democracia é que isso é discutido em público, e eles são criticados até por membros dos seus próprios partidos.


  14. Sandra,
    é verdade que o debate é apenas sobre os imigrantes que não se querem integrar. Mas ninguém pensa nos japoneses ou nos portugueses. De facto, é com os turcos.
    Mas a questão não é tão simples. Os turcos não integrados não são os únicos culpados da sua situação. A Angela Merkel sabe isso, e no seu discurso até começou por referir o erro dos alemães.
    Por exemplo: muitos turcos da terceira geração crescem em bairros de onde os alemães fugiram porque queriam dar aos filhos uma escola onde se fale sobretudo alemão (bom alemão). Se, apesar de tudo, conseguem atingir um patamar elevado de Ensino, acabam por ficar à margem dos bons empregos, que vão para os alemães.
    A Rita Dantas explica isso muito bem aqui:
    http://infernocheio.blogspot.com/2010/10/postas-de-pescada-deus-sabe-quantas.html

    (E antes que venham para aqui falar outra vez do racismo ariano, pensem quantas famílias portuguesas deixam de bom grado os seus filhos nas escolas dos bairros de lata e dos ciganos, ou nas turmas dos alunos mais fraquinhos ou mais violentos, por exemplo, e quantos empresários portugueses, podendo escolher entre um cabo-verdiano e um português com habilitações iguais dão o emprego ao cabo-verdiano.)

  15. carlos fonseca says:

    POR RAZÕES IMPERIOSAS, DE ORDEM PESSOAL, APENAS AGORA TENHO A OPORTUNIDADE DE RESPONDER A COMENTÁRIOS AO MEU ‘POST’. AINDA ASSIM, OPTO POR RESPOSTAS PERSONALIZADAS.
    Nuno:
    Os fluxos migratórios sempre fltuaram em função do determinisno das fases do desenvolvimento económico. Assim, nos anos 60, época de expansão em França e em outros países europeus, a imigração de estrangeiros, desde portugueses a comunidades do Magreb, derivou da intensa procura por mão-de-obra desqualificada ou pouco especializada, para realizar trabalhos que os nacionais rejeitavam – isto também sucedeu na Alemanha, na Suíça… em especial para trabalhos penosos. Hoje, com a “déblaque” europeia, todo esse “material humano” é considerado descartável e tem de ser repatriado. Enfim, é uma concepção do ‘homem ao serviço da economia’, prevalecente sobre o princípio deve ser ‘a economia ao serviço do homem’. E se eu referir que, relativamente à vinda de imigrantes do Leste para Portugal, o maior impulso foi dado pelos grandes empreiteiros, que os contrataram através de redes clandestinas para viver em contentores? Como são descartáveis, quando desnecessários, promova-se a expulsão.
    Permito-me recomendar a leitura de um trabalho do Prof. Medina Ortega, da Universidade Computense de Madrid e ex-deputado europeu:
    http://www4.fe.uc.pt/ciclo_int/doc_06_07/ortega.pdf

  16. carlos fonseca says:

    Nuno Castelo-Branco:
    1. A minha indignação tanto se manifesta perante actos de xenofobia na Europa, como em relação ao sectarismo e violência de fundamentalistas islâmicos.
    2. Qual a Lei predominante para as comunidades islâmicas na Alemanha? Não sou jurista, mas economista razoavelmente informado. Sem dúvidas, respondo que é a Declaração Universal dos Direitos do Homem, aprovada pela ONU em 10-12-1948 e cujo texto pode encontrar no ‘site’ seguinte:
    http://www.mtss.gov.pt/docs/DeclaracaoUniversaldosDireitosHumanos.pdf
    Todo o texto é relevante, mas destaco, em particular, o Art.º 2.º
    3. A apresentação da “cartada” da xenofobia é, de facto e infelizmente, muito facilitada por políticos do género da Sr.ª Merkel. Tão fácil que, de um vasto universo, também consta a ONU a jogar essa “maldita” cartada:
    http://www.dw-world.de/dw/article/0,,5693209,00.html

  17. Nuno Castelo-Branco says:

    Carlos,

    Compreendo muito bem a sua oposição ao sectarismo e xenofobia. Mas o que está em causa é a apatia da imensa maioria das comunidades que deixam os extremistas serem os porta-vozes e pior ainda, condescendem com um certo discurso que mais tarde ou mais cedo conduzirá ao desastre. desastre para eles e desastre para nós. Quem ande por Paris, raramente vê qualquer coisa que explicite a matriz daquilo que a França foi e no fundo, ainda é. Pelo contrário, parece-me um abuso que as escolas públicas agora apenas sirvam comida halal para todos – com tudo o que significa acerca de certos métodos públicos e expeditos quanto a rituais -, que os jornais anunciem em letras garrafais Ramadões, etc. Imagine se isso se passasse com a Páscoa, por exemplo… O berreiro que seria. Também não ajuda, este ou aquele imã, dizer em entrevista à televisão do Estado, que a ocupação ilegal da Concórdia para uma mega-oração em direcção a Meca é natural, porque:
    1: dentro de algumas décadas a França será muçulmana.
    2. a primeira le i da sua comunidade é o corão.
    3. a segunda lei é a do país de origem.
    4. por fim aplica-se a lei francesa, SE estivereme de acordo.

    Este camaradinha não é muito esperto, pois não? Por outro lado, como explica a lepenização da comunidade portuguesa em França. Ainda há quinze dias, tive a visita de um cineasta francês que me disse isso mesmo e explicou-me as possíveis razões. Uma delas prende-se com o facto de viver lado a lado com os magrebinos e o problema fundamental não reside na praxis, que é sabida e reconhecida. Muito pior, é a intenção, o programa. Assim, não sairemos deste círculo vicioso.
    Nem sequer vou mencionar de sobremaneira o que se passa com a direcção das mesquitas de Londres ou com o discurso patético de um ex-membro do governo de Brown, que no congresso trabalhista fez afirmações absolutamente inaceitáveis. Típicas de jihad, seja o que lá isso queira dizer.
    Quanto à declaração Universal, creio que deve ser aplicada em ambas as margens do Mediterrâneo, por exemplo. Nunca foi, não é e previsivelmente, jamais será. A respeito da lei diferente para diferentes comunidades em qualquer país da Europa, digo-lhe desde já, para que fique clara a minha posição: não. Já disso tivemos na idade média.

  18. Nuno Castelo-Branco says:

    Caro Carlos,

    O artigo 2º nunca foi aplicado aos naturais de certos países, dentro desses mesmos países. Foi por isso mesmo que deles saíram.
    Já viu que um dia destes os alemães, franceses e outros serão bem capazes de o invocar para poderem continuar a escutar música de Haendel em público, o toque de sinos nas igrejas locais e continuarem a ser legais as procissões? Se não me engano, foi precisamente o imã de Berlim que há uns tempos exigia o fim do toque de sinos, por “ofensa”!

  19. carlos fonseca says:

    Carlo Nuno Castelo-Branco,
    Reconheço-me em algumas das razões que aponta, mas asseguro-lhe que combato o fundamentalismo islâmico com a mesma energia com que abomino a xenofobia.
    Pode ser que um dia haja a oportunidade de falarmos sobre o assunto. Não quero deixar de responder a outros comentários e o espaço já vai longo.
    Um abraço

  20. carlos fonseca says:

    Helena,
    Peço-lhe desculpa pela tardia resposta, mas, entretanto, dei conta de que o meu companheiro de blogue, A. Pedro, lhe transmitiu alguns argumentos que me dispenso de repetir: resultados de estudos da Fundação Frierich Erbert, acima de tudo.
    Quanto à ilação da advertência para outras comunidades, não fui apenas eu que a extraí. Por exemplo, o secretário-geral do Conselho dos Judeus na Alemanha, Stephan Kramer, considerou as palavras de Angela Merkel xenófobas para comunidades de diferentes convicções religiosas, sociais e políticas. Um judeu ao lado de muçulmanos! É surpreendente não é? Esclareço que sou agnóstico, não me reconhecendo no seio da família germânico-cristã que Merkel distingue como referencial exclusivo da sociedade alemã.
    É incoerente e desconexo equiparar-me a Sarrazin, a quem critiquei justamente o discurso xenófobo. Chega ao ponto de afirmar que o ultrapassei “pela conduta de esgotos”. Confesso a grande dificuldade em lidar educadamente com este tipo de linguagem. Mas, como sempre o faço, desvalorizo o insulto grosseiro e gratuito.
    Quanto às questões de Lei e de Direito, há em todas as sociedades ineficiências geradas, seja por ineficácia legislativa, seja através da minimização da aplicação da Lei pelos próprios tribunais. Curiosamente, ainda no último fim-de-semana, um documentário da SIC relembrava a morte de um cidadão português, ocorrida seis meses na sequência de brutais agressões por parte de um grupo de neonazis de Leste, em Leipzig, após a eliminação da Alemanha do Campeonato de Mundo de Futebol – em 2002, salvo erro. O principal culpado, um tal Schültz, por decisão do tribunal, ainda está a pagar a conta-gotas a indemnização devida à viúva. Por escassez de recursos, a senhora imigrou novamente, agora para a Suiça, a fim de poder obter meios para liquidar dívidas contraídas pela doença e morte do marido; entre as quais despesas com testemunhas arroladas no processo judicial. Podemos ainda lembrar o célebre caso da jovem muçulmana assassinada em pleno tribunal.
    A “xenofobia em ebulição” quer dizer rigorosa e sinteticamente tudo o que, em Junho passado, um relatório da ONU denunciava:
    http://www.dw-world.de/dw/article/0,,5693209,00.html
    Além disto, a expressão usada obedece à simbologia da escrita do género daquela que o ‘Público’ usou na notícia: “Merkel lançou nova acha para a fogueira”.
    Por documentos, publicações e livros a que tenho acedido, é notório – e os estudos da Fundação Frierich Erbert assim o comprovam – o fenómeno de recrudescimento de manifestações e comportamentos racistas na Alemanha. Curiosamente, é imputada a alemães do Leste (ex-RDA comunista) a maior quota-parte do activismo de organizações e discípulos neonazis. Também sei que o fenómeno não é exclusivamente alemão. Parte da Europa do Norte está a passar por uma fase de ressurgimento de nacionalismos (Holanda, Dinamarca e Suécia são alguns exemplos).
    O meu ‘post’ também se referia à prepotência da Sr.ª Merkel na relação política com os países do Sul da Europa; matéria ignorada no seu comentário. É conhecida a imposição da chanceler alemã ao BCE no sentido de não emitir dívida pública para valer aos países como Portugal e Grécia, a quem Alemanha vendeu quantidades abundantes de equipamento de guerra (submarinos, fragatas e outros) que pesam e de que maneira na dívida externa dos países afectados. Não será esta prepotência outra forma de ‘xenofobia’ económica do governo alemão? Creio que a humanidade não deixará que se reedite a página negra da Alemanha, devendo, pois, permanecer viva na memória de todos os povos. E parece-me útil que, para compreender os objectivos de políticos nacionalistas, se faça um exercício de exegese do ‘Mein Kampf’. Mais do que não seja, a título de terapia preventiva dos males da ‘mentalidade germanófila’ que, ao contrário do diz, não é mera figura de retórica.
    Por último, uma declaração: abomino tanto o fundamentalismo islâmico como a xenofobia e nazismo.

    COM O DEVIDO RESPEITO, DOU POR TERMINADA A DISCUSSÃO.

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