A Linha Saúde 24

No chão, estatelada, a criança gritava sem parar. O estrondo até fizera abanar o chão. Caíra da cama enquanto os pais tratavam da irmã mais nova e, agora, nem sequer se via o seu rosto. Apenas um «galo» enorme, monstruoso, que percorria toda a testa.
A mãe pegara na criança e também chorava copiosamente. Só tivera tempo para deitar no berço o bebé, que, ainda todo nu, não parava de gritar a plenos pulmões.
Do lado de lá da linha, calma, tranquila, a enfermeira de serviço respondia a tudo com a maior das afabilidades. O pai perguntava duas e três vezes, porque no meio da gritaria, não conseguia ouvir nada. Fez sete ou oito perguntas sobre o estado da criança e, como se a resposta fosse negativa, sossegou o pai: não é grave. É só pôr gelo na zona do galo de três em três horas e acordar a criança de duas em duas horas para ver se ela está a reagir bem.
«Podemos telefonar daqui a 12 horas para ver se está tudo bem?» Que sim, diz o pai, que só agradecia esse cuidado. E ainda não tinham passado as 12 horas quando o telefonema chegou. «Então, está tudo bem com a menina?»
No final, a pergunta de sempre: «O que teria feito se não nos tivesse contactado?» Claro, a resposta sacramental: direitinhos ao Hospital.
Linha Saúde 24. Eu gosto.

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