a vida eterna

ideia de vida eterna que nos salva do orçamento de estado

Não são os livros, nem as pinturas, nem as palavras: é a concepção de um caminho com ideias novas, para todos e de todos por igual. Como já estava prometido. Os que prometiam a vida na terra, eram revolucionários mencheviques, como tenho narrado em outros textos referidos a Émile Durkheim e Marcel Mauss, uma minoria a respeitar a realidade da luta de classes e contribuir para o seu sucesso, esse aceitar sermos seres humanos iguais em direitos, liberdades e fraternidade, como tinha sido referido e definido em 1788 pelo Manifesto dos Plebeus, síntese das ideias de Grachus Babeuf, quem, com esse Manifesto, colaborara a provocar a Revolução Francesa em 1789. Parte do texto original diz : “O que é uma revolução política em geral ?  E em particular, o que é a revolução francesa?”, pergunta-se Babeuf no seu jornal La Tribune du peuple. A sua resposta é: “uma guerra declarada entre os patrícios e os plebeus, entre os ricos e os pobres”. Em 1796-97, a Revolução já não uma revolução. O Directório procura acabar com ela, para proveito dos proprietários, dos que especulam, s… Babeuf suspeita que os “ricos” enganam ao povo, conspiram contra ele para manter o seu

domínio contra os plebeus, os sem posse, os que não têm trabalho, nem casa onde morar. Ou viram-se para a revolução, que acaba por ser apenas uma mudança de pessoas nos mesmos sítios, cargos e despotismo fabulado e premeditado; ou viram-se para uma ideia mais material no seu pensamento, essa promessa de vida eterna que, hoje em dia, os nossos próprios legisladores nos têm prometidos. Promessa de candidatos, porque de vida eterna, cómoda e factual, com dinheiro e com trabalho, nada tem aparecido. Bem ao contrário. Subida de impostos, falta de trabalho, congelamento de ordenado, baixa dos salários, imposto acrescentado para os que ganham mais: a prometida vida eterna em esta terra

A vida eterna. Não é medo, nem angustia. Não é mito. A vida eterna existe. Foi criada por nós para, como diz a minha co-autora, para conseguir ultrapassar a mortalidade. Ou, como já referi em inúmeros textos: sabermos que o nosso dia deve chegar e que vamos embora. O surpreendente é terem ido todos juntos, com poucas horas de diferença, essa parte da História que fugiu de nós e, embora queiramos agarrar e não largar, os imensos anos, a obra, a confiança na vida, a não procura do bem pessoal, a pobreza aceite e a luta contra a exploração, factos que juntam três seres dentro do mesmo mito: o pai, o filho e o espírito. Mito para guardarmos para tê-los sempre connosco. O primeiro, a governar sem experiência, um País habituado a ser filho de um pretenso pai ou Ditador. Como se legisla? Como se democratiza? Como se hierarquiza?

Um segundo, escondido dum pai que nunca o quis ver e o fez fugir junto com a mãe a terras desconhecidas, desde o seu cantinho no fundo de uma Serra, esse que soube ultrapassar a sua profunda tristeza com as mais belas palavras escritas em textos que percorrem o mundo. Ser que já não era pessoa, era poesia. Metáfora da fugida à Egipto.

Mais em frente, aparece esse terceiro salvador da pobreza, que se autonomiza da sua família e experimenta-nos libertar da pobreza à que temos sido submetidos pelos que pensam apenas nos seus lucros e nos lucros do nosso país, esse terceiro que experimenta nos libertar da escravidão dos ricos. A vitória do lutador que, sem medo nenhum, passou a vida exilado de uma parte da família a mais importante, a mãe, encerrado em prisões, retirado, não sem lutas, do seu mais importante direito, o da liberdade de opção pelo triunfo das próprias ideia, individuais e colectivas. Um ser que soube bater, avançar, negociar, nunca falar dele, guardar o seu para si, criar uma vida paralela de artista para compensar a perseguição sem motivo que os exploradores do mundo, hoje mais do que antes, fizeram dele e do povo que amava. Esse povo que ficou habituado à sua imortalidade. Esse povo que ouviu a organização de liberdade e, em silêncio, obedeceu. Esse povo que andou todas as avenidas que o artista desenhou.

Reitero: não são os livros, nem as pinturas, nem as palavras, é a concepção de um caminho com ideias novas, para todos e de todos por igual. Como já estava prometido. Foi pena ser mencheviques como, como analisei antes, minoria que respeita a luta de classes, aceita sermos esses seres humanos já definidos em 1788 na base das ideias de Babeuf. Um Babeuf semelhante a estes três que iam sendo guilhotinados se, ontem 15 de Junho, o povo não tivesse saído à rua desde todos os quadrantes políticos, mesmo os mais ferozes opositores ideológicos, para acompanhar a História que fica nas lágrimas da minha memória.

 Muito se tem dito. Agora, é preciso conta-lo às crianças com palavras simples e factuais. Confiança, companheiros! Estamos a partilhar uma Vida Eterna na Obra que ofereceram ao nosso País e ao Mundo. Apenas por estética, confiança, teimosia, desenhos do real que nenhum de nós é capaz de pensar, a excepção desde três que conhecemos a apoiarem com Glória e Louvor o que a Nação tem sabido dar.

A vida eterna é o consolo dos pobres de espírito e de posses, que procuram uma alternativa que nesta terra não tem. A minha colaboradora, citada antes, Ana Paula Vieira da Silva, diz que a eternidade é necessária para ultrapassar a vida pobre, sobrecarregada de trabalho e sem aumentos salariais, com a ideia da morte sempre na cabeça que precisa ser posta de parte, porque o peso da vida e tão grande, que se não se acreditar na vida eterna, não a prometida pelos que nos governam, mas na espiritual, ficávamos impossibilitados de sobreviver na vida na terra.

É evidente que estou a alar em metáfora sobre o mal que se aproxima. Não é por nada que tenha invocado Babeuf, esse homem que acreditava na vida divina e era destemido, porém, nos seus escritos e na sua obra. Em metáfora também, refiro a vida terrena ao falar sub-repticiamente das pessoas que configuram a vida eterna que nos salva da miséria à que temos estado submetidos pelos nossos legisladores. Essa ideia de vida eterna, bem afincada na maior parte da população, é a que salva ao povo da fome e do frio que os nossos governantes não têm sabido retirar da grande massa da povoação do nosso país. Povo que abandona aos seus governantes para olhar para o lado que, pretensamente, nos salva, essa ideia de viver para sempre após a vida terrena.

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