A China, a Europa e já agora o PCP

          Negócio da China!

negócio da chinaO comissário europeu para a Indústria e vice-presidente da CE, Antonio Tajani, acaba de alertar para o perigo das aquisições de empresas europeias pela China. Considera tratar-se de ofensiva de estratégia política dos chineses, contra os interesses europeus.

A que interesses se referirá o político, oriundo da Força Itália, de Berlusconi? Obviamente aos do poder do capital financeiro europeu. Nem dele, nem de outro comissário, nem do Presidente da CE e ex-MRPP, Barroso, ouvíramos antes observação semelhante; breve que fosse, se atingidos interesses e  direitos sociais legítimos de milhões de europeus. Perante os efeitos da deslocalização para a China de inúmeras actividades industriais de multinacionais europeias, a CE mostrou-se capciosamente indiferente. É o mercado a funcionar, diziam.

Com a Índia como companheira, a China, controlada pela oligarquia  do PC chinês, é a  pátria preferida pelas multinacionais. Motivo? Os benefícios do “dumping” social de mais amplas proporções e desigualdades do universo. Um única empresa, Foxcoon, ilustra com clareza o que é o trabalho de semi-escravidão naquele país:  12 horas diárias de trabalho, 6 dias por semana e salários mensais entre 90 e 120 euros. Contra estas ignominiosas condições de trabalho, fortemente responsáveis pela crise económica, social e de emprego a que os países da UE estão submetidos, o silêncio da CE tem sido a regra, de facto. Agora, porém, outro galo canta. Está em causa a ‘Volvo’ e, acima de tudo, um conjunto de interesses da Alemanha e França na indústria automóvel.

Para se entender bem o paradoxo “comunista” da China, é curial aceder a informação fiável sobre a potência asiática; salvadora, lembre-se, de crise mais profunda nos EUA, mediante a compra de 40% da dívida, e a cujos préstimos os governos de Portugal e Grécia estão a recorrer para minimizar custos das dívidas soberanas, a curto prazo.

Há, de facto, informação credível. Por exemplo, este artigo da The Nation, insuspeita publicação da esquerda norte-americana. Com o recurso a dados reais, analisa a actual economia chinesa, o severo autoritarismo e confortáveis vidas dos dirigentes do PC da China, a falta de liberdade e a pobreza de milhões de chineses nas áreas rurais; também não esquece a prisão de Liu Xiaobo, a quem foi atribuído este ano o Nobel da Paz; prémio, de resto, classificado como uma provocação política pelo ortodoxo e dogmático PCP de Jerónimo de Sousa. A sensatez aconselharia, pelo menos, ao silêncio. No entanto, privilegiou o disparate, como já sucedera em relação à Coreia do Norte.

A China constitui-se como afronta a elementares direitos da enorme fatia dos seus cidadãos, de cidadania de milhões de europeus e de gentes de outras paragens. Justamente porque desempenha, no mundo, a função da pátria de todos os desmandos de falta de humanidade, cimentado por um poder político e financeiro de grande potência imperialista em acelerada erupção.

Uma vez mais a doutrina e sobretudo a análise marxista são traídas. Não foram pensadas e concebidas para criar oligarquias. Hoje na China, como na  União Soviética do passado. As verdadeiras vítimas são os trabalhadores em vastas regiões do globo. Jamais serão os grandes investidores de Wall Street e de outras praças financeiras, como Londres, Frankfurt, Paris ou de Hong Kong.

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