Os canalhas nunca são do seu próprio povo

A canalhice é como a estupidez, universal. Tal como a estupidez, torna-se tanto mais perigosa quanto mais poder tem o canalha. É nessas alturas que se vê com quantos paus se faz um canalha.

Chegados ao poder, os canalhas submetem povos, não lhes pertencem. Chegam a acreditar que o povo e respectivos pertences lhes pertencem. É por isso que o canalha bombardeia o seu povo, com bombas, se preciso for.

Por vezes, há pessoas sérias que abraçam os canalhas e declaram publicamente amizades profundas tão eternas como eternos são os amores enquanto duram e juram que os canalhas não são canalhas ou que não se deve meter o nariz nas canalhices dos canalhas, como a colher entre marido e mulher. O que dirão as pessoas sérias se os canalhas forem castigados pela sua canalhice?

Comments

  1. Luís Teixeira Neves says:

    E essas pessoas sérias são mesmo sérias?!

  2. xokapic says:

    Gosto de quem se acha sério, considerando que os outros o não são. Que eu saiba ninguém tem o condão e sabedoria de julgar os terceiros

    • António Fernando Nabais says:

      Ó crocante comentador
      Não seremos todos assim? Não teremos esta tendência para nos acharmos sérios? Eu tenho, confesso. Quanto a considerar que os outros não são: uns são, outros não. Na minha opinião.
      Se ninguém tem o condão e sabedoria de julgar os terceiros, mais vale proibir opiniões e julgamentos: lá vão cronistas e juízes para o desemprego.

  3. Rodrigo Costa says:

    … Começo e acabo por dizer que ninguém, sério, chega ao poder —se se pergunta se eu tenho o direito de achar que Sócrates não é sério, eu respondo: tenho. Ninguém pode ser apanhado a mentir, tantas vezes, sobre matérias, inclusive, que exigem seriedade, e continuar a beneficiar do benefício da dúvida.

    Eu não vou perguntar, vou afirmar: ninguém chega ao poder sem pactuar com a corrupção. Se, depois disto, se puder admitir que um governante pode ser sério… é preciso rever as questões de semântica.

    Quanto aos “canalhas”, receio que, muitas e muitas vezes, seja tudo uma questão de oportunidade; porque, como bem é dito, os canalhas emergem do povo, da mole, das massas, independentemente dos estratos. E, descansem, porque não há só canalhas com fortuna e poder; também há canalhas que não têm onde cair mortos. Depois, muitos dos que conseguiram dar a “cambalhota” não se tornaram canalhas; já eram. Por isso é que deram a “cambalhota”.

    • António Fernando Nabais says:

      Ó Rodrigo, começo a ficar cansado de concordar consigo. Insista, por favor.

  4. Rodrigo Costa says:

    … As melhores concordâncias são as que não são projectadas 🙂

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