Nobre Povo, Bloggers…estranhos:

Não apoiei Fernando Nobre nas presidenciais. Aliás, se a memória me não falha, nem falei sobre ele antes e durante a campanha. No final apenas sublinhei a minha surpresa com o seu resultado.

Quando soube da sua escolha para liderar a lista do PSD em Lisboa não fiquei muito surpreendido. Como não ficarei quando outros nomes de independentes forem anunciados. Já temo pela reacção de alguns bloggers, incluindo alguns companheiros do Aventar.

No último jantar de Pedro Passos Coelho com bloggers ele foi bem claro em duas coisas: na necessidade, independentemente do PSD ter ou não maioria absoluta sozinho, de alargar o governo a uma coligação com o CDS, o PS e independentes, se todos eles assim o desejarem e de molde a enfrentar com toda a força os desafios do futuro; e o seu desejo de aproveitar a chamada “quota nacional” para incluir nas listas de deputados nomes de não filiados no PSD que, pelo seu currículo, disponibilidade e capacidade fossem uma mais valia para uma Assembleia da República mais próxima da realidade e mais competente.

Por isso mesmo, espero que não se espantem quando virem homens e mulheres independentes de diferentes quadrantes ideológicos e das mais diversas profissões (empresários, professores, universitários, sindicalistas, jovens, etc.). Ora, Fernando Nobre, corresponde a essa vontade real de abertura à sociedade civil.

Fica a pergunta aos meus companheiros/camaradas/colegas de blogue: Não andam todos, desde sempre, a clamar, quiçá vociferar, pela abertura dos partidos à sociedade civil? Pela mudança neste sistema aparelhista? Não defendem a entrada de elementos não afectos aos partidos nas respectivas listas? Não é Fernando Nobre um homem com um currículo pessoal e profissional acima de qualquer suspeita? Não foi ele o fundador da AMI e isso já não é relevante hoje como era ontem?

Ou preferem comparar com Ferro Rodrigues, Francisco Louçã, Paulo Campos e outras personagens do mesmo calibre e que são verdadeiros “sempre em pé” da política nacional? No fundo, no fundo, eu que nem sou de conspirações, sinto que ninguém quer a mudança e todos preferem que nesta novela venezuelana em que se transformou a nossa política partidária, tudo fique como esta. As mesmas políticas e os mesmos políticos…

Meus caros companheiros/camaradas/colegas de blogue, eu posso não concordar com a escolha mas respeito o escolhido mesmo que discorde de muito daquilo que ele defende. Apenas compreendo e aceito que a hora é tão séria, tão difícil, que não se pode fulanizar mas antes construir pontes para salvar o país do estado de bancarrota que este Partido Socialista de Sócrates nos legou.

Entretanto, preparem-se para mais independentes…

Comments


  1. Nem mais, meu caro.

  2. António Fernando Nabais says:

    Não é por procurar figuras independentes que o PSD me merece críticas. Neste caso, mesmo que seja por calculismo, parece-me uma boa jogada do PSD. O que me parece é que o Fernando Nobre começa a parecer-se demasiado com os “sempre em pé” que criticas. Fará sentido que um homem que foi mandatário do Bloco de Esquerda há tão pouco tempo seja, agora, candidato pelo PSD? Por acaso é também o mesmo homem que se candidatou com o apoio mal disfarçado de Mário Soares, contra Alegre e Cavaco. É demasiado volátil, na minha opinião, para ser considerado um homem sério, mas ainda bem que se definiu (entretanto, continua intócável o seu trabalho extraordinário na AMI). Posso não concordar com Marcelo Rebelo de Sousa, mas perder-lhe-ia o respeito que lhe tenho, se amanhã concorresse à presidência com o apoio do Partido Comunista; posso embirrar com o Paulo Portas, mas não faria sentido ele aliar-se ao irmão. Resumindo, a minha crítica vai para o Fernando Nobre, que me parece, agora, um homem ansioso por partilhar o “pote” 🙂

  3. Carlos Fonseca says:

    Fernandos,

    Já em Janeiro deste ano, eu dizia o que era a AMI e o médico Fernando Nobre, aqui:
    http://aventar.eu/2011/01/25/ainda-as-presidenciais-coelho-nobre-e-o-resto/
    Se atentarem no peso da família Nobre no topo do organograma e no papel do Estado como principal financiador da AMI, perceber-se-á qual é, de facto, o espírito da filantropia do Dr. Fernando Nobre – ver também as contas no próprio ‘site’ da AMI.
    Conheço, pois, que Fernando Nobre existe para lá da AMI, coisa que, talvez, não suceda com Pedro Passos Coelho.
    Será que ele conhece assim tão bem Carrapatoso e outros cujos nomes andam por aí? Daniel Bessa, Pina Moura e uns tantos da ‘Causa Monárquica’, como o absolutista Paulo Teixeira Pinto ex-esposo da Paula Teixeira da Cruz.
    Onde está a ideologia da social-democracia? Na gaveta, como o socialismo do PS.

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