Se leu nos jornais é porque não aconteceu

Nós também temos pasquins mas não tão bons (no sentido em que não são suficientemente pasquins) como os de outras partes do mundo. Assim de repente, acho o The Sun e o Bild quase imbatíveis, mas é capaz de haver pior, perdão, melhor no seu género (por outro lado, também temos jornais, mas não tão bons como nos países que têm bons pasquins).

O Daily Mail é, a par com atrás referidos, sério candidato a maior pasquim do mundo. Vai daí, noticia o que lhe apetece mesmo se não tiver acontecido. Os pasquins sabem bem, aliás, que o que não aconteceu de dada forma vende bem melhor do que o que realmente aconteceu.

Os pasquins, os tablóides e os jornais que para lá caminham, gostam de sangue e sensações fortes mas não se deslocam, por exemplo, aos teatros de guerra ou às manifestações de trabalhadores. Preferem sangue nas carpetes e nos cristais das casas dos famosos, nas salas de tribunal quando lá entra uma socialite, nas histórias dos desportistas de topo que escorregam numa casca de banana.

Os bons pasquins, além de noticiarem o que não acontece, escrevem a reportagem completa antes do não acontecido poder ter acontecido. Confuso? Tavez não, basta ler aqui.

Comments


  1. Tanto quanto sei, é perfeitamente normal os jornalistas escreverem duas versões de uma história para a lançarem o mais rapidamente possível: as idade digital a isso obriga para que a notícia seja a mais partilhada e a mais lida.
    Aqui, foi um editor mal pago que se enganou e publicou a versão errada. Mas continua a ser uma prática comum e infelizmente necessária.

    • A. Pedro says:

      O que dá razão ao título do post “Se leu nos jornais é porque não aconteceu”, porque, se está pré-escrito, mesmo que tenha acontecido nunca aconteceu.
      Peguemos no artigo em questão e imaginemos que a ré tinha sido condenada. Toda a descrição de reacções de todos os envolvidos seria falsa ainda que pudesse ter sido semelhante, para dar um pequeno exemplo.

  2. lidia sousa says:

    Por falta de memória temos um Presidente, que fala, fala, mas não diz nada. Agora a culpa é do legislador, não a sua cobardia de ao dizer que a situação era insustentável e depois explosiva, não teve coragem de dissolver o Parlamento e agora diz eu: bem os avisei. Assinou todas as leis que o Parlamento e o Governo PRODUZIRAM COM EXCEPÇÃO DOS AÇORES E ALGUMAS DE COSTUMES PARA AGRADAR AOS SEUS ELEITORES. e AGORA A CULPA DA SUA COBARDIA É DO LEGISLADOR, COMO SE FOSSE UM DOM DIVINO. Quando vejo por acaso esta sinistra figura tenho vómitos. Gostaria que o assunto das escutas que alem das vigarices da Coelha, das acções DO BPN/SLN dos terrenos de Alcochete, comprados pelos seus amigos depois do lobby que ele fez para mudar o Aeroporto da OTA PARA ALCOCHETE, voltasse a ser lembrado, com a vossa ajuda pois nada posso. Obrigada.Lidia Drummond de Sousa