Uma explicação…

…que todos entendem:

 

Os cortes nos subsídios foram a forma encontrada para evitar o despedimento de mais de 100 mil funcionários públicos. Mais claro e frontal que isto, não era possível. Quem o confessou foi o Ministro das Finanças.

 

Semelhante decisão, despedimentos, seria uma catástrofe social.

Comments

  1. Pedro M says:

    É uma boa explicação. Mas como na economia não há redomas vamos assumir que os mais de 500 000 funcionários do Estado cortam 25% do seu consumo, na mesma ordem do seu corte salarial- desta forma é plausível uma enorme vaga de despedimentos no sector privado, para não falar das medidas que afectam o IVA e IRC que já garantem por si uma razia.

    O governo faz isto menos pelo emprego do que para supostamente ganhar receita fiscal mas para o efeito estas medidas não servem rigorosamente para nada – vão eliminar mais receita fiscal do que vão trazer (pelo fortíssimo incentivo que agora existe para a evasão e pela ruína).

    O que pretendo dizer é que não se percebe bem o objectivo do OE, que deveria estar orientado para a criação de trabalho, não para a sua destruição mais ou menos directa.
    Da crise sai-se com trabalho, com os sacrifícios só criamos mártires, que são pouco úteis.

    É masoquismo, espero que tenhamos pedido este empréstimo a sádicos que se sintam assim entretidos e inclinados a emprestar mais.

  2. doutro lado says:

    Queiram fazer o favor de explicarem o que é um funcionário público


  3. Há uma coisa chamada Internet. Permite transmitir informação muito rapidamente, com custos marginais. Porque motivo os governos são opacos?

    Não estou interessado nas palavras do ministro. Publiquem antes as folhas de cálculo usadas para chegar a estas brilhantes conclusões, passo a passo. Hoje em dia não há motivos para termos menos que isso.


    Por exemplo, neste caso, facilmente se encontra o valor de 1500€ para o salário médio mensal da função pública, ou seja o despedimento desta gente toda significa uma poupança de 2100M€/ano (em termos estritamente financeiros, claro está). O valor acaba por ser muito pequeno, afinal de contas temos 12000M€ para perder em bancos absoluta e irreversivelmente falidos e mais 35000M€ em garantias do estado, e mais o BPN, BPP, Berardos, Finos, Cadilhes (12 milhões por uns meses, não foi?), etc… (Metade da “ajuda” que Portugal está a contrair e que justifica todas estas medidas, é para os bancos.)

    Em conclusão, a explicação nem sequer o chega a ser. Nem sequer passa uma análise superficial. Parece uma tentativa de enquadrar o problema entre duas más soluções ignorando tudo o resto.


  4. Hélder,

    Como facilmente se explica: o despedimento de 100 mil funcionários resultaria em duas despesas brutais: compensações por despedimento a cada um + subsídio de desemprego de cada um.

    Mais, não vás pelo salário médio, é falácia. Os despedimentos, para resultar, seriam nos salários mais elevados a que correspondem carreiras mais longas, ou seja, os funcionários com mais de 45 anos de idade – o salário médio nos restantes, ao contrário do que se pensa e em especial na faixa entre os 25 e 40 é bem menor que os 1500 euros – um chefe de divisão ganha 1700 euros líquidos fora os cortes e um director de Departamento cerca de 2200: estamos a falar dos topos de carreira da FP nas autarquias locais, ou seja, uma minoria.

    Por último e não para o Hélder em particular mas para todos em geral: acreditam que se o Governo toma semelhantes medidas com gosto? Acreditam???


    • Continuo sem compreender. Mesmo usando os salários que referes temos qq coisa como 3080M€/ano. Insignificante comparado com o que estamos a gastar com os bancos. (E como referes nem sequer contabilizo os custos de indemnizações, subsidio de desemprego, etc…)


      Acredito que o governo não tome estas medidas de ânimo leve, mas as explicações dadas ficam muito aquém do desejável. Nota que isto não é problema deste governo em especial, é problema de todos os governos.

      Medidas tão duras como estas têm de ser explicadas em margem para dúvidas.


      Mostrem os números!

      Edição: corrigi o número da “poupança”…


    • Alguém que assume claramente ter ideologias de que os ordenados são altos e que os há que baixar a todo o custo para o tornar competitivo (impedindo a inovação e empreendorismo), sim, não há dúvida nenhuma que o faz sem dificuldade.


  5. Parece-me que o autor desconhece que ainda não estão em vigor nenhumas compensações por despedimento na função pública, e que os funcionários não têm direito a subsídio de desemprego.
    Quanto a despedimentos, veremos o que é que se vai passar muito em breve com as extinções e fusões, e com o aumento da mobilidade especial, e depois falamos do assunto.
    Abraço do Zé


  6. Caro Zé Povinho, os Funcionários Públicos, como quaisquer outros funcionários têm direito ao subsídio de desemprego quando despedidos sem justa causa.

    Numa negociação por mútuo acordo (ver o que se passa, por exemplo, nas ALocais) além do subsídio de desemprego acresce compensação.

    Não percebo essa de não terem direito ao SD…

    O facto de a escolha ser entre despedir 100 mil (no mínimo) ou retirar os subsídios não significa, nem pouco mais ao menos, que não vamos ter casos, os que indica, de desemprego por despedimento de FP dessas extinções/fusões e as respectivas compensações pelo facto e a carta para o fundo de desemprego.


    • E se acha que não vão ser dezenas de milhar, tenho uns CDS para lhe vender.


      • Cuidado com o counterparty risk – é isso que assusta a Merkel, o pequeno Sarko e o resto das marionetas…


        • Todo o mercado financeiro faz muito pouco sentido excepto para proteger banqueiros e aumentar a sua influência nas nações. E isso nem sequer é unicamente a opinião de um leigo que apenas tem que lidar com a infeliz realidade, já vários presidentes americanos e economistas famosos o disseram.
          A realidade, infelizmente, apanhou-nos durante as nossas vidas e o sofrimento dos próximos anos pode levar a grandes mudanças… Senão, temos sempre a catástrofe do aquecimento global À nossa espera..

  7. Lactuca sativa says:

    Afinal o senhor ministro das finanças é amigo dos funcionários públicos.


  8. Fernando, se o cortes nos subsidios é para evitar 100 mil despedimentos, então como é que vão fazer daqui a 2 anos, quando os subsídios voltarem? Despedem o pessoal? Ou continuam a cortar?

  9. Jaime Marques says:

    Tretas meu caro Fernando Moreira. Pode dar as voltas que quiser, mas não passam de tretas.

    A sua linda frase “Por último e não para o Hélder em particular mas para todos em geral: acreditam que se o Governo toma semelhantes medidas com gosto? Acreditam???” com ligeiras alterações podia aplicar-se a qualquer governo, incluindo o anterior para justificar qualquer OE ou PEC.

    Estará esquecido que o PSD chumbou o PEC IV com o argumento da austeridade?