Escabroso!

Todos temos na memória, as vergonhosas imagens de Mussolini pendurado pelos pés na Pizza Loreto, naquela já distante Primavera de 1945.  Também recordamos a escandalosa farsa do “julgamento” e execução sumário dos Ceausescus, numa paródia de justiça que apenas confirmou o que se suspeitava: os camaradas do Conducator do PCR, desejavam dele se desembaraçarem,  calando uma voz mais que comprometedora. Se sabemos qual a natureza do ainda vigente regime italiano de 1946, as diferenças relativas ao que Illiescu deixou na Roménia, não serão assim tão relevantes. Máfia é o termo exacto.

Pois aconteceu o mesmo na Líbia e as reportagens que nos chegam, são aquelas que se esperavam. Realmente, Kadhafi tudo fez para este ignominioso fim, enlouquecido pela crença na sua estrela que julgava eterna. A verdade é que os responsáveis do novo regime, logicamente  deveriam ter  impedido um epílogo destes, mostrando que os tempos são outros e que a intenção em restaurar a Constituição da independência, não é apenas um exercício de retórica. Era disso mesmo que a comunidade internacional estava (?) à espera. Pois Jalil e os seus falharam redondamente e o espectáculo que as televisões nos oferecem,  é  de facto escabroso, para não dizermos mais.  Nada de bom sairá de eventos semelhantes.

Quanto à posição portuguesa, Paulo Portas devia medir as palavras. Ninguém está a salvo num futuro pleno de incógnitas.

Comments


  1. sem comentários

    in Jornal de Negócios

    Khadafi deixou 1.300 milhões de euros na Caixa Geral de Depósitos

    21/10/2011

    A relação entre a Caixa Geral de Depósitos e Muhammar Khadafi começa em 2008 e, por sórdido que possa parecer, resulta de um espancamento de um dos filhos de Khadafi, Hannibal Khadafi, a dois empregados domésticos, na Suiça. Na ocasião, o filho de Khadafi e a mulher, grávida de oito meses, tinham-se mudado para a Suiça para o nascimento do bebé, e acabaram detidos pela polícia de Genebra, tendo ficado atrás das grades durante dois dias, avança hoje o Público.

    Khadafi não gostou e, de imediato, em forma de represália, retirou todos os fundos líbios depositados em bancos suíços, proibiu a exportação de petróleo para a Suiça e prendeu dois empresários suíços que trabalhavam na Líbia. Estas medidas obrigaram a Suiça a apresentar um pedido de desculpas formal (o petróleo líbio representava 20% das necessidades suíças), acto que provocou grande polémica no país helvético.

    Foi na sequência dessa retirada de dinheiro líbio da Suiça que o regime líbio escolheu a Caixa, juntamente com vário outros bancos europeus, para “espalhar” o dinheiro disponível. À Caixa vieram 1.200 milhões de euros, distribuídos por dez aplicações a prazo. Em 2010, no entanto, e segundo apurou o Público, já só restavam 200 milhões do montante inicial.

    No final de 2010, enquadradas na cimeira União Europeia – África, em Tripoli, onde estiveram José Sócrates, Luis Amado e Durão Barroso, novas rondas negociais entre a Caixa e o regime de Khadafi tiveram lugar. O resultado foi o depósito de mais euros “líbios”, em montante semelhante ao de 2008. A Primavera Árabe eclodiria pouco tempo depois e, com ela, vieram as resoluções do Conselho de Segurança, ONU e União Europeia que ditavam o congelamento dos bens líbios.

    Actualmente, estão depositados na Caixa 1.300 milhões de euros do regime líbio (o equivalente a 2% dos depósitos do banco). Se o Conselho Nacional de Transição líbio viesse hoje levantar o dinheiro a Caixa teria de pagar 40 milhões de euros em juros, para além dos 1.300 milhões. Os peritos contactados pelo Público referiram a esse propósito que um levantamento dessa ordem “não faz um banco cair, mas é importante”.

    Nada indica ainda assim que as novas autoridades líbias tenham a intenção de retirar o dinheiro da Caixa e, segundo confirmou o Público, nenhum pedido foi feito nesse sentido.