Pagar três vezes!

Manuela Ferreira propõe que a saúde e a educação sejam temporariamente “pagas por todos aqueles que podem pagar” e o título da notícia no Público, dizendo que “Ferreira Leite propõe fim temporário da gratuitidade na saúde e educação” dá a estocada final. Vejamos:

  • A educação não é gratuita. É paga com os nossos impostos e, cada aluno, custa a módica quantia de, aproximadamente, 8 mil dólares (Education at a Glance 2011, p. 206 e seguintes). Cerca de 5800 euros. (Já agora, por este valor, bem podiam os alunos fazerem o favor de estudar ou de irem cavar terra, caso achem a vida escolar muito dura.)
  • Sendo o sistema de impostos (supostamente) progressivo aos rendimentos auferidos, a educação já é paga por todos os que a podem pagar.
  • E quem tiver as suas razões e preferir ter os filhos numa escola privada, ainda pagará a educação uma segunda vez.

Quanto à saúde, o raciocino é o mesmo, com a agravante de o Estado negar ao utente o serviço que lhe cobra (eu e milhares de portugueses não temos médico de família). A não ser que queria perder um dia de trabalho para tentar ter uma consulta num posto médico, pago a saúde duas vezes sempre que sou obrigado a recorrer ao privado.

Ao que sei, MFL formou-se em economia, pelo que, ao propor que algumas pessoas paguem ainda mais pela educação e pela saúde e evocando estes argumentos, não o fará por falta de formação. Resta a má fé ou o disparate.

Comments

  1. Nuno Costa says:

    A mesma srª que sugeriu há uns tempos suspender a democracia durante 6 meses…
    Suponho que os níveis de insanidade lhe estejam a aumentar… ela que pague o seu próprio tratamento que bem pode

  2. Pedro M says:

    Esta é a visão dos liberalóides que não percebem o conceito de diferenciação de contribuições através das Finanças: sonham com um mundo em que as discriminações de rendimentos são feitas nas Urgências dos hospitais e nas matrículas das escolas, para evitar “a misturada” com a plebe.

    É o sonho do “o sr. doutor passa à frente fáchabor,’brigados.”

    • jorge fliscorno says:

      Não que me reveja no comentário, mas acrescento: eu percebo muito bem o “conceito de diferenciação de contribuições através das Finanças”. Cada vez pago mais por um serviço que o Estado me nega.

      • Pedro M says:

        Referia-me à MFL e pela minha parte revejo-me no seu comentário – também pago mais por serviços que mirram. A solução? Exigir os serviços que estou a pagar.

        • jorge fliscorno says:

          Sim, tinha percebido 🙂 A minha deixa saiu algo destrambelhada.


  3. Alguém não anda a tomar as gotas!