O último a sair apaga a porta e fecha a luz

Coitado do Soares dos Santos afinal não é só ele, os nossos grandes capitalistas, perdão, os nossos grandes empreen-dedores estão a dar de frosques e as nossas (salvo seja) grandes empresas há muito que beneficiam das Holandas e Luxemburgos destas Europa e outros locais sossegados nos impostos do resto do mundo.

Esta última parte sempre se soube mas finalmente fica clara: a pátria deles é o dinheiro e a fuga legal e ilegal aos impostos mera rotina, um pecado remissível com uma esmola aos pobrezinhos coitadinhos que também não são tributados. Então não se pode ser rico? perguntam como se o problema fosse esse.

O desinvestimento em Portugal já é uma novidade. Significa que sabem muito bem ser hora de fechar a loja, começando pelos hiperrmercados que vão ficar às moscas, fazer as malas ao dinheiro e partir. Quando têm o governo mais à direita de sempre assumem que a austeridade rebenta com a economia e a direita não sabe governar, dando razão à esquerda pelos seus actos, embora continuem a negá-lo nos sermões aos seus devotos.

Façam boa viagem. Já vi este filme em  1974-75, não foi por isso que Portugal deixou de existir, e alguns bem souberam aproveitar a sua ausência (Belmiro que o diga). Esta é a emigração de que precisamos e que nos pode salvar. Mas façam-nos um grande favor: levem os vossos políticos convosco, inventem um governo no exílio. A malta agradece e cá se há-de amanhar a pátria com os que ficarem.

Comments

  1. J.Pinto says:

    Muito bem caro João José Cardoso,

    Onde escreveu “empresas” substitua por “portugueses em geral” e o texto continuará a fazer todo o sentido. Os portugueses têm emigrado muito nos últimos anos, como não se via desde a década de 60 do século passado.

    Sim, eu percebo a sua teoria. As pessoas devem ter liberdade de circulação, as empresas, essas, devem ser obrigadas a ficar em Portugal. Por que é que o João José Cardoso não põe a questão ao contrário? Por que é que os portugueses (empresas e particulares) “emigram” para outros países? Porque Portugal não lhe proporciona condições. Os outros países proporcionam-lhe mais e melhores condições. O João acha que, exceto se vivermos numa ditadura, alguém ficará em Portugal se lhes aumentarmos ainda mais os impostos? Isto é tão lógico, tão consensual, tão racional, que nem merece discussão.

    Este caso da empresa Jerónimo Martins é a resposta a todos aqueles que defendem mais impostos para as empresas. A não ser que defenda um regime totalitário, e proíba as pessoas, os bens e o capital de circular, é que pode defender uma tributação excessiva para as pessoas e para as empresas. Relativamente à atividade que tem em Portugal, a JM não tem qualquer benefício com esta alteração de domicílio fiscal. Os lucros obtidos, por exemplo pelo Pingo Doce, continuarão a ser tributados em Portugal. Ler com atenção o artigo 51 do CIRC.

    Por que é que vocês não põem a pergunta ao contrário? Como é que a Holanda consegue atrair mais investimento e nós não? O que é que andamos a fazer de errado? Não, eu sei, na vossa teoria a culpa é sempre dos outros.

    O João José Cardoso acha que alguém vai investir em Portugal se lhes quisermos sacar metade do seu lucro em impostos? É assim que defende o investimento em Portugal?

  2. maria celeste d'oliveira ramos says:

    Oa PINGOS até podem ir para onde quizerem – se deram cabo do comércio tradicional há 40/50 anos que se vão para se reabrir os que fecharam ou abrirem novos à nossa medida – e haverá mutos que já morreram de dor mas também muitos que resistem – há muitos a dizer não – os continentes e Lidl e com Assucar podem ir, por mim podem ir já – só não quero, como tenho no bairro, um supermercado XINÊS e nunca se sabe se proliferarão já que na rua tenho pelo menos 5 lojas + restaurante dos orientes, a abrir caminho ao que aí vem – vamos ver – os continentes não fazem falta – foram diabólicos para o pequeno comércio quando se impuzeram e agora têm pena deles ? e o IKEA também pode ir – também deitaram abaixo a indústria e comércio do móvel e vão deitar abaixo os estaleiros de Viana – e deitaram abaixo os texteis e as chitas de Alcobaça e a Secla – não precisamos de modernices – alguém se enganou com a CEE e UE e os deixou comer aqui até ao osso
    Vão-se embora – enquanto houver terra para legumes e fruteiras e vinha e olival (que deixam que espenha compre vá-se lá saber porquê, essa maravilha que os Gregos nos trouxeram e TODOS vão levando abocanhando com o podem, teremos do melhor e não terão o desplante de importar LIXO de espanha, de agroquímicos e transgénicos cancerígenos e poluidores dos freáticos- Imagine-se que até o milionário Russel da menina Onasssis se implantou no Alentejo e deixou fráticos desgraçados, caçou os subsídios que eram para o país, mas vá lá, pirou-se – dos 36% de tarrea agricultável ainda sobra alguma que não foi dizimada pelos “investidores estranjas” e também não dá para construir mais estradas e casas e turismos em terra agrícola abandonada. Os governantes são mesmo mais do que merdosos – são criminosos de lesa-pátria – façam-nos emigar para bem longe – todos – DEPORTEM-NOS como fazem aos portugueses

  3. Ramos Franco says:

    .

  4. Miguel says:

    Caro JJC

    Os seus valores é que talvez o levem a confundir a pátria com dinheiro. Há uma grande diferença entre nascer e morrer como Português, mas viver a vida fora.

    Ninguém discorda que quem tem mais, dê mais. Mas não podemos definir regras como preto e branco.

    Talvez, no seu raciocínio os alunos de notas mais elevadas devam dar uns pontos aos com mais dificuldades. Excelente incentivo para quem se esforça, hã?


  5. #1 O sistema fiacal holandês anda muito bem expicado, nas últimas 48h, em português. Não tem impostos mais baixos que os nossos, e duvido que tenha a nossa fuga ao IRS.

    #3 Essa dos alunos é brilhante. Podia ter dito que os grandes clubes podiam perder uns jogos para distribuir pelos pequenos, os bugalhos seriam os mesmos.

  6. kalidas says:

    Os mercados são a barbárie do tempo moderno.

    Os bárbaros atacarem já aconteceu antes. Há mil e quinhentos anos até armas traziam para cortar a raíz ao pensamento e a cabeça aos pensadores. No Ocidente não aconteceu então um apagão civilizacional, porque o saber até então documentado, foi escondido na biblioteca dos mosteiros. Por isso muitos se referem a este período como a Idade das Trevas, em contraponto ao Renascimento e ao Iluminismo.

    Os bárbaros atacam de novo, agora no estilo da guerra do corso, saca e foge.

    Pingo Doce é o nome do último barco pirata a atacar Portugal.

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