Em 1998 após um referendo , e pela primeira vez desde o inicio do Sec. XVIII , a Escócia voltou a ter um Parlamento . Foram logo estabelecidas as regras para as futuras eleições de maneira a impedir que qualquer partido obtivesse uma maioria absoluta , pensando sobretudo no Scottish National Party (SNP) que , para os defensores da União , vinha aumentando de popularidade de forma preocupante .
Porém em Maio de 2011 , e sob a liderança de Alex Salmond , para muitos o mais brilhante , sagaz e astuto politico do ainda Reino Unido , o SNP obteve uma retumbante vitória e a tal julgada impossível maioria . E fê-lo prometendo ao eleitorado referendar a independência da Escócia , quase certamente em Junho de 2014 . A escolha da data é tudo menos inocente , pois será nessa altura que se comemoram os 700 anos da famosa batalha de Bannockburn e a vitória do pequeno exército Escocês , comandado por Robert the Bruce , Rei da Escócia , sobre uma muito mais poderosa força Inglesa .
É verdade que o First-Minister Salmond propunha que nesse futuro referendo constassem além do Sim ou Não à independência , uma terceira alternativa que seria algo de intermédio , uma “devolução máxima” dos poderes do Parlamento de Westminster ao Parlamento de Holyrood ; tudo suficientemente vago que permitisse negociar e negociando manter a integridade do Reino Unido .
É bom que se esclareça que se em 2011 o SNP obteve uma esmagadora vitória , o Partido Conservador arrecadou uma acabrunhante derrota , não tendo conseguido eleger um único deputado pela Escócia .
Estavam as coisas neste pé quando há dias David Cameron , certamente influenciado pelo filme “Iron Lady” , resolveu dar uma “ a la Thatcher “ e largou a “bomba” numa entrevista à Sky News : O referendo na Escócia teria de se realizar impreterivelmente até ao final de 2013 e apenas poderia conter duas perguntas : o Sim ou o Não .
Adivinham certamente a resposta que veio do Norte : Curta e grossa . A Cameron foi sucintamente dito para não se meter onde não era chamado . Eu que sempre o achei um jovem irreflectido e petulante nunca esperei contudo este atirar de gasolina para a fogueira e sou dos que se recusam a acreditar que a razão desta atitude está num mero calculo eleitoral : Tendo o Partido Conservador sido apagado eleitoralmente da Escócia e com esta independente , os deputados por ela eleitos deixariam obviamente de ter assento em Westminster , garantindo-lhes assim uma maioria ad aeternum .
Seja como for , é fácil calcular o pandemónio que tudo isto causou , com toda a gente a discutir em como dividir o que desde há séculos está unido , desde as Fronteiras à Defesa , aos impostos , à representação externa , para não falar no problema constitucional de intratável complexidade .
Mas parecia que , com mais ou menos dificuldade , inevitavelmente o Reino Unido deixaria de existir tal como o conhecemos , até que um formidável obstáculo , um monumental escolho , inesperadamente surgiu capaz de impedir o fim que se avizinhava : Refiro-me a Tian-Tian e a Yang-Guang , os dois Pandas oferecidos pela República Popular da China , presentemente num Zoo de Glasgow .
Nos corredores de Westminster onde o assunto é discutido , a opinião é unânime : ”Eles foram uma oferta do Estado Chinês ao Governo Britânico e portanto terão de ser devolvidos a Inglaterra !” . Os Escoceses porém respondem : ” Os Pandas vieram para a Escócia devido a um acordo entre a China Wildlife Conservation Association e a Royal Zoological Society of Scotland , e portanto são nossos e daqui não saem !” .
Felizmente parece que o acordo é impossível e sem ele o Reino Unido continuará unido e eu acho que pela melhor das razões : Terem sido os dois simpáticos pandas a devolver alguma sanidade a um Povo conhecido pelo seu amor aos animais . Se isto não é uma Justiça poética , então não sei o que será.
manuel.m






Gostava que ganhasse a independência!
Cai-me bem o auto governo dos povos!
esta da maioria absoluta graças ao desaparecimento de deputados conservadores e mau grado a constituição ad-oc é uma lição política que deveria ser escutada em Portugal.
País que tem uma constituição que é dada como exemplo na maioria das faculdades de direito internacionais Que é estudada e aplaudida por constitucionalistas do mundo inteiro. Mas país onde, cada vez que há uma governo minoritário ou que se elege um imbecil como o Cavaco, se vem com aquela da “reforma constitucional”, como se a constituição tivesse culpa de termos os políticos que temos e fosse boa coisa ter leis ad-oc, constituição ad-oc, etc.
Precisamente o que há de bom na nossa constituição é que ela é boa de per si e que é tudo menos uma constituição circunstancial feita para este ou aquele governo, este ou aquele presidente.
O equilíbrio dos poderes é quase perfeito, contando que tenhamos um presidente que, sem governar (e é bom que seja independente do governo e do parlamento), tenha poder e o exerça. Se o Cavaco não faz nada é porque é mau presidente e não porque a constituição o impeça. Contando também que tenhamos partidos capazes de se unir para o bem comum sem precisarem de maiorias absolutas e vivermos (como vivemos) em bi-partidarismos de amigos da onça.
é culpa da constituição a eleição do Cavaco? é culpa da constituição o não sermos capazes de termos alternadamente governos de partidos diferentes ou coligações representativas do espetro político da esquerda ou da direita? ou não será antes culpa dos políticos que temos e dos partidos que temos?
Quiseram impedir o SNP de chegar ao poder a pesar da vontade do povo escocês. Virou-se o feitiço contra o feiticeiro. Como sempre acaba por acontecer com o chico-espertismo em matéria de política.
A Europa não para de nos dar exemplos desses, a Europa dos tratados ad-oc, das cimeiras ad-oc, da Europa que recusa o sufrágio universal e as escolhas dos povos.
Tito Lívio Santos Mota
PS: o SNP é um partido que se situa políticamente muito próximo da extrema-direita. Pessoalmente não é portanto das minhas simpatias. Mas não é com manobras à moda da Ti-Jacinta que se combate a extrema-direita mas com debate de ideias.
acrescentarei para os menores de 50 anos e para os esquecidos que a nossa constituição foi aprovada por todos os partidos portugueses da altura. Coisa rara, senão única.
Deveríamos ter orgulho nisso.
A mão preta, a mão indiana e a mão invisível
A Escócia tem as maiores reservas de petróleo da União Europeia. Há trezentos anos tinham carvão que a Revolução Industrial consumiu e a mão invisível administrou.
A mão, mesmo invisível, tem dono, percebe-se não era escocesa, tal como a que administrava a East India Company, não era indiana.
No tempo do cavão, para inglês ver, era muito democrática a mão invisível, até impôs a regra de um homem um voto, mas isso era o liberalismo utópico, quando passou ao liberalismo científico, os escoceses ganharam as mãos pretas.
Ficou uma lição para o tempo do petróleo que é uma verdade absoluta;” a riqueza é criada pela sociedade, e não pelos seus membros individuais”. Portanto a sociedade tem o direito de exigir a sua justa distribuição.
Talvez a memória me esteja a pregar uma partida, mas tenho ideia que, ao contrário do que afirma a Casa Amadis, o CDS votou contra a constituição. Pelo menos continua coerente na sua cruzada conservadora, ao contrário de outros que a aprovaram e agora não perdem uma oportunidade para a adaptar aos seus desígnios pouco claros. Mas a minha dúvida às considerações da Casa Amadis fica por aqui, porque, quanto ao resto, estou de acordo.