Acordo Ortográfico: algumas questões pertinentes

Os deputados do PSD/Açores, neste documento, fazem algumas críticas ao Acordo Ortográfico e dirigem, ao Ministro dos Negócios Estrangeiros, perguntas pertinentes. Esperemos que a resposta de Paulo Portas não se fique pela pobreza argumentativa que inclui referências à necessidade de internacionalizar uma língua que tem dificuldades em afirmar-se no país europeu em que é falada ou ao facto de ser um processo irreversível ou à obrigatoriedade de haver uma fase de adaptação e estranhamento. A argumentação a favor de um instrumento tão importante como um Acordo Ortográfico merece que os respectivos defensores dêem o seu melhor. A não ser que isso não seja possível, por incompetência de quem argumenta ou por inexistência de bons argumentos.

Entretanto, para quem defende a suspensão do Acordo, é animador que, na bancada de um dos partidos do governo, haja quem tome posições destas.

Comments

  1. Rosário Carvalha says:

    Estou do outro lado da barreira. O Acordo não me levanta angústia de qualquer espécie. Quem leciona literatura portuguesa sabe que desde a poesia trovadoresca, passando por Gil Vicente, Camões, Padre António Vieira, Pessoa e Saramago, a língua foi evoluindo, mas manteve sempre a essência. Para mim, é isso que conta, o conteúdo, a semãntica da palavra que escolho para comunicar com o outro. Se o outro é excepcional ou excecional, isso pouco me importa, uma vez que ele continua “verdadeiramente” a ser aquilo que é.

  2. marai celeste ramos says:

    Acordo “matador” não pode bastar-se a uma opnião pessoal – são as opiniões de Portas & outros “linguistas” que opinam só para si sem teremtempo de pensar um pouquinho mais nas causas e consequências e eventualmnte na tal EVOLUÇÂO de outas linguas que seria opinião mais interessante – talvez por iso quem é jornalista na Tv que inventa outras fonias onde não estão com a liberdade de NÂO SABER mais, acontece – sugiro cadeira obrigatória, desde a 4ª calsse, de bresilês para se aprender como se aprende inglês – no Brasil é assim – é obrigatório estudar castellano

  3. Maria Fernandes says:

    O argumento do acesso ao mercado editorial do Brasil é uma utópia, porque os brasileiros não entendem o Português Europeu e é por isso que não compram livros portugueses (só poucos é que o fazem, mas fariam-no com, ou sem, o acordo ortográfico, porque têm interesse em conhecer algo diferente e conhecer outra cultura).

    O problema de comunicação entre Portugal e Brasil não está, nem nunca esteve, no “c” ou no “p” e se é excepcional ou excecional. Nós entendemos os irmãos brasileiros e eles não nos entendem. E, no meu ver, a nossa facilidade em entender o português do Brasil não é apenas por causa da influência das telenovelas, mas sim porque a língua Portuguesa escrita e falada em Portugal é mais rica, tem mais sinónimos. Passo a dar exemplos práticos e reais:

    Exemplo 1: Percebeu
    Se um português pergunta a um brasileiro “Percebeu?” ele dirá “oi?!?” porque não vai compreender, porque só está habituado ao “Entendeu?”… Já o português entende/percebe/compreende de todas as formas.

    Exemplo 2: Chavena
    Se um português pergunta a um brasileiro “quer uma chavena de chá?” ele dirá “oi?!?” … Tem que dizer “Xicara” para ser bem compreendido… Já o “portuga” bebe o chá na chávena, na xicara e até na caneca se for preciso!

    Exemplo 3: Travão
    Experimente dizer a um brasileiro (que não esteja habituado a pt_PT) que vá a conduzir para travar. Vai escutar “oi?!?” e o carro a bater!!!… Terá que dizer “frear” (não é tão usual para nós, mas associamos logo que é para travar). E p.f. não esquecer que um brasileiro não “conduz” um carro, ele “dirige”…

    Enfim, poderia estar aqui a milhentos exemplos (mesmo!), desde vocabulário de roupa a comida, passando por tecnologia (aí então tudo tem palavras diferentes, desde o “ficheiro” que é “arquivo” até ao “guardar” que é “salvar”), até ao transito e ao desporto… Para atingirmos o mercado editorial do Brasil teríamos que alterar toda a nossa forma de escrever, deixar de utilizar os “-lhe” e “-se”, passar a utilizar “esporte” em vez de “desporto”, a “salvar arquivos” em vez de “guardar ficheiros”, a vestir “blusas de lã” em vez de “camisolas de lã” e com a cor “marron” em vez de “castanho”.

    Por isso esse argumento do acesso ao mercado editorial do Brasil não me convence, bem pelo contrário: As poucas traduções que se faziam para pt_PT, agora com o acordo ortográfico passam a ser feitas apenas por Brasileiros (que por enquanto ainda são mais baratos e existe a ilusão que, com o acordo, deixou de existir diferenças logo as editoras podem assim poupar dinheiro). Os postos de trabalho são criados no Brasil e o produto final é exportado para Portugal, onde os consumidores portugueses que entendem/percebem/compreendem de todas as formas “papam” e não dizem nada.

    Que mau negócio este!!!

    A facilidade com que a generalidade dos portugueses aprendem idiomas e se adaptam a outras culturas é, aparentemente, uma mais valia. Contudo, os povos que mais se “fecham” no seu idioma como os brasileiros e os espanhóis, acabam por gerar muito mais empregos no próprio país em tradução, locução e até programação (até a linguagem de programação VBA dos programas Microsoft Office é traduzido para castelhano!). As nossas competências são boas para emigrarmos!

  4. É um acontecimento que, numa democracia que se diz representativa, e em que as sondagrns indicam que perto de 85% dos portugueses não querem «acordo» algum, haja 3 ou 4 deputados se lembram, finalmente!, que não são funcionários, mas… representantes do Povo.

  5. Rosário Carvalha says:

    Estes argumentos só vêm confirmar que ninguém cedeu ou se rendeu a nada nem a coisa nenhuma. Nós continuamos a usar e a servir-nos da estrutura da língua-mãe, comum a europeus, americanos, africanos e asiáticos. As alterações são apenas ortográficas, por isso não vejo problema nenhum em que se mantenha a grande variedade vocabular para palavras que são sinónimas. É essa variedade que contribui para a unidade e riqueza da língua, não a deixando morrer. Mesmo quando um mesmo vocábulo adquire significações diferentes, caso de “bicha” ou “puto”, por exemplo. Este mesmo fenómeno existe no português europeu, num território tão pequeno como o nosso, com apenas 9 milhões a usá-lo diariamente.

  6. Albano Coelho says:

    A iniciativa dos deputados do PSD/Açores não surpreende e nada adianta. Pouco ou nada diz e no pouco que diz mente.

    E os argumentos dos “contra” expressos nos comentários acima fazem o mesmo repetidos as falácias de sempre.

  7. Albano Coelho says:

    Errata:

    … repetindo as falácias de sempre.

  8. Nightwish says:

    Um acordo que para nada serve a não ser para deitar fora dinheiro e servir interesses obscuros.
    Tal como quase todas as medidas dos últimos governos.

  9. Rosário Carvalha says:

    Essas são outras questões que não devem arrastar a língua para a lama.

  10. Clara Fonseca says:

    Ó Maria Fernandes, desculpe a minha ignorância, mas “fariam-no” enquadra-sn da norma brasileira ou euro-áfro-asiática?

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