A familiaridade do insulto em Portugal

Apercebo-me por uma crónica do Ricardo Araújo Pereira (a que cheguei via Joana Lopes) ter Sócrates chamado mansa à mãe de Vítor Gaspar (numa altura em que provavelmente nem sonhava com a sua existência) e agora Santana ter tido o flope de chamar Salazar à senhora de um ministro das finanças do Esteves*, partindo do princípio que o tio de Fernando Rosas era casado.

O problema de Portugal é ser Lisboa, e Lisboa ser muito pequenina. O resto é paisagem.


* Esteves, alcunha de Salazar; por razões de segurança nunca se noticiava onde o homem ia meter as botas, mas apenas “o sr. presidente do conselho esteve ontem em“… sem ofensa, falta pouco para Cavaco Silva recuperar este hábito lusitano.

Comments


  1. Por puro acaso, conheci uma tia de Fernando Rosas 🙂


  2. A consorte do Dias Rosas?

  3. Tito Lívio Santos Mota says:

    Acontece que o Fernando Rosas é da minha família (mas não do meu partido, mas isso não é para aqui chamado).
    Temos pouca diferença de idade e conheci-o muito jovem assim como ao irmão e à mãe, que por acaso ainda é viva e continua a morar no andar de baixo daquele onde morava a nossa tia comum.
    Fernando Rosas e o irmão foram opositores ao regime fascista, torturados pela pide, tendo até a sua mãe sido torturada perante eles como tortura suplementar.
    Tinha um tio que foi ministro do botas?
    Muitas mulheres honestas e meninas virgens têm tias e primas, ou até irmãs a bater a calçada à procura de “cabritos”, sem por isso perderem virgindade e/ou dignidade.

    Andou por isso muito mal o Sr. lambidinho da Figueira que nunca se opôs a seja que regime fosse, nem foi PM, Presidente de Câmara, dirigente partidário com seja o que for que lhe possa dar a sombra mesma duma pontinha de honra ou respeito.

    Eu também não partilho muitas das opiniões do meu caro parente, mas não admito que lhe faltem ao respeito, sobre tudo no quetoca ao seu passado de lutador incansável pela nossa liberdade.

    Cales-se pois a tal musa que assim canta, que outro valor mais alto se alevanta.

    Tito Lívio Santos Mota


  4. O problema é que a politica em Portugal faz-se por uma elite muito reduzida…assim é facil encontrar estes traços de familiaridade e através de uma interposta tia insultar a mãe de alguém…qualquer dia até se insultam a si proprios sem saber…democratizem a democracia!

  5. marai celeste ramos says:

    As posturas dos políticos estão em “evolução” – atiram-se copos de água entre parlamentares, e anda-se mesmo à pancada em cima das bancadas e pelo chão, insultam-se as ascendentes “familiares”, há partidos que parecem campos de batalha feroz de palavras e atitudes como antes das nossas últimas eleições, e, avançando, a retória inferior já atingiu a asembleia e o minstro da economia escorregou, ou não aguentou e lá disse das suas, como o anterios 1ºministro, que aguentou a mais feroz perseguição que vi desde 25a. acabou por não conseguir deixar de se ferir à “tia” de alguém. E este exemplo no palco do teatro “nacional” saou as portas e passou para os comentadores da TV, levando o sr lambidinho da figueira a perder o “brilho” , e rosas a perder a cabeça, porque mesmo em tais lugares um homem tem, felizmente, os seus limites – Aliás estarei assistir aos limites de todas as coisas e já nem o circo apetece deixar entrar em casa pelo écran da TV – desmoronou tudo – o teatro tragicómico deu em farsa e nem os actores aguentam por mais bem treinados que tenham sido, e sendo até que um “saudoso” ministro de governo anterior pôs corninhos a si mesmo com suas mãos, em plena AR, pois que Bordalo Pinheiro está “passado” como dizia Filomena Mónica a gaguejar, e o seu gesto desactualizado – A injúria anda à solta apesar dos brandos costumes mas creio que português não é tão manso como parece. Afinal, apesar de parecer que isto sucede por andarem a defender o “nosso pão” ,que interessante como “eles” gastam o nosso tempo e dinheiro, agora, para fazerem cada vez mais desastrosamente a condução ao desatre, e deixarem, como nunca,1 milhão, sem pão – tudo se reduziu à injúria porque até a mentira se esgotou. Curiosamente são os governados que saem à rua que têm a melhor das compusturas e, se não tiverem, cum raio, são o “povo” que fizeram muito bam em jogar o carnaval e, mais uma vez, não perderam o humor que bem actualizaram através dos seus gigantones políticos – vamos ver se os decisores se comoveram, piegasmente, com o povo que não merecem. Por mim faria um referendo espontâneo, na RUA, para decidir pô-los TODOS na rua, esvaziava os poleiros e 99% centrais e regionais,metía-os nas grades (a a trabalhar para o seu auto-sustento nas “hortas prisionais”, ou, melhor ainda, no avião para emigrarem e não ficar, nem o cheiro

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